terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O exército é todo seu. Pessoas de quem "gerenciam" as cidades de Donetsk?
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 08.01.2015
Oleksandr Bilinskyi


Nas cidades da auto-proclamada República Popular de Donetsk praticamente não permanecem os prefeitos eleitos em 2010. Eles, no verão e outono de 2014 substituíram aqueles, que na primavera, nas manifestações pró-russas garganteavam: "No campo,  aberto sistema "Grad" (MLRS), na retaguarda Putin e Stalingrado.

Mas, desapareciam de seus territórios "os pais das cidades" de diferentes maneiras.

Para alguns, desde o início davam oportunidade para manobrar segundo princípio "para nossos e vossos", e, em seguida, aconselhavam sair por bem, devido ao respeito pela idade e serviços passados. Assim aconteceu, por exemplo, com o prefeito de Donetsk Oleksandr Lukyanchenko.

Alguns, após as primeiras manifestações dos separatistas entregaram o cargo, como o prefeito de Makiivka Oleksandr Maltsev. Alguém teve de suportar a humilhação na prisão dos combatentes e foi liberado somente depois de pagar o tributo de dois milhões, como o prefeito de Horlivka Yevhen Klep.  Alguém desapareceu, sem chamar atenção sobre sua modesta pessoa, como, por exemplo, Valery Olijnik - protegido do fugitivo Yanukovych em sua natal Enakievo.

Quem veio para substituí-los e agora administra os territórios ocupados por militantes locais e mercenários russos?

Donetsk: o prefeito anda pela cidade de Toyota  com os números: D0001NR. O prefeito de muitos anos da capital mineira Oleksandr Lukyanchenko foi substituído pelo seu antigo subordinado - ex diretor da empresa municipal de Donetsk "Parque da Cultura e Descanso Shcherbakov" Ihor Martynov. Ele é conhecido em Donetsk como desertor partidário. No início candidatou-se para Assembléia Municipal pelo Partido Socialista Progressista de Natália Vitrenko, depois - pelo Partido das Regiões (Partido do ex-presidente Yanukovych).



Martynov tem interesses nos negócios de alimentação. De acordo com "Verdade de Donetsk", Martynov é um dos proprietários do "Fame Club" no parque Shcherbakov. Também está associado com o centro comercial "Yellov " e  restaurante "Stargorod". Depois que na cidade instalaram-se os mercenários russos "Stargorod", um dos primeiros, decidiu fornecer refeições gratuitas para os necessitados. Martynov prometeu céus no cargo de "prefeito":  "logo, logo começará a troca da documentação ukrainianos pela documentação da "DNR", "no verão em nossa terra florescerá um milhão de rosas", "Ukraina brevemente vai invejar os moradores da "DNR" por causa do nível de vida e sua gente".

Depois da avalanche de críticas, Martynov introduziu um modelo para seus subordinados sobre como é necessário escrever nas redes sociais sobre  os representantes da "DNR", e nas mensagens informativas exigiu aproveitar as seguintes construções: "Graças ao líder da DNR Oleksandr Zakharchenko e sob controle da Administração de Donetsk Ihor Martynov". E ele também, abertamente declarava sobre o investimento financeiro da Rússia. "Desde que  Ukraina deixou de alocar verbas para o município, as verbas ausentes fornece Moscou", - disse ele em entrevista ao Frankfurter Allgemei.

Horlivka: no governo  - compadre Besler, e os funcionários, nas reuniões, estudam a constituição da DNR.

Há quatro anos o atual funcionário de confiança do prefeito de Horlivka Oleg Gubarov chefiava a organização política da cidade  "Poderosa Ukraina" de Serhii Tihipko. Sob sua bandeira ele atraiu ao conselho da cidade mais de dez vereadores. Então os "poderosos ukrainianos" apoiaram o candidato sem partido, para prefeito Yevhen Klep. E valeu a pena, como mostrou o tempo. O jovem prefeito, pelo apoio, começou pagar com cargos. Em 2012, Gubarov, sendo dirigente da empresa municipal "Espaço", nomeou seu vice - chefe do cerimonial, já conhecido de todos Igor Bezler (Bis). Posteriormente descobriu-se que eles são compadres.

Compadre de Besler - prefeito de Horlivka
E foi Gubarov, como membro do Conselho da cidade não perdeu uma única manifestação pró-Rússia em Horlivka na primavera de 2014. Tornou-se secretário do Conselho em julho, já com Klep na prefeitura. Numa sessão fechada, sem quorum suficiente, onde metralhadoras não permitiram nenhum jornalista. No dia anterior, por um dos militantes locais, foi colocado de joelhos e espancado o secretário atuante Yuri Vasylenko. Ele, na sessão, preocupava-se diante de colegas, com a escolha de Gubarov, e no dia seguinte saiu de Horlivka e não mais voltou. Agora, Gubarov, a cada terça-feira realiza reuniões oficiais, nas quais os funcionários estudam a constituição da DNR,  culpa o exército ukrainiano pelo bombardeio da cidade e conta, que os estudantes do conhecido em toda Ukraina Instituto Horlivka, de idioma estrangeiro, poderão receber o diploma de padrão russo. Vale ressaltar que, há dois anos Gubarov enviou seu filho ao exército, que entrou na 25ª Brigada Aerotransportada de Dnipropetrovsk. Anteriormente encabeçava a segurança do herói da Ukraina, deputado de várias convocações e ex- proprietário do consórcio "Styrol" Mykola Yanovskyi. 

Enakieve:  prêmios preveem  segundo legislação da Ukraina, e canais de TV desligam - segundo decretos da DNR.
Esta pequena cidade mineira tornou-se famosa em toda Ukraina como pequena pátria de Viktor Yanukovych ( Os ukrainianos denominam o local de nascimento da pessoa como sua "pequena pátria" - OK). Não surpreende, que a prefeitura, em diferentes momentos encabeçavam ou seus amigos, como o falecido Sergei Rukhadze, ou pessoalmente designados, como Velery Olijnik.
Olijnik aguentou-se no seu cargo mais que todos os prefeitos da província depois do aparecimento na cidade dos sabotadores armados. Ou, todo este tempo ele era protegido dos "estranhos" pessoalmente por Yanukovych, ou o presidente da câmara municipal vinha pessoalmente prestar homenagem a um dos comandantes de militantes, Abwehr.  Exatamente por isso sua prisão pelos militantes de Bis parecia encenação. 
Olijnik foi levado a um destino desconhecido e na cidade não apareceu mais. Não houve preocupados com o seu destino. Os jornalistas locais supuseram que Valery Olijnik poderia ser útil aos militantes de Bis como médico, já que, por longo tempo ele foi cirurgião praticante. E o levaram para Horlivka para operar um militante, depois o liberaram. Segundo últimos dados, a partir de setembro ele está na Criméia. Seu substituto também é dos seus - médico do círculo da Yanukovych.

Os dirigentes, que permanecem na sombra o tempo todo, fazem isso com maestria e de acordo com leis ukrainianas. Na sessão da Câmara Municipal de 29 de setembro, a vereadora Olena Chesnokova antecipadamente renunciou a seus poderes.. O próximo da lista era Roman Khramenko, médico-chefe do hospital da cidade Nº 7 de Enakieve.

