quinta-feira, 25 de maio de 2017

Para a construção do novo complexo para processamento de resíduos de Lviv a companhia "Egis" recomenda o território 
TETs - 2  (Planta de aquecimento da cidade).
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 23.05.2017

A companhia francesa "Egis" a mais de dois meses trabalha no projeto: "Estratégia da cidade de gestão de resíduos duros para a cidade de Lviv".


Christopher Raund, gerente do projeto da empresa francesa "Egis" analisou três locais. Os especialistas concluíram, que o melhor local para a construção do complexo de processamento de resíduos é o acima citado. A empresa também trabalha num projeto para recultivação do aterro (antigo) na aldeia Velyki Hrybovychi.

Este trabalho financiado pelo governo francês, por isso, vai satisfazer a todas as normas europeias.

Durante o período que os especialistas trabalham em Lviv, já começou o estudo morfológico do lixo.

Segundo Christopher Raund, a próxima etapa - recuperação do aterro em Hrybovychi (o antigo). O projeto tem várias etapas, com priorização para não haver mais influência negativa na ecologia. Os especialistas agora trabalham com várias opções, incluindo a estabilidade do polígono, a presença de filtrados (líquido que passa pelo filtro - OK), gás, etc. Como exemplo, os especialistas da "Egis" baseiam-se no polígono próximo a Marselha. Depois haverá um estudo técnico-econômico e projeto.

Como afirma Christopher Raund, planeja-se o começo dos trabalhos antes do final do ano. Todos os procedimentos ocorrerão de acordo com as regras de fomento europeu porque a questão é sobre financiamento de estruturas estrangeiras. Assim a nova empresa começarão projetar em agosto, e até o final deste ano planejam realizar os trabalhos com as compras. A implementação do trabalho começará no próximo ano.

Como acrescenta Sergey Babak, vice-prefeito da cidade para habitação e serviços públicos, também estuda-se o anúncio de concurso de investimento para instalação de tratamento de resíduos. Já houve perícia. Ajustes realizados. Lviv está pronto para concluir a barragem, mas a questão é do Conselho da aldeia Malehivska", - acrescentou Sergey Babak.

"O esquema é genial: primeiro bloqueiam, depois abrem "queixa" pela omissão".
Lviv, lixo, mídia, ativistas sociais.
Polícia vai chamar para interrogatório os profissionais da mídia e ativistas comunitários, que participaram da reunião da Comissão sobre a segurança tecnológica e ecológica.

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 22.05.2017
Maria Dorotych

Rua Yaroslavska após temporal























O aguaceiro de domingo em Lviv, acrescentou nova ressonância ao problema do lixo. Os resíduos flutuavam pelas ruas e mais uma vez lembraram ao governo que não havia aonde levá-los... Lembramos, no mês passado foi assinado um memorando para aceitação do lixo de Lviv em vinte cidades da região. Mas, isto não funcionou. Apenas três cidades recebem o lixo. (Provavelmente as 17 cidades foram admoestadas pelo presidente do país - OK). E, ainda, abriu-se um processo penal, na Parte 1 do artigo 325 do Código Penal - violação das regras sanitárias e regulamentos quanto à prevenção de doenças infecciosas e envenenamentos em massa. No âmbito do processo desta questão criminal, para interrogatórios criminais querem interrogar, como testemunhas, todos os jornalistas e ativistas cívicos, que estiveram presentes na reunião da comissão de segurança, de segurança tecnológica e ecológica. O tema desta reunião é se em Lviv deve ser declarado estado de emergência? Os dias já estão mais quentes, os resíduos podem causar problemas de saúde... As notificações para questionamento, da "comissão de lixo" já receberam os funcionários da prefeitura.

O prefeito de Lviv, Andriy Sadovyi recebeu uma carta do juiz de instrução sênior da Polícia Nacional da região de Lviv.  O juiz pede fornecer informações pessoais sobre os jornalistas de Lviv e ativistas sociais: dados pessoais, endereços de trabalho, cargos e telefones de contato... O esquema é genial. Bloqueiam no início, não dando possibilidade de retirar o lixo, depois iniciam processos penais porque o lixo não é removido - indigna-se o prefeito. Já começam questionar a Comissão de Situações Extraordinárias. Talvez a culpa deles é por serem pessoas públicas. Deveriam ficar quietos, e Lviv deveria afundar sob o lixo... Todos é preciso aprisionar e mostrar o quão mal trabalham. Isto não dará nada! Hoje, de Lviv podemos retirar apenas 80 toneladas (necessitamos retirar quase 600 toneladas por dia). Eis como "cumpre-se" o memorando, que assinaram 20 cidades de Lviv. (Tenho pena é das pessoas que obedecem a estas ordens absurdas. Aprenderam a baixar a cabeça às ordens superiores no período Soviético, obedecem ao "Stalin" atual - OK).

Como disse a este jornal, a porta-voz do prefeito de Lviv Christine Protsak, o Serviço de Imprensa da Câmara Municipal não pretende dar à polícia os dados pessoais dos jornalistas, porquanto o evento foi aberto, o que não requer prévio credenciamento. "Talvez diremos, apenas, os nomes dos que forem identificados no vídeo", - disse Christine.

Os especialistas dizem que a polícia novamente "pisa no ancinho" da velha milícia, envolve-se em "confrontos" políticos no tema do lixo. O membro do Secretariado da União Nacional de Jornalistas na região de Lviv, especialista em mídia, Andrew Bolkun, acredita, que a chamada para interrogatório - insanidade. "É estranho convocar os jornalistas em questão, - diz o Sr. Andrew. O Investigador escreveu, que os jornalistas são convocados devido a grande ressonância do evento. Não é este o trabalho de um policial... Segundo esta lógica, pode-se chamar para interrogatório os jornalistas que comparecem às reuniões sobre o lixo na Administração Estatal de Lviv, presididos pelo presidente Oleg Synyutka." 

Peço comentário ao Diretor da Polícia Nacional de Lviv, Valeriy Sereda. Ele diz que os investigadores não participarão das divergências. Mas, convidá-los como testemunhas é certo. "Os jornalistas e ativistas sociais - também são testemunhas. - Nesta questão, há relatos de crime - inação do Conselho da cidade (quanto ao lixo - autor), o que pode levar a uma catástrofe ambiental."

- O que os investigadores querem ouvir dos jornalistas?

- Uma vez que eles estiveram presentes na comissão, então, talvez, o investigador quer indicar algo com exatidão. Por exemplo: "Você ouviu o que ele disse?" O que o jornalista responder, é problema dele. O trabalho do investigador - questionar todos os lados. Esta é a plenitude da investigação! Pessoalmente, eu não interfiro no trabalho dos investigadores e não tenho o direito de fazê-lo (Trata-se de um caso criminal quanto ao lixo - Autor).

