quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Eu escrevi o texto e pedi para atirarem em mim - ex-prisioneiro russo
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 22.09.2016
Dmitry Volchek

Nove meses Anatoly Polyakov, empresário russo e ativista social de Petrozavodsk (Rússia), foi mantido em cativeiro em Lugansk ocupada. Na primavera de 2015 ele chegou a Donbas com missão humanitária, mas depois de negociações bem sucedidas sobre a evacuação de crianças gravemente doentes e troca de militares prisioneiros, ele foi atacado na rua, algemado, colocaram um saco em sua cabeça e fecharam no subsolo. Os carcereiros fingiam ser "guerrilheiros ukrainianos", mas Anatoly logo compreendeu que foi levado para o cativeiro dos militantes, que permanecem sob controle dos serviços especiais russos. Depois ele foi parar na prisão do "ministério de segurança de estado do grupo "FSC". Ele foi cruelmente espancado, ele sobreviveu milagrosamente. Agora Anatoly Polyakov que conseguiu escapar do "novo Gulag", que apareceu nos territórios ocupados pelos separatistas no Donbas, passou pela reabilitação e esforça-se para libertar, das câmaras de tortura seus companheiros de infortúnio.

- Ainda no Maidan eu participei de vários projetos, direcionados para solução pacífica do conflito artificial na Ukraina. Depois, com o apoio do Ministério da Defesa da Ukraina, foi criada a organização "Corpo Humanitário", que eu encabecei. Sua finalidade era a normalização das relações no domínio de proteção dos direitos de militares presos e fornecimento de assistência direcionada para instituições médicas infantis no território ocupado da Ukraina.
No dia 12 de março de 2015, a convite dos líderes da "FSC", como voluntário, eu vim para Lugansk. 14 de março, no encontro como líder da "FSC", nós discutimos uma ampla gama de questões, incluindo o transporte de crianças com câncer e tuberculose, ao território da Ukraina, e formação de comissão com observação de direitos dos prisioneiros militares e pessoas civis, que eram detidas pelos militantes.

Anatoli Polyakov na marcha da oposição

- E sozinho tornou-se prisioneiro de guerra. Você acha, que isto era uma armadilha. Você foi atraído especialmente?
- Minha viagem não era segredo. Um dia antes assassinaram Nemtsov. Depois disso, começaram as detenções na Rússia, dos oponentes mais ativos. Neste momento eu chego ao porão em Lugansk. Todos os meus amigos já estavam presos na cadeia.
Quando me interrogava a "milícia", era evidente, que eram os representantes de serviços especiais.
- Como você reconheceu, que eram representantes de serviços especiais?
- Pelo estilo de comunicação, como conduzem o interrogatório, pelos hábitos profissionais. Muitas vezes eu precisei contactar com eles por causa de minha atividade política. Na Rússia eles usufruem de poder ilimitado. É suficiente olhar para seus olhos, cheios de onipotência e permissividade, que não podem ser escondidas.
Eles repetiam que não me dispensarão, não entregarão para o lado ukrainiano. "Nós proporemos por você seis pessoas. Se eles concordarem, diremos "oito". Eles deixaram claro, que à liberdade eu não saio.

E neste momento eu continuava a acreditar, que os russos me libertarão, virão, pedirão desculpas, punirão todos e me deixarão ir para casa. Como eu era ingênuo.

Duplamente triste e doloroso, que escarneceram de mim meus colegas russos.
 - Vamos voltar um pouco, para trás, no dia em que você foi atacado e tomado como refém. Como isto aconteceu?


- Isto aconteceu em 14 de março, próximo "Western Union", no meio do dia. Depois que eu saí de lá, me atingiram na cabeça, eu perdi a consciência. Recobrei os sentidos já algemado, com um saco na cabeça. À cabeça colocaram um automático. Fui arrastado para o porão, jogado no chão de concreto, e assim eu fiquei deitado por 24 horas. No dia seguinte veio o comandante, ele "contra-inteligência". Imediatamente começou gritar, passou para o idioma ukrainiano.

Em seguida eles apresentaram-se como "guerrilheiros ukrainianos", no início exigiam cem mil dólares, tudo isto acompanhava-se com espancamentos, ameaças e tiros sobre a cabeça. Depois disseram, que eu - russo-instrutor, vim aqui para ensinar separatistas.

- Então eu fui arrastado para uma dependência, pernas e mãos prenderam com algemas a um tubo, eu tive que ficar sentado no chão de concreto, o tubo estava entre as mãos e as pernas. Nesta posição, sentado, eu passei no porão um mês.

- E como você percebeu, que eles - não são aqueles, que procuram demonstrar?
- Quando o tempo todo você permanece no isolamento, e na escuridão total, a audição fica aguçada e você lembra quaisquer detalhes. Quando me levavam no banheiro, eu ouvia o idioma russo, ouvia conversas sobre questões alfandegárias. Quando eles comemoravam, do alto vinham gritos de bêbados "Hurras". Às vezes, lá funcionavam estações de rádio.

- Como lhe tratavam? Em que condições o mantinham. O que esperavam sobre você?
- Perguntavam com quem tenho relações na Ukraina e em Lugansk, com que finalidade vim a Lugansk. Falavam em ukrainiano, se não compreendia, começavam bater. Acorrentaram-me ao tubo, de modo que eu, apenas, podia ficar sentado, o saco não removeram.

Alimentavam uma vez em 24 horas. Libertavam a mão - davam comida e prendiam a mão novamente. Ao banheiro levavam uma vez por dia e por apenas 15-20 segundos, durante os quais era difícil fazer algo, eu pensava, que da pressão os intestinos sairão para fora. Isto é doloroso e humilhante. 

Várias vezes me levavam para fuzilamento. À noite retiravam dos pés as algemas de plástico, eu escorregava pelo tubo para o chão de concreto e dormia do lado direito. Depois me erguiam, novamente prendiam os pés ao tubo, metade do dia (dia e noite = 24 h) eu ficava sentado, metade ficava deitado. Chegou a hora, quando eu não senti mais dor, sentia-me tão profundamente dentro de mim que este mundo tornou-se irreal. Isto era algo estranho, incompreensível. Eu pedia, para chamarem o comandante. Ele veio, eu pedi para me fuzilarem.

Meu único pedido, é que não escarnecessem sobre meu corpo e avisassem minha esposa, onde poderia encontrá-lo, exumá-lo e levar para pátria. Desde então eles começaram a tratar-me com mais calma.

No final do mês vieram ao porão, disseram que eu era procurado em todos os lugares, você, como se fosse o nosso rapaz, nós o levaremos à cidade, lá deixaremos, conte até 300, depois pode pedir ajuda. Eles me levavam pela cidade, para dar a impressão, que estão me distanciando de Lugansk. Eu, no saco, algemas nas mãos e pés jogaram, provavelmente num caminhão ou garagem. Eu contei até 300, comecei gritar por socorro, veio um carro, eu ouvi o idioma russo. Fui colocado no carro, sem removerem o saco, levaram para outra acomodação. Lá removeram o saco. Havia duas pessoas, apresentaram-se como "voluntários" russos. Eles contraiam-se, porque havia mau cheiro: durante o mês nem sempre levavam ao banheiro, mas então, para mim já não importava.

