quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Biden está preocupado com o regresso na luta contra a corrupção na Ukraina. 
ZN, UA (Espelho de Domingo), 24.01.2018

Ele aconselhou a administração Trump a monitorar o cumprimento das promessas das autoridades ukrainianas, e contou como tentou libertar Shokin.














O ex-vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, observou que a corrupção continua sendo o maior problema na Ukraina, e expressou preocupação com a recessão nesta questão, transmite "Voice of America".

O político contou, que aconselhou a administração Tramp quanto a Ukraina, em particular, monitorar de perto o que eles dizem em Kyiv e sobre o que eles silenciam, e como as promessas das autoridades ukrainianas são cumpridas. Ele também compartilhou a experiência de conversações que conduziu com a administração do presidente Poroshenko em 2.016

"Estou desesperadamente emocionado com a recessão na luta contra a corrupção em Kyiv. Eis aqui um exemplo específico. Eu fui encarregado quanto à questão da Ukraina. Então eu lembro, como fui lá, para convencer nosso comando, que nós devemos fornecer à Ukraina garantias de empréstimo de longo prazo. Viajei para Kyiv 12-13 vezes, e finalmente devia anunciar, que nós propomos mais um bilhão de dólares em garantias de empréstimo. Eu recebi promessas de Poroshenko e Yatseniuk, que eles usariam medidas quanto ao Procurador-Geral, mas isto eles não fizeram", - compartilhou sua experiência Biden.

Ele acrescentou que, afinal, conseguiu a demissão do procurador-geral Viktor Shokin.

"Eu disse: eu viajo depois de 6 horas. Se o seu procurador-geral não for dispensado até aquele momento, vocês não receberão o dinheiro, e aquele filho da mãe foi liberado. Em seu lugar eles colocaram a pessoa que era confiável naquela época", - acrescentou Biden.

Ele acrescentou que, desde então, mudanças importantes e mudanças institucionais e de pessoal, necessárias, foram feitas na Ukraina.

"Mas uma das três instituições indispensáveis agora está retrocedendo. Tribunal Anticorrupção. No entanto, eles prometeram que isto não acontecerá", - disse desapontado, o ex-vice-presidente dos EUA, Joseph Biden, desapontado com as ações na Ukraina.

Ele também declarou, que apoia e considera a decisão da administração de Donald Trump em fornecer armas letais para Ukraina. Em sua opinião, junto com a pressão do Ocidente, este passo permitirá ao país combater com mais eficácia a agressão da Rússia.


O Departamento de Estado dos EUA confirmou o fornecimento de armas de defesa à Ukraina.
Espelho de Domingo, 23.12.2017.

A ajuda dos EUA é exclusivamente de caráter defensivo, declararam no Departamento de Estado.

Anteriormente, a AVC, referente às suas próprias fontes no Departamento de Estado, disse que o presidente dos EUA, Donald Trump, planeja anunciar a autorização da venda de armas antitanque para Ukraina. Se o presidente aprovar o plano, ele será submetido à consideração pelo Congresso.

O plano prevê o fornecimento de 35 lançadores e 210 mísseis antitanques para Ukraina. Os sistemas de mísseis anti-tanques de dardo também podem ser incluídos no lote.

Tradução: O. Kowaltschuk

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Passaram-se cem anos, mas Ukraina luta novamente com o agressor. E, novamente, nos falta unidade.
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 23.01.2018
Natália Baliuk

Ukraina, como um estado independente, foi proclamada em 22 de janeiro de 1918. Foi neste dia que o World IV veio à luz, que afirmou que "a República Popular da Ukraina está se tornando um estado independente, livre e soberano da nação ukrainiana".

Na verdade, Ukraina deve celebrar o Dia da Independência em 22 de janeiro, pois foi neste dia que a independência foi proclamada. Em 24 de agosto de 1991, foi restaurada. Portanto, a independência ukrainiana não tem 26 anos e meio, mas 100 anos de idade. Eu acho que todos devemos pensar sobre isso e rever a data no calendário. Isto é importante do ponto de vista da verdade histórica, e também, que os ukrainianos devem saber com profundidade e, o mais importante - que entendam a história de seu estado, a sequência de eventos históricos. Porque muitos pensam que a independência da Ukraina veio com o colapso da União Soviética, e antes desse período não havia Ukraina, pelo menos como um estado de pleno direito.

Na verdade, há cem anos, Ukraina conseguiu solidificar as fronteiras estaduais, implantar o idioma estatal ukrainiano, dinheiro, simbolismo (brasão, hino e bandeira) e tentativa de criação do próprio exército (ukrainizar o exército do tzar) e conseguiu reconhecimento da comunidade mundial. Mas, tudo isso não durou muito. Apesar do fato de que, nos próximos três anos, o Estado ukrainiano lutou desesperadamente por sua existência, os russos ocuparam o território ukrainiano e com baionetas instalaram o poder soviético. A independência foi perdida para os longos 70 anos.

O que houve com o país durante esses anos, conhecemos bem: coletivização, repressões, deportações para Sibéria, Holodomor, guerra do UPA (Exército Insurreto Ukrainiano), e introdução nos territórios despovoados de migrantes de outras regiões da União Soviética (Daí a mudança na composição étnica no leste da Ukraina).

Comemorando 100 (cem) anos da República Popular da Ukraina, não devemos apenas restringir-nos com a colocação de bandeiras nacionais, por um dia, nos prédios, mas olhar para o passado, analisá-lo novamente e analisar as conclusões. História, como vemos, tem a capacidade de se repetir. E é isto que acontece hoje.