Tradução: O. Kowaltschuk

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Reação à proibição das redes sociais russas. A nação não é sábia.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 21.05.2017
Myroslava Barchuk - Jornalista e apresentadora da TV.

Apresentadora da TV ukrainiana e jornalista Myroslava Barchuk

Alguns de meus colegas a quem eu respeito e gosto, batem recordes de concepção do mundo denominando o bloqueio de recursos russos, de autoritarismo e "bordadura" (Com a palavra derivada de "bordar", querem dizer que os ukrainianos dedicam-se com exagero ao ato de bordar, usar roupas bordadas. A crítica vem apenas dos ukrainianos porque os outros povos elogiam os trajes nacionais ukrainianos - OK).
Dizem, a sociedade sozinha pode separar as moscas de costeletas, é necessário dar escolha à nação, as pessoas são sábias e assim por diante. 

Em primeiro lugar, devemos reconhecer, a nação não é sábia, infelizmente. Não vamos dissimular com este mito sobre nação ukrainiana sábia.

A maioria da sociedade continua a viver na escuridão - moral, econômica e ausência de valores. Quem não acredita, inicie no metrô suburbano de Kyiv uma simples conversa sobre política... Ou, até no metrô de Kyiv fale apenas sobre a vida. Olhe para as ruas da cidade, varandas, expressões faciais, ouça o vocabulário dos vizinhos do outro lado da parede, a música que eles escutam, pergunte-lhes sobre os seus livros e filmes favoritos...

Alexandre Paskhaver diz, que a quarta parte da sociedade é consciente quanto à sua nacionalidade, um quarto é anti-ukrainiano (anti-estado), e o restante é inerte, indiferente mar. Os cérebros destas pessoas é o alvo de todos estes "Vkontaktue", Odnoclassnykov", "Inter", TRK Era" e a maioria dos meios de comunicação pró-russos na Ukraina. (Presidente Poroshenko, demorou mas proibiu o seu uso na Ukraina. A gritaria é grande - OK). Essas pessoas, por exemplo, votarão pelo condicionado Lesik Dovhei por 200 "hrevnia" ou introduzirão no Parlamento, o Rabinovich, que subiu, exclusivamente, por conta do canal controlado e teses de Kremlin "mundo a quaisquer preço" e "guerra é conveniente aos oligarcas."



Inscrições nas fotos: Ele perdeu a vida / Ela perdeu o pai / Eles perderam os pés / Eles perderam a casa - Diga, o que você perdeu lá, na Internet?

Nós fornecíamos o anti-ukrainiano, anti-estado ponto de vista como "alternativa" em nossas transmissões.

Em segundo lugar, quanto a separar as moscas das costeletas. Nós, com vocês, por longos decênios "equilibrávamos" as posições políticas no ar, fazíamos dos esbofeteamentos os pontos de nossos canais, apresentávamos anti-ukrainiano, anti-estatal ponto de vista como "alternativa" em nossas transmissões, criávamos conflituoso campo de informações de hostilidade e ódio. Eu precisei, por vários anos, ouvir no ar as mentiras do serviço secreto russo de - Vladimir Krnilov, Ischyenko, Chalyenka, Tsarev, Kalashnikov, Oliynik,  comunistas Grach e Kilinkarov, e Hmyria (historiador que me dizia no ar, que Holodomor - é invenção dos americanos), deputados do Partido das Regiões. E cada vez me parecia, que o espectador via o óbvio e entenderia. Mas não, o espectador não vê!!! Preponderantemente ele engole este produto tóxico não digerido. E é natural para a sociedade pós-genocida, pós-colonial, afiada para sobrevivência. 
Este desastre, que atualmente atravessa o país, perda de territórios, guerra - é realmente evidência deste mal-entendido. E nessa catástrofe é nossa e vossa responsabilidade.

A maioria dos canais pertence aos emigrantes políticos de Moscou ou oligarcas pró-russos.

Eu frequentemente pergunto, quais são as chances do país que está em guerra, conservar o estado, se a maioria dos canais pertence aos emigrados políticos de Moscou ou oligarcas pró-russos que simplesmente situados na Ukraina e espalham a retórica russa no auditório de milhões, diariamente... (14-16 milhões de público do "Inter" no dia da Vitória). Esperar pela "sabedoria da nação"? Bem, eu não sei.

E, quanto à vasta concepção do mundo e imparcialidade muito bem disse, ainda no início da guerra, Yuri Makarov que, de fato, nós temos a questão não simplesmente com a poderosa propaganda do estado autoritário russo, mas também com os restos de ideologia totalitária e valores nas cabeças da maioria dos cidadãos - aqui nenhuma posição de jornalistas "sobre a batalha" não pode haver, por definição. Não pode medir a situação "não à democracia" com centímetros à democracia perfeita. Porque nós, simplesmente, perderemos o país.

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 21 de maio de 2017

"Ajudem! Lá está caída a mãe sem cabeça": o que acontecerá com as crianças, que perderam os pais durante o bombardeio de Avdiivka?
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 16.05.2017
Mark  Krutov

Genia - 7 anos e Sasha de 4. Meninas que ficaram órfãs, após o tiroteio de Avdiivka.

Duas crianças ficaram órfãs em resultado do canhoneio de sábado à cidade ukrainiana Avdiivka, localizada na linha de contato com o agrupamento dos militantes "DNR". Um projétil de artilharia atingiu o pátio de uma casa particular à noite, do último final de semana, em que há mais de um ano já ninguém vivia. A proprietária, Helena Aslanov, foi a Kyiv com as crianças (filha Genia, agora com 7 anos, e o filho Artem, 27 anos) logo após o início de hostilidades ativas no Donbas. Nas férias de maio, ela decidiu voltar para Avdiivka por alguns dias, e verificar como estava a casa e rever os amigos. Esta viagem foi fatal para ela.

Sábado à noite Helena reuniu-se com os amigos no pátio de sua casa, localizada na antiga Avdiivka. - Vieram visitá-la seus amigos, o casal Olga Kurochkina e Oleg Borjsenk, também a amiga Maria Dyka e sua filha Sasha de 4 anos. 

Os cinco adultos estavam sentados no jardim e assavam churrasco. As meninas Sasha e Genia assistiam desenhos animados dentro da casa (isto as salvou de morte certa).

Imagens do local do tiroteio, que aconteceu próximo das 7 horas da noite, postou no "Facebook" o chefe da polícia de Donetsk (Ukraina) Vyacheslav Abroskin.

Vyacheslav Abroskin, no sábado.
  
Avdiivka, 13.05.2017. Os pais morreram. As crianças ficaram órfãs. Creio, virá o tempo, quando o realizador da tragédia terminará sua vida num vaso sanitário. E, neste tempo a ele virá...

