domingo, 26 de fevereiro de 2017

História de amor durante o Holodomor vem para telas dos cinema dos EUA e Reino Unido.
(Holodomor - morte pela fome)
Rádio Svoboda (Rádio Liberdade), 07.02.2017


Como em muitas histórias cinematográficas sobre amor, "Bitter Harvest" ou "Amarga colheita" - histórica novela, criada com esforços e recursos da diáspora ukrainiana no Canadá - não faltam beijos apaixonados, promessas de fidelidade e dolorosas cenas de separação. E tudo isso contra o pano de fundo da turbulência que absorveu a pátria dos principais personagens. Os acontecimentos desenrolaram-se durante a fome de 1930, memórias que ainda hoje pendem como sombra nas relações entre Ukraina e Moscou oficial. Neste momento, quando essas relações cada vez mais se aguçam, o filme vai para as telas de cinema nos EUA e Reino Unido.

"Estamos falando de Stalin, mostramos Stalin, mas realmente é óbvio que a ocupação da Criméia e leste da Ukraina, a mesma história se repete.

George Mendelyuk  

O filme tem a participação de atores britânicos Max Irons, Samantha Barks e Terence Stamp e retrata a catástrofe causada pela política do líder soviético Joseph Stalin, que procurou consolidar o poder soviético e destruir as menores manifestações de independência da Ukraina. Mas este filme - é, essencialmente, uma história de amor, enfatiza o seu diretor canadense de origem ukrainiana George Mendelyuk, conhecido, particularmente, pelo filme de 1980 "Roubo do Presidente". Ele também acrescenta, que sua fita não é apenas sobre o passado.

"Embora no filme nós falamos sobre Stalin, mostramos Stalin e como ele organizou esta fome artificial, mas realmente é óbvio que a ocupação da Criméia e leste da Ukraina, a mesma história se repete" - diz Mendelyuk.

TRAILER OFICIAL:

https://www.youtube.com/watch?v=3P0saS1peTw&feature=youtu.be

A partir de notas em guardanapos à reprodução da história. Fortes homens rurais cortam os feixes dourados de trigo. Mulheres coradas arrastam sacos de trigo nas costas, para o moinho. Acima deles - céu sem nuvens. Irritados soldados vermelhos sobre cavalos assustam o jovem e a jovem, que se beijavam apaixonados na mata. Eis algumas cenas iniciais do filme que conta a história fictícia do criativo e talentoso rapaz aldeão chamado George (interpretado por Irons), o qual separaram do amor de sua juventude Natália (interpretado por Barks). Ele quer estar com ela. Enquanto isso, o Exército Vermelho executa o plano de Stalin - coletiviza os produtos agrícolas, o que levará à fome e morte de milhões de pessoas. O filme termina com os acontecimentos de 1933, quando o número de mortos atinge o seu apogeu.

Richard Bachenskyi - Hoover, co-autor do filme, disse que primeiramente apresentou seu plano em 1.999, depois de sua primeira visita a Ukraina. Natural de Ontário, representante da segunda geração de imigrantes ukrainianos, Bachenskyi - Hoover queria ser ilustrador, mas foi obrigado a se defender com ocasionais biscates coo construtor. Posteriormente, por algum tempo, ele desempenhou pequenos papéis em programas e filmes televisivos canadenses, incluindo o filme de 1.999 dirigido por Mendelyuk.

Um ano antes disso, ele casou-se com filha de imigrantes ukrainianos, o que levou-o a visitar Ukraina e começar a estudar sua herança étnica. Em 2004 Bachenskyi - Hoover passou várias semanas nas ruas de Kyiv durante a Revolução Laranja.

Durante a Revolução Laranja , eu percebi que este país tem sofrido muito e ninguém nunca produziu um filme sobre Holodomor (morte pela fome).

Richard Bachenskyi Hoover.

A idéia do que mais tarde torou-se "Amarga colheita" Bachenskyi - Hoover, começou com anotações em guardanapos, que fazia, absorvido na história triste daquele período e destino de próprios parentes. "Durante a Revolução Laranja eu compreendi que este país sofreu muito e ninguém, nunca fez um filme sobre Holodomor
(morte pela fome), - disse Bachenskyi - Hoover.

Em 2008 - três anos após mudar-se para Kyiv - ele já possuía suficientes desenvolvimentos, para convencer os governantes ukrainianos para financiar o filme. Mas, segundo ele, o governo do então primeiro-ministro Yanukovych, não demonstrou nenhum interesse, bem como os empresários ricos, aos quais Bachenskyi - Hoover dirigiu-se.

"Eu vi nisto a possibilidade de mostrar ao Ocidente aqueles horrores que fez Stalin, delinear para um típico espectador ocidental o contexto, no qual permanece a atual Ukraina. 

Ian Ignatovych.

Em 2011 ele foi a Ian Ignatovych, investidor de Toronto, cujos pais foram forçados a fugir de Lviv durante a Segunda Guerra Mundial e emigrou para o Canadá em 1948. Ele cobriu completamente os custos da produção do filme, que atingiu 21 milhões de dólares. "Eu vi nisto uma oportunidade para mostrar ao Ocidente, aqueles horrores que realizou Stalin, definir para um típico espectador de cinema o contexto, no qual permanece a atual Ukraina", - explicou seu motivo Ignatovych.

Bachenskyi - Hoover foi a Mendelyuk com a notícia de que encontrou um patrocinador, e ele concordou em se tornar seu diretor.

Em "Amarga Colheita", que teve um orçamento de US $ 21 milhões, desempenhou o veterano do cinema britânico Terence Stamp.

