sexta-feira, 11 de março de 2016

Morte on-line
              Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 10.03.16
              Roman Malko

Sobre ela hoje é dito e escrito muitas palavras  boas e fortes. Sinceras e não muito. E ela, realmente, é digna de admiração, porque descende de grandiosos e heróis, que rompem com própria força moral.


Dizem, os heróis não morrem. Teoricamente sim, nos nossos corações e na nossa memória. Mas isto, na verdade, desculpa. Morrem. E hoje, o mundo todo, grudado nas telas da TV e computadores, pode obter a chance de convencer-se disto. Queira Deus, que isto não aconteça, mas ninguém já não pode em nada ter certeza. A loucura atingiu o seu pico, o mal não planeja retirada, e o mundo, apesar de sua aparente preocupação, de preferência silencia . O que ele dirá?  O século XXI, com todas as suas conquistas e possibilidades, revela-se, em nada melhor da Idade Média onde queimavam dissidentes. Agora, talvez, porque há a possibilidade de observar tudo isso acontece em tempo real, e por isso , ainda mais deseja-se lamentar...

A ela não deixarão morrer. Possivelmente... Dizem, que aplicarão nas veias alguma certa mistura líquida (Talvez por isso proibiram todas as visitas, inclusive da mãe e irmã. Acredito que não será necessário porque Savchenko, até o dia do veredito, 21 de março, voltou para alimentação líquida - OK). Mas, não é esta, em grande parte, a questão. O pior já aconteceu. Toda esta história já desnudou os aspectos mais repugnantes e mais monstruosas qualidades humanas, apagá-las ninguém conseguirá. Nem o tempo. As pessoas comuns sempre foram apenas moeda da troca nos jogos dos fortes do mundo. Assim aconteceu. Mas este é justamente aquele caso que, segundo a regra, coloca tudo em seu lugar, rejeita as máscaras e chama as poisas pelo seu nome. Este é aquele caso quando ninguém tem desculpa, pois verifica-se, apesar de toda a manipulação, asseveração e declarações possantes, minguem fez nada para impedir a tragédia.

Nós não sabemos o verdadeiro preço da questão. Não sabemos quantas negociações foram conduzidas e quanto dinheiro foi gasto nelas. Mas sabemos, que mesmo se tudo isto houve, foi apenas show. Agora ficou claro, que nenhuma política de apoio e libertação de Nadia Savchenko não existia. Tudo repousava sobre as iniciativas da comunidade e os esforços da família. Aquelas pessoas, que realmente ajudavam, fizeram não somente o que podiam, mas muito mais. E aqueles, em cuja força havia a possibilidade para fazer mais, apenas deixaram o tempo passar.

Por um ano e meio, o estado, realmente não se ocupou para arrancar a moça das garras do inimigo. Nada fez. Porque aqueles esforços que, possivelmente construíam-se, hoje denunciam-se tão escassos, que dá vergonha dizer. Esperavam por um milagre? Ou justiça russa? Ou, como sempre, esperavam que de alguma forma se resolve-se sozinho? A guerra acabará depois de um mês e os problemas desaparecem por si, perecerão como inimigos, como orvalho no sol? Mas não morreram, não desapareceram. Onde estão os passos geniais da diplomacia ukrainiana? Onde está o escândalo internacional? Onde está a trama global contra os degenerados e sádicos ocupantes do Kremlin? Somente agora o mundo começa, lentamente compreender o que acontece. Soam vozes de apoio, simpatia, preocupação, raivosas declarações dos líderes de Estados, com ameaças e instruções. Escrevem "não morra", "não vale a pena"... Mas a questão não é na morte. Há coisas muito piores que ela...

Para uma grande explosão apenas falta uma fagulha. Exatamente assim que começavam todas as maiores catástrofes da humanidade: de pequena, aparentemente, tragédia humana, de repente transbordava a taça.