No primeiro dia falavam normalmente comigo, disseram, que se eu, realmente dizia a verdade, então me entregariam à "milicia" e se afastariam. Disseram: escreva sobre os guerrilheiros. Perguntavam se ouvia rádio, se ouvi certas vozes, eu dizia, que nada ouvi. Dois dias depois, começou a mesma situação, imitações de fuzilamento, fui acusado de "atividades subversivas", tentavam humilhar-me insultando minha família. Em geral, os mesmos métodos.

Eu escrevi o testamento, entreguei-lhes nas mãos: "Eu já cansei de vocês, simplesmente atirem em mim".

- Você pensa, que tudo isto foi planejado com antecedência: Eles fingiram que deixam você, e estes já estavam prontos?
- Para mim tudo estava claro, quando eu ainda estava com os falsos "partisans". As minhas próximas suspeitas somente se intensificavam. Uma vez a porta se abriu, no limiar estava um homem em trajes civis, apresentou-se como colaborador do "MDB" (Ministério de Segurança do Estado da URSS), ele me disse, se eu me comportar normalmente, então, possivelmente, voltarei para casa, do contrário apodrecerei no porão. Ele, abertamente, deu a entender que tudo isso foi preparado com antecedência. 

- Você esteve sozinho no porão, e na prisão? Você não viu outros presos?
-Sim, os primeiros dois meses eu era absolutamente único. Depois me levaram ao "MDB", me  tomaram testemunhos, não interrogavam, mas instantaneamente, declararam a acusação conclusiva, onde foi estabelecido que eu, pela tarefa do "Ministério da Defesa da Ukraina" vim ao território da "FSC" com "missão subversiva".

Eu fui acusado de "espionagem", acusaram que eu queria "roubar crianças". E outras acusações. Nos últimos cinco meses, passados no porão do MDB, eu encontrei muitos prisioneiros: tanto militares das Forças Armadas da Ukraina, como militantes.

- Amigos, que lhe ajudavam na missão humanitária, tentavam salvá-lo?
- Se houver um anjo da guarda, então esta é minha esposa, graças aos esforços da qual eu sobrevivi. Nós sempre nos telefonamos, e, quando eu não mais respondi, ela imediatamente avisou aos meus amigos no Ministério da Defesa, que eu tinha desaparecido.  Enquanto eu permanecia no porão aguardando meu destino, já me procuravam, o que influenciou meu destino.

- O que aconteceu depois da apresentação das "acusações"?
- Eu fui enviado para "isolador de manutenção temporária", lá eu passei dez dias. Depois me levaram para "procuradoria" da assim chamada ""FSC", onde fui acusado de "espionagem", disseram que eu - prisioneiro de guerra. No "isolador" de inquérito" eu passei um mês e meio, depois novamente, fui enviado ao porão, onde passei mais de cinco meses.

- Como você foi tratado e como eram as condições no porão do "MDB"?
- Empoeirado porão, teto de cal, no início colocaram em confinamento solitário sob o vaso sanitário. Havia uma pequena mesa, na qual você podia dormir apenas em posição fetal. De roupas eu possuía apenas um suéter rasgado e calção militar também rasgado. Nada mais.

Completa ausência de luz do dia, ar fresco e recursos para higiene pessoal. A pele adquiriu cor cinza como as paredes no porão, pela câmara movia-me como sombra, magro, com grande barba e cabelo longo desgrenhado. Os militantes me chamaram "pessoa da cave". Na câmara havia poluição, havia calor insuportável de 35 - 40 graus. Colocava um suporte na porta e deitava-me no chão para pegar um pouco de ar fresco.

Tratamento bestial, você não sabe quanto tempo, mas começa salivar quando sente, que agora devem trazer comida. Este é um estado terrível... De noite sonha com refeição, e você está pronto para comer papel, para matar a fome. É muito difícil, em tais condições, permanecer humano. 

Às vezes abriam a porta da câmara, o imediato introduzia moças em uniforme e dizia: "Eis nossa atração local - Anatoli Polyakov, oposicionista russo, "quinta coluna", vejam, o que sobrou dele". Eu, naquele período, mal me locomovia, estava enfraquecido, olhava para eles como cachorrinho, pronto para agarrá-los e roer suas gargantas.
Eu gritava obscenidades para eles, mas isto fazia-os, apenas, rir, porque nada lhes podia fazer.
Eu os provocava, mas eles riam. Como pequena cria que apenas late, e mesmo se morder, não causará qualquer dano.

De fato forças eu já não tinha - nem físicas, nem morais. Eu entendia isto, e por causa disto moralmente é duplamente difícil, porque você não pode  fazer nada. É muito difícil. Você foi privado de tudo e constantemente escarnecem. Para quê? Por quê? Porque você se afastou da corja? E não ficou gritando como todos: "Crimeia é nossa" ?.
- Por que eles abusaram tanto de você? O que queriam? Obter resgate? Punir oposicionista russo? Pensavam que você é realmente "espião"? Você compreende as suas motivações?

- Eu, por muito tempo repetia as palavras: " Por quê? Para quê?" Como se viu depois, eles se apressaram e avisaram sobre o meu afastamento. Isto mudou o meu destino. Por que eles decidiram me manter vivo? O tempo foi perdido, graças a reação oportuna da Ukraina na minha questão, porque naquele dia em que fui sequestrado, já me procuravam e sabiam onde eu estava.

Compreendendo que devido à publicidade eliminar-me não era possível, eles fizeram o máximo de esforços para me trazer ao ponto onde você perde a linha entre o homem e o animal, em uma palavra - matar em mim a pessoa. Eles usaram todos os métodos de humilhação, solidão, fome, doenças.

Ao longo destes nove meses eles fizeram tudo para eu odiar a Rússia.

Mas isto eles não conseguiram: pelo contrário, minhas convicções, é que a autoridade da Rússia é indispensável desmantelar imediatamente, apenas fortaleceram-me.

- O que é para você - "FSC"" e "DNR"?
- Eu vejo o "FSC" e "DNR", estes dois enclaves terroristas, como territórios do Gulag, onde pode-se realizar experimentos, onde pode testar novas armas, onde pode fazer absolutamente tudo o que você quiser, onde não há nenhum sistema judicial. Você pode eliminar seus oponentes, pode enviar para lá, para o abate, mercenários russos, ninguém vai procurá-los lá.
- Este é um grande buraco negro, através do qual roubam-se bilhões de fundos públicos. Eles existem, exclusivamente, através do apoio do exército russo.
- Com certeza, entre seus conhecidos há muitos, que até 2004 simpatizavam com o movimento de protesto, mas depois, após a captura da Crimeia, sob a influência da propaganda passaram para o lado do Kremlin...
- Verdade, a maioria da oposição russa, inicialmente, apoiou Maidan. Eles vinham para Ukraina, na esperança, que, talvez, na Rússia poderia haver algo similar. Mas depois, quando o vetor da política mudou para o lado do "Mundo russo", muitos simplesmente ficaram loucos. Eles, voluntariamente, pegaram em armas e vieram matar cidadãos da Ukraina.