Após a restauração da independência em 1991 parecia, que Rússia nunca mais atacaria Ukraina, que tudo isto era passado. A maioria dos ukrainianos acreditava sinceramente no mito imposto sobre nação fraterna, que apenas ajuda. No processo de sovietização, o povo russificado esqueceu, quem e como levou à perda da independência há 100 anos. Àqueles, que falavam, que da nova Rússia, pode vir ameaça à nossa independência, eram considerados, ou nacionalistas extremos, obcecados russófobos, ou provocadores, ou quase insanos. Os eventos de quatro anos atrás mostraram que eles eram os mais sóbrios, os maiores realistas. Porque eles não esqueceram a história, eles compreendiam com quem estamos lidando.

Passaram cem anos, mas Ukraina luta novamente com o agressor, que novamente ocupou e anexou partes do território, e novamente, como então, o inimigo tenta separar os ukrainianos, enfraquecer nosso estado por dentro. Apenas agora, para isto, usa métodos mais sofisticados, em particular, e com a ajuda da chamada guerra de informações.

No fim de semana eu liguei a TV, à qual não assistia há bastante tempo. Assisti a alguns programas, chamados talk shows políticos. Dizer que fiquei chocada, é não dizer nada. O fluxo infinito da tela compunha-se de crítica sólida do poder. Sem dúvida, as autoridades dão muitos motivos para crítica, criticá-la é necessário, para mantê-la no  tom constante. Mas o que eu ouvi - é crítica segundo princípio de "tudo porcaria, exceto a urina". Mesmo aquelas pequenas realizações que temos, são citadas através do prisma da negatividade e, portanto, niveladas. A oposição ridiculariza o sem visto, e todas as reformas. Tudo o que temos no nosso país é ruim. Assim, como se todos nós, nos anos anteriores vivêssemos muito bem - não tivéssemos problemas, e de repente tudo tornou-se ruim. Ouvindo esses críticos - torna-se abjeto viver em tal país...

Os políticos atuais, tanto os que estão no poder quanto os da oposição, são muito frívolos. Fascinados com a luta pelo poder, não se sentem ameaçados. Parece, que todos eles pouco conhecem a história do seu país. Porque se soubessem, então compreenderiam, que a divergência interna, desarranjos, lutas recíprocas podem, mais uma vez levar a consequências trágicas. Não é necessário pensar, que as Sibérias e Holodomores (morte pela fome) nunca se repetirão. Afinal, ir longe na história já não precisa. A história já repetiu-se na Criméia e no Donbas, aonde os "libertadores", mais uma vez, voltaram com baionetas, 

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 21 de janeiro de 2018

"Bolha de sabão" ou "confisco do século" do Procurador-Geral Lutsenko.
Daria Kalenyuk, Tata Peklun, CPK, Aleksandr Moseynko, Dmitro Denkov, Sevgil Musayev, UP.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 10.01.2018

O que há de errado com o retorno de US $ 1,5 bilhão "do dinheiro de Yanukovych."

"Verdade Ukrainiana" e o Centro de Combate à Corrupção receberam o texto "secreto" da decisão judicial, do canal Al Jazera, com o qual, do rodeamento (cerco) de Yanukovych, confiscaram um valor recorde de US $ 1,5 bilhão de dólares.

Nós publicamos este documento fechado, porque nele se refere ao papel do ambiente mais próximo do presidente Petro Poroshenko, em práticas financeiras do antigo governo.

Ninguém deles assumiu a responsabilidade. Não foram punidos também, aqueles que organizaram esses esquemas criminais, em particular, os próximos de Yanukovych.

Todos os advogados, com os quais os autores trabalharam na preparação do material, concordaram: o peso público desta sentença prevalece sob o selo "completamente secreto", que pessoalmente foi colocado pelo procurador-geral Yuriy Lutsenko - um assistente político de longa data do presidente Poroshenko.

Em conjunto, os autores concluíram, que o documento não contém informações que, de acordo com a lei, pudessem ser classificadas como segredo de estado. Consequentemente, a publicação deste veredicto não pode representar uma ameaça aos interesses nacionais do estado.

Pelo contrário - a decisão deve ser publicada. Sua análise dá bases para acreditar, que o documento secreto foi feito, para que alguns de seus figurantes possam evitar responsabilidade no futuro.

Também a publicação da decisão permitirá uma avaliação real das qualidades profissionais do Procurador-Geral, dos investigadores e das primeiras pessoas do estado, que transformaram numa farsa um dos casos criminais mais importantes na história total da Ukraina.

CRIMES HÁ, CULPADOS NÃO EXISTEM.

A epopeia com o retorno dos bilhões confiscados de Yanukovych durou três anos.

Os primeiros relatos sobre contas bloqueadas de funcionários do regime do ex-presidente começaram aparecer alguns meses após a Revolução da Dignidade.
Mais tarde, no outono de 2014, o Monitoramento Financeiro Estatal (Não tenho certeza se o nome está traduzido corretamente, em ukrainiano são três palavras acopladas. Segundo a tradução do Google é SCFM) concluiu que o montante de fundos bloqueados era de 1,42 bilhões de dólares.

Desde então, as autoridades, repetidamente prometeram que este dinheiro retornaria ao orçamento, e "trabalharia para os ukrainianos".

Em 2.016 a receita planejada a partir do confisco especial até mesmo incluíram ao fundo especial do orçamento do Estado. No entanto, apesar da promessa, os fundos, por um longo tempo, permaneceram nas contas do "Savings Bank", no estatuto de "apreendidos".

