terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Anders Aslund: as autoridades ukrainianas preocupam-se com o seu próprio enriquecimento, não com o bem-estar da população.
Verdade Econômica, 02.02.2018
Natália Trach



O economista Anders Aslund disse à Verdade Econômica, a o que pode levar a relutância do governo ukrainiano em criar o Tribunal Anti-corrupção, e para onde se movimentará sem  o FMI.

Anders Aslund é um economista e diplomata sueco-americano, pesquisador sênior do Centro analítico Atlantic Council. Ele especializa-se no estudo de economias em transição e estados corruptos.

Cerca de 30 anos de sua vida, Aslund dedicou ao estudo da Ukraina, da Rússia e dos países  da ex-URSS. Na década de 1990, ele foi conselheiro do governo ukrainiano, depois trabalhou no Báltico e no Quirguistão.

Em 2014 Aslund entrou no Comércio de Peritos junto ao Ministério do Desenvolvimento Econômico e Comércio da Ukraina. Ele está sempre bem familiarizado com os assuntos ukrainianos, opera com os últimos números e projeções quanto ao crescimento da economia, inflação ou a troca da moeda nacional.

De acordo com o economista, o significado desses indicadores, bem como o padrão de vida dos ukrainianos, dependerá do fato, se iniciará o governo ukrainiano combater a corrupção.

Agora, na ordem do dia, temas principais - o FMI e o Tribunal Anticorrupção. Receberá Kyiv financiamento do fundo? O que acontecerá se não receber? Sobre isso e sobre as perspectivas da Ukraina - em uma entrevista com Aslund.

- Como você avalia o desenvolvimento econômico da Ukraina em 2017?

- Em 2017 a principal conquista econômica da Ukraina tornou-se a estabilidade macroeconômica e pequeno deficit no orçamento do estado. Ao mesmo tempo, houve muitas falhas sérias. Em primeiro lugar, devemos mencionar o fracasso da reforma judicial. Mas o maior fiasco do ano - a criação do tribunal anticorrupção.

Todos os anos, o montante de fundos retirados da Ukraina é próximo de 5% do PIB (119 bilhões de UAH - Verdade Econômica). É o dinheiro que é investido na economia do país. O problema-chave na Ukraina é a falta de proteção do direito de propriedade.

O pior é que nada foi feito para corrigir a situação. Isso frustra os investidores estrangeiros, que não têm pressa em investir na Ukraina. 

Assim, hoje, o nível de investimento estrangeiro direto no país é de cerca de 18% do PIB, mas se todas as reformas necessárias fossem realizadas, Ukraina poderia ter investimentos estrangeiros no nível de 25 a 30% do PIB

- Ukraina tem chances de crescimento econômico sem combater a corrupção no mais alto nível?

- Não. Porque vocês têm funcionários de alto nível, que pensam, que podem roubar empresas e ocupar-se com extorsão através de chantagem de grandes empresas. O seu Serviço de Segurança da Ukraina e Promotoria Geral ocupam-se em extorquir dinheiro das empresas através de pretextos falsos. E todos vêem isso. 

 O insuficiente nível de proteção dos direitos de propriedade - principal motivo, pelo qual os estrangeiros não querem possuir propriedades na Ukraina. Não é a corrupção, mas roubo de seus ativos. 

Eu não vejo que tenha sido feito algo para melhorar o clima de investimento. Em comparação com 2017, o ritmo de crescimento econômico será insignificante. Talvez, pode-se esperar, que o crescimento do PIB seja de 3%, mas não mais. Este é um ritmo mísero. 

- Qual o nível máximo de crescimento econômico que Ukraina poderia ter se todas as reformas necessárias fossem implementadas?

- Duas a três vezes maior - de 6 a 8% ao ano. O efeito é enorme: quando a economia cresce 7% ao ano, então, em dez anos, o PIB do país dobra. Ou seja, em dez anos você terá o dobro do dinheiro. Se contarmos em dólares, isto significa, que os salários dos ukrainianos, no equivalente em dólares poderiam dobrar. 

No início de 2018, hryvnia começou desvalorizar-se acentuadamente e apenas no final de janeiro fortaleceu sua posição. Em sua opinião, por que isso aconteceu e o que esperar depois?

A taxa da hryvnia depende da cooperação da Ukraina com o Fundo Monetário Internacional. Obviamente, a Administração Presidencial não está interessada em uma maior cooperação com o FMI.

Eu não esperaria, que antes das eleições presidenciais, que realizar-se-ão em 2019, o FMI ou a União Européia darão empréstimos a Ukraina. Por causa disso, hryvnia permanecerá fraca.

Atualmente, o volume de reservas internacionais da Ukraina é de US$ 18 bilhões de dólares, mas devido ao pequeno volume de importação essas reservas não são suficientes.

As autoridades ukrainianas cuidam o seu próprio enriquecimento, não o bem-estar da população. O futuro da hryvnia depende da confiança às autoridades. Se não houver confiança na liderança do país, é provável que as questões deem errado. É difícil dizer o quão é ruim, mas catástrofe não haverá.

- O quanto catastrófica pode ser a situação com o tribunal anti-corrupção e a reforma judicial?

- Ei li a carta do chefe da missão do FMI Ron van Rodin ao chefe da administração presidencial Igor Ranin. Nela, afirma-se claramente, que o projeto de lei proposto pelo presidente do Tribunal Anti-Corrupção não atende aos critérios do FMI e às obrigações da Ukraina.

