domingo, 4 de março de 2018

História
Grande tabuleiro de xadrez: confronto ukrainiano-polonês.
Tyzhden ua. (Semana ukrainiana), 02.03.2018
Svyatoslav Lipovetsky















Em 02 de março de 1919, a liderança política polonesa aprovou a decisão da polonização e colonização de Volyn
(Волинь -  em ukrainiano - OK).
A Primeira Guerra Mundial mudará substancialmente o mapa da Europa, e em seu centro aparecerá um espectro da Polônia - um estado que no final do século XVIII se dividiu em três impérios e sobre o qual discutirão todos os lados do conflito. Os imperadores austríacos e alemão emitirão uma proclamação, em separado, com a promessa da restauração da Polônia, o tsar russo começará com os cumprimentos natalinos e início de 1917, seguido pelo Woodrov Wilson de além do Atlântico. Então, quando a guerra aproximava-se do final, ninguém duvidava do surgimento da II "Rzes Pospolita, mas preferiam saber, aonde devem surgir os limites do novo país, que antes de sua queda era um dos maiores da Europa.

A imaginação do mundo pós-guerra introduzirá o presidente americano Woodrow Wilson. Em seus "14 pontos", ele, em separado, lembrará a criação do "estado polonês no território, habitado incontestavelmente pelos poloneses". Acredita-se, que com isto agradeciam ao conhecido pianista Ignacy Paderewski, o qual na América "transferiu" o piano para trabalho diplomático. 

As formulações de Wilson sobre as lideranças polacas foram alentadoras e decepcionantes ao mesmo tempo. Assim, em agosto de 1918, Roman Dmovsky - o líder do campus dos democratas populares, ou, como os chamavam, "endeky", vai aos Estados Unidos. Ele se reunirá com o presidente e enviará um memorial na questão de fronteira. Reconhecendo, que na Galiza ou Galícia (Галичина) vivem apenas 25% dos poloneses, Dmitry observará que a Nação ukrainiana não é capaz de auto-organização e vida estatal, porquanto não tem quantidade suficiente de seus próprios intelectuais.

"Pelo menos no futuro próximo, a administração polonesa é a única oportunidade para o desenvolvimento e o progresso normais desta terra", ele escreve para Wilson. - Enquanto o nível intelectual dos russynos (Russynos era o nome pelo qual antigamente, chamavam os ukrainianos - OK) for baixo, para criar um governo progressista moderno, administrado pelos russynos, a Galiza Oriental deve ser parte do estado polaco".

Vale lembrar, que os ukrainianos de Halychyna (Galícia), ou como foram chamados na Austro-Hungria, Rusyns, já por meio século lutavam com os poloneses pelo desenvolvimento das instituições nacionais. Uma vez que, em 1867, Galiza realmente ganhou autonomia dentro do império Habsburgo, mas o poder estava nas mãos polonesas. O próprio Dmovsky, entre outros, deputado da duma, em 1908, em Praga, assinou um pacto com os representantes do império russo, segundo o qual os poloneses se comprometeram a sufocar o desenvolvimento ukrainiano na Galiza (E eles, ainda hoje tentam. Principalmente o atual governo polaco, segundo notícias de jornais. Durante o governo polonês anterior eu não lembro haver queixas de ukrainianos - OK).


O presidente entrega o ramo de oliveira ao pombo da paz. Charge de 1919 com alusão de que o sistema de Versalhes, construído por Wilson, não proporcionará uma ordem justa e uma paz duradoura no mundo.

Durante a guerra Dmovsky organiza o Comitê Nacional Polonês (PNC), e também terá influência na formação de prisioneiros e voluntários na França do Exército de Galler. Mas se o PNC estava orientado na Entente, o representante das forças da esquerda, do Parido Socialista Polaco, Josef Pilsudski criava legiões de voluntários ao lado dos países da Quarta União. No último ano da guerra, os legionários se recusavam jurar lealdade a Kaiser e eles foram dispensados, enquanto Pilsudski foi preso.

Sua libertação e retorno triunfante à Polônia será no último dia da Primeira guerra Mundial - 11 de novembro de 1918. O governo se encontrou por um fio entre o PNC, que agia no exílio e era reconhecido pelos governos da Entente e pelo chefe interino do estado Jozef Pilsudski, que governava o país. A viabilidade política exigia compreensão. Assim como resultado de compromisso, foi criado um governo de coalizão, liderado por Paderewski, e o PNC complementado por pessoas de Pilsudski, tornou-se o representante oficial do governo polonês na Conferência de Paz, de Paris. É aqui que as fronteira pós-guerra de Europa serão determinadas.