Marido da sobrinha de Lyudmila Yanukovych,
Na sessão seguinte o secretário voluntariamente renunciou, e no seu lugar escolheram o legítimo prefeito de Khramenkova. Na cidade o conhecem como "manco" e marido da sobrinha de Lyudmila Yanukovych (esposa oficial do ex-presidente - OK).
Uma das ordens do prefeito - "Sobre otimização do espaço de informação" de 10 de dezembro foi introduzida a proibição da transmissão de canais ukrainianos e bloqueio de certos sites da internet..

Ao lado disto, a completa lealdade à DNR não o impede de recompensar os funcionários do Comitê Executivo de Enakievo de acordo com resolução do Gabinete de Ministros da Ukraina.

Agora a metade das decisões em Enakievo referem-se à legislação ukrainiana, e metade à legislação russa da DNR.

Makiivka: prefeito-impostor pronto para corpo a corpo com soldados ukrainianos.

Legal e duas vezes eleito prefeito de Makiivka Oleksandr Maltsev ainda na primavera renunciou. Agora ele mora na Criméia, para onde durante o governo do ex-primeiro-ministro Vasyl Dzharty mudaram-se muitos funcionários e empresários de Makiivka, e compraram lá muitos imóveis.

O auto-nomeado prefeito de Makiivka Yuri Pokintelitsya encabeça a cidade em nome do governo da DNR e do Conselho Superior  da República. Ele próprio por mais de 20 anos reside em Makiivka, e em sua juventude trabalhou em Yakutia.
No entanto, Pokintelitsya, 48 anos, artes marciais pesadas, é capaz de lembrar sua juventude esportiva e lutar com soldados ukrainianos.

Recentemente, o prefeito de Makiivka Pokintelitsya usava camisas de equipe ukrainiana.
"Se aqui vierem, suponhamos, por um momento, aqueles que lutam contra nós, que querem nos submeter, eu estarei na administração municipal. Sozinho os receberei. E, acreditem, receberei com dignidade", - dizia, em entrevista, aos jornalistas russos.
Pokintelitsya não é uma pessoa pobre. Sua família em Makiivka e Donetsk é proprietária de uma cadeia de lojas de animais "Malamut", e também berçário "North Pérola", que dedica-se profissionalmente à raça de cães Alasca Malamut e Laika da Sibéria Ocidental.

Nos anos noventa Polintelitsya era mais conhecido como "Fiks". Segundo jornalista Denis Kazan, ele é um parceiro de negócios dos deputados "regionais" do Conselho Regional Volodymyr Molko e V. Kudriatsev, cujas empresas ganhavam concursos, visto que seus proprietários tinham "boas relações" com o falecido Dzharty.

Shakhtarsk: todas famílias foram lutar pela "DNR". Em Shakhtarsk, onde em tempos de paz florescia a extração ilegal de carvão, as funções do prefeito e comandante militar assumia o ex-mineiro Alex Shvedkyi.
Ele, sob o comando do sabotador russo Igor Strelkov lutou em Sloviansk e em Saur-Mohyla.

Segundo moradores locais, Em Shakhtarsk há três irmãos Shvedkyi e todos envolvidos nas capturas "republicanas" e apropriação (A esposa de um deles era pessoa de confiança do prefeito fujão Oleksandr Naumovich e chefe do departamento jurídico da comissão executiva).  Na esfera de sua influência ainda encontram-se minas em atividade Chapaev e Deep-Miner.

Snizhne: as mães com filhos bloqueiam a estrada, e o prefeito ao seu casamento vai no HUMMER (veículo de luxo)..
O auto-nomeado prefeito Sergei Hodovanets realmente melhorou de vida com a DNR. Recentemente, ele protagonizou um magnífico casamento. E, quando jovens mães com crianças bloqueavam a estrada exigindo o pagamento das crianças (Na Ukraina, segundo a lei, há um bastante razoável auxílio às crianças. Os valores dependem do número de filhos e idade. - OK). Hodovanets com sua noiva passeavam no HUMMER pelas mal conservadas ruas da cidade.

Prefeito de Snizhne, em grande, estilo realizou o casamento.
Ao gabinete de prefeito Hodovanets moveu-se da loja que administrava no mercado central antes dos combates. Foi nomeado prefeito de Snizhne em 11 de novembro pelo presidente da autoproclamada DNR Oleksandr Zakharchenko. Recentemente Hodovanets começou ser suspeito de roubo e venda da ajuda humanitária.

"Eu sei quem espalha este tipo de estupidez, ou introduz às sofridas pessoas, pela falta de dinheiro,  a informação de que o prefeito viaja nos carros, não se sabe de que modo adquiridos, e abastece a mesa por conta das doações "humanitárias". Contra senso, delírio de alguns! Mas não pretendo me desculpar, porque não me sinto culpado", falou ao jornal local o pseudo-patrão da cidade.

... Nem em todas as cidades capturadas encontraram-se dispostos em envolver-se em infra-estrutura e serviços residenciais comunais. Em Amrosivska, Starobeshivska, Yasenuvata, Torez, Zhdanivska, Dokuchaevsk, Kirov e Komsomolsk todo o poder está concentrado nas mãos dos comandantes militares. Mas sua vida é curta, eles mudam quase semanalmente. Normalmente, todos os prefeitos auto-proclamados e comandantes não são livres em suas ações, mas simplesmente peões nas mãos estranhas. Eles são escolhidos dentre os locais e são apenas disfarce, atrás do qual escondem-se os verdadeiros donos da situação com passaportes russos, antiga elite dos "regionais" e a todos conhecida "Família" ("Família" denominavam as pessoas bem próximas do ex-presidente. E "regionais" os que pertenciam ao partido das "Regiões, partido de Yanukovych - OK).

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 11 de janeiro de 2015

Putin enlameou-se com a história de Nadia Savchenko
Rádio Svoboda (Radio Liberdade), 10.01.2015
 Entrevista com Vera Savchenko, irmã da piloto militar ukrainiana Nadia Savchenko; Alex Ryabchyn, deputado; Mark Feigin, advogado da prisioneira ukrainiana.

Radio Svoboda: Dentro de quatro dias completar-se-á um mês de quando a piloto ukrainiana Nadia Savchenko, detida na prisão russa em Moscou, iniciou greve de fome por causa de não recebimento de cuidados médicos. E, dentro de 10 dias passarão sete meses desde que Nadia foi capturada em Luhansk-Ukraina por militantes russos. Rússia não se apressa libertá-la. Senhora Vera, qual a última informação? Como está a saúde de Nadia? Há alguma notícia?

- Sim, nós nos correspondemos com bilhetes através dos advogados. Ela está razoavelmente bem. Agora ela recebe glicose e vitamina C. Permitiram que os médicos a visitassem, depois do protesto devido a inflamação do ouvido. Deram-lhe os medicamentos indicados pelo médico ukrainiano. Como seu organismo está exaurido, agora lhe dão glicose e chá quente. Ela está numa câmera individual.