Até o momento em que, leal à Procuradoria Militar da cidade de Kramatorsk, o Tribunal aprovou a fatídica decisão, que permitiu transferi-los ao orçamento.

Sobre a decisão judicial soube-se, pela primeira vez, do procurador-geral Yuriy Lutsenko, durante a conferência de imprensa, em abril de 2017. Então, ele declarou, que os fundos detidos do ambiente de Yanukovych "voltaram, totalmente, para o povo ukrainiano."

No entanto, devido à inclusão de informações na decisão judicial acima mencionada, aos "segredos de estado", até agora não foi compreensível a origem do dinheiro preso - como ele foi roubado, a quem realmente pertencia, quem era perpetrador desses crimes e quem, realmente, sofreu punição.

A decisão do tribunal sobre o confisco especial, ocultando os interesses nacionais, foi classificada como violada por inúmeros procedimentos legais.

MUITAS PÁGINAS E POUCO CONTEÚDO.

O documento secreto, que apareceu à disposição dos autores, tem um volume de cerca de 100 páginas. Elas descrevem as atividades da "organização criminosa de Yanukovych" e sua "unidade" - o chamado grupo de empresas "SEPEK", que, de acordo com a investigação, foi liderado por Sergei Kurchenko, mascarando-a sob uma corporação financeira.

"SEPEK" criou empresas fictícias para evadir impostos e lavagem de dinheiro. Eles trabalhavam nos escritórios "Arena Citi" em Kyiv, e "Moscou CITI" em Moscou, Kharkiv e Donetsk.

O veredicto descreve oito esquemas para o roubo de fundos públicos em combustível, energia e bancos, implementados pelo "SEPEK".
Trata-se de seguintes episódios:


  1. "Gás liquefeito". Captura ilegal de gás liquefeito pela PJSC "Ukrgazvydobuvannya" e PJSC "Ukraanafta" de um montante total de  de 2.196 bilhões de UAH. (UAH - moeda ukrainiana).
  2. Apropriação ilegal do caixa de "Naftogaz" no montante de 449 milhões de UAH.
  3. Apropriação ilegal dos fundos NBU, no total de 787 milhões de UAH, sob a forma de um empréstimo de estabilização ao "Real Bank" OJSC, dirigido por Kurchenko.
  4. Apropriação ilegal de fundos de "Brokbusinessbank" no montante de 836 milhões de UAH através da provisão ilegal de empréstimos ao já mencionado Banco Real.
  5. Aquisição ilegal de fundos do Brokbiznesbank para um total de 1,4 bilhões de UAH através da emissão de empréstimos a empresas falsas.
  6. Aquisição ilegal de fundos do Ukrgasbank no montante de 499 milhões de hryvnias ao concluir contratos de venda e compra de títulos da Instituição Hipotecária Estadual.
  7. Aquisição ilegal de fundos do PJSC "Fundo Agrário" por mais de 2 bilhões de UAH - através da celebração de contratos de venda de títulos do governo com Ukrgasbank e acordos de recompra direta com o Banco Nacional.
  8. "Torres de Boyko". Aquisição ilegal de fundos pelo Naftogaz Ukraina PJSC por um montante total de 4.966 bilhões de UAH.


Nenhum dos organizadores desses esquemas tem sentenças judiciais. Sabemos, apenas de duas sentenças - quanto a Alexander Katsuba e Arkady Kashkin. O primeiro no caso de "Vêshok Boyka" que estabeleceu acordo com a investigação e deu valiosos testemunhos. No entanto, seus testemunhos não levaram à apresentação de suspeita ao próprio Yuri Boyko.

Em geral, com ajuda desses esquemas, o "grupo criminoso" apropriou-se de fundos no valor de mais de 13 bilhões de UAH. No entanto, como exatamente esses fundos se acumularam, quem realizava ou respondia por todas as "maquinações", qual era a cadeia de transações para cada esquema - no veredicto não fala.

E, em vez disso, o documento contém uma descrição detalhada de apenas uma das etapas de legalização do dinheiro recebido de forma criminal.

Assim, de acordo com o veredicto, o dinheiro foi levado devido à criação de cerca de 400 empresas ukrainianas e estrangeiras.

(Prezados, este trecho é apenas metade de um texto. Um segundo texto é praticamente impossível eu traduzir, devido a termos específicos. Assim, nós vamos esperar algum resultado concreto, depois em comunico - OK).

Tradução: O. Kowaltschuk

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O que devemos fazer com o patriarcado "canônico" de Moscou?
Radio Svoboda ( Rádio Svoboda), 06.01.2018
Peter Kralyuk

Crimeia ocupada. Metropolita da Igreja Ortodoxa da Ukraina (Patriarcado de Moscou) Platão abençoa sistema de mísseis antiaéreo russo de grande e médio alcance S-400 "Triumph", implantado em Feodócia, 14 de janeiro de 2017.

O caso que ocorreu no Zaporizhzhya, quando os sacerdotes da UOC (Patriarcado de Moscou), de fato filial da Igreja Ortodoxa Russa, se recusaram rezar pela criança tragicamente morta, causou uma ressonância considerável na sociedade.

