quinta-feira, 31 de julho de 2014

Golpe duro para Rússia
Tyzhden. ua (Semana Ukrainiana)
Olga Vorozhbyt

A economia russa,  esta semana , sofreu um golpe duplo do lado ocidental do continente, sob a forma das chamadas sanções de terceiro nível e obrigação para pagar 50 bilhões de dólares a Yukos.


Pela primeira vez durante o período de promessas de sanções UE afetou vários setores da economia russa, incluindo os bancos controlados pelo Estado e a indústria do petróleo. No apelo do Conselho da UE trata-se também sobre restrição da Rússia ao mercado de capitais, embargo no abastecimento de armas e proibição de exportação de bens de dupla utilização. Já em 31 de julho, todos estes passos decisivos tornar-se-ão realidade e vigorarão por três meses, e poderão ser conhecidos os detalhes, o quanto eles serão decisivos na realidade. No apelo do Conselho da UE diz que essas limitações se aplicam apenas aos novos contratos, de modo que os helicópteros Mistral continuarão sendo vendidos, e a cooperação com "Rosneft" e "Gazprom" ninguém vai parar. Mas, em geral, este passo, obviamente, foi dado com muita dificuldade. Para convencer alguns europeus renegados da necessidade deste gesto por parte da UE, Angela Merkel até interrompeu suas férias.

Como já escreveram as edições ocidentais e observaram os especialistas, a situação na Ukraina e a agressão russa bateram bem sobre as perspectivas da economia russa. Na semana passada, o FMI divulgou sua previsão atualizada de crescimento. Ao invés de esperar os 3,8% de aumento igual a 2013, de acordo com as previsões atuais, este ano será de apenas 0,2%. Novas e rigorosas sanções da UE podem causar ainda mais dor a já desgastada economia russa. Além disso, elas deixam claro, que a FR esta tornando-se um país onde não é desejável investir. "Talvez o maior dano é, que investir na economia russa é visto muito mais arriscado que no passado. Então, os investidores agora vão ignorá-la" - declara a este jornal o especialista do Centro Carnegie de Bruxelas Ulrich Speck. Segundo ele, o dano proveniente das novas sanções é bastante limitado.

Por exemplo, para Alemanha, o jogador europeu mais importante, Rússia não é o principal parceiro econômico. Entre os países dentre os quais Alemanha, Rússia está apenas no 11º lugar, quanto a importância, no 7º. Em geral, para UE, Rússia é o terceiro país na lista de parceiros comerciais, enquanto para ela mesma UE - é o primeiro.

Sanções - é o último método para evitar a guerra, e ao que parece, na Europa isto já é bem compreendido.
Na política da UE quanto a Moscou, no contexto de sua agressão contra Ukraina avistava-se um sério rompimento.
A aprovação dessas sanções deu mais um forte sinal: UE - é um único organismo e, apesar das diferenças, tem uma posição conjunta. No entanto, esta unidade também significa, que as sanções, possivelmente, não são tão severas, como esperavam. Este sinal de Bruxelas, no entanto, foi de grande importância para EUA, porque quase imediatamente encorajou-os à expansão de suas sanções. Também era importante a Obama, como político, ouvir tal eco de apoio da Europa, ao menos para convencer-se que ele não é um flagelo global e tem parceiros leais. Interessante que, com a divulgação das novas restrições, na UE soaram vozes, que sob as sanções devem cair também os amigos europeus de Putin.

As novas sanções econômicas contra Putin não foram o único golpe na economia russa. Em 28 de julho o tribunal de Haia decidiu que Moscou deve pagar 50 bilhões de dólares de compensação a Yukos. Segundo especialistas, esse valor é de 2,5% do Pib da Rússia. E isto vai atingir a economia da FR não menos, e provavelmente ainda mais do que as sanções da UE. É o que pensa, por exemplo, o economista sueco Anders Aslund. Se Rússia se recusar a executar a resolução judicial, suas empresas terão problemas sérios, relacionados com contas bancárias, sofrerão interrupções com veículos comerciais, suas cargas podem ser removidas no mundo todo. No entanto, de acordo com o especialista, é duvidoso que ela pague.

A implementação das sanções da UE trouxe a um novo nível as relações políticas e econômicas entre a FR e o Ocidente. Em primeiro lugar, aumentou o sentimento de oposição; em segundo, a interdependência econômica não desaparece, a diversificação das fontes de energia vai continuar por muito tempo, e por enquanto ainda não se sabe a que passos e ações ela vai forçar. Além disso, Kremlin entende que para bloquear os trabalhos do organismo europeu é indispensável conversar e fazer negócios com cada uma das 28 cabeças. Por exemplo, Rússia comprando através de sua estatal "Rosneft" 13% de participação  da italiana Pirelli, agora tem a Itália como um lobista ativo para seus próprios interesses na UE. E foram os italianos que mais bloquearam a adoção do terceiro nível de sanções. A mesma lógica aplica-se à venda de navios Mistral e os mercados financeiros de Londres. Como UE vai conseguir superar essas debilidades políticas, ainda não se sabe.

Mas, já podemos dizer que as ações da UE dão aos EUA uma oportunidade para intensificar a sua retórica, e é possível que darão origem a algumas mudanças em termos de segurança, como obtenção de Ukraina o estatuto de "principal aliado fora da OTAN". Além disso, as abordagens e declarações dos principais jogadores europeus mudaram bastante. Angela Merkel e empresários alemães após a queda do avião da Malásia dão prioridade a política, não a economia.

Este novo compromisso das políticas da UE também poderia influenciar no geral, quanto a posição da Ukraina, pois não dá tranquilidade o ainda não ratificado Acordo de Associação. Por enquanto, o ministro do Exterior Pavlo Klimkin argumenta que isto acontece devido às negociações tripartidas quanto a implantação (com participação da Ukraina, UE e Rússia). Talvez, com a determinação de Bruxelas sobre a questão das sanções virá a determinação para convencer Moscou de que Kyiv deve decidir sozinho como implementar o próprio Acordo sobre associação, porque parece, que o vizinho do leste pressiona. Depois da catástrofe do avião MN-17 parece bastante claro, que a política de persuasão do agressor já de longa data não leva a nada positivo. Sanções - é o último recurso para evitar a guerra e, parece que à Europa isto já é bem compreendido, porque um conflito aberto no centro do continente, no século XXI - é o sonho assustador de todos os seus líderes.

Tradução: O. Kowaltschuk 

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