domingo, 14 de junho de 2015

(Não) protegido Mariupol, ou Como sobreviver sem gás e água.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 12.06.2015
Roman Romaniuk


Na sexta-feira de manhã, 12 de junho, os militantes dispararam dos morteiros no gasoduto "Kramatorsk-Donetsk". Devido a isto, sem gás ficaram Volnovakha, Berdyansk e também os gigantes metalúrgicos de Mariupol. No governo acreditam que os militantes faziam pontaria para o gasoduto, para destruir, a já instável paz de Mariupol.

Colunas de fogo e jejum de gás.
A informação sobre a utilização dos proibidos morteiros pesados pelos Acordos de Minsk surgiu na sexta pela manhã. 
O próprio bombardeio ocorreu próximo das 6:00 horas. Durante seu curso foram feridos dois moradores pacíficos.
Foi danificado o gasoduto vital para Mariupol e outras cidades do Sul de Donbas, bem como cidades próximas ao Mar Azov. No céu de Avdiivka apareceram algumas colunas de fogo.
Em consequência o gás que queima em Avdiivka, não segue pelo gasoduto - sem suprimento ficaram várias cidades e aldeias.

Na empresa estatal "Ukrtransgaz" informaram, que seus especialistas podem reparar o gasoduto em até dois dias, mas eles precisam que cessem, completamente, os disparos.

Enquanto isso no gasoduto ficou gás para algumas horas. Em Mariupol para 4 - 7 horas, Em Berdyansk, para 20 horas. Mas isto, com a condição de que a gigante de aço, "Azovstal" e a "Ilyich Iron and Steel Works" de Mariupol (A maior empresa de aço e um dos maiores exportadores da Ukraina. Exporta para mais de 50 países) completamente interromperam o consumo.

Cidade no limite.
O problema com o gás agravou a já difícil situação de Mariupol. O gás era a última fonte de energia que estavelmente fornecia-se à cidade. O problema é que a maior parte de energia elétrica Mariupol recebe da Usina Termoelétrica de 
Starobeshivsk, na área ocupada pelos militantes.
A cidade fica sem eletricidade durante os tiroteios.

Mais um problema da cidade, que necessita solução urgente, é o abastecimento de água.
Após a captura pelos militantes de uma grande parte de Donetsk e lutas constantes, o canal "Siverskyi Donetsk - Donbas"  e "Donbas - Sul Canalização", o "Siverskyi Donetsk - Donbas" parou de funcionar. Mariupol passou ao aproveitamento de água do reservatório anterior, ao "Donbas - Sul Canalização".

Segundo o governador Taruta o "Starokremsky" reservatório é poluído em aproximadamente 60%, e a água contida nele é de apenas 20%.
Os moradores de Mariupol bebem água suja. E mesmo essa água será suficiente, no máximo, para dois meses. Ainda tem o reservatório "Pavlopilske", mas está na linha de colisão e não tem capacidade para tratamento. É necessário desenvolverem reservatório local, diz Batozkyi, ex-conselheiro do ex-governador.

"Os diplomatas em Minsk precisam alcançar um cessar fogo para consertar o que foi destruído. No tempo do governador Taruta, nós, de algum modo, conseguíamos nos entender. Kikhtenko (o governador em demissão - OK) esteve em Mariupol algumas vezes, eu não sei se ele entende o tamanho de nossos problemas.

Holtubey diz que a prefeitura coordena as ações com as empresas de gás locais: "Deixamos o fornecimento de gás apenas para uso doméstico, hospitais-maternidade e padarias. Ele teme, que quando o trabalho nas empresas da cidade, que sobreviveu aos horríveis ataques dos militantes e em torno da qual deixaram de lutar, é um dos fatores da estabilização social. Se as fábricas pararem, dizer para que lado a situação se voltará, é difícil.

Miraram de propósito
Na reunião de Gabinete, Arseniy Yatseniuk, não escondendo as emoções, acusou os militantes de sabotagem planejada. "Terroristas russos deliberadamente explodiram o gasoduto para suspender o gás a Mariupol e parar as fábricas que aí trabalham. Eles fazem isso de propósito, para que haja pânico, para parar as fábricas e as pessoas ficassem sem pagamento. É, portanto, parte do plano russo", - indignou-se o primeiro ministro.
Ele instruiu o Ministério das Relações Exteriores para informar, oficialmente, os parceiros ocidentais, OSCE e o trilateral grupo de Minsk sobre esta situação. Recebeu apoio do Ministro do Interior A. Avakov e do "Naftogaz" Andrew Kobolyev.

O que fazer
Antes de tudo é preciso restaurar o oleoduto. Na noite de sexta-feira, no Centro comum de coordenação e controle de cessar fogo  conseguiram um acordo. Mas descobriu-se que na área danificada há minas que não explodiram, então os trabalhos de reparo ainda não começaram. Em "Ukrtransgaz" recusam-se a dizer quando os reparos vão começar, para não trazer novos bombardeios, o que já aconteceu durante ATO.

Serão necessários, no mínimo dois dias para a reparação do gasoduto. E, quem garantirá, que ele não será novamente bombardeado?
Em Mariupol, dão preferência para solução do problema, numa perspectiva bem maior. 
"... Precisamos nos desligar das velhas redes e estender a linha para central elétrica do Zaporizhzhya. Lá tem potência e pode proteger Mariupol dos problemas com energia elétrica. E são apenas 250 km", - diz Batozkyi.

Opinião semelhante expressou o chefe do Ministério do Interior de Donetsk Vyacheslav Abroskin. "É urgente a linha alternativa de Zaporizhzhya, limpar a capacidade do reservatório Pavlopolske e Starokremsky, para estabelecer e executar a dessalinização da água do mar. Se começarmos agora - traremos a cidade ao inverno sem perdas - Se não começarmos - a cidade não sobreviverá ao inverno",- diz o chefe de polícia.

E, enquanto o novo governador Pavlo Zhebrivskyi assume o governo, todos esperam que, pelo menos o novo indicado por Poroshenko terá vontade política suficiente.

Tradução: O. Kowaltshuk 

Nenhum comentário:

Postar um comentário