- Alex Ryabchyn: Eu somente consegui vê-la por 10 segundos, quando a conduziam quatro robustos rapazes, com um cão, ao Tribunal Basman para uma sessão. Ela apenas disse: "Glória à Ukraina!" E ouvimos a multidão responder: "Glória aos Heróis!". Ela sorriu e foi ao tribunal. Ela se mantém firme. Esta mulher é inquebrável.
Na última vez que estive no tribunal, foi no tribunal central de Moscou. Apenas pude vê-la no monitor e apenas consegui acenar-lhe uma vez. Esta foi vídeo-conferência.
Ela transmite sinais de heroísmo. Eu não sei, se eu, um homem, teria tanta força. Você olha em seus olhos e vê inviolabilidade. Esta mulher é inquebrável!

- Vera Savchenko: Não, ela não parou com a greve de fome. Este é seu protesto - única forma disponível de protestar. Não é suicídio e não é pressão para piedade. É protesto. Porque devem liberá-la, ela não tem nenhuma culpa. O lado ukrainiano já providenciou todas as provas possíveis.
Infelizmente, o SBU (Serviço de Segurança da Ukraina) não proclama o que exatamente repassou, porque isto, legalmente, não é de todo possível, mas seria bom se Ukraina soubesse, o que foi passado às fontes oficiais, para que não houvesse dúvidas na comunidade. Por isso Nadia protesta contra sua detenção (Nadia foi capturada pelos russos, no campo de batalha, na Ukraina, quando recolhia combatentes feridos para levá-los a hospital - OK) e exige sua liberação até 26 de janeiro, quando haverá sessão da Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu (PACE).

- Alex Ryabchyn: Tendo sido eleita ao Parlamento ukrainiano (Ela foi lançada candidata, já aprisionada, por Yulia Tymoshenko - dirigente do Partido Pátria). Acredito que isto ajudará em sua libertação. E, graças a todos os ramos do governo, inclusive nosso presidente que menciona esta situação em todas suas aparições internacionais, e graças ao Parlamento ukrainiano. Até a oposição votou para que Nadia seja libertada, e o Parlamento apelou à Duma russa para que ela seja incluída à delegação da PACE. Nesta questão toda Ukraina tem a mesma posição. Fazemos tudo o que podemos. Eu acredito que isto depende de uma só pessoa: Vladimir Putin. Sim, todos entendemos que é uma questão política. A comunidade internacional, e nós fazemos tudo o que é possível para continuar a pressão sobre autoridades russas, para que Nadia seja libertada.

- Mark Feigin: Eu e meus colegas (mais dois advogados) conseguimos nos comunicar pouco antes do Ano Novo. Ontem, Savchenko recebeu os membros da Comissão de Fiscalização. A situação está mais ou menos satisfatória. O médico otorrinolaringologista visitou-a somente depois dos protestos. Quanto a greve de fome, o médico examina-a todos os dias. Ela, apenas bebe água quente. Nada mais. Ela não sofreu nenhuma pressão física, nenhuma tortura. Ela não se submeteu a nenhuma pressão direta, psicológica. Instaram para que assinasse sua culpa. Durante a "esperteza psiquiátrica" houve diversas violações, o tratamento era muito cruel, mão permitiam dormir. O tratamento melhorou depois de nossos protestos. A esperteza reconheceu-a saudável, ela poderá ser condenada.

Agora ela está numa câmera individual, com um minúsculo banheiro e cama. Tem direito a passeio de uma hora, e pode ler jornais russos. Sua próxima audiência deverá acontecer no início de fevereiro. No dia 13 de fevereiro termina o prazo de sua detenção. Sua questão está associada com a morte de dois jornalistas russos, na região de Luhansk. E há outros episódios. E outros suspeitos, sendo Nadia Savchenko  - uma deles.

- Alex Ryabchyn: Na verdade, isto não é um processo, não é justiça, isto são acordos. Se alguns acordos forem cumpridos, eu penso que Savchenko será liberada. Mas, se  ela não for liberada até a sessão da PACE (Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu), então haverá uma situação sem precedentes, quando um membro da PACE aprisiona um cidadão de outro membro da PACE.

Quando eu tenho encontros com embaixadores ou delegados de outros países, eu lembro a eles este incidente. Porque nós podemos fazer pressão sobre Putin através da comunidade internacional.

- Vera Savchenko: Mamãe se mantém, ela é uma pessoa muito forte. Mas seu coração começou fraquejar. Está usando medicamentos. Ela, amigos e colegas da política e militares pedem que cesse o protesto através da fome, esta é sua obrigação. Mas Nadia tem, na prisão, somente este meio de protesto - e esta também é sua obrigação. 

Cartaz do Ministério das Forças Armadas quanto ao auxílio a Nadia Savchenko.
Dia 5 de janeiro foi lançada na rede a campanha internacional, internet-ação, da aprisionada na Rússia piloto ukrainiana Nadia Savchenko. Os ativistas criam e disseminam nas redes Twitter e Facebook fotos e materiais informativos sobre Nadia Savchenko em diversos idiomas, e distribuem com Hashtag#Savchenko. Os advogados apoiam.

Ao Twitter ativamente incluem-se Embaixadas da Ukraina em diferentes países, especialmente no Reino Unido, Macedônia, Japão, Armênia, Kuwait, Vaticano.

Ukrainianos da Itália rezaram pelos mortos e feridos durante ATO, e pela libertação de Nadia Savchenko.
Paulo Klimkin, Ministro do Exterior, fala sobre outros inocentes aprisionados. O caso mais notável é do diretor de teatro Oleg Sentsov, aprisionado ainda na Criméia.
Embaixada USA na Ukraina - Cônsul Geoffrey Pyatt.

Piloto militar Nadia Savchenko.
Família de Nadia Savchenko queria estar com ele no Natal. Continua esperando.

Tradução, resumo: O. Kowaltschuk

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Buraco negro. "DNR" - novas regras de vida.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 25.12.2014
Catherine Serhatskova

Emblema da "DNR" (República Nacional de Donetsk)
Em Donetsk ocupado, como antes, funciona o transporte público. A cidade pode ser facilmente alcançada a partir de qualquer território controlado pela Ukraina. A rota mais complicada - a entrada do lado de Dnipropetrovsk. Aqui, na região Kurakhovo, no outono instalaram uma
verdadeira fronteira. Em cabines de metal trabalham funcionários do Serviço de Fronteiras da Ukraina. Cada passageiro é registrado.  Cada estrangeiro recebe o carimbo da saída do território da Ukraina. As áreas sob controle da "DNR" nos documentos, não são consideradas parte do país.

Nós consideramos Ukraina como nosso povo, que é portador de várias doenças", - diz o líder dos militantes "Leste" e secretário do Conselho de Segurança "DNR" Aleksandr Khodakovskyi.

Ele se apresenta numa sala da Academia de Música de Donetsk - Prokofiev, que em novembro foi transferida pelo Ministério da Cultura da Ukraina para além do território ocupado. Às costas de Khodakovskyi - retrato de Prokofiev e piano.

Dirigente do batalhão de militantes "Leste" se apresenta.
Ouvem o militante os pensionistas, professores da Academia e várias pessoas jovens. A sala está cheia, mas nem todos ouvintes parecem compreender por que vieram.