O filme "Amarga Colheita" ("Bitter Harvest") sobre a fome (Holodomor), mostrarão em 45 países.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 26.02.2017
Victoria Zhuhan



Em Kyiv apresentaram o filme "Amarga Colheita". A história de amor que desenrola-se em tempos de Holodomor, em 1939-1933, será exibido em 45 países. Seus criadores dizem: fizeram todo o possível, para sobre Holodomor soubesse o maior número de pessoas além da Ukraina.  

A Kyiv, do Canadá vieram, o produtor do filme Ian Ignatovych e o diretor George Mendelyuk, também o produtor executivo Denis Davidson (EUA) e a intérprete do principal papel feminino Samantha Barks (Grã Bretanha). 

Na tela grande na Ukraina a fita aparecerá em 23 de fevereiro, e no exterior "Amarga Colheita" será exibido em 45 países - em todos os continentes (Espero que passe aqui em Curitiba. Assim que alguém souber o dia, peço que avise - OK) Na Rússia ainda não planejam a exibição do filme. O produtor executivo Dennis, Davidson disse, que nenhum dos distribuidores russos, ainda não manifestou interesse. 

Colheita, casamentos e funerais, bordados, aguardente de cereais e bolo assado na chapa (palhanetsia) - tudo isto contra o pano de fundo de moinhos, do museu de arquitetura popular em Pirogovo. Tal Ukraina verá o público ocidental no início do filme "Colheita Amarga". Quando, junto com os tiros dos bolcheviques ribombarão os "kolkozes" (fazendas coletivas) e "prodrozkladka" (sistema de abastecimento), o quadro cheio de vida perderá todas as cores, e todo público mergulhará na atmosfera do Holodomor (morte pela fome) de 1932 - 1933. 

A trama é centrada em torno das vicissitudes do destino humano, e as cenas de execuções, tiroteios, fugas e perseguições não deixam o espectador distrair-se por um segundo.

Na conferência de imprensa em Kyiv, o produtor Ian Ignatovych disse: o formato foi escolhido de tal forma, que fosse interessante ao público ocidental - do contrário, que censo haveria?

A cena com a canção "Lua no céu..." filmamos na primeira tentativa.

O principal herói Yuri na execução de Max Irons cresce ao longo do filme, de rapaz - artista a lutador guerreiro pela liberdade, e sua esposa Natália (Samantha Barks) dirige, durante o Holodomor a "rebelião das mulheres". Segundo o diretor, deste modo mostraram que na cultura ukrainiana as mulheres se sobressaem como incrivelmente poderosa força natural.

"Eu sou muito diferente da tal heroína, Natália, - disse Barks em uma pres-conferência com a imprensa em Kyiv. - Eu aprendo algo de cada herói que eu desempenho. Especialmente da Natália - ela é incrivelmente corajosa. Ela me inspira, e eu gostaria de pensar, que numa situação semelhante, eu teria, ao menos um décimo de sua coragem. Quem sabe, mas eu considero, que ela é uma mulher extremamente forte."

Espero, que nós retribuímos com merecido tributo às vítimas do Holodomor - atriz Samantha Barks sobre o filme "Amarga Colheita".

Para o filme a atriz, uma parte da canção popular "Lua no Céu..." - esta cena ela gravou da primeira vez. É esta a canção que cantava a mãe de George Mendelyuk. Junto com a irmã ela fugia da fome, de Kharkiv para Lviv -  na "Colheita Amarga" os heróis partem para Lviv da aldeia de Smila, em Cherkasy. Mendelyuk partilhou: graças ao filme ele encarnou a missão de seus pais - preservar a cultura e tornar pública esta parte da história da Ukraina.

Sensíveis detalhes no filme apareceram não apenas nas histórias reais, também por acidente. Segundo a história a Yuri chegou-se o menino - órfão Lyubko. Quando Yuri, após a separação encontrou Natália, descobriu, que ela perdeu seu filho. Segundo o cenário, Lyubko, neste momento vai embora. No entanto, o jovem ator repensa e volta. Deste modo os heróis têm um filho adotivo. 

"Que maldades Stalin não causou ao povo ukrainiano, mas esta família apesar disso, conseguiu reunir-se", - resumiu o diretor.
George Mendelyuk

No serviço de Stalin havia notícias mentirosas.
No serviço de Stalin houve alguém chamado Walter Duranti, apologista, e nós lembramos isto no filme. Ele recebeu o Prêmio Politzer e escrevia "informação oposta", - diz George Mendelyuk. Ele dizia: isto não é fome, é não comer o suficiente. Nós falamos sobre isto hoje, porque existe responsabilidade entre o que, acontecia então, e o que acontece agora. Hoje nós falamos sobre noticiário satírico, mas eles foram - novidades satíricas no serviço de Stalin".

Segundo palavras do produtor, após as mostras de testes, na platéia dos EUA e Reino Unido, os assistentes perguntavam: Por que até agora, ninguém nos mostrou?

O produtor Ian Ignatovych disse que o objetivo do filme era mostrar a verdade dos fatos históricos. No filme há personagens que se denominam "nacionalistas ukrainianos" e "patriotas ukrainianos" - eles exclamam "Glória à Ukraina!" Ignatovych alerta: nos anos 30 esta frase não tinha continuidade, e todos os potenciais paralelos com o presente deixa a critério dos telespectadores.

A historiadora ukrainiana Lyudmyla Grinevich, que aconselhava os criadores do filme, acrescentou: aos ukrainianos neste filme devolveram o direito de ter sua própria identidade e sentimento nacional. Segundo suas palavras, a literatura do período soviético mostra, que nos anos 30 não havia o conceito "patriotismo ukrainiano". Apenas após a descoberta de documentos da União estatal e administração política da URSS, tornou-se  sabido: que o clima social na Ukraina estava intimamente entrelaçado com o clima nacional.

Tradução: O. Kowaltschuk

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