Brinquedos infantis próximo da construção da igreja da UOC (Patriarcado de Moscou) em protesto contra a recusa dos sacerdotes desta igreja em rezar pelo menino falecido, de dois anos. Zaporozhzhya, 05 de janeiro de 2018 

Embora os atos semelhantes dos clérigos, desta aparentemente estrutura da igreja, a muito já são normais. Referindo-se aos cânones, eles recusam-se à confissão, aos "separatistas", na implementação do sacramento, na implementação do sacramento do casamento. São conhecidos os fatos em que esses clérigos demonstraram atitude negativa em relação aos soldados ukrainianos que morreram no leste da Ukraina.














No dia de memória e reconciliação, em 8 de maio de 2015, no Parlamento ocorreu uma reunião solene da Verkhovna Rada (Parlamento). O presidente da Ukraina anunciou o nome de 21 cidadãos que receberam o título de Herói da Ukraina, 10 deles - póstumo. Durante o anúncio dos nomes, na sala, todos os presentes levantaram, incluindo sacerdotes de várias outras igrejas, exceto os representantes da UOC (Patriarcado de Moscou) - inclusive o próprio chefe, Metropolita Onuphrius.

Cânones e "canônicos".

Em geral, discutir a questão dos cânones com representantes do Patriarcado de Moscou - a questão é sem esperança. Se canonicamente, por exemplo, tornou-se Metropolita de Kyiv em 1448 Ion, que não morava em Kyiv, mas em Moscou? Além disso, ele nunca recebeu a bênção em Constantinopla.
Foi durante o seu tempo que a Igreja Ortodoxa em Moscovia tornou-se autocefálica - sem consentimento do patriarcado universal. Quão canônica foi a criação do Patriarcado de Moscou em 1589? Ou a subordinação a ele do metropolita de Kyiv em 1686? Ou, o quanto correspondia aos cânones a liquidação do patriarcado no império russo no período de Pedro I e a criação aqui, de uma igreja sinodal? E se era canônica a "restauração na URSS em 1943 do Patriarcado de Moscou, realizada com a sanção de Joseph Stalin? Ou vejamos os exemplos recentes. Se respondia aos cânones a realização do concílio ecumênico de Kharkiv da Igreja Ortodoxa Ukrainiana em 1992, e a eleição, nesta ocasião, de metropolita de Kyiv Volodymyr Sabodan, que não pertencia aos hierarcas da Igreja ortodoxa ukrainiana e, no concílio não esteve presente?
E, o que dizer sobre os pequenos exemplos"?

- A história da Igreja ortodoxa Russa - é um desrespeito e violação dos cânones ortodoxos. Não é em menor medida que isto refere-se à sua lilial - Igreja Ukrainiana Ortodoxa do Patriarcado de Moscou, que está sob a jurisdição do Patriarcado de Moscou. No entanto, os clérigos dessas estruturas da Igreja constantemente falam de sua canonicalidade.  Eles dizem que apenas eles são "certos" e "reconhecidos" pela igreja, que somente a sua fé é verdadeira. Infelizmente, muitas pessoas compram essa propaganda barata. De fato, a canonicalidade do Patriarca de Moscou é situacional. Quando necessário, um certo cânone é lembrado. quando surge outra situação, este é esquecido. E, frequentemente, a interpretação arbitrária dos cânones, é seu pensamento. Especialmente com isso pecam agora os atuais cléricos da Igreja ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou, que não se destacam em educação, em particular teológica. Basta ouvir a linguagem de seu atual representante, o Metropolita Onuphri (Berezovski), para tirar conclusões.

Chefe da Igreja Ortodoxa Ukrainiana (Patriarcado de Moscou), Metropolita Onuphrius, em sua residência em Kyiv-Pechersk Lavra. E na parede - retrato do Patriarca de Moscou Kirill, chefe da Igreja ortodoxa Russa. Kyiv, janeiro de 2017.

Ou o que vale o bispo de Zaporizhzhya e Melitopolskaya, Luca, em cuja diocese houve o acontecimento infeliz com a proibição do funeral da uma criança?
Este destacou-se contra a celebração do Natal ortodoxo segundo o novo calendário, foi celebrá-lo na Hungria. As pessoas, que são um pouco versadas nos cânones da igreja, consideram simplesmente incrível ler a justificativa cínica das ações do padre, que negou-se à rezas por uma criança que são fornecidas pelas estruturas oficiais de Igreja Ukrainiana Ortodoxa do Patriarcado de Moscou, inclusive pela diocese do Zaporizhzhya. Por sinal, a última pertence aos maiores propagandistas do "mundo russo" na Ukraina. E, provavelmente, não é em vão que aqui ocorre este caso ressonante.

Em princípio, é compreendido, quando das sanções do Patriarcado de Moscou para altas posições hierárquicas colocam-se clérigos com baixa escolaridade, na Ukraina. Estes são mais fáceis de gerir. E eles, sem muito pensar, farão tudo o que lhes dizem em Moscou.

Terá o governo suficiente vontade política para resolver a questão ortodoxa?

Com certeza não precisa provar que a Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou - não é apenas uma igreja, mas também uma instituição política. Conjuntamente, a instituição que, executando a vontade de Moscou, conduz uma política destrutiva. Isto é claramente evidente na atitude da Igreja Ortodoxa Ukrainiana (Do Patriarcado de Moscou) nos eventos no leste da Ukraina.















Da esquerda para direita: Ioannik (Kobziev), Metropolita da Igreja Ortodoxa de Luhansk e Alchevsk (Patriarcado de Moscou) e Igor Plotnytsky, então líder do grupo "LNR" (República Popular de Lugansk), reconhecido como terrorista na Ukraina. Lugansk ocupado, 4 de novembro de 2.014 (Os jornais, diariamente, comentavam as diversas atrocidades contra a população indefesa - OK).