- Ele agora sobre o quê? O que ele diz? Sussurra alto uma mulher no ouvido da companheira.

- Quem é esse, afinal? - Pergunta a outra.

"Kyiv - mãe de cidades da Rus (Rus foi o primeiro nome da Ukraina do qual os moscovitas se apoderaram. Moscovitas, primeira denominação dos povos da então chamada  Moscóvia, hoje Rússia - OK), nós estamos saindo desta reforma, - continuou Khodakovskyi. - Mas os processos, que prevalecem lá, agora, e ampliam-se com propaganda, são tendenciosos e unilaterais, não nos dão possibilidade de interagir. Se fosse possível, levemente, curar Kyiv... Nisto está nossa concepção básica."

O chefe dos militantes de Donetsk fala monotonamente, como padre, quando lê a oração. Ainda no verão ele - ex-chefe das forças especiais "Alpha" da divisão do SBU (Serviço de Segurança da Ukraina) - declarava que seu "Vostok" lutava aqui pelo futuro da Rússia e contra USA. Logo a retórica mudou. Khodakovskyi começou frequentemente repetir que "DNR" - é parte da Ukraina. "Há uma tentativa de completar a ação da decomposição de uma nação, - diz Khodakovskyi aos seus "paroquianos".- Para evitar a infecção, nós, por enquanto, somos obrigados a nos isolar. Nós não queremos nos separar da Ukraina, mas não queremos que conduzam o povo de Donbass como a um elefante, para onde queiram. Nós nos equilibramos em um limiar muito fino e queremos continuar a desenvolver laços culturais e econômicos. Donbass - não é um objeto independente. Mas Ukraina, segundo visão geopolítica - moeda de troca entre Rússia e USA.

A palestra de Khodakovskyi dura mais de duas horas. Os ouvintes dispersam-se gradualmente. No final, na sala permanecem apenas os representantes da imprensa que perguntam ao chefe do "Conselho de Segurança" sobre o que está acontecendo no aeroporto de Donetsk - um ponto chave do confronto russo ukrainiano.

Khodakovskyi promete reunir todos no local e mostrar a famosa cobertura no nono andar, da qual os militantes disparam sobre o edifício do terminal e bairros residenciais.

O prédio da Administração Regional de Donetsk, que desde o verão é conhecido como "Casa do Governo" está invulgarmente vazio. Nas paredes não existem mais desenhos dedicados à "junta" e "pastor sangrento", mas no chão - sujeira e detritos. Corredores limpos pela ODA (Administração Estatal Regional) estão semelhantes a administração, nas portas dos gabinetes apareceram mais ou menos distintas plaquinhas com o nome de cargos e "agências".

Com o início da trégua de setembro na "capital da DNR" parece que começaram a pensar em estruturar a vida cotidiana e, especialmente, a economia. "Não é possível permanecer, constantemente, em estado de guerra, e agora há uma sensação que nos negócios tudo irá, gradualmente, progredir", - diz meu conhecido empresário de Donetsk, que na primavera foi obrigado a fechar seu negócio.

Eu me recuso a concordar com ele: os negócios não podem desenvolver-se nos territórios ocupados dirigidos por militantes. Se com Criméia isto ainda é possível imaginar, com Donbass - definitivamente não.

"Já mais de 4 mil empresários fizeram registro na República Popular de Donetsk, - diz ele. - Entre eles - patriotas da Ukraina e separatistas -  todos, que não querem perder seu dinheiro. Agora eles pagam impostos para o tesouro "da república". E o que você pode fazer? Trabalhar é preciso..."

O chamado Serviço de Registro da "DNR" traz dados um pouco diferentes: a partir de 8 de novembro na "república" supostamente re-registraram-se 33% dos empresários particulares e companhias, até a guerra eles eram, aproximadamente 160 mil.

Os meios de informação que apoiam "DNR" anteriormente avisavam, que a re-matrícula para as empresas - 170 UAH, para pessoas físicas - 34 UAH. O imposto de renda é de 20%, e para pessoas físicas - 13 %.

Tais cifras, declara o chefe do Ministério da renda e encargos da "DNR" Aleksandr Tomofeev, a quem eu conheço como Sasha Tashkent - militante responsável pela troca de prisioneiros. Ele - é um daqueles que negocia com o chefe do Centro de libertação de prisioneiros Volodymyr Ruban.

Donetsk tem a aparência quase igual a antes da guerra. As pessoas vão para o trabalho, embora poucos recebem salário. Trabalham alguns centros de produção, alguns centros comerciais e de escritórios.

As pessoas comuns vivem com pequenas ajudas irregulares do Ministério de Política Social da "república" e pensões ukrainianas.
Os restaurantes e cafés cheios quase à capacidade. Na entrada para a popular anteriormente "Cervejaria Yusovsky" podem ser vistos adesivos, que informam, que este objeto popular é protegido pelas forças da "DNR" e paga imposto ao orçamento da "república". Na porta há uma placa correspondente aos tempos de guerra - "Por favor, deixe as armas na sala especial."

"Aqui em Donetsk tiroteios no café acontecem regularmente - diz o morador local Aleksandr Borenko. - Outro dia na "Casa do Previsor (do tempo) atiraram em dois rapazes - chechenos encenaram confrontos comuns de bêbados. Com a investigação de crimes nos territórios ocupados preocupa-se a polícia local, rebatizada de "polícia da DNR". Separadamente funciona "promotoria militar", Ministério de Segurança do Estado", que cumpre as funções do FSB (Serviço Federal da Segurança) e outras agências completadas desde o verão com várias forças paramilitares.

De onde vem o dinheiro das pessoas que compram comida, bebida cara e, que se tornaram consumidores da ostra por 75 UAH nos restaurantes, não está claro. Permitir-se viver em grande estilo podem somente aqueles que trabalham nas estruturas da "DNR" e recebem pagamentos da Rússia, ou aqueles, que se adaptaram a ganhar nas condições de guerra. Estes não são muitos. As pessoas comuns vivem com pequenas e irregulares ajudas do Ministério da Política Social da "república" e pensões ukrainianas.

O próprio surrealismo em Donetsk - quase genuína vida cultural. Trabalha o teatro da ópera, que recentemente ganhou fama com o fato de, Anna Netrebko, cantora de ópera, enviar através de Oleg Tsarev um milhão de rublos para sua "recuperação".

Funciona a maioria dos colégios e Faculdades da região, inclusive a Universidade Nacional de Donetsk, que no início de outono foi transferida pelo Ministério da Educação a Vinnytsia. Alguns professores de Donetsk transferiram-se para departamento de estudos por correspondência da Vinnytsia, então vivem e trabalham em Donetsk. Os jovens que se encontraram do lado da "DNR", continuam os estudos na ocupada Universidade Nacional de Donetsk. 

Próximo ao Museu de Arte , seu diretor e devido ao acúmulo de cargos, presidente do Conselho de Diretores de Museus de Donetsk Halyna Chumak discute com os jornalistas da NTV (Canal russo). Eles exigem remover as inserções de madeira compensada, para remover os vidros quebrados pela onda da explosão. Halyna recusa: os funcionários do museu não trabalham para TV russa "fazer imagens".