Treinamentos militares de militantes do grupo "FSC" na região de Lugansk. Fevereiro de 2016.




Eu acredito, que o sistema autoritário na Rússia apodreceu tanto, que voará em pedacinhos, e isto acontecerá instantaneamente. E as pessoas que apoiaram o genocídio em massa no leste da Ukraina, serão pessoalmente responsáveis pelos crimes que cometeram. Isto aplica-se a todos, àqueles que deram as ordens e àqueles que as executaram. (Vã esperança - OK).

- Quantos, segundo seus dados, reféns em Lugansk e Donetsk?
- Penso, segundo a ordem, de números oficialmente declarados, parte é mantida nos porões das  "repúblicas" - parte no território da Rússia. O número exato é difícil dizer, mas não menos 200 - 300 pessoas.

- Por que protelam a troca?
-Primeiro, os prisioneiros - é a única possibilidade com o que podem chantagear Ukraina os insurgentes e Moscou. Segundo: os militantes tem bem menos insurgentes, que detidos ............. (não consegui saber o significado da palavra, aliás ela tem um significado: "posibnyk" manual de quaisquer estudos - OK) e próprios terroristas no território da Ukraina. Terceiro: todas as decisões quanto a troca decidem-se em Moscou, apesar da posição da Ukraina, que utiliza todos os esforços possíveis para a sua libertação.

Quando a conversa com Anatoli Polyakov já estava gravada, tornou-se sabido que os militantes da "FSC" efetuaram a troca do deficiente cego Volodymyr Zhemchugov, que era mantido desde novembro de 2015. Também foi libertado o funcionário das Nações Unidas no Donbas Yuri Suprun, capturado em abril. (A história dessas pessoas já está no blog - OK).

Anatoly Polyakov reflete sobre o cativeiro: "Dia, mês, ano - o que significa este tempo na vida cotidiana? Trabalho, sem número de eventos e o mais importante, que isto é verão, outono, inverno, primavera. Durante este tempo as pessoas se apaixonam, realizam casamento e se separam. Na TV séries, action-militantes e relatórios da frente, três feridos, um morto, e seguem programas de entretenimento, brigas no Conselho e previsões astrológicas. Estamos acostumados a isso, e para nós é a vida. Mas este período para uma mãe, uma esposa o filho, marido, que está no porão de militantes, o que significa este tempo para aqueles, que a cada segundo esperam um tiro e rezam a Deus pela salvação? Isto não é prisão de uma só pessoa, é prisão de toda a família e tragédia diária. São rugas sob os olhos de mulher cansada e esgotada, que ficou completamente sozinha, e sobre seus ombros frágeis ficou todo o fardo de preocupações diárias. Isto são dois mundos, duas realidades. E sobre isto é preciso conversar, para lembrar e saber, que estas pessoas vivem entre nós, e elas precisam de ajuda. E que em seu lugar, amanhã, pode estar qualquer um de nós".

Tradução: O. Kowaltschuk

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Resumo de algumas notícias ukrainianas: 25 - 26.09.2016

Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana).

Em Dnipro (ex-Dnipropetrovsk) a patrulha policial parou um carro devido à infração de trânsito. O motorista já era procurado por sequestro, estupro e criação de organização criminosa. Atirou nos policiais. Morreu o policial e sua auxiliar. O assassino também era procurado por outros crimes: prisão ilegal ou sequestro, satisfação sexual forçada. Após matar os policiais fugiu para não ser preso, mas foi detido.

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Nos escritórios do deputado Novinsky, GPU (Procuradoria Geral da Ukraina) e Serviço de Proteção da Ukraina realizam uma operação especial, devido a apropriação de bens e falência do estaleiro "Ocean". Esta já é 23 ª busca. Na operação estão envolvidos mais de 45 funcionários da Procuradoria e 150 funcionários do Serviço de Segurança da Ukraina. O assessor do presidente Yury Biryukov disse que o Tribunal do Distrito Pechersky de Kyiv, já tomou a fábrica de construção de embarcações "Ocean", do deputado   Vadim Novinsky.

Na direção de Donetsk os militantes utilizaram morteiros. Lembramos, nas últimas 24 horas, as forças russas de ocupação abriram fogo 29 vezes sobre as posições dos defensores ukrainianos. (E, ainda fazem acordos, promessas de trégua - OK)

Poroshenko demitiu dois juízes por violação do juramento durante o Maidan. 
Os juízes aplicavam precauções pesadas sem possuir suspeita razoável...

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Vysokyi Zamok (Castelo Alto)

No Instituto de Arbitragem da Câmara de Comércio de Estocolmo, em 25 de setembro começará o processo segundo o requerimento de NAK "Naftogaz da Ukraina" ao russo "Gazprom".



No primeiro processo de "Naftogaz" a "Gazprom" havia reivindicações no valor de US $ 6 bilhões. Naftogaz exigia revisão do preço do gás natural (Lembro que havia queixas porque Rússia estabelecia o preço conforme o país - OK).
O segundo processo de "Naftogaz" a "Gazprom, de 13.10.2014. A reivindicação do "Naftogaz" a "Gazprom" é de 14,23 bilhões de dólares.
A total indenização, sob consideração pelo Instituto de Arbitragem da Câmara de Comércio de Estocolmo, quanto à compensação pelo "Gazprom" é mais de 26,6 bilhões de dólares.
'Gazprom" espera a decisão da arbitragem sobre o contrato com o "Naftogaz" para o fornecimento de gás no final de 2.016 - início de 2.017. (Lembro, quando as discussões começaram alguns países separavam parte do gás do "Gazprom" e, se não me falha memória, saia mais barato que diretamente. Parece que é assim até agora porque Ukraina não ficou sem gás - OK). Rússia, que se diz "Nação amiga" da Ukraina, cobrava preços mais altos que de outros países - OK)

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Donbas ocupado enfrenta uma onda de assaltos.  Soldados russos roubam suas unidades e moradores da cidade, avisa a principal administração de inteligência da Ukraina. Isto começou ainda antes da morte de seu comandante, em julho, quando as forças russas começaram mover-se na direção de Bryanka, onde surgiu mais uma onda de roubos de propriedade militar, instalações e infra-estruturas civis.
Em 23 de setembro houve uma investigação sobre o roubo de componentes e conjuntos de veículos de combate, o que levou ao desativamento de dois blindados e um veículo de combate de infantaria, onde os principais suspeitos são 7 (sete) soldados (O texto cita os nomes).
Além disso, em 24 de setembro ao tentar executar instruções do chefe do estado-maior e roubar na cidade de Luhansk portões de ferro para instalação do novo local na cidade Bryanka,detiveram dois soldados russos. 
Antes da chegada da polícia, os azarados ladrões estavam sendo mantidos, esmagados no chão, por aqueles portões.
(Estranho, por que alguns invasores se incomodariam com o roubo de seus soldados? Será que ainda há russos mais ou menos honestos? - OK).