Para liderança da Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou - isto não é agressão da Rússia mas guerra civil (puramente posição russa). Adicione a isso a propaganda do "mundo russo". Mas, isso ainda não é tudo. Por muitos anos, o clero da Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou semeia a divisão na sociedade ukrainiana, cultivando o ódio aos seguidores de outras igrejas, principalmente aos apoiantes da Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Kyiv. Neste contexto, até mesmo ocorrem conflitos familiares. Alguns partidários radicais à "canônica" Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou exortam os crentes a abandonarem às "inoculações", os códigos de identificação, etc. Interessante, aonde tais coisas são prescritas nos cânones.

A Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou, para sociedade ukrainiana tornou-se um problema. Mas esse problema, em parte, realizou-se com as mãos das autoridades ukrainianas devido a silenciosa condescendência da comunidade ukrainiana. Por que será, sem colaboração das autoridades governamentais, em tempos recordistas, crescia a quantidade  de comunidades mosteiros, outras instituições da Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou, durante o tempo da Independência da Ukraina? Não foi o governo, que sem problema registrava essas estruturas, fechando os olhos aos momentos errados em suas atividades, dava-lhes lotes de terra, até dinheiro? Especialmente isto refere-se ao período da Presidência de Leonid Kuchma e Viktor Yanukovych. Afinal, será que poucos paroquianos continuam nas Igrejas Ortodoxas Ukrainianas do Patriarcado de Moscou, e entre eles conhecidos empresários, que generosamente derramam dinheiro aos "canônicos" padres?

Provavelmente, às autoridades atuais é hora pensar sobre a decisão do problema ortodoxa na Ukraina. Infelizmente, neste plano não há nenhum sinal de conquistas, nem, afinal, de algum plano. Claro, idealmente, seria a criação de uma única igreja ukrainiana, independente, ortodoxa. Mas esta é uma tarefa excessiva. Embora seja possível começar colocar no lugar o clero da Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou, usando mecanismos legais. Afinal, isto é real. Se houvesse apenas vontade política para isto.

Peter Kralyuk - vice-reitor da Ostroh Academia.

Tradução: O. Kowaltschuk

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Ukraina não tem um futuro europeu com a atual classe política no poder.
Especialista do Centro ECFR
Voz da América, 08.01.2018


Ukraina não tem um futuro europeu com a atual classe política no poder. 
além disso, o auto enriquecimento de políticos, que se encobrem com o status de "pró-europeu", só desacredita a União Européia, diminui sua influência e perturba o processo de reforma na Ukraina.

Sobre isto, afirmou em um comentário publicado pelo site do Conselho Europeu de Relações Exteriores, um especialista no programa europeu, que se especializa em segurança e defesa, Gustav Gresel.

Ukraina não tem futuro europeu com tal governo - especialista do Centro ECFR.



















Gresel vê na Ukraina sinais de colapso, pelo presidente Poroshenko, de "progresso no domínio da lei e da divisão do poder do Estado, que se conseguiu após a Revolução da Dignidade".

De acordo com o autor, isto é indicado pela situação em torno do político ukrainiano de oposição, o ex-presidente georgiano Mikheil Saakashvili, pressão sobre NABU (Gabinete Nacional Anti-Corrupção da Ukraina), qualidade dos juízes recém-nomeados à suprema Corte, ataques aos combatentes contra corrupção, outros.

A ameaça de reeleição e preservação do poder de Poroshenko, pode ser a única língua que ele entende.

"Se isso continuar, Ukraina novamente se tornará uma cletocracia quase-autoritária, na qual alguns líderes estatais usam o poder e força do aparelho estatal para promover seus próprios interesses", escreve o pesquisador ECFR. 
(O Conselho Europeu das Relações Exteriores (ECFR) é um grupo de reflexão pan-europeu, com escritórios em sete capitais europeias. Iniciado em Outubro de 2007, conduz investigação e visa promover debates informados em toda a Europa sobre o desenvolvimento de uma política externa européia baseada em valores coerentes e eficazes).

Para evitar esse cenário Gresel exorta a União Européia a recorrer a prisão das contas locais, dos membros corrompidos do governo ukrainiano e aqueles, que se opõem às reformas.

"Isto enviaria um sinal muito claro na véspera das eleições presidenciais e parlamentares de 2.019 - as auto-denominadas elites ukrainianas "pró-europeias não tem apoio europeu. Mais que isso, a ameaça da reeleição e preservação do poder por Poroshenko, pode ser o único idioma, que ele compreende", - pensa Gresel.

O especialista também observa que a ofensiva européia contra a corrupção na Ukraina não deve ser vista como enfraquecimento na luta pela soberania e independência contra a Rússia. 

"A corrupção e a soberania são questões diferentes, e precisam ser distinguidas", enfatiza Gresel.

A exigência central da Revolução de Dignidade era a transformação da Ukraina em um estado, que respeita a lei, trata todos os seus cidadãos igualmente e com respeito, e não permite enriquecimento ilícito da elite política. Poroshenko e seu governo não cumpriram esses requisitos. A administração de Poroshenko, cada vez mais, transforma Ukraina na cópia espelhar da velha. Os líderes europeus não devem permitir o uso de si próprios como uma folha de figueira que cobre tal regressão da Ukraina", enfatiza Gresel.