Museu Regional de Arte de Donetsk - A placa, como antes, em ukrainiano.
- Nós temos as nossas leis para os museus, que eles não entendem, - irrita-se Chumak, - Ainda querem ver nossos fundos. Por que eu deveria mostrar?

- E se as pessoas com armas ordenassem? - Pergunto interessado.

- Bem, se exigissem armados, eu mostraria, o que fazer... - irremediavelmente, responde Halyna, mas observa, que por enquanto tais precedentes não houve. 
A frágil mulher, de 66 anos conta, que certa vez teve uma conversa com o "ministro da cultura". Ele declarou, que todos os valores culturais da região pertencem ao "povo da DNR", mas ela explicou-lhe que ele estava errado. "Aquele ministro já trocaram", acrescenta Chumak. Pela lei, tudo o que preserva-se nos museus locais, pertence ao fundo de museus da Ukraina. A própria Halyna, como os demais funcionários do Museu de Artes, nas regiões ocupadas de Donetsk, não recebe pagamento desde julho. "Nós já escrevemos cartas para o Tesouro, e através da gestão do Ministério da Cultura tentamos resolver o problema, mas não adiantou - queixa-se Halyna - depois da mudança dos dirigentes de nós esqueceram.

- É assustador aqui? Sim, é assustador, e, às vezes você não sabe como se comportar - perdida, diz ela. 
Já a muito eu poderia sair daqui, mas eu tenho responsabilidade - preservar o museu do país.
Trabalham outros museus no território controlado pela "DNR". Até mesmo o da história local, o qual, no verão, foi atingido por algumas bombas. Nestes dias, este museu até vai comemorar 90 anos e nesta ocasião fará uma exposição sobre "Art-Donbass".
O diretor do Museu de Arte também planeja fazer uma grande exposição com objetos de novas aquisições.
Literalmente um dia depois de 13 de junho, quando próximo a ODA (Administração Estatal Regional) explodiram dois automóveis, diz ela, os familiares do maior colecionador de Makiivka trouxeram duas malas pesadas com uma grande coleção de ex-libris. Outro patrono deu dez pinturas de artistas de Donetsk. 
"De algum modo vamos continuar o trabalho, não jogaremos tudo, - sorri Halyna, - os museus possuem missão especial".


Na saída de Donetsk, em direção a Mariupol há uma fila de caminhões carregados de carvão e lenha. Os militantes verificam cuidadosamente o conteúdo e os documentos.
O posto de controle, que recentemente ocupavam os militantes da "DNR", está vazio: transporte público e automóveis ninguém detém para revistar. Parece que tais restrições simbólicas não são mais necessárias. A direção da "república" entende, que o exército ukrainiano, sobre eles não irá, e marcar suas fronteiras para população civil, em princípio, não é necessário - tudo, todos compreendem. 

Donbass atravessou a guerra, de zona cinzenta no balanço geral, transformou-se em um buraco negro de vida que absorve o senso comum.  Agora, aqui agem suas regras de vida, e a elas, em geral, já se acostumaram.

Tradução: O. Kowaltschuk

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"Na época do Natal acontecem milagres e sonhos que tornam-se reais"

Na Ukraina o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro, de acordo com o Calendário Juliano. Mesmo em Lviv, Ukraina Ocidental, onde predomina a religião grego-católica, o Natal é comemorado no dia 7 de janeiro.

Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 06.01.2015
Diana Horban

Memórias sobre festividades de inverno de ukrainianos famosos.


As festividades de inverno eram únicas. A partir de São Nicolau ao Dia de Reis nos acompanha o espírito festivo, alegria e esperança para o melhor. O mais importante do ciclo de inverno para cada ukrainiano era o Natal. Com um punhado de memórias, do tempo de crianças, que como sinos de Natal ecoam entre preocupações adultas diárias, compartilharam conosco algumas pessoas conhecidas.

Angélica Rudnytska, cantora, pintora, apresentadora de TV.

"Na minha família para as festividades de inverno preparam uma deliciosa comida, roupas de festa, decoram e limpam a casa. Desde a infância eu lembro minha mãe dizendo: "Numa casa desarrumada anjos não voam." Se você espera por anjos - crie um ambiente confortável. No dia de São Nicolau eu olhava debaixo do travesseiro ( São Nicolau  é que trazia presentes, geralmente doces). No Ano Novo - sob a árvore de Natal, e no Natal - cantava canções de Natal (Koliadky). Quando criança, eu gostava de ser não apenas uma parte do evento festivo, mas seu "regente", Inventava cenários de festas caseiras. Com a irmã aprendia canções e versos e encenava espetáculos aos pais. E se faltava atores, incluía bonecos.

O Natal de minha família começava com boas ações. Na minha infância isto denominavam humanidade. Agora isto chamam caridade. Esta tradição eu sigo. No Natal, com a família, esperávamos visita, e também visitávamos aqueles que amávamos. O principal neste dia - sentimento familiar.

Boris Gudziak, bispo da Igreja Grego-Católica Ukrainiana, presidente da Universidade Católica Ukrainiana.

"Quando criança, a véspera de Natal era especialmente preciosa"

"Para mim, o Natal - é um ciclo completo, e é difícil destacar um momento. No entanto, todos nós, de maneira especial, com estremecimento e veneração, vivemos a véspera. E para mim, desde a infância, a véspera de Natal era especialmente sagrada.

Quando estudante, eu tive privilégio especial, passar algumas vésperas com o Patriarca Yosef (José), em Roma. Lá, longe da família nos Estados Unidos, eu me aproximava da Igreja da perseguida e escravizada nação ukrainiana. Em Roma, o piso de mármore era coberto com feno, cantávamos canções de Natal (Koliadas) de verdade: não dois ou três versinhos mas 10 - 15. Lá eu experimentei pela primeira vez a plenitude de liturgias de Natal, que em nossa paróquia foram cortadas. Profundamente encantei-me pela véspera e com o canto "Deus está conosco".

Quando vivia a alegria do Natal nos Estados Unidos e Roma, sentia muita falta da Ukraina pela qual eu sonhava. O sonho realizou-se. O primeiro Natal ukrainiano comemorei em 1993. O mais memorável foi o "vertep" (Teatro móvel de fantoches, com assuntos religiosos e seculares, maioria bem-humorados e irônicos - OK). Nos Estados Unidos não eram muito claros. Aqui, numa rua aberta, onde inúmeros grupos de cantores de canções de Natal e de teatros de fantoche iam de casa em casa.

O Natal na Ukraina associa-se com feriado comum, com a união de pessoas. É por isso que na Universidade nós convidávamos os estudantes e professores do leste da Ukraina (Traziam aproximadamente 200 pessoas e lhes ofereciam hospedagem gratuita  por alguns dias -  OK)  para fortalecer nosso relacionamento, compartilhar alegria.

Desejo, nestes dias santificados, que todos percebam que Deus, no Natal, torna-se pessoa. Ele recebe a nossa dor, nossa solidão e todas as dificuldades, que se relacionam com a vida terrena. Para mim isto é perturbador, mas ao mesmo tempo um mistério fantástico.

Oleksandr Bozhyk, virtuose do violino.