Primeiro, o processo de escolha de juízes, segundo este projeto de lei, não será independente e desprovido de corrupção. Em seguida - pior: os juízes do tal tribunal anticorrupção serão eleitos pelos funcionários corruptos. 
Segundo, os critérios para eleição dos juízes são irrelevantes e visam duas coisas: que segundo esses critérios entra  o menor número de pessoas, e que estas pessoas sejam juízes ruins.

Assim os juízes qualificados em tal tribunal serão poucos, e a competência do tribunal será irrelevante. A este tribunal anticorrupção não transferirão casos de corrupção, mas sim atravancarão com outras questões. Consequentemente, este projeto de lei é uma tentativa de fazer do tribunal anticorrupção um tribunal não anticorrupção.

- Como você avalia a probabilidade de interrupção do programa de cooperação com o FMI devido ao não cumprimento de Ukraina de suas obrigações?

 - Eu não penso que, antes das eleições presidenciais de 2.019, o FMI ou a União Européia financiarão Ukraina. Não penso que o presidente Poroshenko aguarda dinheiro do FMI. Já vimos que, em Setembro, Ukraina colocou eurobônus para 3 (três) bilhões em 7,375% ao ano, mas as reformas necessárias não estão ocorrendo. Ukraina vai colocar títulos no mercado europeu até a crise financeira ocorrer

Se Ukraina esbarrar numa crise financeira, esta será completamente causada pelas autoridades ukrainianas.

- Você acha que Ukraina poderá entrar nos mercados estrangeiros sem o programa do FMI?

- Isto será uma repetição do que fazia Viktor Yanukovych em 2011. Yanukovych pensava, que ele poderia vender títulos no mercado, e ele fez isto até 2.012. Em seguida a taxa de juros aumentou para 10%, e não houve mais demanda de títulos.

Por enquanto, você pode vender euro bondes. Em 2.018, Ukraina provavelmente poderá vender vários bilhões em títulos.

A questão é que tal política - é uma estratégia de evitar o crescimento econômico. Alguém perguntará, por que os altos funcionários podem estar interessados em evitar o crescimento econômico.

A resposta é: eles vivem com os lucros dos monopólios. Eles recebem lucros porque controlam a economia. Se houver muitos investidores na economia os altos funcionários terão menos controle sobre a economia, então os lucros desaparecerão e eles se tornarão mais pobres.

Tipicamente, países muito pobres têm líderes muito ricos, porque eles não estão limitados ao acesso de recursos financeiros. Não há nenhuma relação entre riqueza da liderança do estado e a riqueza das pessoas. 

Isso pode ser visto no exemplo das repúblicas da antiga União Soviética. Georgia é o único país da região onde o direito de propriedade é garantido. Isso é o que Ukraina precisa.

Então, a questão principal é - se assegurarão os chefes de Estado o direito à propriedade?

- Então você acha que eles são propensos a pagar em excesso pelos títulos do que lutar com a corrupção?

- Isso mesmo, porque eles estão interessados em corrupção, eles vivem dela. O procurador Yuri Lutsenko, provavelmente recebe dinheiro por não combater a corrupção, ele não ganharia nada além de seu pequeno salário.

- Durante um relatório no Fórum de Segurança em Varsóvia, você incentivava a investir na Ukraina. Você dizia que a assistência financeira, que Ukraina recebe,  - é minúscula em comparação com o que a Polônia recebeu.  Você acha que agora o interesse pela Ukraina entre os seus apoiantes no exterior diminuirá? 

- Eu defendo pela concessão de ajuda financeira à Ukraina, mas nas condições dadas da realização de reformas. Quanto mais dinheiro, mais oportunidades de realização de reformas.

Nós vemos uma porção de bons reformadores na Ukraina. Este é o Ministro das Finanças Oleksandr Danyliuk e a responsável pelo Ministério da proteção da saúde Uliana Suprun, o presidente do Conselho de Administração de Naftogaz Andriy Kobolev,  o presidente da Agência Nacional Anti-Corrupção Artem Sytnek, o promotor Anti-Corrupção Nazar Holodnitsky e, em geral, a liderança do Banco Nacional.

Eles, realmente lutam pelas reformas, e as organizações internacionais, com boa vontade, cooperam com eles.

No exterior houve decepção após a demissão do gabinete anterior, em particular, a renúncia da ex-ministra das finanças Natália Yaresco, ex-ministro da Economia Aivaras Abramavichus e ex-ministro da Infra-estrutura Andriy
Pivovarsky.

Em setembro de 2017, Ukraina obteve acesso ao mercado de Eurobonds e, a partir desse momento, as reformas diminuíram. Afinal, Ukraina tem acesso a financiamentos internacionais sem condição. Então a situação foi na direção errada, mas ainda acredito, que tudo se ajustará.