Avdiivka, 14 de maio, observadores da OSCE inspecionam a casa Nº 53 na rua Sapronova (antiga Pionerska).
Em resultado da explosão quatro pessoas - Helena Aslanov, Olga Kurochikin, Oleg Borysenko e Maria Dyka - morreram no local. 
O filho da Helena Aslanov, Artem foi gravemente ferido na cabeça e foi levado ao hospital em Dnipro, de helicóptero. Agora está em coma.
Olga Kurochkin e Oleg Borysenko não deixaram apenas órfã a filha de 4 anos (após o incidente ela não consegue falar), também deixaram um filho adulto. Ele vive em Donetsk e estuda. Sofre de doença crônica grave.
Sasha, de 4 anos, no mesmo dia levou a vovozinha, e Genia - a tia. As duas estão em Avdiivka. Mas, as casas dos parentes que abrigaram as órfãs, localizam-se em lugares ainda mais perigosos do que aquele em que seus pais morreram.

O governo ukrainiano acusou no tiroteio os militantes do agrupamento da "DNR" e qualificou o tiroteio como ataque terrorista. 
Os representantes da "DNR" disseram, que o tiroteio realizaram "os combatentes do "Setor Direito". Comentários oficiais da missão da OSCE no Donbas, sobre de que lugar vieram os disparos, por enquanto não houve. Segundo a versão da Ukraina, o ponto de partida dos tiros era a aldeia Spartak, arrebatada pelos separatistas, pela versão da "DNR", - a aldeia Vodiane, que está sob controle do exército ukrainiano.
   
Os primeiros na cena da tragédia eram os voluntários da missão humanitária "Proliska". Seu líder, Eugeny Kaplin falou à rádio Liberdade sobre o visto por ele no local do acontecimento.

A proprietária da casa, Helena Aslanov, morreu no local. Lá esteve seu filho Artem. Ele, atualmente, está em Dnipro, no hospital Mechnikov. Imediatamente, após o ataque, ele foi hospitalizado, no início pelo "rápido", depois pela ambulância aérea para o hospital em Dnipro. O quanto eu sei, agora ele está em coma, 2º grau. Os médicos esforçam-se para devolvê-lo à vida. Ele tem o cérebro muito danificado. Como escreveu no "Facebook" o médico adjunto do hospital Mechnikov, tantas lascas e ferro dentro da cabeça eles não viram durante os três anos de guerra.

Dentro da casa estava a filha da Helena, uma menina de 7 anos, Genia. Após os acontecimentos, ao local foram os representantes do nosso pessoal humanitário "Prolisky". Ao chegarem ao local, eles viram esta menina, que corria pela rua e gritava: "Socorro! Ajudem! Lá está deitada a mãe sem cabeça." A menina ficou órfã. Atualmente ela vive com a prima da mãe, que vive lá, em Avdiivka, na região próxima a zona industrial. 

Outra família - a família de Maria Deka. Ela nasceu em 1983, funcionária da fábrica de Coque. Ela também morreu durante o tiroteio. Ficou sua filhinha de 4,5 anos, que agora vive com sua avozinha. Elas residem num apartamento na rua Vorobyoy, é a primeira linha de prédios altos, que vai diretamente para o aeroporto de Donetsk. Lugar muito perigoso. Sob sua varanda, durante a guerra, repetidamente voam projéteis. Eles destruíram suas janelas e danificaram a cobertura. Agora, a administração prometeu reparar este apartamento e ajudar a vovozinha com a guarda da criança. Mas este lugar para viver é perigoso.

A terceira família, que esteve no local - é Olga Kurochkina e Oleg Borysenko. Eles também morreram durante o ataque. Eles deixaram um filho em Donetsk. O quanto eu (autor) sei, ele esta no Segundo Grau. Ele tem 18 anos - tem uma doença crônica, associada com vias aéreas. Os falecidos ajudavam o filho. Ele também ficou órfão após este trágico acontecimento. (E quantos assim há na Ukraina?? - OK).

Segundo dados preliminares, que temos a partir do Centro de Controle, da coordenação do cessar-fogo, o projétil era de artilharia, de cano, calibre 120 mm (Posso estar descrevendo errado. Não tenho conhecimento de armas, a tradução nem sempre é compreensível para mim -OK). Durante o domingo, com as famílias comunicavam-se os colaboradores do nosso estado-maior. No domingo ainda não houve nenhuma assistência substantiva. Nossa sede decidiu prestar assistência para o funeral. Nós demos 2.000 UAH a cada família para o funeral. Também planejamos enviar psicólogos à cidade, para assistir os familiares e às crianças, o que as vítimas pediram. Os enterros serão realizados em Avdiivka.

Vieram os representantes do Centro Comum de controle e coordenação do cessar-fogo da OSCE, eles fixaram a direção dos tiros. Eu penso que isto será apresentado no próximo relatório da OSCE.

Esta é a parte velha de Avdiivka, bem longa. Parte dela é adjacente à zona industrial, mas há regiões mais afastadas. Esta região não é adjacente à linha de contato, localiza-se a 6,5 - 7 quilômetros.

Havia canhoneio neste dia. À noite houve tiroteio e projéteis nos lugares mais próximos da zona industrial e na periferia - mas a noite passou sem vítimas. Eles visavam mais as posições dos militares. Não havia posições de militares na parte da cidade, onde o projétil veio de dia.

A escalada anterior em Avdiivka começou no final de janeiro. 26 - 29 de janeiro foi a pior fase, que foi até 5 de fevereiro. Depois, a situação na cidade melhorou um pouco, mas dizer que houve silêncio não é verdade. Durante fevereiro, março e abril, na cidade, por quase 30 dias não houve eletricidade. Constantemente houveram ações de combate, faltava eletricidade por causa de linhas danificadas. Os reparadores, sempre que podiam faziam reparos, mas aconteceu até 5 dias sem eletricidade. Em fevereiro faltou eletricidade 7 vezes porque os reparadores não podiam executar reparos durante o tiroteio. Quando não havia eletricidade, não havia água porque a estação de filtragem estava sem eletricidade.

Zona industrial de Avdiivka - lugar de maiores lutas na linha de contato.
Em março, abril e início de maio registramos a maior quantidade de voos sobre as casas, principalmente na parte da cidade vizinha à zona industrial. Também houve  voos dos altos prédios residenciais em março e abril. Impossível prever quando haverá próximos voos mas, de qualquer modo não tivemos nenhuma semana tranquila em Avdiivka, que houvesse completo silêncio. Ao todo, desde o início desta onda de escalada, no final de janeiro, de acordo com nossos dados, na cidade foram destruídas 600 casas e apartamentos particulares. 18 pessoas receberam ferimentos e contusões de gravidade variável. Eu falo sobre a população civil. Desde o início do conflito morreram 8 pessoas civis, dois funcionários do Ministério de Situações Extraordinárias. Foi ferido um jornalista britânico, que durante o tiroteio de 2 de fevereiro estava na residência de uma moradora pacífica, que morreu.