                         Membros da "Voz da América"













Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 7 de janeiro de 2018

Os sacerdotes da Igreja Ortodoxa​ Ukrainiana (Patriarcado de Moscou) recusaram-se do procedimento religioso à criança morta. As pessoas estão indignadas e trazem bonecas ao templo.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 05.01.2018
Iryna Vivcher


Brinquedos para crianças próximo da igreja em protesto contra a recusa dos sacerdotes dessa igreja do ato religioso à criança falecida.

A Igreja Ortodoxa Ukrainiana ( Patriarcado de Moscou) é acusada de cinismo e postura anti-ukrainiana. Isso aconteceu depois que um padre no Zaporizhzhya se recusou ao procedimento religioso à criança morta - porque ela foi batizada na Igreja do Patriarcado de Kyiv. Os religiosos do Patriarcado de Moscou afirmam: agiram como deviam. A Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Kyiv eles chamam de "divisionista"​, e a criança "não batizada". O caso rapidamente se tornou público. No Facebook iniciaram um flash mob II. "Traga uma boneca". As pessoas levam bonecas aos templos da Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou em memória do menino falecido. (Os brinquedos, geralmente bonecas, depois são doados às crianças pobres).

O que aconteceu.

Em Zaporizhzhia, um sacerdote da Igreja do Patriarcado de Moscou recusou-se rezar pelo menino falecido, de dois anos, quando descobriu que ele foi batizado na Igreja do Patriarcado de Kyiv. Como o pai da criança disse à mídia, o religioso soube isto durante a procissão. "A mãe chorou ajoelhada, mas não adiantou", - disse ele. Depois os pais se voltaram para outras igrejas do Patriarcado de Moscou (elas são muitas no Zaporizhzhia), mas em todos os lugares eles receberam recusa pelo mesmo motivo. (O que não deixa de ser duplamente chocante, Zaporizhzhia é a terra dos antigos cossacos - ukrainianos que sempre lutaram pela liberdade do país -OK). No final , todas as cerimônias necessárias foram realizadas pelo sacerdote da Igreja de São Nicolau, do
Patriarcado de Kyiv. 

O menino de dois anos morreu tragicamente: em 31 de dezembro, sobre ele, da janela do prédio de apartamentos, caiu um homem que tentou suicídio. Ele também morreu.

Na igreja, o fato do padre se recusar a rezar pela criança não negam. No entanto, em um comunicado divulgado pela diocese de Zaporizhzhia, do Patriarca de Moscou, os clérigos acusam os jornalistas de especular sobre a tragédia. "Os maldosos caricaturistas pintam, para alegria dos demônios, a imagem de um padre de Moscou", escrevem no site da diocese. (Os jornais já noticiaram que muitos paroquianos abandonaram as igrejas do Patriarcado de Moscou, passando ao Patriarcado de Kyiv, mas muitos ainda permanecem. - OK).

No Patriarcado de Moscou explicaram que, no geral, não reconhecem o Patriarcado de Kyiv e, portanto, a criança é considerada "não batizada" e podem rezar por ela apenas secretamente, fora da igreja. "Nós não temos o direito de orar na igreja por aqueles que não pertenciam a ela. A oração da igreja é oração para os membros da igreja. Isso não é crueldade ou falta de sensibilidade, - diz no comunicado.

"A criança continua não sendo batizada, a igreja do Patriarcado de Kyiv é ilegal" - diz nosite.

O clérigo russo, proto-diácono da Igreja Ortodoxa Russa, Andriy Kurayev, no Facebook também escreveu que a Igreja Ortodoxa Ukrainiana (do Patriarcado de Kyiv)  - é "cismática" , mas ele acha que reconhecer o seu batismo é canônico. Segundo ele, com tal afirmação a igreja cria uma onda de ódio contra si. (Eu não consigo entender por que os ukrainianos continuam mantendo vínculos com a Rússia. Até quando? Será porque não vêem alternativa melhor nos próprios governos? - OK)

Traga uma boneca. As pessoas estão tristes e indignadas. No Facebook, a história ganhou popularidade rapidamente. As pessoas estão acusando o padre e toda a igreja do Patriarcado de Moscou de um excepcional cinismo, levando em conta as trágicas circunstâncias da morte do menino.
"Eu conheço este país, nós estudamos juntos. Estas são algumas das pessoas mais brilhantes e gentis, Eu não entendo, como puderam fazer isto com elas. Com elas e com quaisquer outras",  escreveu o blogueiro e ativista Yuri Gudemenko.
"Eu trarei um brinquedo para colocar sob o Patriarcado de Moscou. Eles levam, eu trago outro. E, novamente. As pessoas vão vê-lo e entenderão. PORQUE está lá, O QUE significa", - acrescentou ele.

Mais tarde, Gudemenko publicou um post com fotos, nas quais se vê brinquedos próximo às igrejas do Patriarcado de Moscou, e a inscrição: "A criança é inocente".

Sob os slogans: traga um alimento e traga uma boneca, as pessoas coordenam ações semelhantes em outras cidades e comentam a situação, Brinquedos já trouxeram para Kyiv-Pecherska Lavra em Kyiv.

O jornalista Bohdan Butkevich descreveu as ações do sacerdote como "fascismo clerical". Ele acusou a Igreja Ortodoxa Russa de oposição anti-ukrainiana e apelou para proibir esta igreja. "O mal deve ser chamado de mal", concluiu.

Algumas pessoas escrevem que a igreja e a fé têm, cada vez menos em comum.

"Eu não quero mais batizar meu bebê. Não há Deus nas igrejas, não há fé", escreveu Lena Udovenko.