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A petição para a demolição da "capela" do UOC (PM) em Kyiv reuniu as assinaturas necessárias.
Foto-reportagem: Ação perto da capela da UOC-PM (Igreja Ortodoxa ukrainiana - Patriarcado de Moscou) - quem, o que re-vindicava.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 04.02.2018


 Centenas de pessoas vieram à ação, relacionada com a construção da UOC (PM) na zona tampão "Sofia Kyivska", Kyiv, 03.02.2018

Várias centenas de ativistas comunitários, artistas, voluntários, veteranos ATO, realizaram, em 03 de fevereiro, próximo ao Museu Nacional de História da Ukraina em Kyiv, a ação "Liberdade para arquitetos" em apoio aos arquitetos Alexander Gorban e Alex Shemotiuk, aprisionados por suspeita de fogo, posto a UOC (PM) - Capela, próximo à Igreja do Dízimo.



Como transmite o correspondente da Rádio Liberdade, ativistas vieram para expressar apoio público à Gorban e Shemotiuk, e também exigir explicações do governo sobre legalidade da construção do edifício da UOC (PM) na zona tampão da Reserva Nacional "Sophia de Kyiv".


De acordo com a legislação atual, na zona da reserva nacional "Sophia de Kyiv" e na zona da parte histórica de Kyiv, é proibido construir estruturas, como a ilegalmente construída. O fato não é o de pertencer à comunidade da UOC (PM), mas em que bases a estrutura foi construída", explicou à Rádio Liberdade a ativista social Marina Solovyova.


Em 25 de janeiro, polícia relatou sobre a prisão dos arquitetos Alexander Gorban e Alex Shemotiuk, devido a uma tentativa de incendiar a UOC (PM) - Capela.



O edifício, que pertence à UOC (PM), foi construído em 2005, próximo da fundação da Igreja "Deciatena" em Kyiv. Apesar da falta de documentos permissivos, o "mosteiro" funciona há mais de 10 (dez) anos no território do monumento histórico. (Prezados, o significado da palavra ""Deciatena", no Grande Dicionário do Atual Idioma Ukrainiano, explica-se: - 1) "Velha unidade russa de área de terreno, de 1,09 hectare. 2) Décima parte da receita, que era paga, para uso da igreja em diversos países, pela população dependente, na época do feudalismo. Então, o nome da Igreja podemos traduzir como "Igreja do Dízimo").

Tradução: O. Kowaltschuk

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

"Discussão histórica". O que se sabe sobre a lei polonesa quanto à proibição do "banderismo".
Tyzhden ua. (Semana Ukrainiana), 31.01.2018
Irina Riaboshtan


O projeto de lei trata da tragédia de Volyn e do Holocausto, o que causou preocupação na Ukraina e em Israel.

O senado polonês, na quarta-feira, 31 de janeiro, planeja considerar uma nova redação da lei sobre o Instituto Nacional da Memória (INP). O documento diz respeito aos crimes do nazismo e comunismo durante a Segunda Guerra Mundial e deve contrariar a negação ou redução da responsabilidade dos perpetradores de crimes, que cooperaram com o Terceiro Reich alemão.

Em particular, o projeto trata da tragédia de Volyn e do Holocausto, o que causou preocupação na Ukraina e em Israel. Sim, o projeto prevê a responsabilidade penal por declarações sobre o envolvimento dos poloneses no Holocausto e promoção da assim chamada "ideologia de Bandera.


Em 26 de janeiro, o Sejm da Polônia aprovou uma lei sobre o INP proposta pela facção Kubiz-15. O projeto apoiaram 279 deputados, de 41
A facção apresentou seu projeto há mais de um ano, mas por algum tempo ficou congelado. De acordo com os iniciadores da lei, o objetivo dos documentos é contrariar a negação ou a redução da responsabilidade pelos crimes dos "colaboradores do regime nazista."

Em particular, o projeto aprovado "define os crimes de nacionalistas ukrainianos e organizações que trabalharam com o "Terceiro Reich" , como também sobre a proibição do uso da expressão "Acampamentos de Morte polonesas". De acordo com as disposições da lei, a punição será por uma multa ou prisão de três anos.

No Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polônia sublinharam que as disposições pertinentes, apenas se aplicam às pessoas que, em público e contrariamento aos fatos, negam os referidos crimes, bem como as acusações aos polacos ou ao Estado polaco, em responsabilidade ou co-responsabilidade por crimes durante a Segunda Guerra Mundial. 

Ao mesmo tempo, o departamento acrescentou que não será considerado coo crime o cometimento dessas ações "durante atividades artísticas ou científicas." Ao mesmo tempo, as novas disposições serão aplicadas tanto aos cidadãos poloneses quanto aos estrangeiros.




De acordo com o chefe do Ministério  das Relações Exteriores da Polônia Jacek Chuputovich, a lei deve "parar a campanha de calúnias contra Polônia por alegado envolvimento no Holocausto". Além disso, o presidente da Polônia, Andrzej Duda, prometeu examinar minuciosamente o projeto de lei.

Posições da Ukraina e de Israel.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ukraina expressou profunda preocupação com o projeto polonês.

É uma pena, que os assuntos ukrainianos sejam mais uma vez usados na política doméstica polonesa e as páginas trágicas do passado histórico comum continuem a politizar. Não aceitamos, categoricamente, a próxima tentativa de impor uma interpretação unilateral de eventos históricos, incluindo o uso incorreto no documento oficial da República da Polônia nomes de parte do território da atual Ukraina", - diz o comunicado.

No ministério também expressaram a esperança, de que o Senado polonês "revele sabedoria política em relação a questões que possam influenciar negativamente o desenvolvimento das relações bilaterais".