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Presidente da Procuradoria especializada anti-corrupção Nazar Kholodnytskyi: "Lá, onde há corrupção, desvio de dinheiro público, lá, não se sabe porque, aparecem sempre os deputados que estão prontos para dar garantias".
Caso alguém tenha alguma dúvida, eu esclareço. Este comentário foi feito em relação aos ukrainianos - OK).

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Os militantes preparam-se para combates. Continuam quebrar o "regime de silêncio" nos territórios temporariamente ocupados. Realizam ataques com armas de pequeno porte, usam morteiros de 82 e 120 mm.
De acordo com a Defesa, procuram manter prontidão de combate das tropas no mais alto grau de prontidão, inclusive junção das unidades 1 (Donetsk) e 2 (Luhansk).
Foram chamadas as unidades licenciadas. Para reconhecimento aéreo incluíram dois drones.
OSCE fixa mais violações de "silêncio" no Donbas. Em Donetsk foram 209 explosões em comparação com 63 no período anterior. A maioria concentrada em Avdiivka e Yasynuvata.

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Milhares de poloneses, no sábado, 24 de setembro, novamente saíram às ruas de Varsóvia para protestar contra a política do governo do partido nacional-conservador "Direito e Justiça" (PIS) (traduzi correto, ou seria "Lei e Justiça"? - OK) .

Os manifestantes fortemente criticaram as ações do governo, segundo a oposição, que dividem e isolam Polônia. Além disso os manifestantes são contra uma eventual decisão do Parlamento, de uma lei mais rigorosa quanto ao aborto e criticaram a reforma planejada nas escolas.
O comício foi organizado pelo "Comitê para a proteção da Democracia" (CPAs).
"CPAs" não quer derrubar o governo... "CPAs" quer que o governo de Jaroslaw Kaczynski respeite as leis e a Constituição. No entanto, se eles não o fizerem, a comunidade terá que removê-los do poder através de eleições democráticas" - disse Adam.

Apesar de que Jaroslaw Kaczynski não detém posições do governo, a oposição e os especialistas acreditam que é ele que aprova todas as decisões-chave das autoridades. 

No final de julho, a Comissão Européia (Polônia faz parte da UE -OK) deu a Varsóvia três meses para cancelar as alterações legislativas que limitam os poderes do Tribunal Constitucional. No caso de não observância desta exigência, Europarlamento, Comissão Européia ou grupo de dez países membros da UE podem levantar a questão do direito ao voto da Polônia nas instituições européias em conexão com a sistemática violação do Estado de Direito.

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Arquivo do artista popular da Ukraina, Dmytro Gnatyuk, jogaram no lixo no centro de Kyiv. Entre os documentos jogados no lixo - milhares de cartas, documentos, cartazes, fotos.



Kipiani, pessoa que postou a notícia no Facebook, diz que graças a Deus, ainda há pessoas que fazem a diferença e manda um recado forte ao Estado que permite tal coisa.

Dmytro Gnatyuk, em vida: cantor de ópera por muitos anos, diretor, herói da Ukraina, morreu em 29 de abril com 92 anos de vida após uma longa doença. (Dmytro era notícia frequente nos jornais, trabalhou quase até o final, segundo jornais. Como na Ukraina dão muito destaque às pessoas quando morrem, inclusive filmam os enterros com abundância de flores, eu estranhei muito porque após ler a notícia da morte não vi nenhuma reportagem sobre o enterro. Vou colocar as canções no blog, que ele tão maravilhosamente cantava - OK).

 Excerto da reportagem de 2011. 
"Gnatyuk lutava pela ukrainização na Ópera Nacional, foi substituído pelo organizador de "árvores de Natal".
À pergunta "porque você se afastou ...? (Era diretor principal da Ópera Nacional da Ukraina e, a partir de 1988, na época com 86 anos, respondeu com emoção: "Não fui eu que me afastei! Fui afastado..." 
Ele admite que toda sua vida lutava por 50% do repertório no idioma ukrainiano. (Procurei na Internet, não há nenhuma menção sobre filhos, somente que era casado. A esposa, se ainda é viva, também é idosa. Será que os documentos encontrados no lixo estavam, talvez, na Ópera Nacional da Ukraina? -  OK).


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O Serviço de Segurança divulgou vídeo de pessoas que foram ilegalmente detidas nos "acampamentos da morte" dos terroristas.

A gravação foi publicada no Youtube. Os testemunhos de denunciam sobre crueldade e cinismo. O inimigo recorre a vários métodos e formas. Se não podem quebrar psicologicamente, torturam fisicamente, atormentam com fome, chantageiam com assassinato de parentes e crianças, dizem no SBU (Serviço de Proteção da Ukraina).
Também com pressão psicológica e torturas de prisioneiros forçam os soldados a caluniar o exército ukrainiano.
Os reféns libertados confirmam que no Donbas guerreiam e participam de torturas militares russos. Particularmente destacam-se nos testemunhos dos lutadores de Pskov.


Além disso há testemunho de pessoas que foram torturadas pessoalmente pelo líder dos militantes de Donetsk Alexander Zakharchenko.

(Estou com problemas, as músicas mando num outro dia - OK)

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 25 de setembro de 2016

Primeira visita dos dirigentes das Relações Exteriores da França e Alemanha ao Donbas (World News) - Política
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 20.09.2016 
Oles Kovacs

(Assunto já visto mas, há várias pormenores - OK).
O Semanário francês Le Point escreve sobre a primeira visita ao leste da Ukraina pelos ministros dos Negócios Estrangeiros da França e da Alemanha. A revista popular britânica The Independent escreve sobre a visita a Kyiv do ministro das Relações Exteriores da Gã Bretanha, Boris Johnson, falando sobre o papel da Grã Bretanha na resolução do conflito na Ukraina. O jornal americano Chicago Tribune escreve, que a Kyiv não é suficiente o anúncio de uma trégua no leste da Ukraina para a mudança política.

O semanário social e político francês Le Point publicou o artigo "Os líderes da diplomacia francesa e alemã realizaram a primeira visita ao leste da Ukraina". Em particular, trata-se da cidade Slavyansk, que a revista francesa nomeia antiga "fortaleza" dos separatistas pró-russos no leste da Ukraina. O chanceler francês, Jean-Marc Aurault, e o seu homólogo alemão, Frank-Walter Steinmeier visitaram a ponte destruída sobre o rio Kazennyi Torets, no qual tem a inscrição "Aqui esteve o "mundo russo". O jornal lembra, que em 2014, o exército ukrainiano recapturou dos combatentes a cidade Slovyansk em julho de 2014. Também explica que a visita de funcionários franceses e alemães foi para apressar a dinâmica dos Acordos de Paz de Minsk, em fevereiro de 2015.