"Eu não sou cristão, mas nenhum filho e nenhuns pais merecem isso", disse Darius Gryshenko.

Mas o usuário Ivan Karpus duvida da conveniência de tal ação. "É impossível despertar neles compaixão. A eles não precisa ir com boneca ou com uma criança de verdade.

O sacerdote da Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Kyiv, Alexander Dedyukin, pediu aos fiéis que orem pelo filho falecido, e pelos pais. Ele também aconselhou não ir aos serviços rituais, mas sozinhos ir aos clérigos. ( O funeral do menino de Zaporizhia foi organizado pelo serviço ritual).

"Eles abençoam a guerra contra Ukraina".

A igreja do Patriarcado de Moscou não é a primeira vez a ser acusada de posição anti-ukrainiana. O incidente que ocorreu no Zaporizhzha, causou uma nova onda de comentários sobre esse tema.

O porta-voz da Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Kyiv, Yevstratyi Zoria, lembra aos fiéis da Igreja Ortodoxa do Patriarcado de Moscou "não é suficiente o levantar durante o anúncio dos nomes dos heróis da Ukraina, ou o cantar do Hino durante o encontro de prisioneiros libertadas do "mundo russo."

Sergey Sternenko escreve sobre a Igreja do Patriarcado de Moscou: "Eles abençoam a guerra contra Ukraina."

A história do Zaporizhzhya, onde o padre do patriarcado de Moscou recusou-se do enterro da criança de dois anos, morta, porque ela foi batizada na Igreja Ortodoxa de Kyiv, chocou muitos ukrainianos. Muitas pessoas estão, sinceramente ofendidas, e questionam "como pode assim?"
Pode. Aqui não há nada surpreendente e a mim não surpreende, apenas reforça minhas posições contra esta quinta coluna chamada "Igreja Ortodoxa Ukrainiana do Patriarcado de Moscou".

"Igreja" que serve aos assassinos é templo de satanás. Padres, que servem aos matadores, - servem ao diabo. Eles abençoam a guerra contra Ukraina, e as armas que usam contra nós. Eles recusam-se a respeitar nossos militares mortos, porque "aqueles vieram para matar nossos irmãos" e demonstrativamente não levantam no Parlamento durante um minuto de silêncio.
Na verdade, vocês esperam deles, ao menos, uma gota de verdade? E, de verdade creem, que no total, os maus são poucos? Lhe surpreende o ato do padre moscovita, que recusou-se ao enterro da criança de dois anos? A mim - não. 
A escritora e jornalista Svetlana Polayeva lembra "tortura de soldados ukrainianos em cativeiro."

Igreja Ortodoxa de Moscou - não é igreja, não é religião, não são padres e não são gente - é uma crosta infecciosa da KGB. Quantas mais evidências são necessárias de sua desumanidade e "ausência de cristianismo"? (Eu já não falo em cânones de nenhuma religião, isto não se encaixa em centros agitados, vocês ficaram em silêncio, vocês diziam "Deus é único", quando eles armavam os "separas" (os que passavam para o lado deles) vocês ficaram em silêncio, vocês diziam "Deus é único". Quando eles torturavam nossos soldados no cativeiro, vocês ficaram em silêncio, ´"kakaia riznetsia" (qual a diferença), Deus é um... Eles não têm nenhum Deus, a filial do inferno na terra, sua sede principal.

Tradicionalmente, após cada caso ressonante, a fita - "fora o padre de Moscou". E, o que? A igreja paga pelo gás 3.9 UAH. Eu 6.9 UAH. Empresas 10 UAH,

Há mais de um mês, ao estatuto da Igreja Ortodoxa russa introduziram um capítulo separado sobre "autogoverno" e "status" especial da Igreja Ortodoxa Ukrainiana (do Patriarcado de Moscou)
na Igreja Ortodoxa russa:
"Ao Patriarcado de Moscou e Bispado russo: A Igreja Ukrainiana nunca voltará ao Patriarcado de Moscou, porque nós temos nosso país" - escreveu o Patriarca Filaret.

Tradução: O. Kowaltschuk

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Diziam que torturarão meu filho diante de meus olhos - Igor Kozlovsky sobre sua prisão no agrupamento da "DNR".
Radio Svoboda (Rádio Liberdade", 02.01.2018
Inna Kusnetsova
Fotos: Igor Kozlovsky

Igor Kozlovsky
Convidado do programa "Sua Liberdade": Igor Kozlovsky é um historiador, erudito religioso.

Presidente do Centro de Estudos Religiosos e Relações Espirituais Internacionais. Lecionou disciplina religiosa na Universidade Técnica Nacional de Donetsk. Autor de mais de 50 livros científicos e 200 artigos. No final de janeiro de 2016, Igor Kozlovsky foi detido em Donetsk por representantes do grupo "DNR". No início os militantes acusaram o cientista de "armazenamento ilegal de explosivos." Posteriormente, o chamado "tribunal" argumentou a prisão de Igor Kozlovsky dizendo ele ser - "especialmente um cidadão  não confiável porque tinha contatos com várias organizações que foram proibidas na "DNR", em particular com membros do partido "Liberdade" em 2014. Igor Kozlovsky foi libertado da prisão com outros 73 ukrainianos em 27 de dezembro de 2017.

Inna Kuznetsova: Senhor Kozlovsky, você ainda não odiou os jornalistas porque nós colocamos perguntas estranhas aqui o tempo todo? Perguntamos sobre o pior - que novamente precisa vivenciar.

