sábado, 19 de setembro de 2015

Rússia não retirará suas tropas da Ukraina - Stratfor.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 16.09.2015

Rússia conduz um grande jogo geopolítico contra o Ocidente, e a situação no leste da Ukraina é sua parte importante, afirma o relatório da empresa de inteligência Stratfor (Companhia de inteligência privada dos EUA).

Os analistas dizem que, para alcançar seus objetivos Rússia criou uma série de quase-estados ao longo do perímetro de sua fronteira sudoeste - Abkhazia e Ossétia do Sul na Geórgia, a Moldávia e a Transnistria, "DNR" e "FSC" na Ukraina. Em todas estas áreas Rússia mantém suas tropas para deter o Ocidente. (Já surgem notícias sobre construção de uma grande base militar próximo da Ukraina - OK). Agora o Kremlin decidiu reforçar ainda mais a sua posição por um longo tempo, colocando suas tropas na Síria. Além disso, de acordo com Stratfor, em breve poderá ser descongelado conflito em Nagorno-Karabakh, em cujo resultado o enclave poderá passar ao controle do Azerbaijão, juntamente com a implantação das forças armadas russas.

"Do leste da Ukraina até a Síria de Alá e Nagorno-Karabakh, Rússia parece dedicar muitos esforços para reforçar sua presença nos pontos estratégicos. Este será um empreendimento caro, mas a lógica geopolítica por trás de tais passos é presente", - dizem os especialistas.


Na Companhia acreditam que Síria será utilizada pela Rússia como uma plataforma para as negociações com EUA e pressão sobre eles porque Washington precisa da ajuda de Moscou na luta contra o Estado islâmico. Isso vai ajudar Kremlin a defender o resto de seus interesses geopolíticos.

"Independentemente do curso das negociações, Rússia não vai recolher seus exércitos do leste da Ukraina", - asseguraram em Stratfor, acrescentando, que este território é agora prioridade para Kremlin.

Os analistas americanos acreditam, que Moscou manterá esta área a qualquer preço.

"Se Ukraina cair sob influência significativa ou controlo das forças ocidentais, o flanco ocidental da Rússia será descoberto", - explicaram na companhia. Também os especialistas disseram que Kremlin gostaria ganhar posição na margem esquerda do rio Dnieper, mas não tem forças suficientes para isto. (Isto também comentam os jornais ukrainianos. E que Rússia pretendia apoderar-se de toda a região a esquerda do rio Dnieper, só desistiu por causa do forte enfrentamento do lado ukrainiano - OK). Além disso, Rússia manipula a tensão no leste da Ukraina, fortalecendo ou enfraquecendo a ação militar, para influenciar o Ocidente e Kyiv. 

"A estratégia russa pode ser cara, mas é inteiramente racional do ponto de vista geopolítico. Rússia enfraquece a partir de dentro, mas ao mesmo tempo resiste a uma forte e crescente ameaça do lado dos EUA, na sua antiga porta soviética", concluíram na agência.

Segundo a empresa, no apoio à existência a todas estas entidades quasi-públicas Rússia gasta, anualmente, perto de 5 (cinco) bilhões de dólares - menos de 3% do seu orçamento para 2015, que ascendeu a 206 bilhões de dólares.

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OTAN: "Rússia conduz guerra contra Ukraina e contra o mundo todo".
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 16.09.2015
Gerlinde Nihus - um dos líderes do Departamento de Diplomacia Pública da OTAN.


Na Ukraina poucos sabem sobre a existência de uma estrutura deste tipo, e não é surpreendente - porque durante décadas nós pensamos que OTAN - é uma organização exclusivamente militar. Mas, na realidade, o componente civil da OTAN é muito poderoso, e hoje, na era das guerras híbridas, seu papel só cresce.

Opiniões da representante da OTAN no fórum de comunicação em Davos.:

"Nós queremos manter diálogo com a Rússia. Mesmo diálogo ambíguo".