Ao mesmo tempo, o Ministério dos Negócios Estrangeiros polonês afirmou que o lado polonês confirma o desejo de construir uma parceria estratégica com Ukraina, "no entanto, esta parceria, como enfatizamos muitas vezes, deve basear-se na verdade."

Além da reação ao nível diplomático, a nova lei também foi comentada pelo diretor do Instituto Ukrainiano de Memória Nacional Volodymyr Vyatrovich

                                          Jacek Chaputovich

Sim, ele expressou sua preocupação porque o projeto de lei diz respeito não só aos polacos, mas também aos estrangeiros, que não estão na Polônia (artigo 55b). Ou seja, escreveu/disse algo errado do ponto de vista das autoridades polacas, nem mesmo na Polônia, o INP inicia um caso criminal, e depois, através da Interpol, você pode solicitar a extradição; disse ele.

Ao mesmo tempo, Vyatrovich enfatizou, que exceções sob forma de pesquisa científica e artística "aplica-se apenas às teses sobre crimes dos poloneses (colaboradores, subterrâneos ou outros) - artigo 55".

                                     Volodymyr Vyatrovich 

"Em vez disso, a negação dos crimes de OUN (Organização de Nacionalistas Ukrainianos) e UPA (Exército Insurreto da Ukraina) (real e fictício da propaganda polonesa) é completamente outro, artigo 55, no qual as exceções não se  aplicam", - disse ele.

Além disso, os ativistas enfatizam que as ações de Varsóvia podem interromper o diálogo entre os historiadores de ambos os países, mas as discussões entre eles "chegarão a um novo nível de agudeza."

Além da Ukraina, Israel também manifestou a insatisfação com a nova redação da lei sobre o INP. Em particular, Tel Aviv preocupam os itens do documento relacionados ao ao Holocausto.

                                  Posições da Ukraina e Israel
     

Sim, o embaixador israelense na Polônia Anna Azari, expressou a esperança de diálogo entre Varsóvia e Tel Aviv quanto a abordagem desta questão.

"Israel vê a alteração como uma oportunidade para punir os sobreviventes, testemunhas do Holocausto. Muitas, muitas emoções. O governo israelense rejeita essas inovações. Esperamos que poderemos encontrar um caminho comum, para fazer mudanças nessa alteração. Israel também compreende, quem construía o campo de concentração de Auschwitz e outros campos. Todos sabem, que não foram os poloneses. Mas entre nos isto é tratado como incapacidade de dizer a verdade sobre a catástrofe, e todos estão indignados com o que aconteceu", - disse ela.

                                           Anna Azari

Por sua vez, o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu criticou as alterações à lei.
"A lei polonesa é absurda, e eu estou contra ela. Nós não podemos mudar a história e não podemos negar o Holocausto. Eu encarreguei o embaixador israelense na Polônia a se encontrar com o primeiro ministro polaco e transmitir minha posição, enfatizou.

Posteriormente, Netanyahu concordou com o chefe do governo polonês Mateusz Moravetsky sobre o início do diálogo, a fim de evitar uma maior escalada do escândalo.

                                      Stanislav Karchevsky

Em vez disso, o marechal do Senado Stanislav Karchevsky, disse que a câmara alta do Parlamento polonês não tem tempo para aguardar os resultados do trabalho dos grupos de especialistas bilaterais polacos e israelenses. Ele expressou a convicção de que a atualização da Lei do INP da Polônia "é uma boa proposta que não exige nenhuma alteração".

Tradução: O. Kowaltschuk

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Batalha de Kruty (Continuação).
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 28.01.2018
Yaroslava Tregubova

Sobre equilíbrio das forças.

Averky Goncharenko:

500 jovens soldados e 20 comandantes. Alguns soldados esgotados nas batalhas anteriores, outros - sem treinamento militar.

Próximo às dez da manhã chegou na plataforma um canhão, com ele - sargento Loshchenko. Quem o mandou - não sei, mas penso que que foi sua iniciativa pessoal. Este militar, surpreendentemente digno de auto-sacrifício, fez grande confusão com seus impressionantes tiros à retaguarda dos vermelhos, e isto parava a marcha vitoriosa de Muraiov. Esta inesquecível ajuda deste militar, considero enfatizar.

Mikhail Mikhailik:

O inimigo tem dois trens blindados de boa construção, uma bateria, até mil soldados de infantaria e até mil e quinhentos marinheiros do Báltico.

- Aproximando-se de uma localização hostil, descobrimos que o inimigo tem dois trens blindados de boa construção, uma bateria de canhão, até mil soldados de infantaria e mil e quinhentos marinheiros do Báltico. Assim havia até três mil baionetas inimigas, bem distribuídas tecnicamente.

Sobre a ordem de recuar e traição do regimento Shevchenko.

Averky Goncharenko.

- Próximo da vinte e uma hora os vermelhos começaram a atacar a centena de estudantes, mas entrando na zona de fogo cruzado, eles tiveram que abandonar suas intenções. Anteriormente, eles foram inspirados pelo surgimento, no túnel ferroviário Chernihiv - Kruty do centurião Semirozum, que cobria nosso flanco esquerdo.