O semanário francês escreve que Paris e Berlim esperam assinar um acordo sobre a desmilitarização dos três distritos piloto no leste da Ukraina. Tudo isto destina-se para acelerar o processo de paz e permitir a organização da cimeira com a participação dos presidentes da França, Ukraina e Rússia, bem como a chanceler alemã. Em continuação cita as palavras do ministro do exterior da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, que acha indispensável parar as ações de combate, para avançar no diálogo político. A revista também avisa, que os ministros francês e alemão também visitaram a cidade de Kramatorsk, controlada pelos militares ukrainianos e que situa-se perto da linha de frente. A edição francesa avisa que a chegada de governantes a Kramatorsk era acompanhada por aproximadamente 40 manifestantes, que expressavam sua oposição à idéia de atribuir a Donetsk e Luhansk um "estatuto especial". Eles seguravam vários banners, um dos quais dizia: "Não repitam os erros do Acordo de Munique, de 1938".

Le Point explica que o Acordo de Munique de 1938 simboliza a capitulação das democracias européia perante Alemanha fascista. Os ministros franceses e alemães reuniram-se com os representantes da OSCE na região. Eles aconselhavam o oficial Kyiv para atribuir "estatuto oficial" aos territórios ocupados pelos militantes russos e, para isto mudar a Constituição da Ukraina. No entanto, estas proposições geraram intensos debates em Kyiv, o que, o semanário francês acredita, que nisto, de fato, está o risco do separatismo na Ukraina, e, por sua vez, poderia desestabilizar outras regiões do país. 

The Independent: "Boris Johnson voa com a proposição para dispensar atenção à crise na Ukraina e fica à margem. O jornal acrescenta que Johnson foi uma adição tardia e inesperada, a fim de contribuir para o processo da resolução da crise que começou a ganhar força. No entanto, o ministro britânico quis mostrar que seu país ainda tem um papel importante a desempenhar. Mas, na verdade, outro tópico dominou, o quanto a Grã-Bretanha continuará  sendo uma uma potência diplomática influente no cenário internacional após sua população decidir abandonar a UE.

O jornal americano Chicago Tribune: trégua na Ukraina não é suficiente ao presidente para iniciar uma mudança política. O anúncio recente de uma trégua não é razão suficiente para Kyiv fazer mudanças na política de acordo com os "Acordos de Minsk para paz", (E, não houve, nem há trégua anunciada, os ataques realizam-se desde o primeiro dia da tal "trégua", segundo notícias dos jornais. Foi apenas um blefe - OK). Poroshenko exige mais paz para começar o processo de concessão de "maior autonomia" aos territórios que estão sob controle de militantes pró-Rússia. Ele declarou na reunião da Estratégia Européia em Yalta, que Rússia deve retirar suas forças de ocupação, todo o armamento do leste ukrainiano e apenas depois Kyiv concordará e começará abordar outras questões. Poroshenko declarou que, quando Ukraina fechar toda a fronteira com a Rússia, na Ukraina não haverá conflito. 

A edição americana também escreve que a declaração do líder ukrainiano apareceu no momento de novos esforços diplomáticos para decisão do conflito. Os ministros do exterior da Alemanha, França e Reino Unido, em Kyiv, expressaram apoio ao acordo assinado em Minsk 25 anos atrás. A revista explica que a maior parte não foi cumprida, porque nenhum lado quis fazer concessões. (Se o inimigo se estabelecer nas casas, nos países, dos prestimosos governantes que, neste ponto, criticam o governo ukrainiano, será que eles aceitarão? - OK). Poroshenko afirma que não fará quaisquer movimento até que a Rússia cumpra as suas obrigações relacionadas com o Acordo de Minsk.

Presidente Poroshenko e Boris Johnson

Em continuação, Chicago Tribune lembra aos leitores que o conflito armado no leste da Ukraina já matou 9.600 pessoas (E quantos ficaram aleijadas ??? - OK) a partir da primavera de 2014. De passagem, a revista sugere, que o destino de mais sanções contra o país agressor, Rússia, pode levar a uma divisão nos Estados Unidos e na Europa. No entanto, em seguida, a publicação escreve que o ministro do Exterior Boris Johnson, do Reino Unido, enquanto em Kyiv, disse que a decisão de deixar o Reino Unido, de modo algum afetará a posição de Londres quanto a Ukraina.

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Médicos ukrainianos pararam o coração do militar durante 23 minutos para salvar sua vida.
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 16.09.2016

Médicos do Instituto Amosov, em Kyiv, retiraram um pedaço de mina do coração do militar Eugene Voloka, 30ª brigada, comandante de pelotão, parando o funcionamento do coração durante complicadíssima cirurgia, por 23 minutos.
Eugene Volokov recebeu complexo ferimento próximo a Starohnativka Em 15 de agosto. Recebeu fragmentos de mina que feriram o cérebro do lutador, seus pulmões e coração. Os especialistas não prometeram nada mas a intervenção cirúrgica foi bem sucedida. Após o tratamento cirúrgico de vários estágios no hospital regional, na região de Dnipropetrovsk, com a remoção de fragmentos do corpo e da cabeça, era necessária cirurgia imediata para remover o fragmento do coração do lutador. 
Tal intervenção após cirurgia neurocirúrgica complexa era possível no hospital em Kyiv. No dia 8 de setembro os médicos especialistas, com a participação do diretor do Instituto Vasyl Lazoryshyn resolveram retirar a lasca. Ela situava-se na paredinha do ventrículo e era um constante perigo à vida do comandante.
O militar foi trazido de avião no dia 12 de setembro. No dia 13 lhe realizaram a complicada cirurgia, com parada do coração, para o que introduziram circulação artificial. A cirurgia durou 4 horas mas, para extrair a lasca encravada no coração, os cirurgiões tiveram que detê-lo por 23 minutos.
Em 15 de setembro, dois dias após a complicada intervenção, Eugene foi transferido da reanimação para o quarto. Eugene sente-se bem, mas, por enquanto é proibido levantar da cama. Sua vida já não está em perigo. Ainda precisará de outra cirurgia, na têmpora. Deverão colocar-lhe uma placa de titânio porque a lasca feriu sua cabeça.

Tradução: O. Kowaltschuk

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Nós defendemos a paz, mas depois da vitória - sacerdote ukrainiano
Radio Svoboda ( Rádio Liberdade, 13.09.2016
Daria Shevchenko

Alexandr Dedyuhin
O videobloguer Ruslan Sokolovsky, que jogou Pokemon GO na igreja de Yekaterinburg, acusaram de "extremismo" e "ofensa aos sentimentos dos crentes". O estudante pode pegar até cinco anos de prisão, ele aguarda julgamento em prisão domiciliar. 
O padre ortodoxo ukrainiano Alexandre Dedyuhim em resposta, publicamente permitiu capturar o Pokemon em sua igreja.
Eu considero a ação de Sokolovsky como resposta à "Lei da Primavera". O governo russo provoca comportamento semelhante com suas ações estranhas. Eu penso, que Sokolovsky não é muito adequado em algumas de suas declarações sobre a igreja. Mas, se aprisioná-lo - grande loucura. Eu penso que se uma pessoa fez alguns disparates na igreja, algumas bobagens, a ela pode-se explicar, que ela não tem razão. Nós também nos confrontamos com pessoas inadequadas em nossa igreja. Certa vez um bêbado ameaçava com uma faca a vovozinha. Nós conversamos com o desordeiro e o dispensamos em paz. Nós nunca nos dirigimos à polícia em tais casos, aproveitamos a força da persuasão. A igreja deve resolver dificuldades nas relações com a igreja - ser consciência, não uma estrutura punitiva.

