domingo, 13 de abril de 2014


Últimos acontecimentos na Ukraina
Rádio Svoboda (R. Liberdade), 12.04.2014

Em Sloviansk (cidade de Donetsk, mais de 100 mil habitantes)  desconhecidos, com armas 
apreenderam a delegacia da polícia. Começaram erguer barricadas. Caminhões trazem o necessário. Nas entradas da cidade foram criados postos de controle, reminiscência da Criméia.
Segundo o morador Mykola Lipov, a captação parecia planejada. As pessoas vieram pela manhã, armadas, então a polícia se rendeu. Os funcionários que estavam dentro tentaram reagir mas, simplesmente, foram mandadas para suas casas. Rapidamente juntou-se um punhado de simpatizantes do "mundo russo", programa da TV russa. A impressão é que as pessoas sabiam que tudo estava planejado. Até a prefeita da cidade falou como se soubesse. Depois tomaram SBU (Serviço de Segurança da Ukraina). Todas estas pessoas usavam armas e uniformes profissionais.
Mais tarde os ativistas do Partido Comunista andavam pela cidade e reuniam as pessoas para manifestação.

Krasnyi Leman é a principal estação ferroviária de Donetsk e uma das maiores do país, localizada na cidade de mesmo nome. Esta cidade também tentaram ocupar. No início vieram 20 homens armados, Então vieram os moradores locais, com o prefeito e, à proposta de proteção responderam que não precisavam da proteção pois eles mesmos se protegiam. Os homens armados foram embora, mas voltaram em 20 minutos, em maior quantidade e com simpatizantes locais. O povo com o prefeito novamente os rechaçou. Esta foi a primeira cidade de Donetsk que ofereceu resistência. 

Segundo as fontes da Rádio Svoboda os usurpadores são os antigos combatentes do "Berkut". Eles apreenderam os milicianos profissionalmente. Estavam armados com rifles Kalashnikov e granadas do tipo que a milícia do SBU não tem. 

Através das redes sociais, o almirante da Marinha das Forças Armadas da Ukraina Ihor Kabanenko disse: "A invasão das forças da FR ocorreu no Leste. Em Sloviansk e Krasnyi Lyman não são separatistas. Lá operam militares de reconhecimento e sabotagem. Eles "ajudam' os separatistas locais na captura de construções interessantes - criam cabeças-de-ponte que depois se ampliam (penetram pela fronteira, vindo da Criméia, outros). Realizam-se unificações de algumas cabeças-de-ponte (regionais), ativamente trabalham mecanismos ocultos (suborno de pessoas influentes, chantagem, intimidações, outros). Anunciam-se e realizam-se controlados referendo (boletins já preparados). Anunciam-se com antecedência os resultados e... introduzem-se exércitos para garantir os resultados".

No Ministério do Interior falam sobre a probabilidade de vítimas. 


O ministro do Interior Arsen Avakov fala, através de redes sociais, que a Geografia dos ataques cresce na região de Donetsk.

Kramatorsk é atacada. Desconhecidos atacam a delegacia. Milícia responde. Em Krasnyi Lyman a milícia com guerreiros da população, durante as escaramuças, apoderou-se de armas da fabricação russa AK100, inexistentes na Ukraina. Em Sloviansk foram destruídos equipamentos, não há ligação telefônica, bloqueado SBU e prédio da milícia. Foi capturada a sala de armas e grande número delas foi entregue aleatoriamente. Isso aumenta a probabilidade de vítimas entre a população.

Pessoas com máscaras e armas que tomaram o SBU de Luhansk exigem "demandas legítimas de referendo". Comícios pró-russos realizaram-se no leste para realização de referendos. Na Ukraina não tem base jurídica para realização de tais ações.

No encontro com Arsenii Yatseniuk, Primeiro Ministro, com dirigentes e representantes da elite das províncias leste e sul, em Donetsk, em 11 de abril, declarou que o Parlamento deve aprovar a lei sobre referendos locais e introduzir alterações à lei sobre o referendo referente ao país.

Барикади біля Донецької ОДА, 11 квітня 2014 року
Barricadas próximo a ODA (Org. Est. da Província), 11.04.2014

"Em Luhansk, no SBU, há centenas de pessoas que o conquistaram e que constituem o segmento antiukrainiano, e eles querem algum tipo de anexação. Honestamente falando, eles não sabem o que querem. Eles querem, o que lhes dirá Oleksandr Yefremov (político ukrainiano de origem russa) e pelo que a eles pagará. Lei sobre referendo local é necessário, mas ele deve ser bem trabalhado. Introduzi-lo hoje e dar tal arma a forças antiukrainianas - é simplesmente perigoso", - respondeu Volodymyr Yavorivskyi a Radio Svoboda.