- Parte beligerante - Rússia. Ela realmente "armou-se com a informação", ela ativamente usa a desinformação quanto a qualidade de armas. Quem é outro lado... Obviamente, Rússia conduz a guerra contra Ukraina, contra OTAN, e contra o mundo todo.

Mas a primeira meta da propaganda russa é o povo russo, e também ukrainiano. No entanto, é óbvio que, sob as novas condições a guerra de informação conduz-se também aqui nos Estados membros da OTAN, na Georgia, Moldávia e - especialmente nos Balcãs.

OTAN responde a estes ataques, mas nós não operamos segundo o princípio "dente por dente". Nós não devemos nos permitir "pagar com a mesma moeda". Porque "Propaganda" - é informação baseada em mentiras e manipulações. Se nós escolhermos este caminho, perderemos a credibilidade. E, exatamente na confiança em nossas ações baseia-se nossa força.

Rússia gostaria que respondêssemos simetricamente, mas devemos abster-nos dessa tentação, porque então - perderemos vantagem no campo informativo. Portanto, em resposta, intensificamos a informação, nunca a mentira.

"Muitos acreditam sinceramente, que Ukraina é controlada pela junta fascista".

As declarações dos políticos ocidentais sobre os "diálogos com a Rússia" na Ukraina são percebidos criticamente. Cada notícia é acompanhada por críticas e suspeitas de que OTAN e UE estão prontos para renovar a amizade com Kremlin ao preço de interesses ukrainianos. Mas é claro que nós não sacrificaremos nossos valores, nós não faremos isto!

Eu imagino e compreendo, que na Ukraina pode irritar qualquer tentativa de estabelecer comunicação com Rússia, mas a vontade de estabelecer comunicação com a Rússia, o desejo de diálogo - também são nossos princípios. Se você aspira a uma solução pacífica, você precisa de diálogo. E se forem rompidos todos os canais de comunicação, os riscos tornam-se muito mais elevados!

Eu penso, que isto  - não é interesse da Ukraina.

Rússia, hoje, realiza na fronteira com Ukraina grande quantidade de não anunciados exercícios. Tais ações podem ser mal interpretados, e há o risco, de que agiremos em resposta, com base em falsas premissas. Se, pelo menos, tivermos uma informação básica da FR, isso poderá ser evitado.

Quem luta com Ukraina - Kremlin, elite ou o povo russo? O apoio às ações de Putin, é excessivo. Mas a questão não é simples. É preciso considerar que durante o longo regime de Putin, uma grande porção da população russa têm os cérebros lavados. E muitos deles acreditam que Ukraina é controlada por uma junta fascista, que o Ocidente organizou a reviravolta e mudança de poder em Kyiv.

Portanto, a população da Rússia, na verdade acredita, que Putin e sua equipe estão certos. E muito poucas pessoas, na Rússia, até hoje, são capazes de perceber esta informação de forma crítica.

Mas, nem a OTAN, nem os Estados-membros têm o direito de partilhar com a Rússia uma informação mais objetiva, mais precisa sobre os acontecimentos no mundo. Ela deve estar disponível ao público, em russo. Nessa questão a Aliança é apenas uma de muitas estruturas que acrescentam esforços. Nisso trabalham os Estados-membros e meios de comunicação independentes em nossos países (os que apoiam a versão russa).

Claro, isso não vai mudar a situação a curto prazo.
Além disso, eu estou convencida, que a porcentagem de cépticos na Rússia é muito maior do que as pesquisas mostram. Estas pessoas fazem parte da "maioria silenciosa" e não estão prontas para admitir aos pesquisadores que o governo faz algo errado. Mas uma análise mais profunda mostra, que na sociedade há um nível significativo de insatisfação e distanciamento do regime.

Estas são exatamente as pessoas que devemos persuadir, às quais devemos mostrar que nós não as deixaremos sozinhas.