As crianças que ficaram órfãs depois do bombardeio de sábado continuam em Avdiivka, mas nós vamos conversar com os parentes para que eles deixem a zona de perigo. Nós ajudaremos  arrecadar dinheiro para a compra de uma nova moradia. Vamos conversar com os membros das famílias depois dos funerais. Se houver desejo de parentes com as crianças, que sobreviveram, ir a algum lugar mais seguro nós...  O Estado, infelizmente, não tem programa para fornecimento de novas moradias para estas famílias, mas nós já temos prática. Nós já conseguimos casas para cinco famílias, compramos moradias para cinco famílias, arrecadamos no "Facebook". Também para estas famílias ajudaremos comprar moradias, se elas desejarem sair daqui.

Poroshenko, que cancelou, devido aos acontecimentos em Avdiivka, sua visita ao final do concurso "Eurovision", (Não perdeu nada, não aguentei assistir nem a três músicas. Parece que neste mundo já não acontecem coisas bonitas. Nem o primeiro lugar, do português, se destacou. Que pena! - OK), responsabilizou pela tragédia diretamente o presidente russo Vladimir Putin. "Precisariam os russos, Putin, olhar aos olhos dessas crianças, e olhar o que acontece devido a relutância da Rússia em cessar fogo, retirar as tropas de ocupação do território ukrainiano", - disse ele aos repórteres. Mas o presidente continua confiante de que forçada evacuação de cidadãos pacíficos de Avdiivka não há necessidade, porque o raio de alcance dos foguetes de artilharia russa é superior a 140 km. Poroshenko também ordenou a reparação das habitações dos parentes das crianças órfãs e disse que o governo do país "participará de suas vidas".

Tradução: O. Kowaltschuk


quarta-feira, 17 de maio de 2017

Vítimas da agressão russa: como libertar os reféns do Kremlin.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 15.03.2017
Maria Tomak


Poster do protesto contra a agressão russa. Kyiv, 21.01.2017.
Em 16 de março,  o Parlamento Europeu irá considerar uma resolução que refere-se ao tema da Criméia e aos cidadãos da Ukraina aprisionados pela Rússia por razões políticas. (Apesar de que a data já passou, até agora não surgiu nada novo em relação a este assunto -OK) . Nós apresentamos propostas a este documento e esperamos que ele será apoiado por deputados europeus e empurrará Kremlin para liberar os ilegalmente presos e condenados ukrainianos e tártaros de Criméia.

No entanto, Ukraina não deve esperar um milagre, mas deve procurar, ativamente, caminhos para libertação de seus cidadãos. Ao longo dos últimos meses, as organizações de direitos humanos - a ukrainiana União de Helsinki de Direitos Humanos, o Grupo Direitos Humanos de Kharkiv e a Iniciativa Medianeira para os Direitos Humanos - alcançou possíveis caminhos, e este trabalho faz-se até agora (Obs: a palavra usada "Medianeira" não é a tradução da palavra ukrainiana; não encontrei a tradução correta - OK.) 

Mas nós gostaríamos, agora, incluir os especialistas no aprimoramento de nossas idéias - o que mais deve fazer Ukraina, que instrumentos incluir para retornar os seus cidadãos para casa.

Stanislav Klyh foi detido por agentes russos na cidade Orel, em agosto de 2014. Ele foi acusado de participação na guerra chechena.  Recentemente, já condenado, Stanislav foi levado para colônia, na cidade Verhneuralsk, próximo de Magnitogorsk. Esta colônia é famosa pelo trato cruel aos prisioneiros. Um exame independente do estado mental, da condição psíquica de Stanislav Klyh, apesar dos apelos dos advogados e de prestigiosas organizações internacionais, não foi realizado pela Rússia, hoje sua condição está se deteriorando.

Stanislav Klyh
Com Lyudmila Hlondar nós nos encontramos em uma das reuniões sob embaixada russa em Kyiv, com a exigência de libertar as pessoas detidas ilegalmente. Seu irmão, um soldado do 3º Regimento special encontra-se em cativeiro em território não controlado pela Ukraina, na região de Donetsk. Diariamente Lyudmila conta os dias que Sergei Hlondar passa no cativeiro, participa de todas as possíveis reuniões e medidas de apoio aos prisioneiros.

A esposa de Ali Asanova, Elmara, vive com uma grande família na parte oriental da anexada Criméia. Quatro crianças, o mais novo nasceu depois que Ali Asanova foi levado em custódia, veem o pai somente através das grades  nos  "tribunais" da Criméia.

Elnara Asanova segura no colo seu filho Mustafa
Tais como Stanislav Klyh - aqueles que estão em locais de detenção na Rússia, que são ilegalmente perseguidos, aos quais perseguem ilegalmente, aos quais aplica-se violência física e psicológica - não são menos que 16. Entre eles, como o mundialmente famoso Oleg Sentsov (cineasta ukrainiano) também o desconhecido de todos, além de moradores de sua aldeia, Komyshnya, na região de Lugansk, Sergey Lytvynov. Tais como Sergei Hlondar, segundo informações do SBU (Serviço de Proteção da Ukraina) - não menos de 112. Eles estão, ou na prisão, ou em ITU  nós territórios não controlados (Não consegui  significado da sigla, mas nos territórios não controlados pela Ukraina, os presos são mantidos, geralmente, nos porões e outros lugares inadequados-OK). Entre os detidos, além dos militares, há civis. Por exemplo, o estudioso, acadêmico religioso Igor Kozlovskyi.

Tais como Ali Asanova na Criméia - não menos de 29. Entre eles há tártaros da Criméia  e há ukrainianos. Rússia fabrica questões e joga-os da Criméia para Rússia, e novamente para Criméia. e, ainda há alguns milhares de cidadãos ukrainianos, condenados por questões não políticas que o Serviço Penitenciário Federal move livremente da Criméia para regiões russas.

Todas estas pessoas, apesar do estatuto e das condições de detenções diferentes, são vítimas da agressão russa contra Ukraina.

Sem dúvida, Rússia as usa como reféns políticos, como um meio de pressão sobre Ukraina e Ocidente - no início "materializa" as fabricadas nos limites da ficção, questões criminais, dirigidas contra o Estado da Ukraina (Como foi, por exemplo, com Oleg Sentsov, Sergey Letvenenko, Mykola Karpyuk, Stanislav Klyh, Yuri Yatsenko, pessoas das chamadas "questões de sabotadores"), e depois utiliza-os como sujeitos para chantagem e "moeda de troca". 

Comuns e diferentes categorias de prisioneiros.