A outros deputados esta questão também foi inesperada e, muito séria para Andreii Illyenko. Para Oles Donii primeiramente precisa resolver questões estratégicas, os referendos locais no momento não têm lugar. O prefeito de Donetsk Oleksandr Luk'ianenko disse que um referendo deve ser geral, para toda Ukraina. E, para sua realização é necessária uma nova versão da Constitução. Serhii Tkachenko, presidente do Comitê de eleitores de Donetsk e Anatoli Tkachuk, especialista em política regional, também se manifestaram contra a realização de referendo.


Akhmetov conduz um jogo duplo e pensa em si, segundo especialista.


Віктор Янукович і Рінат Ахметов, Кривий Ріг, травень 2006 року
V. Yanukovych e Rinat Akhmetov em Kryvyi Rih, maio de 2014

O homem mais rico da Ukraina desempenha papel incomum de pacificador no hoje conturbado Donetsk, onde grupos armados controlam a conquistada a força administração pública regional, exigindo separação de Kyiv. Os especialistas consideram que o oligarca Akhmetov tenta manter sua posição no leste da Ukraina, especialmente no Donbass¹, apoiando a descentralização do governo no país e não rompendo com Kremlin.

Em 6 de abril os ativistas pro-russos apreenderam o edifício da administração regional e anunciaram a criação da República de Donetsk. Através de um referendo local planejaram adesão a Rússia. Até mesmo observadores ocidentais neutros dizem que são apenas algumas centenas de radicais. "Em Donetsk não se vê apoio de massas. Mas, as "orelhas" dos diretores do Kremlin estão atentas". No entanto, a situação esforçam-se para aproveitar as elites locais, as quais não querem mudanças radicais, nem anexação à Rússia. Elas pensam em preservar sua influência no leste da Ukraina e no governo de Kyiv.

Rinat Akhmetov, 47 anos, de repente encontrou-se em um turbilhão de acontecimentos e tentou dirigir os radicais de Donetsk para negociação com Kyiv, encorajando-se até aparecer entre a multidão armada de separatistas de Donetsk.

"Separar-se não é um fim, mas um meio. Objetivo - viver melhor. Guardem suas emoções. Eu entendo, que vocês tem a alma dolorida. E todos que tem a alma dolorida por Donbass, são meus irmãos. Por quê? Porque aqui eu vivo, aqui respiro, aqui ando, como vocês", - disse Akhmetov.

Passaram-se 4 dias e a situação não progrediu. Akhmetov apareceu novamente com o primeiro-ministro. Os especialistas dizem que o mais rico oligarca ukrainiano, após a fuga do presidente ukrainiano que o ajudou a ficar rico, tenta evitar que o governo da província passe para o antigo chefe de Estado e seus associados do exterior, e deseja conservar o seu status quo em Donetsk e todo o leste da Ukraina.

Analista britânico de origem ukrainiana Taras Kuzio: A crise após Euromaidan já trouxe perdas para Akhmetov. De acordo com Forbes, seus ativos foram reduzidos de acima de 15 bilhões de dólares para 11 bilhões. E mais um litígio de um bilhão de "hryvnias" com o filho de V. Yanukovych, Oleksandr, que afeta Metinvest de Akhmetov. Especialistas dizem que Akhmetov está tentando manobrar entre Kremlin e Kyiv, procura acordos com Petro Poroshenko e Yulia Tymoshenko (candidatos à presidência), em troca de conservação de seu dinheiro, sua influência, sua autonomia regional.


"Ele se preocupa em proteger seus bens, seus interesses pessoais, sua pessoa. Se Putin lhe der uma compensação pela absorção de Donetsk pela Rússia, eu não vejo motivos para Akhmetov não concordar. Eu penso, que as pessoas, que pensavam que Akhmetov era um patriota ukrainiano, sempre enganavam-se. Ele é patriota de si mesmo", - diz Kuzio.

Enquanto Kyiv garante sua segurança e segurança de seu dinheiro, Akhmetov pode, tranquilamente, desempenhar o papel pacificador na multidão de separatistas.

1 - Donbass - área industrial que abrange a região de Donetsk, sem o mar de Azov, região sul de Luhansk e partes adjacentes às regiões leste e oeste - leste de Dnipropetrovsk e oeste de Rostov (Rússia).

Tradução: O. Kowaltschuk

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