Tradução: O. Kowaltschuk

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Um dia no inferno - de Budapeste a Viena com migrantes
Verdade Européia (Anexo à Verdade Ukrainiana), 09.09.2015
Aida Bolivar


"Verdade Européia continua a série de publicações sobre a crise imigratória na UE. Nós já publicamos a análise sobre as possíveis consequências de acontecimentos atuais, e tentamos compreender se existe o risco de "colapso" da zona de Schengen, e também sobre o impacto da crise sobre as perspectivas da Ukraina (A ameaça ao migracionismo ukrainiano: haverá perigo a União Européia do Oriente?).

Nosso próximo artigo - do autor, que encontrou-se num dos epicentros da crise. Ele é bastante discutível mas não se parece com a corrente principal dos artigos sobre migrantes do Oriente Médio. Mas este pensamento - apesar de sua coloração emocional - também existe na sociedade.

E, nós temos certeza - ao longo do tempo esta posição será ouvida com mais frequência na União Européia.
 
* * * * *

Penso que muitas pessoas me condenarão por este artigo.
Especialmente na onda de compadecimento geral aos migrantes árabes.
Possivelmente, eu mesma estaria entre os "críticos", se não fossem os acontecimentos, que iniciaram exatamente em 31 de agosto - exatamente quando eu deveria visitar Viena em assuntos familiares. 
A mim era mais fácil voar a Hungria, que eu visito frequentemente
Então, quando cheguei na estação ferroviária em Keleti, eu não a reconheci. 
Este belo edifício estava cercado por enormes montes de lixo e grupos de pessoas sujas que, sem nenhum constrangimento faziam suas necessidades biológicas diretamente na praça.
Entrar na estação não foi fácil - estas pessoas faziam apenas  barulho, mas tentavam tirar as valises.
Dentro, a estação também estava ocupada pelos imigrantes árabes.

Mídia criticou o governo húngaro, que não colocou banheiros suficientes na praça em frente à estação e, desta forma, "encorajava", a condições insalubres. Foto HVG.hu
Eu tinha uma reserva de bilhete eletrônico "Budapeste - Viena - Budapeste", mas os caixas eletrônicos estavam desligados. Isto foi feito de propósito, para que os imigrantes não pudessem comprar bilhetes internacionais. Os caixas comuns, onde os bilhetes custam uma vez e meia, além de fechados ( os caixas bloqueavam por dentro), como também cercados pela multidão dos imigrantes, que a polícia mal continha. Fui salva por um policial que  consegui encontrar na "zona de acesso". Segue sua citação: 
"Para os brancos foi aberto outro caixa, secreto. Sem placa para que os imigrantes não encontrassem, mas você o reconhecerá pelo círculo de policiais, este é o lugar!"
Com dois rapazes da Polônia, que também estavam em choque - iam para Bratislava, conseguimos chegar ao caixa secreto. No canto da sala - uma grande concentração de polícia, no perímetro - grande concentração de imigrantes. Dentro do círculo - uma multidão de pessoas de aparência européia com malas, na fila à minúscula sala. 
Uma hora na fila - e, finalmente, eu tenho os bilhetes.
Até a partida ainda havia tempo, e eu, finalmente, tive a oportunidade de ver o que acontecia ao meu redor. Um grande número de jornalistas húngaros e operadores de câmeras esforçava-se obter quadros "quentes" agarrando alguém da multidão de muito sujas pessoas, uma que diz algo parecido com alemão, ou inglês.
Falantes de inglês ou alemão, entre os imigrantes, eram pouquíssimos, então eles iam de uma câmara para outra, contando sobre a sua má sorte e exigindo apoio. Todos os demais milhares de imigrantes não entendiam outra língua, além do árabe.
Parecia, que eu - em algum filme terrível, que isto não podia estar acontecendo. Mas foi apenas o começo.
Chegou meu trem, com a saída marcada para 11:10, e eu decidi que poderia relaxar um pouco.
Ao vagão entraram cinco pessoas com bilhetes.
Em seguida começou algo terrível: nós ouvimos gritos, e ao vagão adentraram, em inacreditável quantidade, os árabes... Eles ocupavam os lugares vagos, sentavam no chão, ocupavam os banheiros até o telhado.
Polícia não conseguia detê-los, os jornalistas húngaros corriam na multidão, filmando as brigas entre os imigrantes.