A posição de pessoas detidas ilegalmente tem sérias diferenças, e é difícil avaliar, aonde poderia ser "melhor". Por exemplo, se a libertação dos porões da "DNR"/"FSC" pode ser resultado de um acordo político, então para sair da colônia russa tendo sentença russa ou sentença do tribunal de ocupação, é necessário indulto assinado pelo presidente russo Vladimir Putin.

Além disso, no caso dos territórios não controlados há uma estrutura especializada - Centro Comum para a libertação de reféns junto a SBU, cuja competência não se estende aos "prisioneiros do Kremlin". Por outro lado, os detidos na Rússia e Criméia podem ter acesso a advogados independentes, mas no território controlado por "DNR/FSC" onde as pessoas são mantidas nos quadrículos de cachorros não se sabe quem, com que armas conhecidas, e que apoio logístico - técnico recebem, os direitos humanos são impotentes. E, claro, na Criméia, nem nos territórios controlados de Donetsk e Lugansk os detentos podem ser visitados pelos cônsules ukrainianos.

Mas há algo que une todas estas questões e todas estas categorias de reféns: o fato de que eles são vítimas da agressão russa contra Ukraina; a falta de estratégia do Estado da Ukraina para sua libertação; o fato de sua existência para além de qualquer quadro legal (falta de leis sobre o estatuto e o reconhecimento da Ukraina no conflito armado coloca-os em condições de um vácuo legal) dependência de seu destino da remoção ilusória das armas (aqui lembramos o artigo 6º do Acordo de Minsk: garantir a libertação e troca de todos reféns e pessoas detidas ilegalmente com base no princípio "todos por todos"). Este processo deve ser concluído não depois do 5º dia  do desvio.

Por que nós decidimos levantar esta questão?

Nos últimos três anos, pelas pessoas que foram detidas no âmbito dos procedimentos legais da Rússia (ou nas condições de ocupação - no caso da Criméia) travava-se uma luta, inclusive com métodos legais: advogados, petições - ações judiciais. E essa luta continua até hoje - graças às organizações de direitos humanos e também ao corpo de corajosos advogados crimeanos e russos. Os representantes dos direitos humanos, de fato, não interferiram nos processos de negociação, sobriamente avaliavam o impacto de seus recursos de negociadores de alto nível.

No entanto, hoje somos forçados, no nosso nível, levantar a questão das negociações e retorno de cidadãos ukrainianos para casa e propomos nossa visão - devido a alguns fatores, que são atuais principalmente àqueles que denominamos "prisioneiros do Kremlin" (mas não somente).

Primeiro, a escala do problema cresce. O número de pessoas detidas ilegalmente pela Rússia aumenta: o último precedente detido na Rússia - Roman Sushchenko, na Criméia - Volodymyr Balukh. Concomitantemente a libertação, ultimamente não ocorre: o caso similar anterior - e a transferência para Ukraina de Gennady Afanasyev e Yuri Soloshenko, em 14.06.2016, isto é, nove meses atrás. O isolamento da Criméia, entretanto, intensifica-se, cresce o medo dos moradores da península, incluindo parentes dos detidos, que nem sempre estão prontos a entrar em contato e lutar por seus parentes e informar sobre a detenção. A libertação de grupos detidos pela "DNR/FSC" pessoas civis e militares acontece, mas muito lentamente.

Segundo, nenhuma estratégia quanto ao apoio e salvamento daqueles que Rússia detêm, o estado tem.  A estratégia é necessária, porque, enquanto existem territórios ocupados - Rússia terá possibilidade de manter prisões cheias de reféns. É por isso que as famílias dos presos criam sua associação - na esperança de serem ouvidas.

Em terceiro lugar, as negociações permitiriam discutir toda a gama de questões, relacionadas com "prisioneiros do Kremlin", não existem (Em Minsk não discutem nem questões das pessoas detidas, nem as questões da Criméia, sobre o que, honestamente, admitem os próprios negociadores).

Quarto, a questão de todas as categorias de prisioneiros e reféns é extremamente politizada. A questão não é apenas no nível geopolítico e negociações "Ukraina - Rússia - Ocidente", mas também sobre o nível interno-ukrainiano, o que demonstra claramente a reação às atividades de Nadia Savchenko (Savchenko já tem o seu partido político - OK) ou os acontecimentos ao redor do bloqueio (que declara, inclusive, a libertação de reféns). Em todos os processos de negociação o componente puramente humanitário é quase ausente, e se houver - é principalmente decorativo e, atrás dele escondida "pura política". Ukraina deve, pelo menos, tentar quebrar esta cadeia destrutiva de dependência de questões humanitárias da política - em vez de apoiar e incentivar a sua existência, apoiando principalmente a posição desumana da Rússia.

O quinto fator - não é fácil, mas deve ser mencionado. Trata-se sobre a necessidade, já agora garantir a proteção das perseguições aos militares ukrainianos que estiveram no cativeiro, mas depois do regresso correm o risco de se tornarem alvo de processo criminal por suspeita de colaboração com o inimigo, ou até mesmo traição.  O Estatuto
do Tribunal Penal Internacional de Roma, em seu artigo nº 31 fornece proteção para aqueles que cometeram crimes sob pressão, quando o seu dano potencial à vida e à saúde era idêntico ou prevaleceu sobre os danos que o suspeito causou durante o cativeiro.

Obrigações da Ukraina

É claro que Ukraina é colocada em muito difíceis condições militares - geopolíticas - informativas, que são chamadas de "guerra hibrida". Também é claro que estamos limitados, no âmbito dos "Acordos de Minsk" e, apesar do entendimento comum de sua futilidade, quaisquer passos à direita ou à esquerda, são condenados - à abolição de sanções e retomada de hostilidades. Mas esta não é uma razão para inação, especialmente quando se trata de vidas humanas. Ukraina deve proteger os direitos de seus cidadãos, mesmo sob ocupação: tentar inclinar Rússia para conversações sobre o retorno de reféns e prisioneiros, e o cumprimento dos compromissos quanto à observância de direitos humanos.

Com a União Ukraina-Helsinki e do Grupo de Direitos Humanos de Kharkiv nós, por alguns meses trabalhamos na concepção de uma bordagem sistêmica quanto ao retorno de nossos cidadãos, ilegalmente detidos pela Rússia e aliados a ela grupos armados ilegais.

Principais disposições de conceito.

Se você tentar descrever a essência deste documento em uma frase, ela será: colocar os processos relacionados com todos os tipos de reféns e prisioneiros do conflito armado russo-ukrainiano sob a lei internacional, usando todas as possibilidades ainda não exploradas, propostas pela "lei da guerra", e também dividir as questões políticas e humanitárias a fim de despolitizar os últimos e privação de oportunidade da Rússia manipular com eles.