- Eu até senti saudades por tais perguntas. Para mim, como uma pessoa criativa é muito importante comunicar-me com pessoas. Nas condições que eu estava, não havia tal comunicação. Haveria relações difíceis com aqueles que estão lá...

Isso é horror, arbitrariedade, uma espécie de fantasmagoria. Tudo foi irreal. Até o final, não consegui entender - por quê?

As pessoas que me detiveram, não me consideraram. Eu observava esses acontecimentos e eu tive minha própria opinião. E eles sabiam isto. Entre as pessoas comuns, simples militares, supervisores, eu diria que senti algum respeito. Eles me perguntavam sobre coisas diferentes, como relacionavam-se, por exemplo, com a história da religião, e em geral, com a história. Eles me olhavam com respeito e ouviam meus pensamentos. Eles também não entendiam, por que eu fui parar lá. Eu tentei me comunicar com alma.

Eu entendo, que as pessoas são diversas, elas têm diversas concepções do mundo, posições políticas. Mas há uma alma. E com essa alma você precisa conversar...

Nós precisamos de uma sociedade civil madura. Este é um fenômeno, que precisa ser formado (educado) como uma idéia nacional, E nós devemos conversar com a sociedade civil lá. Como fazer isto, eu ainda não sei. Porque é preciso chegar a cada pessoa, cada personalidade, para que lhe ouça. E, para lhe ouvir, precisa falar na língua da pessoa, encontrar pontos de contato, sem os quais é impossível avançar.

Nós passamos por um caminho muito difícil da quebra de contatos, até mesmo contatos familiares. Esta questão é muito difícil, até mesmo para anos, até para décadas.

- Com o quê, sobre o que falam em Kyiv, vivem em Kyiv, diferem do que sabem lá?

Os parentes enviavam revistas, jornais da Ukraina. Enviavam as pessoas próximas, os estudantes recolhiam aqui, na Ukraina, cruzavam a linha divisória. E lá já recebiam outros e traziam à prisão, à colônia, onde eu estive nos últimos oito meses. As cartas não eram permitidas, mas ainda assim havia algumas pequeninas.

Estes são mundos diferentes, não apenas a visão do mundo, a visão do mundo é uma construção do mundo completamente diferente.
Ao longo destes três anos, uma geração de pessoas novas cresceu, que já pensa construtivamente, de forma diferente. Se em 2014 tinham 15 anos, agora têm 18 anos. Estas pessoas vão servir, como dizem, nas "forças armadas" das repúblicas. Estas são as pessoas que vão para lá conscientemente, pegam em armas, como dizem, defender seus interesses e idéias. Na maioria, eles apenas sobrevivem, porque as pessoas não têm trabalho. O serviço militar - é onde você pode ganhar dinheiro.

Quanto à idéia... Quando me torturavam, quando eu tinha um saco na minha cabeça, gritavam, que eles são "mundo russo". Essa é uma mitologia que eles inventaram. Ninguém sabe o que é, mas constantemente dizem que eles são "mundo russo"...

Muitas pessoas que vivem lá, são pro-ukrainianas. Elas são observadas. É a prática comum, como na antiga URSS, escrevem denúncias, o chamado "stukachestvo". 

"O Tribunal Militar" do "Supremo Tribunal" - é um órgão especial através do qual a maioria dos cidadãos não-militares passou. Isto é "triiika" (três pessoas).

Em geral, a impressão, é que lá eles fizeram uma peculiar mistura de 1937, 1950 e 1970 dos anos da URSS. É como um jogo do role-playing. Mas esses "jogos de role -playing" se relacionam com a vida das pessoas, seu destino.

- O senhor foi apreendido próximo de sua moradia. Naquele momento, além do filho Svyatoslav, não havia ninguém em casa. Como  eles entraram no apartamento? Arrombaram a porta?

- Eu penso que eles têm certos meios, como abrir a porta... Muitas coisas desapareceram. Eles levaram dinheiro, objetos caros. Eles gritavam, que trarão ao porão, junto a mim, meu filho, para que eu reconheça, que as granadas e explosivos são meus. Diziam, que vão torturá-lo diante de meus olhos...

Sobre espionagem havia certas táticas. Disseram: você, provavelmente é um espião profundamente disfarçado. Eles têm uma pequena fantasia (Métodos de tortura - ed.). É espancamento, ou torturas com corrente elétrica e suspensão...

O filho esperava. Nós temos o nosso tipo de comunicação. Ficou muito alegre após minha libertação do cativeiro. Todos que foram libertados também têm o desejo de participar da libertação de todos que ainda ficaram. Lá as pessoas realmente sofrem.

- O presidente checo, Milos Zeman, tentou influenciar na sua libertação do cativeiro. Ele foi surpreendente. E até telefonou aos "líderes" dos grupos militantes. Eles não responderam. E ficou chocado com a sua grosseria. Como o Senhor percebe isso? Afinal, Milos Zieman é acusado de um sentimento pró-russo. 

- Eu sei. Ele - pessoa que tem direito à sua opinião. Ele é presidente do país. Os seus pontos de vista podem até não coincidir com os pontos de vista da sociedade civil da República Checa. Nós sabemos disso. Mas o presidente checo também fez muito, escrevia cartas, seguia esses eventos. Ele disse que ligou várias vezes para Putin...


Presidente da Ukraina Petro Poroshenko (à direita) e o libertado do cativeiro das forças hibridas russas Igor Kozlovsky (no meio).

Tradução: O. Kowaltschuk