Reunião do PNC em 02 de março de 1.919

A questão das fronteiras orientais será considerada pelo Comitê Nacional da Polônia em 02 de março de 1919. Aqui colidirão dois conceitos: de Pilsudski e Dmovsky, e a idéia vitoriosa se tornará a base da política e posição do estado em negociações internacionais.

O chefe de Estado preocupava-se com a idéia da federação da Polônia, Lituânia e Ukraina: este tema idealizado que remonta ao tempo da antiga Commonwealth, não foi delineada e parecia antes uma utopia. Ela foi dominada pelos "endeky", cuja posição era mais complicada: poderoso podia ser  o país, cuja população era acima de 75%. Esta idéia Dmovsky argumentava simplesmente: "Não pode esperar, que no Sejm teremos pelo menos 75% de deputados poloneses, porque mesmo que tenhamos 25% deputados - não poloneses, tudo indica que sempre haverá 25% de poloneses, que terão a ambição de trabalhar com eles..."


Moeda comemorativa, emitida pelo Banco Nacional da Polônia por ocasião do 100º aniversário do Comitê Nacional da Polônia. em ambos os lados, há uma imagem de fatos memoráveis: membros do PNC em Paris e o juramento dos soldados do Exército Galler.

Ambas  as estruturas - PNC no fórum internacional, e o exército Galler com armas na Galiza - diretamente envolvidas na anexação das terras ukrainianas ocidentais à Polônia.

Sua tese é apoiada pela experiência da Rússia: "A peculiaridade do Estado russo era que ela tinha um apetite maior que o estômago. Engolia muito, mas não conseguia digerir. Eu sei, que nós também temos apetite, mas nós, obviamente somos uma nação ocidental e devemos segurá-los."

Mas seria enganador pensar que as organizações nacionalistas polonesas se limitarão apenas às terras étnicas da Polônia, inclusive, no memorial de Wilson, diretamente tratava-se da inclusão da Galiza). Na verdade, este território ukrainiano, como parte da Lituânia, deveria ter sido aquele pedaço que Polônia queria e podia "digerir" no Oriente.

"As partes extremas - são nossa colônia, que até certo ponto foi e assim deve continuar", - declarava na reunião do Comitê o conde Zhultovsky. Não se atrevendo a anexar as terras, que poderiam continuar a dar problemas, o Comitê Nacional Polaco procurou no Oriente territórios, que poderiam ser, com menor esforço, colonizar e polonizar. Tal território encontraram, Volyn, no qual, de acordo com o recenseamento de 1897, viviam 70% de ukrainianos e 6% de polacos. Os últimos, até nas cidades eram minoria entre judeus, ukrainianos e russos.

Quando se fala de bielorrussos, é uma nação sobre a qual é difícil falar como tal. Ela é pouco cristalizada. Durante a guerra, sua base foi terrivelmente despovoada, e ainda mais isto refere-se a Volyn. Aqui podemos, ou aqui empurramos as fronteiras orientais, e penso, que nossa expansão, nossa emigração pode rapidamente mover-se para o Oriente e será muito fácil que estas terras se tornem polonesas", - dizia o partidário de Pilsudskyi, Medard Dovnarovich.

"O próprio senhor disse que é possível mudar para Volyn", - disse o cabeça Roman Dmovskyi".

Assim foi o encontro do Comitê Nacional polonês, no qual, por 10 votos contra 4 foram aprovadas propostas territoriais e foram estabelecidas as bases da política oriental. "Lembramos que, no Congresso, nós não podemos apresentar os argumentos, que citamos aqui. Este território é necessário para a nossa expansão, mas não podemos apresentá-la no congresso", - lemos no protocolo PNC.

Agora esta questão será transferida para as paredes de Versalhes, onde será considerada pelos líderes dos países vencedores.

Debates de Versalhes

"Inebriada com o jovem vinho da liberdade, fornecido pelos aliados, Polônia novamente imaginou-se senhora indivisível da Europa Central. O princípio da autodeterminação não respondia a suas aspirações. Ela exigia Galiza      (ou Galícia, segundo alguns.), Ukraina, Lituânia e algumas partes da Bielorrússia, cuja população, de acordo com o voto recusar-se-iam categoricamente da dominação polaca" - escrevia nas memórias o primeiro-ministro britânico Lloyd George.