"Cada santificado é especial - seja o Ano Novo, seja Natal, simplesmente as tradições são diferentes. O Ano Novo comemoramos com amigos e Natal - no círculo familiar, que cada ano aumenta.

Eu gosto muito do Natal em Lviv, porque nestes dias a cidade torna-se uma grande família. Na infância para "koliada" sempre levava o violino. Assim dizendo, acrescentava ao dia santo, o verdadeiro espírito ukrainiano. "Cristo nasceu" - única "koliada", que pequeno eu sabia do começo ao fim, porque lá "O boi está e se sacode..." 

No futuro pretendo viajar para diferentes aldeias da Ukraina, para aprender todas as maneiras de cozer a "kuttia": (trigo em grão cozido, temperado com mel e diversas especiarias. É o primeiro alimento da ceia - OK). E os demais 12 pratos da ceia natalina.  É exatamente pela preservação das tradições que o Natal na Ukraina continua tão especial e em família.

Tonya Matvienko, cantora.

"Desejosos de cantar "Koliada" na casa dos Matvienko ( a mãe Nina é cantora consagrada - OK) iam do primeiro ao sexto andar".
"O santificado especial para mim, foi e ainda é o Natal. Ele tem uma atmosfera encantadora, santidade, espiritualidade e calor... Na minha família há uma tradição: todos os anos no Natal, a família se reúne para um jantar festivo, todos cancelam seus assuntos e vem a Kyiv, para encontrar-se no círculo familiar. Neste dia eu sinto uma incrível calma e paz. O prato favorito, entre os 12 natalinos, sempre foi "kuttia". Ela sempre é preparada pelo pai - tradição familiar. É claro, eu estou começando pensar que é hora de aprender esta receita, mas por enquanto me alegro por poder saborear "kuttia" do paizinho.

No Natal nossa casa transforma-se num grande "palco",  há muitos cantores (Os jovens andam de casa em casa para cantar as canções natalinas - OK) e visitas, prevalece uma incrível atmosfera festiva! Especialmente guardei o momento, quando num ano, desejosos de cantar na casa de Nina Matvienko, vieram tantas pessoas, que ocuparam do primeiro ao sexto andar. Tais momentos são inesquecíveis! Desde criança e até agora, permanece minha "koliada"   preferida: "Nova alegria aconteceu". Eu amo, quando se reúnem muitas pessoas e todas juntas cantam com diversas vozes. Tenho confirmação, que no Natal acontecem milagres e sonhos tornam-se reais. Certo Natal eu fui cantar em Chicago, ao invés da mãe. Foi um presente de Natal incrível! Outro milagre é que as questões com bilhetes e vistos decidiram-se em poucos dias.

Desejo a todas famílias reunir-se na mesma mesa neste dia, independentemente de quaisquer circunstâncias, porque este dia é realmente mais sagrado e mais importante para todos".

Oksana Mukha, cantora

"Na Noite Santa íamos de trenó a casa da avozinha".
Quando lembro Natal, imediatamente vêm à  mente o cheiro do pinheiro, "koliada" e o "vertep". Quando minha irmã e eu eramos pequenas, nossa família tinha duas Santas Ceias. A Noite Santa começava em Lviv, em nossa casa, aonde vinham todos os parentes da cidade. Depois íamos a aldeia Hlukhovychi, para casa da vovozinha e vovozinho. Lembro, a neve era tão alta que não se via as pessoas do outro lado da rua. Às vezes precisávamos ir de trenó: nos pegavam na estrada, aonde ainda trafegavam os ônibus, colocavam no trenó e íamos. E lá, novamente a ceia, "koliada" e os sonhos mais doces sob cobertas de pena. E tudo acontecia numa noite.

Toda minha família é musicalmente dotada. Eu, minha irmã Uliana e nossos pais aprendíamos novas "koliada" para depois cantá-las para os avós. Todos os anos nós tínhamos uma canção nova, para as 4 vozes. Encontrávamos estas canções num manual e tentávamos aprender como se fôssemos apresentá-las num concerto. A "koliada" preferida de nossa família era e permanece "Lá em Belém os sinos tocaram".

Quando adolescentes, eu com a irmãzinha fomos para uma organização de escoteiros. Juntamente com outros escoteiros, no Natal, andávamos por Lviv de manhã à noite:  começávamos cantar desde a Igreja Dominicana, visitávamos os amigos, vizinhos e até os pouco conhecidos. Ao amanhecer acordávamos as pessoas, porque lhes trazíamos "vertep". Certa vez, na estrada, nos deparamos com ônibus vazio, passava de meia noite. O motorista nos deu carona, e todo caminho nós cantamos para ele.

Já adulta eu colecionava antigas "koliada" em diversas aldeias, até os amigos e conhecidos ajudavam. Encontrei 30, mas algumas caíram após arranjos, e outras não me sensibilizaram. Estou preparando um concerto para o dia 13 de janeiro, na Ópera de Lviv. Executarei koliadky" recolhidas de toda Ukraina, e algumas familiares, que antigamente cantávamos. Obrigatoriamente cantarei "Era véspera de Natal", "Durma Jesus", "Silenciosa Noite", "Boa Noite",  - elas são favoritas. Em casa, me ajuda a cantar, o filhinho Danylko. Ele já sabe algumas, eu não ensino, ele segue o exemplo dos adultos.

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Em Donetsk realizaram-se celebrações do Ano Novo para crianças que vivem em abrigos.


Da celebração participaram cerca de 30 crianças.  De acordo com os voluntários que organizaram o evento, originalmente planejou-se maior número de visitantes. Mas nem todas crianças puderam comparecer devido a constante bombardeio.

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O presidente Petró Poroshenko felicitou os ukrainianos por ocasião do Natal.


A residência do presidente visitaram os jovens cantores em trajes nacionais, e saudaram Petró e Marina Poroshenko por ocasião do Natal.
O presidente dirigiu-se aos ukrainianos desejando-lhes paz, saúde e sucesso neste momento difícil para o país. E pediu que rezassem pelos soldados que protegem a independência da Ukraina.

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Ukrainianos de Stuttgart (Alemanha) preocuparam-se com as famílias dos soldados da ATO e prepararam presentes para seus filhos. Prepararam os presentes de acordo com os pedidos.


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Sadovyi, o prefeito da cidade de Lviv, em seu discurso de Natal observou a importância de estar juntos, se unir para alcançar a grande meta.


"Queridos ukrainianos! Vivemos em tempos difíceis. Testam a nossa fé, a nossa capacidade de união, a fim de alcançarmos grande e comum objetivo. 
Mas Deus dá as provações somente àqueles que podem vencê-las. Deus deu um grande desafio a seu filho Jesus Cristo, que venceu-o com dignidade.  Esta Noite Santa é especial - alguém na mesa não terá o pai, o filho, ou o irmão, alguém encontra-se no Leste, na guerra. 
Temos uma boa tradição ukrainiana - começar a Noite Santa com oração. Eu peço a todos para orar por aqueles que já não temos, para orar por aqueles, que hoje nos protegem, que hoje estão lá, no Leste. Eu peço a Deus, que nos mantenha sob sua guarda, e a recém-nascido Jesus Cristo uma grande esperança de vitória, para que sejamos felizes e haja amor entre nós. Cristo Nasceu! Glorifiquemo-lo!" disse Andrii Sadovyi, prefeito de Lviv.