Mas essa ofensiva bolchevista era apenas um disfarce, pois a ofensiva real, o que eu esperava, visava bloquear a nossa ala direita, o que lhes entregava diretamente, a estação de Kruty, afastando-nós da nossa base e possibilitando-lhes cercar-nos completamente. Os vermelhos tinham forças suficientes para manobra. Enquanto isso, recebi uma mensagem, que o comandante da Centena dos Estudantes estava ferido.


    Aquarela: Leonid Perfetsky. Luta em Kruty.

Após duas horas, nosso cerco começou, de forma muito sólida, com o uso de todas as táticas indicativas. Nosso canhão, montado na plataforma da linha Kruty - Bahmach, não podia contrariar as manobras dos vermelhos, em um ângulo reto para o leste. 

Então usei a reserva. Introduzindo reserva à luta da nossa última centena, decidia o quanto ainda podíamos defender nossa posições. A força do inimigo, muitas vezes predominante, acelerava nosso veredicto e apenas o ritmo fraco de sua ofensiva, nos permitiu chegar às nove horas, quando a noite escura chegou.

Nesta grande tensão, o estudante da Universidade de St. Volodymyr, Valentim Atamanovski, deu-me um telegrama, do qual eu fiquei sabendo que o regimento Shevchenko, de Nizhyn uniu-se aos bolcheviques que vinham até nós, da clandestinidade.

Atamanovski era muito corajoso, mas o mais importante havia nele - era sempre seu bom humor. Ele começou comparar nossa luta com as batalhas dos suecos e nossos lutadores com os moscovitas perto de Poltava.

Tudo o que sobrou, não deu possibilidade de mínimo descanso, devido aos ataques frequentes do inimigo. Consequentemente precisei retirá-los da batalha sem mais perdas de pessoas e preparar-se para união com os Negros Haydamaques no comando de Simon Petliura, que já estavam na estação "Brovary".

Igor Lossky:

A situação estava desesperadora. Rapidamente silenciariam as metralhadoras ukrainianas não tendo munição. E os bolcheviques avançavam cada vez mais, já era possível reconhecer as figuras dos marinheiros.

O comando dos jovens deu ordem para recuar mas, em algum lugar ao longo do caminho, a ordem foi confundida, e a centena estudantil ouviu que devia avançar. No momento em que a asa direita começou recuar, a esquerda avançou. Pode-se imaginar que o inimigo se aproveitou da asa direita e entrou na parte de trás da centena dos alunos.

Os que estavam na extrema esquerda, recuaram, passaram a estação já ocupada pelo inimigo e, felizmente, chegaram ao seu escalão, que ficava a um par de milhas da estação.

A parte que estava próxima do toro ferroviário, recuando, não sabia que a estação já estava ocupada, e estava cercada. Vendo isso, os estudantes tentaram abrir caminho, mas já era impossível. Alguns foram mortos perfurados por baionetas, mas a maioria foi capturada.

Verdade, alguns poderiam ter escapado, mas as botas de feltro, molhadas na neve, tornaram-se muito pesadas - fugir não foi possível... então, durante um dia, o destino dos cem estudantes foi decidido.

Sobre a retirada.

Mikhail Mikhailik:

- Anoitecia, quando quase todos os soldados chegaram aos trens, que esperavam e a cada momento estavam prontos para se mover em direção de Kyiv. Dois vagões foram reservados aos feridos, estavam cheios, reservaram um terceiro. Irmãs e enfermeiras ligeiramente faziam curativos. Os trens se moveram sob o fogo do inimigo... Nos vagões, os encarregados contavam suas fileiras. Em cada uma faltavam de 5 a 10 estudantes. Companhia estudantil - até 50 rapazes.

Averky Goncharenko.

Sobre o destino do irmão e seus amigos soube bem depois. Descobriu-se que eles recuando, obviamente para reduzir o caminho, foram à estação "Kruty". Mas lá, do leste, vieram os bolcheviques. Logo,iniciou-se o drama sangrento... eles não foram baleados, mas perfurados com baionetas, o que eu confirmei já em Kyiv, no funeral.

Sobre cativeiro, escárnio e fuzilamento.

Igor Lossky:

35 combatentes acabaram no cativeiro. Apenas sete deles foram resgatados. De suas palavras, vários meses depois, os combatentes da Sich ouviram sobre o destino terrível de seus companheiros. Durante um dia inteiro eles foram abusados pelos vencedores vermelhos.

Afinal, no segundo dia todos, menos os sete homens, foram baleados. Antes do fuzilamento, o aluno da sétima série, do Segundo Ginásio ukrainiano, de Halychyna (Galícia), Pypskyi, a toda voz entoou, o hino ukrainiano. Os demais apoiaram.

Boris Monkevich: Em vários vagões colocaram os cadáveres e durante alguns dias os pais e familiares reconheciam seus entes queridos. Nem todos foram encontrados, porque alguns, não se sabia, aonde foram fuzilados pelos bolcheviques. Secretamente, foram enterrados pelos camponeses.


Foto, que consideram ser do reenterro de estudantes mortos em Kruty.

Todos os prisioneiros foram assassinados brutalmente: eles estavam com cabeças partidas, dentes quebrados, olhos perfurados ou extraídos. Alguns cadáveres não foi possível reconhecer devido às mutilações.

O funeral solene ocorreu a expensas públicas, com grande participação dos cidadãos de Kyiv, delegações e exército. Um enorme monumento foi planejado, mas a ocupação hostil não o tornou possível.