Novos contornos. Mapa para Conferência da Paz de Paris, aprovado pelo Comitê Nacional de Polônia, em 22 de março de 1919, com as propostas nas fronteiras da Polônia.(Não foi possível nenhuma explicação, porque este é o maior tamanho e os dados são invisíveis -OK).

Mas nem todos pensavam como ele. Com simpatia aos poloneses colocava-se Woodrow Wilson. Apesar de que eles ignoravam o princípio da autodeterminação das nações, os americanos tinham interesse próprio: nos EUA vivia uma grande e ativa Polônia americana, que constituía uma porcentagem significativa de eleitores. Não menos motivados estavam os franceses, que a todo custo queriam enfraquecer os alemães, daí a fórmula: "Vários milhões de pessoas, - ukrainianos, lituanos e bielorrussos, - incluídos na Polônia, significaram um apropriado fortalecimento das fronteiras orientais da França."

Como votos da Polônia em Versalhes serão Dmovsky e Paderewski , e eles farão isso com sucesso. O último, como argumento para adesão dos Kresses Orientais (Extremos Orientais) indicava a experiência comum de 600 anos de vida de poloneses com "nações primitivas, como lituanos, russenos e até ukrainianos" que não somente não perderam a identidade nacional, mas, pelo contrário, a  desenvolveram com ajuda polonesa. 

Mas Polônia resolveu a questão das fronteiras, não somente na frente diplomática, mas também na realidade. "O problema da Galiza nos causava inúmeros problemas. Mas os perpetradores destes problemas constantes não eram os bolcheviques, mas a agressão polonesa", - argumentava Lloyd George. A luta com a jovem República Popular da Ukraina Ocidental ocorria de diversas maneiras, e uma delas foi o envolvimento de um exército bem armado de 100 mil combatentes do Exército Galler na frente oriental.

Isto contrariava todos os acordos, e até França precisou agir com uma forte condenação. Mas Pilsudski era muito fogoso e um jogador muito experiente, então preferência em política a  "fatos cumpridos".

Exatamente então em Versailles Paderewski dirá que eles não conseguem parar os rapazes de 20 anos, que, como um redemoinho, superam 35-40 km. , diariamente, sem quaisquer resistência. A população local com simpatia os recebe,  e toda essa campanha não custou aos polacos nem uma centena de mortos e feridos.

Os poloneses exigem a adesão de 3,5 milhões de habitantes da Galiza. Contra uso, só se pode dizer: Polônia não deve absorver a população, que não é e não quer ser polonesa. Os polacos não tinham nenhuma esperança de ganhar liberdade, mas eles a conseguiram graças à vida de um milhão e meio de franceses, próximo de um milhão de ingleses, meio milhão de italianos e quantos (eu esqueci, exatamente quantos) americanos", disse Lloyd George e denominou Polônia como  um  imperialista maior que a Inglaterra, França ou Estados Unidos.

Ignácio Paderewski precisará usar o último argumento, para fechar a discussão: "No dia em que eu saí de Varsóvia, a mim veio um menino entre 13 e 14 anos, que não tinha na mão 4 dedos. Ele estava de uniforme com dois ferimentos a bala na perna,  ferimentos a bala nos pulmões e com profundo ferimento no crânio. Este foi um dos defensores de Lviv. Vocês pensam que as crianças de treze anos lutam pela anexação aos imperialistas?"

Como escreviam sobre o mito heroico, criado por Senkevich e que assimilaram os polacos: "Cabeças e braços são cortados,  crescem montanhas de cadáveres, mas o sangue - não é sangue, mas sim o suco de beterraba". Isto foi entendido em Versalhes, então Lloyd George diria diretamente, que o "brilhante pianista tentava lançar névoa em seus olhos".

E a ocupação da Galiza tornou-se um fato real, e em junho de 1919 foi oficialmente reconhecido em Paris. Polônia será o primeiro estado a assinar o Pequeno Tratado de Versalhes, segundo o qual se comprometeu a respeitar os direitos das minorias nacionais, mas as assinaturas sob o documento colocarão Dmovsky e Paderewski. Já em 1934, a Segunda República da Polônia denuncia o acordo sobre minorias nacionais. Não foi incorporada a prometida autonomia da Galiza, mas Lloyd George, juntando una lista de obrigações não realizadas, de diversos estados, colocará este ponto em primeiro lugar.

Tradução: O. Kowaltschuk

Nenhum comentário:

Postar um comentário