Primeiro de tudo, é necessário separar as questões humanitárias e políticas. Negociações para a libertação de todas essas categorias podem ser realizadas "sob a égide de Minsk", mas em uma plataforma humanitária apolítica, envolvendo direitos humanos e autoridades morais internacionais.

Nós também apoiamos a ideia da lei sobre territórios ocupados. om esta lei Ukraina também pode reconhecer, que "ATO", bem como a agressão na Criméia, é um conflito internacional, o que implicaria um compromisso de certos direitos em relação aos detidos do lado ukrainiano durante o conflito, que permanecem sob o nosso controle, estatuto adequado dessas pessoas, como atitude adequada a elas: de acordo com as convenções de Genebra.

A lei especial da Ukraina deve dar status aos reféns, prisioneiros de guerra e também às pessoas inseridas na Rússia por motivos políticos, o que também implica em atribuir-lhes uma série de garantias e compromissos do Estado ukrainiano.

Além disso, as Convenções de Genebra contém um mecanismo, que Ukraina, por enquanto, ainda não tentou aplicar - Bureau Informativo Nacional. Esta organização deve estabelecer um registro, que consolidaria informações sobre os detidos, tanto Ukraina quanto o país-ocupante e controladas por ele suas unidades subordinadas. Informações provenientes de diversos órgãos, fornecendo-as aos familiares, quando solicitadas. As informações do  Bureau nacional, em nossa opinião, é mais adequado criar na base do Conselho de Segurança Nacional - tendo em conta as funções e competência dessa estrutura.

Medidas adequadas devem ser exigidas também da Rússia. E a perspectiva desta rejeição não deve parar Ukraina.

Outro aspecto diretamente relacionado à proteção dos direitos dos cidadãos ukrainianos e - estrategicamente - questão de de-ocupação da Crimeia e do Leste  ukrainiano. Ukraina deve reunir provas, que poderá usar em cortes internacionais. O órgão para reunir provas, que une os esforços do setor público e privado pode tornar-se o Conselho de Segurança Nacional. Paralelamente, o Conselho de Segurança Nacional deve fazer lobby para introdução de sanções pessoais contra os "autores" dos fabricados casos criminais e aqueles, que usam a tortura e outros crimes contra os cidadãos ukrainianos.

. . . . .

Este é apenas um projeto de conceito. Claro, ele precisa de algum trabalho, detalhação de circunstâncias, "Aterragem na realidade", concordância com a legislação vigente. Compreendemos isto, bem como a situação atual e a atitude da Ukraina aos problemas dos presos - próximo da inatividade, especialmente na parte de "prisioneiros do Kremlin". 

Cada vez que nós queiramos adiar esse problema para amanhã, lembremo-nos que Vladimir Putin tem todas as chances de viver até os 80, e Oleg Sentsov, respectivamente, cumprir a pena de 20 anos.

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 14 de maio de 2017

Imortal "ORK": Como o "Mundo Russo" distinguiu o 09 de maio na Ukraina e a o que isto levou.
Ukraina Moloda (Ukraina Jovem), 11.05.2017
Natália Lebid
A vovozinha de cabelos ruivos, ano após ano louva Stalin. Não está claro quando o SBU explicará à companheira a atual  "política  do partido e governo"?











Mil vezes certo Volodymyr V'yatrovych, que insiste na aprovação na Ukraina de um novo calendário de feriados nacionais.

Sem os odiosos de "maio", isto é, sem 1 e 9 de maio. Ao assunto, parece que a rejeição dos "dias vermelhos do calendário" assusta os simpatizantes do "mundo russo" muito mais do que o desmantelamento de monumentos soviéticos.

Não é de graça que no Instituto de Memória Nacional e no seu presidente, tornaram-se mais frequentes os ataques após a atualização da ideia de mudança na lista de feriados nacionais.

Por quê? Porque, nenhuma demolição de Lenin ou Schorsa não dá aos propagandistas russos tão brilhante quadro, como a multidão de insanos com a fita de "St. George, que esganiça sobre opressão, provoca, ataca e ao mesmo tempo se faz de vítima.

Mas, com esta multidão deve-se fazer alguma coisa.

Os feriados "deste ano" em Kyiv mostraram, que mesmo na capital da Ukraina, o "putinismo - cretinismo" floresce com impetuosidade. Sincero ou financeiramente motivado - isso deve procurar saber o Serviço de Segurança. 

Que, aliás, não revelou, atualmente, interesse pelos retratos de Stalin, arrastados por Kyiv pelo chamado "Regimento imortal.

Testemunhos da seita "grande vitória".

Sobre os acontecimentos de 09 de maio relatou somente a polícia. Resultado da "comemoração" dezenas de detidos em todo o país.

Em Kyiv, entre os detidos - representantes da OUN (Organização de Nacionalistas Ukrainianos - por alguma razão, desde o início, não havia dúvida, de que a polícia não iria prender aqueles, do outro lado das barricadas), a eles incriminaram vandalismo.

Em Dnipro - luta séria, agressão de "imortais" nos participantes ATO.

No Zaporizhia - briga também. Vários policiais feridos (um - na capital, outro no Zaporizhia, e os demais em Dnipro).
Sobre tudo isso noticiou o Vice-ministro do Interior, Sergei Yarovyi. 

Então, o que aconteceu? Mas aconteceu aquilo, que muito antes de 09 de maio  o canal "Inter", e com ele bastante duvidosas "organizações veteranas" intensivamente "espalhavam", o tema da marcha, que seria dirigida e encabeçada pelo "Regimento imortal".

A ideia de tal marcha - ainda em 2012 - a Vladimir Putin plantaram os jornalistas de um dos canais de Tomsk.

De acordo com o seu plano, devia ser uma caminhada de parentes mortos na Segunda Guerra Mundial, com retratos nas mãos.

Kremlin gostou do tema.

Ele foi inocentado de quaisquer sofrimento familiar e transformado em uma ação de propaganda puramente política.

Nos territórios pós soviéticos, bem como em algumas diásporas a participação em tal ação confirma a lealdade ao "passado comum" e louva o império que sofreu colapso em 1991.

Em Kyiv o organizador da marcha deste ano, do "Imortal regimento" apresentou-se uma tal de Helena Berezhna, que intitula-se "Diretor do Instituto de Política Legal e Segurança Social."
Anteriormente esta senhora entrou no noticiário com a intenção de abrir uma questão contra Oleg Skrypka, que criticou os ukrainianos russo-falantes.

Além de Helena, na marcha do "Regimento Imortal", esteve também sua amiga Iryna Berezhna - ex-"regional" 
(partido) que encabeçava a coluna.

Em certo lugar, com uma braçada de cravos vermelhos surgiu o seu colega de partido Nestor Shufrych (Foi deputado da Ukraina em 5 legislaturas. Historiador. Pobre Ukraina - OK).