Finalmente, o trem se moveu...
Foi horrível. A temperatura de 40 graus e uma enorme multidão de pessoas, que não se lavavam a uma semana.
Ao meu lado viajava uma jovem síria com três crianças.
Meninas de 5 e 6 anos e um pequeno bebê. Em frente a ela sentou-se seu marido.
Os pais se sentaram, mas suas pequenas filhas ficaram em pé, no corredor.
Mais tarde a "mãe amorosa" instalou seu bebê no chão entre os meus sapatos.
Já durante anos dura a guerra síria.Em minha opinião, quando estas mulheres davam à luz, elas tinham consciência, que condições para criar os filhos não existiam, mas não queriam pensar sobre isto...

* * * * *

Depois de algumas horas nosso trem parou. Desligaram o ar condicionado e ficou ainda mais difícil... Depois de algum tempo, nós (eu me refiro às cinco pessoas de aparência não árabe) começamos abrir caminho para a saída.
Nós compreendemos, que o trem não iria prosseguir, e nossa única chance para sobreviver - transferir-nos para um comboio regional para nos levar até a cidade, onde haveria trem direto até Viena.
Depois de mudar três trens e perder meio dia ao invés de duas horas, eu cheguei a Viena, mas estava feliz porque tudo havia acabado.
Por muito tempo me perturbou aquilo que eu vi: como a mãe tira o alimento de uma criança, como as pessoas não se envergonham em satisfazer suas necessidades na frente de todos, como nenhum deles não tem respeito por outra nação, mas todos exigem uma vida melhor e nem mesmo planejam agradecer àqueles que os recebem...

FotoHVG,hu
Eu sei que muitos ficaram impressionados com a notícia sobre o menininho sírio morto, sobre seu pai, que abraça sua criança com lágrimas nos olhos...
Mas eu vi outros - que pisavam sobre as crianças, que tomavam seus alimentos, que batiam em suas mulheres...
Então a Europa tolerante deve aceitá-los?
Estou convencida - estes migrantes nunca serão leais a seu novo país. Apenas um pequeno número deles apoia os valores europeus!
Ao mesmo tempo, os sírios exigem acesso aos países com maior nível de vida.
Eles não permanecem na Grécia, Eslováquia e Hungria. Eles se esforçam para obter entrada na Alemanha, Suécia, Áustria... E por que isto de repente?
Por que, ao mesmo tempo os ukrainianos devem suportar um procedimento humilhante para obtenção de vistos e cada vez condições mais rigorosas para o registro?
Por que Europa não abre as fronteira para nós - para pessoas que socializam-se, que trabalharão, que tem educação/instrução, que aprenderão o idioma, que são cristãos. Esta é outra mentalidade.
Por que os meios de comunicação silenciam quantos, cada dia, rapazes ukrainianos morrem na defesa de seu país, mas constantemente falam sobre estes refugiados. A grande maioria dos migrantes - homens saudáveis de 20 - 45 anos, que não defendem o seu país, mas vão com sua religião e língua para outro país.
Por que estas pessoas não vão para Marrocos, Argélia, Arábia Saudita, Tunísia, Emirados, onde a religião e o idioma são os mesmos? Por que lá será preciso trabalhar, lá não pagarão uma grande ajuda social por um grande número de filhos!