Tradução: O. Kowaltschuk

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Batalha de Kruty. Cronologia segundo memória dos participantes.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 28.01.2018
Yaroslava Tregubova

Cem anos atrás, cerca de 400 cadetes e estudantes pararam a ofensiva contra Kyiv, de quase quatro mil soldados bolcheviques. A batalha na estação ferroviária de Kruty durou mais de seis horas. O atraso no avanço do Exército de Muraviova permitiu concluir o Tratado de Paz de Beresteisky, o que significou o reconhecimento internacional da independência da Ukraina. Por que o jovem estado foi defendido por estudantes voluntários, e não pelo exército? Como ocorria a luta desigual? E há evidências de uma violação, pelos bolcheviques, da Convenção de Genebra, sobre o tratamento dos prisioneiros? Respostas à questão Rádio Liberdade encontrou nas memórias dos participantes das batalhas de Kruty.

Como tudo começou?

Bóris Monkevich, participante da batalha de Kruty:

- Forças Armadas dos bolcheviques, subjugando já a parte oriental da Ukraina, vinham à nossa capital Kyiv com dois fortes exércitos.

O "governo" ukrainiano estava quase sem defesa, com fronteiras abertas, sendo que ainda em dezembro, por ordem do ministro do exército, foi anunciada a desmobilização geral da guarnição da capital ukrainiana

A óbvia falta de defesa organizada da região foi um fato consumado, e todos se perguntavam: "O que vem em seguida?" E já no último momento, diante do perigo, o governo lançou um chamamento desesperador a todos que ainda tinham esperança em seus corações e cujos braços ainda não baixaram. A juventude imediatamente respondeu a este chamado para defender sua pátria. Sem hesitação, eles deixaram suas famílias, deixaram as paredes de sua própria alma mater.

Ainda em dezembro, por ordem do ministro militar foi anunciada mobilização geral.

A  Universidade Popular criou uma companhia de estudantes, de fuzileiros da Sich. Nesta companhia inscreveram-se muitos alunos do ginásio (quase todos os alunos da 7ª e 8ª séries)  companhia nomeada Irmandade Cyril - Methodius, inscreveram-se estudantes da Universidade de Volodymyr, estudantes da hidrotécnica, estudantes da escola militar e da escola de medicina ukrainiana.

Mykhailo Mykhailyk, participante da Batalha de Kruty:

A Companhia de estudantes principalmente era formada de jovens, que não passaram pelo exército, e alguns nem atirar sabiam.

A companhia de estudantes, organizada às pressas em Kyiv, contava até 300 voluntários. Em sua maioria eram jovens, que não estavam no exército, e alguns nem sabiam como disparar... Essas forças tiveram que defender o ponto mais importante da frente - o caminho para Kyiv.

Averky Goncharenko comandante das forças da República Popular da Ukraina na batalha de Kruty:
Para defesa Ataman Kapkan enviou a Primeira Escola Militar juvenil ukrainiana nomeada Bogdan Khmelnytsky, em cuja composição havia quatro centenas - 150 jovens, 18 metralhadoras e 20 sub-oficiais.

Generosamente dotado de "poder total" com uma ordem a todo custo não entregar Bakhmach, para não permitir que os bolcheviques cheguem a Kyiv, com profunda tristeza e mágoa, voltei para escola.

A jovem flor do nosso exército - jogavam em uma situação sem esperança, enquanto entre anarquia encolerizada de dezenas de milhares de homens armados, testados nas batalhas de guerra implacavelmente desmobilizava-se.

Agora, apenas punhados ideológicos apresentaram-se à luta por sua terra natal.

Ela não souberam defender em tempo, usando para isto o recrudescimento nacional, levar para disciplina militar, pelo contrário, em comícios desmoralizavam e admoestavam com a divisão de terras. Agora, apenas punhados ideológicos apresentavam-se à luta por sua terra natal.

Sobre a preparação e equipamento da companhia dos estudantes.

Bóris Monquevich.

Exercícios oficialmente não realizavam-se.

- Não havia ordem na organização desta companhia. Os exercícios realizavam-se não oficialmente, por iniciativa de quaisquer comandante. E apenas alguns dias antes da partida da companhia à frente, o tempo foi destinado para exercícios de artilharia dos chefes do regimento de Bogdanovsky, mas em tão pouco tempo muito não ensinaram.

Igor Lossky  participante  da Batalha de Kruty 
                                          
A confusão, que reinava então em Kyiv, refletiu até em tais minúcias: como estava vestida e armada a centena estudantil. Cada um recebeu - calças, capote rasgado e algum tipo de chapéu de prisioneiro. Pode-se imaginar quão grotesca era a aparência da centena.

A aparência média era: botas próprias, calças de soldado amarradas em baixo com um barbante, jaqueta de estudante ou uma camiseta civil, e algum tipo de capote, no qual, no mínimo, faltava uma parte. Não melhor pareciam as armas antigas, espingardas enferrujadas.

Sobre partida de voluntários para frente e notícia sobre reforço.

Igor Lossky: O embarque ocorreu com bastante calma, se não contar com o fato de que, no último minuto veio correndo a senhora Lukasiewicz (esposa do falecido Ewen Lukasiewicz) procurar seu filho Levko, um estudante da 6ª série, que "ilegalmente" entrou na na campanha. A pobre mãe chorou amargamente, persuadindo o filho não ir, mas sem sucesso.