Ruslan Sokolovsky
- O senhor realmente permite pegar Pokemon em sua igreja?

- Eu não vejo nada tão espantoso, se alguém em nossa igreja vai pegar Pokemon. Se à igreja, pelos Pokemon, vier uma centena de pessoas e um delas permanecer, isto será vitória da ortodoxia.

- Qual é o motivo da abordagem tão diferente de sua igreja e Igreja Ortodoxa Russa?

- Na Rússia, a igreja e o estado uniram-se em um. A igreja foi fundada na liberdade, que nos deu Jesus Cristo. Salvar a sua liberdade a igreja poderá apenas quando for independente das autoridades. Se a igreja é financiada pelo estado, então o Estado tem o direito de exigir sua lealdade. A autoridade ukrainiana não honrava o Patriarcado de Kyiv. E isto é bom: nós preservamos a nossa liberdade. Nós sabemos comunicar-nos com as pessoas, nossas paróquias crescem com a iniciativa de baixo. A nós, para conduzir a atividade missionária, não é necessário o apoio do governo. E nós, nos acostumamos a respeitar a livre escolha das pessoas. Da liberdade do pecado, antes de tudo. Mas fazer esta escolha a pessoa deve fazer voluntariamente. A ROC (Igreja russa) propõe "consolidar" espiritualmente a todos. Ao invés de olhar para dentro de si e esforçar-se para ser o melhor.

- Eu sei que o senhor é um oponente ardente da ROC.

- A Igreja Ortodoxa Russa cai na heresia do ethnophyletismo.  (Phyletism ou ethnophyletism é o princípio das nacionalidades aplicadas no domínio eclesiástico: em outras palavras, a fusão entre a igreja e a nação - pesquisa Internet - OK) - coloca os interesses de uma nação acima dos interesses de Cristo. A igreja não existe na sociedade ukrainiana ou russa, mas no corpo de Cristo. Frequentemente ROC esquece isto. Sim, eu - adversário da heresia do "Mundo Russo", aquela mentira, que ROC oferece Sob o molho ortodoxo. Essa heresia nascida com o patriarca Kirill, em seguida apoiada pelos ideólogos em nível de estado.

O Patriarcado de Moscou pode existir como uma igreja estrangeira. Igreja "Pomisna" (Na ortodoxia - igreja independente com sua organização e estrutura - pesquisa Internet - OK) na Ukraina  deve ser uma só - Igreja Ukrainiana Ortodoxa do Patriarcado de Kyiv. Tenho a impressão, que os ukrainianos começaram a entender isso. Depois do Maidan, às igrejas do Patriarcado de Kyiv começaram vir os crentes das igrejas do Patriarcado de Moscou.

- Por que?

- Os sacerdotes da ROC na Ukraina (não todos, é claro) - são colaboracionistas. Eles esperam, quando vêm os ocupantes e "estabeleçam a paz". Além disso. ROC MP - é uma força destrutiva para uma nova Ukraina. Eu sei que  algumas igrejas ROC-MP mantiveram armas para os militantes separatistas. Nos templos da UOC-MP (Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou pregam o separatismo. Os padres do MP dizem nos sermões: "No leste da Ukraina em curso - guerra fratricida". Os fatos testemunham isto com seus olhos. Os paroquianos da MP contavam-me, que durante a guerra com a Rússia eles têm que ouvir dos padres nas igrejas sobre "Putin - libertador". Por exemplo, recentemente, à minha igreja veio uma mulher e disse que seu filho guerreia no exército ukrainiano, mas na igreja do Patriarcado de Moscou o padre diz, que é necessário submeter-se àqueles, que nos atacaram. UOC-MP está do lado do agressor, e as pessoas compreendem, que as doações compram armas, que matam seus filhos.

- Com o quê neste momento envolve-se a UOC-KP?

- Nós somos pela paz, mas depois da vitória. Paz e liberdade ninguém nos dará simplesmente, elas devem ser conquistadas. Durante a guerra, pela paz não rezam, mas rezam pela vitória. Parar o agressor - é sempre bom. Nós, padres da UOC-KP, constantemente vamos à frente, apoiamos nossos soldados lá. O padre não pode pegar armas em suas mãos, mas ele pode cozinhar e lavar banheiros. Nós recolhemos doações para a compra de equipamentos para o exército. Fortalecemos a força espiritual dos soldados que retornam da zona ATO.

Alexandr Dedyuhim (à direita)
- Com projetos sociais e de caridade vocês se ocupam?

- Nossa tarefa é assim educar os fiéis, para que eles mesmos queiram ajudar o próximo. Nós, ao contrário da ROC, a partir do orçamento não financiam. Quando um salário médio do paroquiano - 3.000 UAH por mês (Prezados, anotem o salário mínimo, e espantem-se quando os textos citarem os salários dos privilegiados - OK), qual é a quantia que ele pode dedicar à caridade? Mas ajudamos, o quanto é possível.

- O senhor espera que a atitude do Patriarcado de Kyiv do lado do Estado, mudará depois da guerra?

- O mais importante é que Ukraina não se transforme em um Estado clerical. Nós já temos diante dos olhos o mau exemplo: a Comissão Patriarcal da família ROC em questões da família incentiva os russos a serem pobres e gerar muitos filhos. Mufti (acadêmico islâmico - OK), lá, pelas artimanhas, luta com o orgasmo feminino, cortando o clitóris. Nós vemos, como o obscurantismo religioso de diferentes religiões tenta aproveitar o apoio da nação num estado de gado. Então, que Ukraina sempre seja um estado secular! Recentemente uma mulher, que veio até nós a partir da Igreja do Patriarcado de Moscou, perguntou, porque eu não explico aos paroquianos, para quem votar nas eleições. Eu lhe respondi, que com respeito aceitarei qualquer escolha sua.

- O senhor nasceu na Rússia?

- Na Rússia, e fui batizado na Igreja do Patriarcado de Moscou. Meu pai foi enviado para Poltava (Ukraina). Lá eu terminei a escola, depois a Universidade na especialidade "Idioma russo, literatura mundial e psicologia prática". Minha fé começou com a leitura do Evangelho e livros dos santos padres. Eu, conscientemente, escolhi o Patriarcado de Kyiv, porque ele é verdadeiro e canônico. Acontece, que eu - de descendência russa e ukrainiano de consciência. A Pátria nem sempre é lá, onde você nasceu, mas lá, onde você está pronto para derramar sangue, criar filhos e preparar-se para deitar os ossos.