O que dizia o nosso respeitado por todos e pacífico presidente quando Nadia caiu em desgraça? Que duplicará seus esforços para sua libertação? Melhor seria se ficasse calado.Duplicar pode seus exercícios matutinos no ginásio, mas aqui precisa rasgar a terra. Mesmo antes ele dizia  e prometia muito. Mas aonde estão todas aquelas promessas? Isto também se refere aos outros árbitros supremos dos destinos das pessoas, ministros, Facebook, politiqueiros, estrategistas. Postar cartas das "grades", expressar sentimentos e apelar por comparecimento nas ações - não muito corresponde àquilo que é necessário fazer na atual situação. Porque este é o caso, quando seriam muito úteis todos os aventureiros, que hoje apodrecem na cadeia por acusações primitivas de vandalismo, banditismo, posse de armas... Se o Estado dirigi-se  sua energia e desejo de vencer o inimigo num bom caminho, a região de Rostov, juntamente com o tribunal onde julgam Nadia e prisão onde a seguram, transformaria-se numa paisagem lunar. Mas não, é pecado até pensar nisto. Nós somos pacíficos, nós meditamos sobre o Acordo de Minsk e nunca, em nenhum caso violamos os acordos assumidos (Os militantes no leste violam os acordos praticamente todos os dias usando armas proibidas - OK). E pouco importa em assinar acordos com o diabo para próprio prejuízo, porque nós somos assim...  

Nadia não teve sorte. Ela não é cidadã de Israel ou USA, que não vacilam recuperando os seus dos cantos mais perigosos do mundo, usando o que for preciso, a astúcia, dinheiro ou armas. Mas Nadia  - deputado da Ukraina do partido "Pátria" e  delegado da Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu. "Hey", Yúlia Tymoshenko, sua voz em defesa de seu companheiro político, ultimamente, quase não se ouve. Será que a detida piloto era necessária apenas para levantar a classificação e exibicionismo eleitoreiro? Onde está o super esforço para sua libertação?Negociatas parlamentares não deixam tempo para isso? Bem, claro, isto não é o preço do gás, para o qual é possível adentrar ao escritório de Putin e negociar com frenesi. É muito triste. Porque dizem, que a vida humana, especialmente de uma pessoa assim, é mais cara que todos os tesouros do mundo.

Tudo é muito ruím, não há nada novo. Simplesmente as piores suspeitas foram confirmadas e não precisam mais provas. Nem o fato de que, no Kremlin estão canibais e escória, para os quais o destino humano, como a vida, nada significa, ou que, nenhum ukrainiano para o seu país não representa nenhum valor, ou que, Ukraina é dirigida, no mínimo, por pessoas ocasionais.

E então, na frente a situação pode tornar-se muito pior. Para uma grande explosão hoje, falta apenas uma faísca. Era assim que começavam todas as grandes catástrofes da humanidade: de uma pequena, na aparência tragédia humana, que de repente encheu demais o copo. E não fingem, agora, aqueles que gritam, que a morte, deus nos livre, da prisioneira do Kremlin, ukrainiana Nadia Savchenko, pode ter consequências desastrosas. Infelizmente não fingem. Mas ela ainda pode ser detida. Por enquanto pode. Pressão, ultimatos, sabotagem no território do inimigo ou parceiro comercial. Talvez até com total tiroteio de canhões ou "Grad" (MLRS) por toda a linha de frente e rápido ataque. Pelo menos o som de tiro de canhão acrescentará forças a Nadia para manter-se e esperar pelos seus. E não apenas ela. Também para Kluhu, Karpyuk e outros prisioneiros ukrainianos.
- Será que não podemos permitir-nos tal iniciativa própria? Será que não tivemos tempo em dois anos consolidar, desenvolver e equipar nosso exército? Ou, talvez alguém diga que este não é o método, e assim nos prejudicaremos a nos mesmos e a Nádia. Não prejudicaremos, já prejudicamos Savchenko. Lá, no Kremlin, estão os ladrões que só entendem a linguagem da força. Quanto mais bater neles, mais vão temer por sua pele e aceitarão argumentos. Outra linguagem eles nunca entenderam, por isso os esforços anteriores foram gastos em vão. Afinal, quem não arrisca, não bebe champanha. E desarrolhar a garrafa sobre as ruínas, de verdade é uma caridade. E quem, senão nós.

Ukraina e o mundo, estão hoje atravessando terríveis mudanças. Eles já não podem ser interrompidos, mas podem ser travados. Haverá força suficiente, sabedoria e força de vontade? Morte, Deus nos livre, mostrará...


Vyssokyi Zamok (Castelo Alto), 11.03.2016

O Ministério dos Assuntos do Exterior da Rússia se recusou de quaisquer acordos sobre Savchenko, também sobre outros prisioneiros, declarou o embaixador Dmytro Kuleba. 
"Agora só nos resta pressão integral e contínua em todos os processos de negociação.  Rússia adotou a posição "não - porque não".

Tradução: O. Kowaltschuk

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