O jovem Sokolovsky tranquilizava alegremente sua irmã, sem ter idéia de que em alguns dias ele estará deitado na plataforma da estação com a cabeça perfurada com baioneta moscovita.

Com mais calma comportava-se a irmã de outro estudante da 6ª série. Mal conseguindo conter as lágrimas, ela abençoava o irmão e todos que partiam... O jovem tranquilizava alegremente sua irmã, não prevendo que em poucos dias ele estará deitado na plataforma com a cabeça perfurada com a baioneta. Sob o canto do hino nacional "Ukraina ainda não morreu", o escalão moveu-se para o norte.

Após um dia da saída de Kyiv, decidiu-se, que os jovens iriam para Bakhmach, onde ficou um pequeno destacamento liderado pelo regimento Bogdanovsky, agora o coronel Semen Loshchenko, mas a centena de estudantes ficaria em Kruty e continuaria os exercícios. Mas, descobriu-se, que Bakhmach já estava ocupado pelos vermelhos e que logo eles chegariam a Kruty. Então, todos tiveram que se instalar em Kruty.

Averky Goncharenko:
- Em 25 de janeiro de 1.918, recebi uma mensagem, que para mim, de Kyiv, mandaram uma centena de estudantes. A questão do preparo militar eu já conhecia bem, porque nela encontrava-se meu irmão, do terceiro ano de medicina, da Universidade de São Volodymyr. Dele eu soube que o treinamento durou sete dias, já sabiam atirar e que em Kyiv - igual ao inferno.

O anúncio da chegada de uma centena de alunos espalhou-se entre os jovens como um raio, mas a impressão, devido à sua chegada, era como se toda a divisão tivesse chegado. Graças a isso, o fator decisivo de tão alto valor e sempre decisiva na batalha - "elevação de espírito", conseguir atrasar o ataque de Muraviova e forçá-lo à luta prolongada.

A centena de estudantes, de 115 - 130 pessoas, chegou à estação Kruty em 27 de janeiro de 1.918, às quatro horas da manhã.

Sobre ofensiva de 29 de janeiro e o clima das partes.

Averky Goncharenko:

- De manhã "vermelhos" começaram sua ofensiva em colunas fechadas. Parecia que eles estavam indo para o desfile, negligenciando os meios mais primitivos de segurança. 

O relevo da localidade diferenciava-se, e nos podiam perceber a uma distância de tiro. Na noite de 26 para 27 de janeiro, tive uma conversa pelo fio direto, com Muravyou. Sua exigência, em forma de uma ordem, era a seguinte: "Prepare-se para uma reunião vitoriosa do Exército Vermelho, prepare o almoço. Eu perdoo os equívocos dos junkers, mas os oficiais eu vou fuzilar."

Os vermelhos da frente, vindo em colunas bloqueadas, obviamente, estavam certos em nossa fuga." Às suas chamadas "ninguém lhes respondia. Assim que eles se aproximaram à distância do tiro, nós os recebemos com fogo de quatro centenas e dezesseis metralhadoras. Os bolcheviques ocuparam, no front, uma linha até cinco quilômetros, tendo atrás de si, constantemente, reforçadas novas reservas e uma população simpatizante.

Igor Lossky:

Desde a manhã a maioria do exército ukrainiano ocupou a linha das trincheiras. Cerca de vinte pessoas deixaram na estação, para cobertura. Os ukrainianos localizaram-se de tal forma que os jovens ficaram à direita do toro ferroviário, à esquerda - a centena de estudantes.

Muitos não sabiam atirar, um pequeno número de cartuchos foi rapidamente disparado. Foram buscar na estação. Mas descobriu-se que não havia mais sede na estação. O pior, quando fugiam engancharam os vagões com munição.

Próximo das dez da manhã surgiram grupos hostis, e, ao mesmo tempo, a artilharia bolchevique começou a disparar. Os disparos foram intensos, mas infrutíferos - o tiroteio estava mal direcionado, caía em algum lugar no campo.

O trem do estado maior, os estudantes que recuavam, encontraram no dia seguinte, além de Nizhyn.
(Continua)

Tradução: O. Kowaltschuk

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Como historiadores reprimidos reescreviam a história.
Os pseudo-históricos mitos atuais da propaganda de Putin são escritos sob o ditado de Stalin.
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 12.20.2017
Alexander Vitolin




Chegando ao poder em 1918 na Rússia, os bolcheviques imediatamente perceberam que a ciência histórica poderia servir como a retenção de poder. Agora, a história será escrita e reescrita apenas por eles.

O primeiro passo do poder soviético - foi a proibição de palestras em níveis superiores por professores "burgueses", que não compartilhavam a idéia de que a luta de classes é a força motriz por trás da história. A atmosfera para os historiadores não-marxistas era complicada, mas dava possibilidades de envolver-se em atividades científicas. As represálias afetaram apenas os historiadores que ocupavam-se com política e se permitiam criticar Lenin. Muito mais a ciência histórica sofria do vandalismo soviético, quando os lúmpen-proletários saqueavam museus, e os comissários destruíam necrópoles e templos históricos.