* * * * * 

Eu ainda tinha muitos questionamentos, mas me aguardava a viagem de regresso. E ela foi ainda mais complicada e longa, porque se os trens não vem de Budapeste para Viena, então não há no sentido inverso.
... E na estação de Keleti eu vi, novamente, multidões de migrantes, que gritavam ao nos ver, que veio Europa,  mas eles não podiam entender...
A situação na praça tornou-se ainda pior, que aquela que vi na ida. Os migrantes já tinham grande quantidade de tendas, estavam em maior número e comportavam-se com mais atrevimento. Seus filhos exigiam dinheiro, não comida, porque os "tolerantes" europeus trouxeram montes de alimentos. Sob seus pés rolavam maçãs, pão. Isto eles não necessitavam. Crianças árabes puxavam os europeus pelas mãos e malas, gritando apenas uma palavra "mani" (money)...
Praça - monturo, onde estas pessoas não se interessam com nada, e recolher nada não tinham intenção. Hungria para eles, para quê, quando por eles aguardam países mais ricos?
Particularmente me preocupa, que daqui a 10 anos, exatamente estes recém-chegados "alemães", e "austríacos" influenciarão na decisão de seu país: se aceitar Ukraina na OTAN e na UE?
Eles residirão na Europa, onde estaremos nós - eu não sei...

Por Aida Bolivar - candidato a Ciências Psicológicas.
Publicação na seção "Opinião de Especialistas" não são artigos editoriais e refletem apenas as opiniões do autor.

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O vídeo abaixo não consta do texto:


Tradução: O. Kowaltschuk

 











domingo, 13 de setembro de 2015

O ódio de Putin a Ukraina constrói seu cadafalso.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 13.09.2015
Vitaly Portnikov, jornalista e comentarista político.

Em 01 de dezembro de 2014, durante sua visita à Turquia, o presidente russo, Vladimir Putin, inesperadamente anunciou a suspensão da construção do gasoduto "South Stream" e o novo projeto - um gasoduto "Fluxo turco."  Em 11 de setembro de 2015, o Vice-Ministro da Energia e Recursos Naturais da Turquia Sefa Aytekin Saydyk disse que as consultas sobre a implementação do ambicioso projeto foram congeladas. Na verdade, esta frase significa o fim do "Fluxo turco" devido à desconfiança mútua das partes". Agora, Rússia tenta forçar a construção da segunda fase do "Nord Stream".

Quando Putin anunciou o início da criação do "Fluxo turco", a maioria dos observadores imediatamente declarou falta de profissionalismo e fantasmagoria do projeto. Este gasoduto de modo algum, poderia seu uma alternativa para a GTS ukrainiana. Ele, literalmente, não ia a lugar nenhum. Aos destinatários europeus do gás russo propunham que eles próprios (!) construíssem a tubulação a partir da fronteira turca. Tal construção não está prevista por nenhum contrato da "Gazprom" - mas Putin não queria ouvir nada! Porque ele é, literalmente obcecado com a idéia de "desviar" Ukraina e acredita que esta é a principal alavanca de pressão sobre o Estado ukrainiano.

No entanto, nas histórias com os gasodutos tem seu lado positivo. A renúncia à construção do "South Stream" foi uma "ducha fria" aos países que defendiam este projeto e eram leais apoiadores da Rússia - Servia e Hungria. Depois disso conversar com Budapeste sobre sanções contra Moscou tornou-se mais fácil. E Belgrado acelerou seu processo sobre acordos à sua integração européia. Sérvios e húngaros convenceram-se de que Putin  pode "esquecê-los" a qualquer momento.   