E também - o deputado Vadim Novinskyi do "Bloco de Oposição", conhecido pelos seus sentimentos à Igreja Ortodoxa de Moscou. De fato, na marcha, não faltou sua presença.
Novinskyi, com sua expressão facial acentuada foi ao Parque da Glória com os metropolitas da Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou Onufrii e Anthony.
Os santos padres caminhavam de ambos os lados de Novinskyi como dois guarda-costas. Aliás, no canal já mencionado, "Inter", o deputado tem atitude mediatizada, pois o canal é próximo a seus partidários.

Também na ação "acenderam-se" os representantes da "Escolha ukrainiana" de Medvedchuk, embora o próprio compadre de Putin, por alguma razão não veio. (Possivelmente, Viktor Medvedchuk foi a Moscou - fazer companhia ao presidente da Federação Russa, o qual, este ano, foi ignorado até por Lukashenko e Nazarbaiev, e de todos os líderes mundiais, a Moscou veio apenas o chefe da Moldávia, Igor Dodon).
Para completar o quadro faltou apenas Natália Vitrenko (seu contraparte "vermelho) Petro Symonenko, neste dia, apresentava-se em Zhytomyr, por isso, na caminhada da capital não participou.

A progressiva socialista não teve sorte. Ela foi bloqueada em seu apartamento, e ainda pintaram a sua porta com várias cores.

Não esteve presente na ação (ou não foi visto pelos jornalistas) Eugene Murayev - líder d partido "Pela vida" e proprietário do canal NewsOne.

Na véspera, Murayev formulou seu encantamento por 9 de maio na coluna do autor no site "Strana. ua" (País - ua).

"Para o povo ukrainiano isto sempre será feriado. Ponto. E se algo com Europa nos une - isto é, o status dos vencedores, único para todas as antigas repúblicas soviéticas," - disse ao mundo o deputado de 40 anos.

OUN virá - colocará ordem?

(OUN - Organização de Nacionalistas Ukrainianos). Com a palavra, contingente dos "celebrantes" clara e inequívocamente sinalizava, quem foi o primeiro beneficiário do vermelho-regional sabat em Kyiv.

O último, aliás, foi nomeado pelo presidente Petro Poroshenko "modelo requintado de especulação política sobre os sentimentos das pessoas".

Mas, apesar de tudo, o presidente participou das celebrações como no dia 08 (Dia da memória), e dia 09. "As memórias amargas sobre aqueles anos não nos abandonam, elas cuidadosamente são transformados de geração em geração.

O feriado é e será, mas nós não o comemoraremos segundo cenário de Moscou", - disse Poroshenko.

O tradicional meio a meio do nosso presidente não agradou à parte pró-ukrainiana da sociedade e estimulou a pró-russa a um comportamento mais arrogante.

E, portanto, não surpreende, que em Kyiv aos oponentes do "Regimento Imortal" não agiu o poder (através de suas agências de aplicação da lei), mas a Organização dos Nacionalistas Ukrainianos (OUN).

No entanto mostrar-se plenamente a OUN não permitiram (talvez até tenha sido melhor, porque do contrário, não conseguiriam evitar derramamento de sangue).

O escritório da Organização, na rua Mazepa, de manhã, 09 de maio cercou a polícia, os nacionalistas foram bloqueados para que não pudessem abandonar o local até o final da caminhada.

À OUN jogavam das janelas as chamas, gritavam os slogans "Revolução", "Liberdade ou Morte", "Komunyake na hillyaku. (Comunistas no galho - o que significa forca - OK) e cantavam canções patrióticas.

No entanto, não se pode afirmar, que a polícia nos arredores do parque Glória não agia nem um pouco. Os policiais suavemente exortavam os cidadãos para retirar as fitas de St. George.

Também tentavam reeducar aqueles que tinham foices e martelos , que traziam pendurados em si mesmos.

A atitude muito cautelosa aos infratores seria engraçada, se tudo isso não fosse muito triste.

Ao mesmo tempo, os policiais cercaram alguns rapazes com a bandeira ukrainiana, da organização "CIЧ", que gritavam "Glória a Ukraina!".

No geral os incidentes não eram duradouros, porém, isto foi suficiente para ilustrar certas tendências negativas.
Quando o cortejo chegou ao Parque da Glória e começou a depositar flores na Chama Eterna houve brigas - uma das quais foi devido a uma tentativa de tomar dos ativistas pró-ukrainianos a bandeira vermelho-preta. As partes começaram a atirar cravos, uns aos outros, mas esta guerra de flores terminou logo.

Causou grande controvérsia a presença de símbolos proibidos: um padre da igreja de Moscou na Ukraina (UOC-MP) fixava "fitas de St. George" nos retratos dos participantes que morreram na Segunda Guerra Mundial, e no meio da multidão foram vistos retratos de Stalin e Zhukov.

Outras consequências dramáticas aconteceram em Dnipro. Nós terminamos com a palavra do diretor do Instituto da Memória Nacional Volodymyr V'yatrovych.

"8 e 9 de maio impressionou mais a diferença das comemorações. No primeiro dia - paz, respeito mútuo, atenção a todos os veteranos. Segundo dia - tensão, intolerância mútua, politização. Isto porque 9 de maio até hoje acontece no formato especificado por Moscou. Porque, ao governo russo este dia é necessário para demonstrar ao mundo todo a força de sua influência no espaço pós soviético.

A força do império repousa no antigo - divide e impera. Para separar-se dos efeitos nocivos, prevenir manipulações, impedir manipulações externas e aproveitamento para fins políticos, a memória dos mortos na última guerra, a liderança da Ukraina deve dar mais um passo corajoso - mover todos os eventos públicos para 8 de maio". 

Isto já foi proposto dor Volodymyr V'yatrovych a um ano atrás, no entanto, a carroça está no mesmo lugar. O que impede a liderança da Ukraina movê-lo do lugar - a questão parece retórica.

Tradução: O. Kowaltschuk

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Rússia aproveita "Regimento imortal" e UOC-MP (Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou) para ocupação ideológica. (Entrevistado Alexandre Donii, político e ativista social, historiador).
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 09.05.2017
Inna Kuznetsova

Ukraina comemora o Dia da Vitória sobre o nazismo. De manhã do dia 9 de maio, em todo o país realizaram-se cerimônias em memória das vítimas por ocasião do 72º aniversário da vitória na Segunda Guerra Mundial.
Especificamente a solene procissão liderada pelo presidente da Ukraina passou pela Alameda da Glória Militar ao túmulo do Soldado Desconhecido. Em muitas cidades e aldeias também realizaram-se ações do chamado "Regimento Imortal". Elas foram organizadas pelos políticos do "Opobloco" (Bloco de Oposição), ativistas de organizações pró-russas. Durante a realização das ações, no Memorial da glória eterna no centro de Kyiv, houve empurra, empurra e uma briga verbal entre os representantes de organizações nacionalistas e participantes da ação"Imortal Regimento". Confrontos também houve em Dnipro (ex Dnipropetrovsk, cidade) e Zaporizhia. 
Segundo a polícia, no total das ações no país, por ocasião do Dia da Vitória participaram no país mais de 50 mil pessoas.