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Saudações de Natal de Sua Santidade, o Patriarca Filaret, à nação ukrainiana:


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E, no final, lindas "koliadky" para todos os leitores.


Tradução: O. Kowaltschuk

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Exército ou morte!
Tyzhden.ua (Semana ukrainiana), 04.01.2015
Roman Malko

Um dos principais desafios deste ano - modernização e reforma do exército. 
Com próprias forças, aqui e agora, nas condições de combate.


"Eu estou certo, que 2015 será o ano de uma reforma radical de toda esfera de segurança e defesa, - disse Dmytro Tymchuk, coordenador do grupo "resistência informativa", - diferente não pode ser. Em 2014, com o início da agressão russa, a sociedade ukrainiana e o estado, viram que o exército é necessário, apesar de que por 23 anos o país acreditava o contrário. De sua existência depende nossa soberania e a integridade territorial. Desde abril acontecem ações de combate, e não tirar conclusões seria crime. Na sociedade, entre os especialistas e no governo já existe o entendimento de que a situação deve ser mudada".

O fato de que as mudanças acontecerão, não há dúvida - a vida empurra. A questão é apenas nos passos corretos, presença de vontade política e compreensão adequada da questão. No entanto, não é só a vontade que é necessária, também precisa-se de certa correção ideológica do governo. Para o presidente, como Comandante Supremo, o vetor estratégico para resolver o conflito no Leste hoje, é um processo político e diplomático. Ele, realmente, tem algum sucesso, mas devido a excessiva atenção e lentidão no reforço das capacidades militares e organização de resistência à agressão surgem sérias lacunas, que ameaçam com derrota.

Por um lado, nós pedimos ajuda ao Ocidente, que pressiona Rússia, mas recomenda para Ukraina não conduzir a situação à guerra. Por outro lado - o governo ukrainiano ainda ingenuamente espera negociar com o Kremlin, embora já foi provado que isto é impossível. "Do Ocidente não haverá auxílio, - diz Valentim Badrak, diretor do Centro de Investigação do Exército, Conversão e Desarmamento, - inclusive armas letais. Pode-se comprar algo, mas nada assim não darão a Ukraina. O Ocidente foi pelo caminho de distanciamento da Ukraina e se prepara para repelir a agressão nas fronteiras da OTAN. 
O fato de que Putin se prepara para isso, não apresenta dúvida. Se a Aliança reagir, conforme especificado em seu estatuto, isto, de fato, significará o início da Terceira Guerra Mundial. Portanto, 100% não haverá proteção para o Estado ukrainiano, bem como, 100% não é possível entrar em acordo com Putin.  Com tais dados iniciais não há outra escolha, que preparar-se ao enfrentamento sozinhos, e a liderança político-militar deve colocar em prioridade o imediato preparo das forças de defesa para a guerra e toda população ao confronto com a Rússia.

A pergunta, o que deve ser levado em conta rapidamente, frequentemente vai além da esfera militar mas, sem a sua decisão não se pode esperar pelo sucesso da reforma do sistema de segurança. Primeiramente é preciso preparar a população para guerra, começando pela conscientização, que nós poderemos resistir à agressão de Putin. É necessário alterar imediatamente a legislação para permitir a introdução da lei marcial. O Estado ainda é obrigado a lutar contra a corrupção em grande escala, porque destruí-la apenas nas Forças Armadas é irreal. Esta é a questão da capacidade de combate e viabilidade do país. Nas forças armadas ainda ocupam posições elevadas pessoas, que simplesmente não têm habilidades profissionais, sem iniciativa política e incapazes de tomar decisões com independência. Isto, em resultado, leva à derrota e perdas de vida.

Ukraina terá que criar um novo exército, e quanto mais cedo, melhor. Se o governo realmente mantiver a palavra dada pelo presidente, e destinar, anualmente, 3% do PIB, mais um bilhão de dólares anualmente, durante três anos, para o rearmamento, então tudo se organizará. Com condições, claro, com o nítido sentimento do dever sobre o que é preciso fazer. A obrigação militar geral  e nacional e formação do exército segundo modelo soviético - é dia passado, estão convencidos os especialistas. Hoje é necessário 100 - 120 mil militares profissionais permanentemente. Propõem-se diversos modelos, mas a visão geral coincide: a experiência sangrenta da ATO, combinada com os avançados aprimoramentos mundiais, acumulados nos padrões da OTAN. Trata-se, primeiramente das normas previstas na legislação, garantia financeira, estrutura organizacional, procedimentos do estado-maior. Mesmo quando eles não são perfeitos, e passam por constantes aperfeiçoamentos nas condições de combate, no mundo é pouco provável que há algo mais efetivo. O exército, geralmente é preparado não às mais prováveis, mas às maiores ameaças. Aqui elas coincidem. A mais provável e a maior ameaça é Rússia. Sua agressão exige uma preparação clara para o confronto. Assim é necessário mudar a doutrina militar, a estratégia da defesa e segurança nacional. Se estivermos prontos para enfrentar a Rússia - daremos conta de qualquer outra ameaça militar.

Necessitam regulação as atividades dos batalhões voluntários, que mostraram eficácia. Os métodos são diversos - de transferência à composição da Guarda Nacional que deveria ser retirada do Ministério do Interior, até a subordinação presidencial ou a introdução à composição da defesa territorial, que também deve ser melhorada. Aqui, novamente servirá a experiência da Suiça ou Lituânia, mas com a consideração da realidade ukrainiana.

Não se deve esquecer, que o setor de segurança deve considerar tanto os meios de força de resistência e influência, como os não violentos. Os primeiros passos foram feitos, criou-se o Comitê de Inteligência, um posto avançado de confronto não coercitivo. Mas na vez ainda está a construção de poderosos meios de dissuasão, como as forças de mísseis com suporte operacional-tático ou com reforço de tropas especiais que atualmente são utilizadas de forma aleatória.

Mais um momento importante - proteção social dos soldados e oficiais, que se comprometeram em defender o país. Aqui há alguns progressos, mas o potencial ainda não foi esgotado. Os especialistas citam até 20 itens, sobre os quais o governo pode agir, - desde a criação rápida, implementação de programa  especial de habitação e programas de seguro, até a revisão do abastecimento da pensão. 

Para que tudo isto seja possível, é necessário rapidamente, e de forma realista formar uma ordem de defesa do Estado para 2015. "A questão da defesa do Estado, sua distribuição, prioridade,  como a possibilidade de aproveitamento da tecnologia ocidental e criação de empresas comuns e projetos precisa apresentar ao nível de vice-primeiro-ministro, - diz Valentim Badrak, - criando uma estrutura adequada - agência estatal de indústria de defesa, que ficará acima dos complexos militares industriais e será capaz uma parceria público-privada.