As principais direções da ciência histórica neste período foram determinadas pelo historiador-revolucionário Michael Pokrovsky. Ele foi o autor da primeira história da Rússia, escrita em termos de marxismo. Em maio de 1918, ele foi nomeado Comissário Adjunto de Educação da RSFSR (República Socialista Federativa Soviética da Rússia). Foi com Pokrovsky que relacionaram o fechamento das faculdades históricas, a apreensão da literatura histórica nas escolas e a substituição da história pela ciência social.No início Pokrovsky respeitava os professores "burgueses" e era oponente de métodos repressivos nas ciências. Mas a partir de 1928 ele começou a criticar severamente os representantes da "antiga" escola histórica e até apresentou-se ao lado da investigação no "Caso dos acadêmicos" em 1930. O motivo de tal mudança no comportamento do historiador marxista foi o desejo de agradar a Stalin, que começou a fortalecer sua posição. O desejo de Stalin, de concentrar o poder em suas mãos. Os primeiros que sentiram as consequências foram os historiadores.

O "caso dos acadêmicos" encerrou o trabalho científico dos elementos "burgueses", mas também se tornou um dos primeiros processos fabricados, acompanhado de prisões em massa. Devido ao fato de que a maioria dos detidos eram historiadores, o caso também era chamado de "O caso dos historiadores". Com os esforços dos investigadores, os representantes da comunidade científica se transformaram em uma organização monarquista contra-revolucionária. De fato o Partido Comunista decidiu assumir o controle da Academia de Ciências da URSS. Em 1931, a função de nomeação da liderança da Academia de Ciências da URSS foi assumida pelo Politburo do Comitê Central do PCUS(b) - Partido Comunista da União Soviética bolchevique). Claro, nenhum dos historiadores, que ainda estavam em liberdade, se opôs.

Em 1932, Mikhail Pokrovsky, felizmente, morreu de câncer. Por que "felizmente"? Porque se ele tivesse vivido mais alguns anos, ele não seria enterrado no muro de Kremlin.

Ele - autor da declaração, que se tornou guia para ciência histórica soviética: " História - é política voltada ao passado". Mas Pokrovsky não pôde prever, que sua herança científica seria vítima de suas próprias palavras. Sua escola acadêmica foi criticada como anti-marxista e anti-leninista, e o livro "História da Rússia em Resumo", que era publicada desde 1921 e por dez anos consecutivos foi o livro-texto principal, foi removido das bibliotecas.

No final de 1932, as autoridades soviéticas voltaram do exílio  um dos principais acusados no "Caso dos historiadores" Eugene Tarle. Ele foi resgatado pelo fato de que, como pesquisador das guerras napoleônicas, era bem conhecido nos círculos acadêmicos franceses, era membro de várias sociedades acadêmicas francesas. A prisão de Tarle provocou protestos de estudiosos franceses, então as autoridades soviéticas decidiram usar a reabilitação de um historiador, que foi acusado de contra-revolucionário, para seu próprio benefício.

É no exemplo da biografia de Napoleão que Tarle escreveu e que é considerada uma das melhores biografias de Bonaparte na ciência histórica mundial, e podemos ver como as autoridades soviéticas forçavam os historiadores a reescrever a história. Na edição de 1936, o acadêmico questionou a escala da guerra, popular em 1812, afirmando que não havia menção nos memoriais franceses nos três primeiros meses da guerra na Rússia. No entanto, verdadeiros partizans russos eram os destacamentos sob o comando de oficiais do exército regular.

Além disso, o acadêmico considerou apropriado usar o termo "guerra popular" antes da guerra na Espanha, não na Rússia. Em 1937, no "Pravda" (Verdade) e "Izvestia" apareceram, simultaneamente, dois artigos com crítica a "Napoleão" de Tarle. O pavor diante da ameaça de uma nova prisão não deixava Tarle adormecer. Ele tomava pílulas para dormir. Quando, finalmente, dormiu, foi acordado pelo telefone. Telefonava o próprio Stalin, que afirmou, que a crítica nos jornais era falsa e que ela será refutada no dia seguinte. Deste modo Stalin deixou claro ao acadêmico que ele deveria prestar mais atenção aos desejos do partido. Na reimpressão de 1941, Tarle já escrevia, que a guerra popular também acontecia na Rússia, mas em outras formas, diferentes da realizada na Espanha. Em outro livro, "A invasão de Napoleão na Rússia em 1812", Tarle enfatizou o papel principal na derrota da oposição popular de Napoleão e não na geada e nos espaços ilimitados da Rússia. Do livro de Tarle, ele também removeu lugares onde soldados russos saquearam suas próprias aldeias devido à falta de suprimentos. No mesmo espírito patriótico, ele escreveu o livro "Guerra na Criméia". Em seus escritos, Tarle já se referiu a Marx e Engels, embora na realidade os pais do comunismo tenham avaliado negativamente o papel da Rússia na Guerra da Criméia. Assim, um dos melhores historiadores soviéticos, com medo de ser reprimido, tentou escrever a história em favor do partido.

O historiador Raphael Ganelin publicou um livro de memórias em 2004, que fala bem sobre Tarle acadêmico, mas também mencionou as habilidades acadêmicas adquiridas. Ele lembrou as atuações de Tarle, onde ele, sem orgulho, mas sim com o propósito de resseguro, insinuou a audiência sobre a atitude particular de Stalin a ele, lembrou as observações feitas por Stalin sobre a prova da História da Diplomacia", de Tarle.

Tradução: O. Kowaltschuk