Alexandr Dedyuhim

- Alguns sentimentos positivos, sua pátria histórica inspira?

- Eu gosto da língua russa. E estou triste porque ela transformou-se numa gíria desonesta falada pelo presidente Putin.

Tradução: O. Kowaltschuk

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Vamos lutar. Muitas pessoas decidiram: "Liberdade ou morte!" - ativista Khomenko sobre Donbas.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 16.09.2016
Vitaly Portnikov

Ouvirão os parceiros ocidentais os ukrainianos de Donbas? Comentários de Alex Ryabchyn, deputado, e Vasily Khomenko, ativista social, organizador do comício dos parentes de prisioneiros (Slovyansk - Donetsk).

Vitaly Portnikov: -  Nós falamos hoje sobre a visita de ministros das Relações exteriores da Alemanha, Steinmeier e França, Herault, para Ukraina.

Entrevistador: -  Ontem nós analisamos os acontecimentos na capital ukrainiana. No entanto, esta visita é muito importante - é a viagem dos ministros para Donbas..
Agora você vê esta famosa ponte, que tornou-se vítima da agressão russa contra nosso país. E, contra o seu pano de fundo os ministros conversavam sobre o que está acontecendo no Donbas. O que fazer. Assim falando, de costas para a ponte, destruída por Putin, estavam Steinmeier e Herault.
Vejamos o que aconteceu em Kramatorsk, quando os parentes dos cativos e ativistas sociais decidiram reunir-se aos diplomatas, que ao encontro deles não foram. (Prezados, envio o endereço da reportagem porque os respectivos vídeos não trazem endereço, não sei colocar- OK):

http://www.radiosvoboda.org/a/27996230.html

Senhor Ryabchyn, Estas cenas contra o pano de fundo das ruínas da ponte deram a volta ao mundo. Eu penso que nós e os diplomatas europeus temos diferentes visões do que observamos. Para nós isto é tragédia, conflito, guerra no nosso território, mas para eles é uma situação a ser resolvida. Esta não é uma questão de concessões políticas, mas simplesmente, para que não morram as pessoas, para que seja renovada normalmente, a situação política e econômica na região. E eu penso, que é por isso que não podemos agora compreender os nossos parceiros, e eles a nós.

Alex Ryabchyn: -   50 metro da ponte  seguravam para colegas da França e Alemanha. O povo de Donetsk quer vida normal. Aproveitar a ponte para exibir-se, é demais.
Eu lhe darei um terceiro aspecto. Para mim, esta ponte, e para muitas pessoas - é símbolo da restauração de Donetsk. Pense, dois anos e o Estado ukrainiano não consegue restaurar esta ponte (são 50 metros).
Talvez, esperam  distintos colegas da França e Alemanha para mostrar. Mas para moradores de Slovyansk não importa, se o governo local, se regional ou comunidade internacional reconstruirá esta ponte, porque eles querem viver normalmente. Mas, utilizar esta ponte para mostrar-se, penso que é demais.

Eu penso que além desta ponte podiam encontrar muitas outras ruínas.

Alex : - Sim. Não para encontrar os manifestantes, também não foram ao hospital. Nós não precisamos dessas cenas! Seu comportamento foi muito reservado.

Entrevistador :-  O quanto eu sei dos meus colegas que estavam com eles em outras delegações, eles também não saíram ao encontro dos manifestantes. Eles não foram ao hospital. Porque: não, não, não, nós não precisamos destas cenas! Para que elas nos são necessárias? Ou seja, eles não se comportam com diplomacia... Contidos.

Alex: - Sim, contidos. Estes eurodeputados deveriam ir para Kramatorsk, mas mudaram a visita por razões de segurança. Estas pessoas dizem: realizem as eleições, em uma semana o fogo vai parar. (Pelo jeito os eurodeputados adotaram a idéia dos usurpadores. Porque, quem vai se candidatar nas terras ocupadas? Eles mesmos - OK).

Entrevistador: - Sim, os eurodeputados deveriam ir também para Kramatorsk, mas cancelaram a visita por motivos de segurança. E estas pessoas agora nos dizem: realizem as eleições, com uma semana o fogo para.
- Eles nos diziam, que precisa realizar as eleições na próxima semana, mas...

Alex: - Comecem realizar - comecem discutir a lei. Comecem introduzir a lei.
Comecem introduzir esta lei. A respeito desta lei, o quanto eu sei, ainda no verão eu estive no Ministério das Relações Exteriores em Paris, e em Berlin conversei com o escritório de Merkel, e o escritório de Steinmeier. Nós sabemos, que esta lei, concepção, porque as leis devem ser desenvolvidas no Parlamento, por isso eles não querem nivelar o status do Parlamento, que eles desenvolvem dessa lei, baseada nos melhores padrões da OSCE;

- Dizem para nós, como no Parlamento, o que devemos fazer, e ainda mudar a Constituição. Isto é atrevimento demais!

A declaração revoltou muitos colegas da oposição e da coligação.

Entrevistador: - Senhor Khomenko, o senhor esteve nessas reuniões com diplomatas europeus?

Khomenko: - Estive. Mas nomear isto "como encontro" é complicado. Que eles vinham, nós soubemos a noite. Pintávamos. E eu não vi nenhum Steinmeier, nem Herault. Eles, provavelmente, não saíram de seus carros. Mas aqui é ATO, guerra - eles, provavelmente, olhavam pela janelinha. Alem´de Klimkin (ukrainiano) que se aproximava, eu, lá, não vi ninguém. Houve um operador alemão, que fotografava as mães dos soldados, que atualmente estão no cativeiro. Fotografava-as, quando elas pediam: "Deixem sair, por favor, nossos filhos!" E esforçava-se fotografar para aqueles cartazes não aparecerem. Porque neles estava escrito, que nós não precisamos de paz a qualquer preço, ao custo da ocupação russa.

Nós estamos aqui há 2,5 anos... Eis aqui os rapazes em forma - é uma "Eslava Sich (Sich, na antiguidade era o nome do centro fortificado do Exército Cossaco que, antigamente existia na Ukraina - OK). Não, eles não são militares. Nós participamos da frente, participamos de treinamentos, ocupamo-nos com educação nacional-patriótica das crianças. Por isso nós tentamos participar em todos piquetes semelhantes, para que todos compreendam: simplesmente assim nós não daremos nosso território, como isso foi, ao país "irmão" primeira vez. Nós não pensamos, que será necessário atirar em seus antigos "irmãos". (Ele usa o termo "irmãos", porque Rússia, descaradamente, chama os ukrainianos assim - OK)

Entrevistador: - Senhor Ryabchyn, como o senhor considera, tal posição irrita os europeus, serão eles capazes de compreendê-la?