A história do "Fluxo turco" resfriou, significativamente, as relações entre Rússia e Turquia, como também o relacionamento pessoal entre Putin e o presidente Erdogan.  Em Ancara esperavam compromissos significativos com o acordo sobre a construção - mas a compreensão não encontraram. Mais uma vítima - Grécia. Putin concordava com o então primeiro-ministro Tsiparas para estender o gasoduto pelo território do país. Os gregos já contavam os dividendos e começavam perceber o projeto como um fator importante de entrada de dinheiro para o Tesouro. O que, para Grécia, na situação atual, é muito importante. Mas ninguém sequer informou Atenas sobre o abandono efetivo do projeto. Como, aliás a Skopje. Macedônia devia tornar-se, uma rota alternativa a Bulgária. Com o governo deste país começaram as consultas em tempos de tensão política, o Ministério do Exterior russo acusou o Ocidente na tentativa de desestabilizar a situação na Macedônia, com o objetivo de evitar  a construção  do "Fluxo turco". Mas, depois, graças aos esforços dos mediadores ocidentais - da própria Victoria Nuland por sinal - a crise política macedônia foi resolvida. E construção nenhuma lá não iniciaram.

A construção de um novo ramo do "Nord Stream" - ainda é ilusória - já piorou as relações da Rússia com mais um seu aliado na UE - Eslováquia. Recentemente, nas negociações com o primeiro-ministro (da Ukraina) Arseny Yatseniuk em Bratislava, o Primeiro-ministro eslovaco Robert Fico não escolhia expressões quanto às intenções russas. Isto significa que mais um país não se oporá às sanções. Putin constrói seu próprio cadafalso.

Foto blog do jornalista. Três semanas com o batalhão "Donbas".
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 10.09.2015.

Fotojornalista - freelance trabalhou por três semanas no verão com o batalhão voluntário de forças especiais da Guarda Nacional da Ukraina "Donbas", no setor "M", nas posições na região de Shyrokyne.

O fotógrafo, que passou por vários "pontos quentes", suas impressões sobre o trabalho na área ATO expressou assim: "Este é um caso, quando há completa atitude de benevolência ao jornalista, conforto geral no trabalho, grande número de situações fotograficamente interessantes e excelente acesso, deparam-se com absoluta necessidade para deter-se. Caso contrário - morte. Toda série de movimentos, o tempo todo enquanto eu estive nas posições, havia lutas contínuas, ininterruptas: bombardeios de artilharia e duelos de trincheiras. É muito sério - o que acontece no setor de Mariupol. Não há nenhuma trégua? Para que hipocrisia? Transcorre uma guerra posicional clássica, durante a qual morrem pessoas. Eu não tenho ilusões - não é logo que o fluxo de sangue deixará de correr no Donbas. Não se curaram as feridas... Não diminuiu a arrogância... Se falar sobre o que melhor se fixou na memória daqueles dias, então foi a foto na blindagem, quando as posições de "Donbas" cobriu a artilharia do inimigo. Nós, simplesmente, permanecemos sentados sob uma espessa chapa blindada, e sob uma camada de terra, em silêncio. Mas, neste silêncio, quanta tensão! Diretamente acima de nossas cabeças projéteis verrumavam, no ar assobiavam os estilhaços. Sacudia a trincheira e a blindagem. A terra gemia. Depois alguém disse "Que Deus não permita uma direta...".

Eu me obriguei a fotografar nos intervalos das saraivadas de artilharia, para fugir, afastar o medo. É muito original - quando você treme devido a explosões em cinco - dez passos e consegue pegar a nada comparável satisfação da quão mágica, intrigante e particularmente dramática é a luz na blindagem, quão interessante é a disposição das figuras, qual sua geometria geral... Você pensa sobre a imagem, concentra-se, raciocina, o que é principal e secundário no quadro, descobre o diafragma e muda as silhuetas do plano posterior, experimenta, troca objetos... Depois de tudo isso, você se sente completamente esgotado, porque durante a hora que você passou neste esconderijo subterrâneo, com suor e medo, de você exauriu-se toda a energia. Você sai no ar, tira sua armadura e tem a sensação de poder voar. Você não pensa sobre a comida ou que precisaria trocar a camisa molhada - você quer dormir. Mortalmente..."