A reforma da defesa não será limitada com poderes do Ministro da Defesa. Ele poderá, cada vez menos influir nela. É necessário usar todos os recursos do Estado, começando pelo presidente como principal comandante das Forças Armadas. O país deve, finalmente, mudar para um momento especial, aproximando-nos de um possível confronto militar com o agressor. "Se nós demonstrarmos prontidão para luta, seriamente, por muito tempo, e até o final, - diz Badrak, - Putin recuará. Não porque terá medo, mas porque hoje já podemos ver uma mudança significativa nas atitudes da sociedade russa. Nossa resistência forte pode causar séria oposição na Rússia. Portanto, esse fator torna-se mais significativo, que a resistência diplomático-política do Ocidente.

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 4 de janeiro de 2015

Minha Ukraina - Memórias e Singularidades

Algumas fotografias guardam-se em caixas de sapatos nos armários. Outras, cuidadosamente coladas em álbuns, que ficam nas prateleiras de livros da família. Muitas fotos foram perdidas para sempre, destruídas devido ao pânico ou indiferença. Na Ukraina, cuja tempestuosa história do século XX transformou-se em guerra sangrenta pela existência do Estado no século XXI, cada imagem conta a sua própria história. A jornalista Deisi Sindelar visitou seis cidades ukrainianas, para saber o que as fotografias das famílias dizem aos ukrainianos, sobre quem são eles e quem foram seus pais.

História de hoje:
Mýkola Chaban, 56 - Jornalista, etnógrafo de Dnipropetrovsk.

Todo ukrainiano tem uma história interessante. Eu estudei a história de muitas famílias - minha e de terceiros. É sempre emocionante.

Meu bisavô e minha bisavó, Martin Harzha e Vustia Horpyna, são exemplos. Vustia era ukrainiana de puro sangue, mas o meu bisavô era Volokh, de origem romena. Eles eram agricultores e tinham dois cavalos. Na época eles eram considerados bem ricos.

Estes cavalos chamaram a atenção. Havia um tal de Nestor Ivanovych Makhno, líder anarco-comunista ukrainiano que se negou à submissão ao governo bolchevique após a Revolução de Outubro, sendo um dos principais figurantes da Revolução Ukrainiana. Seus seguidores se diziam Robin Hood ukrainianos. Roubavam dos ricos, davam aos pobres...

Então, quando chegaram ao meu bisavô, não roubaram os dois cavalos, só um.

Meu bisavô, muito irritado, foi falar com o comandante do grupo, pai Makhno. Todos temiam o pior. O bisavô explicou que ele não era tão rico assim, e que, realmente, precisava de dois cavalos.

O cavalo foi devolvido. Ocasionalmente Makhno gostava de praticar tais gestos generosos.
Martin e Vustia, início anos 1900.
Martin morreu de gripe espanhola em 1919. Vustia morreu de fome durante o Holodomor. Ela foi ao hospital pedir ajuda, mas eles, simplesmente disseram: "Você necessita de alimento, não auxílio médico". Eles deixaram-na morrer num lençol, no chão.

Sua filha, minha avó Eudoxia, sobreviveu a fome, mas sua vida foi muito difícil. Ela trabalhou com seu marido Andrii na fazenda coletiva, em sua aldeia, Maiorka. Certo dia Andrii foi preso porque declamou uma poesia sobre Stalin: "Obrigado a Stalin-georgiano, porque ele calçou a nação com borracha!".
Isto era uma pequena piada sobre o déficit, mas não a aceitaram bem. Meu avô foi condenado pelo artigo 58 por "propaganda anti-soviética".

Andrii foi enviado ao campo de trabalho "Solikanskyi" nos Urais. No mesmo ano ele morreu. Disseram, que foi devido a doença cardíaca, mas isto foi apenas uma maneira politicamente correta para relatar sua morte. Mais tarde soubemos que ele morreu de pelagra (avitaminose), devido a desnutrição. Muitas pessoas morreram nos campos por este motivo.

Petró, Andrii, Lídia, Eudoxia e Mykola Chaban. (da esquerda para direita).
O nome me deram em honra ao tio Mykola. Ele tornou-se o ganha-pão da família aos 14 anos.

Minha avozinha e três seus filhos sobreviveram à ocupação alemã, mas durante a Batalha do Dnieper, no outono de 1943, quando o exército soviético empurrava os nazistas para Oeste, Mykola foi forçado a ir para guerra. Já no início ele foi morto. Ele tinha 17 anos.

Ele não recebeu nenhum treinamento militar, ele não sabia como proteger-se. Stalin queria libertar Kyiv no aniversário da Revolução de Outubro, e ele pressionava o Exército Vermelho, tanto quanto podia. Isto levou ao desnecessário derramamento de sangue. 

Mykola Chaban (esquerda) e seu amigo de infância Vania Zaskoka.
Mataram meu tio a mais ou menos 20 quilômetros de Maiorka. Quando minha vovozinha soube, ela foi no local da batalha procurá-lo. O corpo de Mykola estava em uma vala comum. Mas ela não conseguia identificá-lo.

Ela lhe deu um cachecol, colher e bolos de carne antes de partir. Ele ainda os tinha consigo, - tão rápido o mataram.

O oficial disse, que ela poderia recolher o corpo, mas ela não conseguia carregá-lo. Então voltou a aldeia para perguntar se poderia emprestar um cavalo na fazenda coletiva.

Eles recusaram, porque temiam que o exército soviético simplesmente lhe tiraria o cavalo. Mas permitiram levar uma vaca. Então ela voltou para a sepultura irmã com a vaca, e depois, vagarosamente, arrastou o corpo de Mykola para enterrá-lo em Maiorka.

Lídia, Eudoxia e Petró Chaban, Bacu, 1948.
Durante 10 anos minha vovozinha perdeu a mãe, o marido e filho mais velho.

Depois da Segunda Guerra Mundial começou a segunda onda de fome na Ukraina, por isso minha vovozinha, com duas crianças que restaram, - Lídia e meu pai, Petro - mudou-se para Azerbaijão.

Eles levavam três pequenas malas. Uma delas lhes roubaram no trem. Mas eles conseguiram chegar a Azerbaijão, onde ganharam dinheiro suficiente para alimentar-se.

Meu pai entrou no exército. Ele serviu na Armênia. A vida militar não o impressionou. Ele, até hoje não suporta, quando os veteranos usam suas medalhas. Para ele, os verdadeiros soldados são os que foram mortos ou feridos.

Depois da morte de Stalin em 1953, eles se sentiram seguros para voltar a Ukraina. No entanto, sua vida agrícola terminou. Eles se estabeleceram em Dnipropetrovsk. Meu pai encontrou trabalho na construção civil.

Mykola e Eudocia Chaban (2º e 3ª da esquerda) no cemitério em Maiorca.
Quando minha vovozinha ainda vivia nós, regularmente, frequentávamos o túmulo de Mykola. Ela morreu em 1994, com 87 anos. Ela foi enterrada ao lado dele.

As pessoas aqui são muito fortes. Nós passamos por muita coisa. As mulheres idosas frequentemente dizem:"Eu posso suportar qualquer coisa, apenas não haja guerra. Então, para mim, é muito doloroso, olhar tudo o que acontece na Ukraina hoje. Nós sabemos o que é a guerra e como isto é assustador.

Tradução: O. Kowaltschuk