Alex: - Eles (diplomatas europeus - Ed) se irritam pelo fato de que os políticos ukrainianos, de alguma forma, interrompem suas iniciativas. Eles, se acostumaram com os políticos ukrainianos, como com os papuásios - graças a Deus, nada terrível acontecerá.
Mas, quando as pessoas, com a vontade da nação, vontade que agora nós guiamos, realmente nós apelamos às pessoas para esta vontade, quando eles ficam muito nervosos. Porque é, exatamente, a vontade das pessoas que não dá aos políticos aprovar o "estado especial". 
Ao assunto, você notou, que nós estamos utilizando o "estatuto especial" porque muito rechaçavam e diziam: não - não, nenhum "estatuto especial", isto é "peculiaridade do governo local". Mas todos: e Herault, e Steinmeier, e todos eles - "estatuto especial" já dizem quase oficialmente.

Entrevistador: - Em "Acordos de Minsk" isto não é assim.

Alex: - Isto, são "particularidades do governo local" mas, de fato, na linguagem diplomática eles usam justamente isto.
E as pessoas compreendendo que o governo não era capaz pendurar esta "lokshena" (lokshena é nome de certos macarrões. Pode, também ser gíria  de um tipo de fios de distribuição de telefone - OK) assim escrevem: "estatuto especial". 

Então eu apoio plenamente o colega que disse que a nação, as pessoas não darão isto ao Parlamento. E é impossível falar sobre questões políticas, enquanto não houver segurança, enquanto não pararem de morrer nossos rapazes e civis, enquanto não houver troca de prisioneiros, enquanto não houver tempo suficiente nós não podemos falar sobre estes assuntos.

Entrevistador: - Senhor Khomenko, se o senhor se encontrasse com os ministros, o que o senhor diria, se eles dissessem, que vieram para, de alguma modo, aqui no Donbas reviver a paz? Eles falam sobre isso, e Steinmeier e Herault.

Khomenko: - Sim. E, com certeza, eu diria, que agradeço que vieram. E diria: Vamos, nós traremos a vocês 40 mil "homenzinhos verdes",  e depois começaremos, a vocês, modificar a Constituição.  Como vocês reagirão a isso?
(Estes "homenzinhos verdes", invasores, eram assim chamados no início da invasão. Não consegui saber porque os denominavam assim - OK)

Entrevistador: - Na França assim aconteceu em 1939 - 1940.

Khomenko: - Sim. E, com certeza, eles tiveram muita tristeza por este dia, fugiam, ameaçavam com o punho depois do outro país.
- Ou seja, eles querem que aqui aconteça o mesmo. Eu, pessoalmente, a 2,5 anos, cada domingo conduzo uma corrida patriótica. E, se os nossos deputados venderem-se, de algum modo votarem por questões semelhantes, não afastando os exércitos dos territórios ocupados, realizarem quaisquer eleições ou modificarem a Constituição, então aqui haverá guerra de "partizans" (guerrilheiros). E aqui, realmente haverá revolução.

Porque aqui, infelizmente, ainda temos colaboradores, que ajudam Rússia. Mas eu penso, que ao Steinmeier - os problemas de sua própria nação interessam mais, que os problemas ukrainianos. Portanto, para eles é indispensável terminar isto a qualquer preço. Isto é evidente a partir do que acontece. Se vocês não querem nos ajudar, então não interfiram. Nós vamos lutar. Já muitas pessoas decidiram "Liberdade ou morte!"

Frequento a vanguarda, conheço o humor dos militares - decididos como eu.

Entrevistador: - Nós podemos ver as declarações, que fizeram os ministros durante a visita ao Donbas.

Frank-Walter Steinmeier: - Isto foi, obviamente, a noite mais calma, que as pessoas no leste da Ukraina, em muitas semanas e, talvez até meses, viveram.

Khomenko: - Claro, ainda é muito cedo pensar, que por muito tempo será assim. Mas o regime de silêncio nos dá a oportunidade agora de pensar em outras coisas, que também são importantes para estudar. Ainda é cedo para esperar que continuará assim.
Precisamos avançar com a implantação dos Acordos de Minsk. Por seis meses nos passamos estagnação o que leva ao fato de que a segurança é incerta. Com o regime de silêncio, precisamos fazer esforço para avançar com a lei da anistia, lei do "estatuto especial", lei sobre as eleições locais.

Nós próximos dias e semanas vamos procurar soluções para essas diferenças que existem entre Rússia e Ukraina.

Entrevistador: - Não lhe parece que, quando comparamos a declaração do senhor Steinmeier e aquilo, que nos disse Khomenko em seguida, entramos num impasse?

Alex: - Sim, eles dizem que isto é um beco sem saída, mas dizem que precisa fazer concessões.

(Prezados, esta conversa ainda vai longe, já conhecemos o seu teor. Então vou procurar incluir notícias de hoje, sobre o assunto, 21/09/2-16 - OK).

Verdade Ukrainiana:
Em Minsk, o grupo de Contato Trilateral decidiu separar os exércitos. Sobre isto escreveu Darka Olifer, secretária de imprensa do ex-presidente da Ukraina Leonid Kuchma, que representa Ukraina (Caso alguém não lembra, ou não soube, estas reuniões em Minsk acontecem para encontrar a saída à ocupação de Donbass - OK).

"O documento prevê a descalada na região da linha de contato e, na verdade, criar condições, nas quais armas de pequeno porte não poderão utilizar-se para disparar. Concomitantemente, a decisão prevê a plena implementação dos acordos anteriores sobre a retirada de armas de contato calibre inferior a 100 mm" - disse ela (Durante todo o tempo da invasão, apareciam nos jornais notícias, sobre o não cumprimento das decisões do grupo de contato. Será que agora vai? - OK).

Semana Ukrainiana:
"Ukraina, com consistência, cumpre obrigações assumidas nos Acordos de Minsk, e estritamente adere ao regime de silêncio. Em continuação disto o lado ukrainiano assinou a presente decisão para garantir a execução dos acordos de Minsk por ORDLO". (ORDLO - regiões ocupadas de Donetsk e Luhansk).
Note-se, que esta decisão está prevista apenas em três locais, com coordenadas claramente definidas. No entanto, o lado ukrainiano espera que, no decorrer da execução, podem ser trabalhadas abordagens para uma possível diluição ao longo da linha de fronteira" - disse Olifer.

O documento prevê três zonas de segurança, uma área de pelo menos 2 x 2 quilômetros cada, nos pontos habitados : Zolote, Petrovsque e Stanitsa.

Radio Svoboda:
Saydik, representante da OSCE: - Em Minsk assinaram acordo os representantes da Ukraina e Rússia, rubricaram os representantes de ORDO e ORLO (usurpadores de parte de Donetsk e Luhansk).

Vários pacotes de acordos, realizados nas conversações em Minsk, preveem, entre outros, o cessar-fogo, a retirada do território da Ukraina de tropas estrangeiras, mercenários e armas, a libertação de todos os reféns e pessoas detidas ilegalmente,  e estabelecimento do controle da OSCE em toda a fronteira russo ukrainiana, até agora não foram  cumpridos.

Tradução: O. Kowaltschuk