Inna Kuznetsova: Sr. Donii, para você, o que significa o dia de hoje?

- Hoje eu e mamãe estivemos no cemitério, no túmulo do avô. Meu avô era oficial de artilharia, de carreira. Ele participou das batalhas ao redor de Kaliningrado. Ele perdeu a esposa e filha. Para ele, este dia foi decisivo. Ele não falava sobre a guerra, apenas mencionava ocasionalmente. 
Os meus dois avôs lutaram , e também, a vovozinha, e ainda, a outra vovozinha cavava trincheiras, como muitas pessoas jovens. Portanto, para minha família, a Segunda mundial passou diretamente através da família.

Alexander Donii
Ao mesmo tempo 09 de maio é símbolo para União Soviética e, consequentemente, para Federação Russa em sua luta ideológica. E aqui, na Ukraina é um problema. De um lado a memória sobre enormes quantidades de vítimas da Ukraina, do outro - utilização deste símbolo e desta guerra com a finalidade de restauração do império russo. Ukraina precisa encontrar seu caminho, para lembrar a guerra e honrar suas vítimas, tolerar as vítimas dos outros e, por outro lado resistir à luta ideológica e propaganda russa.

- Em Donetsk, já teve lugar a ação "Regimento Imortal", na qual carregavam fotos de militantes mortos, até mesmo carregavam o retrato do czar Nicolau II.

- "Regimento Imortal" - é extremamente talentosa ideia do lado da Rússia para realização de sua missão usando a ideologia e 9 de Maio, e da Segunda Mundial sob o nome "Grande Patriótica", com a finalidade ideológica no início, e depois a ocupação territorial de estados independentes, que localizam-se no perímetro da Rússia. Em continuação, como torna-se visível, esta ideia pode ser aproveitada com a finalidade de aproveitamento da diáspora russa no mundo todo.

O assim chamado "Regimento Imortal" vemos claramente, quando as forças pró-russas concentram-se em uma única coluna

E em Kyiv, no Podoli, na rua Sahaidachnyi funciona até agora o Centro Cultural russo, aonde diariamente vai um caudal de cidadãos ukrainianos, incluindo escolares, sempre com pacotes - com presentes, com doutrinação ideológica.

Poroshenko diz coisas certas sobre "Imortal regimento", mas na verdade conduz à cooperação humanitária, econômica e política com Putin. E a questão não é apenas sobre a fábrica de Lepetsk (É a tal fábrica de doces de Poroshenko na Rússia. Acabo de fazer pesquisa no Google, porque Poroshenko fala, desde o início de sua presidência que vai vendê-la. Pois bem, segundo artigo do dia 26.04.2017, no dia  lº de abril a produção parou. Todos os trabalhadores, (são aproximadamente 700, começaram dispensar, de 80 a 100 por dia. Hoje já é o 3º dia (26 de abril). Ainda restam 400. É, também diz, na mesma página do Google, que Roshen venderá a fábrica de Donetsk - OK).

Até agora não se atreveram a romper relações diplomáticas, nem mesmo introduzir o regime de vistos. Os agentes russos, como por um quintal transitável, passa pela fronteira russo-ukrainiana e pode aqui aprontar o que quiser.

- Hoje, aliás, acidentalmente fizeram um vídeo em Kyiv-Pechersk Lavra, onde as vovozinhas, com banners da igreja cantavam canções russas, incluindo "E à Rússia para casa quero - eu, a muito tempo não vejo a mãe." Isto soa com muita crueldade no momento em que os ukrainianos morrem no Donbas!

 - Para o governo ukrainiano, que não cancela nem a ligação de transporte com a Rússia, não soa cruelmente. Quase em todas enormes estruturas religiosas, que pertencem à Igreja Ortodoxa Ukrainiana (Patriarcado de Moscou), há os tais chamados "passeios de peregrinação". Em Feofania, no parque Golosiivskyi, anúncios em todos os locais - Petersburgo, e outras cidades russas. Durante os "tours" estupeficam as pessoas que acreditam, que os ukrainianos, bielorrussos e russos - são a única nação.

Pergunta: de onde surgiram os colaboradores no leste e na Criméia? Nós devemos compreender, que a geração mais velha já é muito difícil convencer. É necessário dar cultura à geração mais jovem, para que eles não se submetam às provocações. Isto não deve ser feito à força, mas pelo caminho educacional.

- Quando se trata de reconciliação - como regra, falam daqueles que lutaram há 70 anos no exército soviético, e aqueles que lutaram nas fileiras do UPA... (UPA - Exército Insurgente Ukrainiano - OK).

- Ainda mais. Na realidade hoje não são muitos. Memória também sujeita-se a reconciliação. A questão não é apenas, em que exércitos lutaram os ukrainianos. Parte lutou nas unidades alemãs. Em Putevli,  em Chernihiv houve o destacamento de Kovpak, principalmente de pessoas, que foram enviados através da fronteira russo - ukrainiana. Mas a cidade vizinha, Burin, deu o batalhão policial que serviu os alemães. Burin - mais etnicamente ukrainiano, onde houve Holodomor (morte pela fome) muito maior. Havia a ilusão em grande parte dos ukrainianos, que os alemães podem ser aliados, como em 1948 - enquanto não viram, como é, verdadeiramente o regime alemão. Falar sobre a reconciliação dos ukrainianos, que se encontraram nos diversos lados das barricadas, mas com o pensamento sobre tudo o que é bom para Ukraina, para a nação, para as terras ukrainianas é indispensável. Porque os ukrainianos também estiveram no Partido Comunista.

Estamos agora confrontados com a questão da prescrição de uma nova ideia nacional. Temos a ilusão que já foi traçada no 19 - início do século 20. Ukraina está diante de novos desafios, incluindo a necessidade da nação, mas com seu próprio projeto.

Há o respeito à cultura ukrainiana, mas há as questões de tolerância ao outro, coexistência de diversos grupos étnicos, religiosos, se eles não contradizem à própria existência do Estado ukrainiano, como, por exemplo, Igreja Ortodoxa Ukrainiana (Patriarcado de Moscou), que nem sequer reconhece a existência da igreja autocefálica no território da Ukraina. Ainda mais, não quer traduzir a Bíblia para o idioma ukrainiano. Nós precisamos aprender a viver juntos, tolerar uns aos outros, ser melhor um com o outro. E aqui não é apenas sobre a reconciliação de 8 e 9 de maio.

Tradução: O. Kowaltschuk