4. Coronel "Quieto", um dos altos oficiais do batalhão da "Guarda Nacional""Donbas", na posição perto de Shyrokyne


6. Franco-atirador monitora a linha de frente, avaliando a atividade dos militantes.


7. Combatentes escondem-se nas trincheiras durante o ataque de morteiro sobre suas posições na linha de frente perto de Shyrokyne.


8. Soldado do batalhão "Donbas" alimenta o fogo num fogareiro, que serve tanto para aquecimento como para cozinhar na vanguarda.


9. Um soldado conduz o fogo do fuzil Kalashnikov na direção da posição separatista.


10. Queimam as casas na aldeia Shyrokyne, em resultado da batalha noturna.


11. Sergey, comandante de campanha do batalhão "Donbas", ao
lado do semi-destruído, pela artilharia dos militantes, sanatório. O edifício serve de abrigo e é a posição extrema de soldados ukrainianos.



14. Um dos soldados do batalhão "Donbas", com o apelido "Gunther", fixa uma rede de camuflagem sobre a posição do batalhão. Muitos voluntários, na retaguarda, em seu tempo livre de atividades diárias (mulheres, idosos e até crianças), tecem as redes para os combatentes.


15. "Russo com cachimbo" Kiril Nekrasov, um russo de nascimento, que serve como comandante da unidade composta de voluntários do batalhão "Donbas", observa a posição na retaguarda.


18. Frequentemente os soldados dormem diretamente nas trincheiras. É improvável que tenham sonhos...


19. Tártaro da Criméia, que luta na composição de voluntários de "Donbas", prepara o rifle para batalha. Ninguém sabe quando precisarão atirar.


22. O coronel "Gal!, comandante do batalhão voluntário de propósito especial "Donbas", durante a chamada da manhã.

Tradução: O. Kowaltschuk

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Notícias do jornal Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 10,09.2015

Presidente Poroshenko explicou porque foram votadas as modificações à Constituição.
A votação das modificações à Constituição na parte da descentralização era indispensável para a realização dos Acordos de Minsk (referentes à ocupação de Donbas pela Rússia, os quais ela ainda não cumpriu - OK) e dar aos parceiros ocidentais a possibilidade de continuar a pressão sobre Rússia, declarou o presidente Petro Poroshenko no programa de entrevistas "Prime Time". 

"E, já no dia seguinte, a UE, os EUA, e outros países, expandiram as sanções contra Rússia", - disse o presidente.

Segundo ele, o ataque aos Acordos de Minsk é organizado por aqueles que, conscientemente, torcem a realidade, ou por aqueles que nunca os leram. 

"Nós temos três saídas. Ou, como propõem alguns politiqueiros, invadir Moscou. Por favor. Comparem os exércitos, comparem a tecnologia. Segundo - cortar um pedaço significativo do território ukrainiano e entregá-lo ao agressor. E a terceira opção - trabalhar para reintegrar o território ukrainiano novamente a Ukraina", - declarou Poroshenko.

(Lembramos: na manifestação contra a votação das modificações foram mortos três jovens soldados da Guarda Nacional e mais de 130 pessoas foram feridas - OK).

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A OTAN está preocupada com a nova base militar que a FR está construindo próximo da fronteira com Ukraina.
De acordo com os documentos do concurso, o Ministério da Defesa da FR pretende construir a 25 quilômetros da fronteira ukrainiana nove barracas para 3.500 soldados, armazéns para mísseis, armas de artilharia e munição, numa área de mais de 6.000 m².
A primeira etapa do projeto está prevista para abril de 2006.

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Segundo dados do Serviço Federal de Migração em 04.09.2015, há na Rússia 2,6 milhões de ukrainianos, dos quais cerca de 1,1 milhão - refugiados do leste ukrainiano.
Destes, pediram emprego 433 mil patenteados e 174 mil pediram licença para trabalhar.

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Ataques de hackers da Rússia ocorrem diariamente, segundo Ministério do Interior.
Os ataques DDoS aos sites dos bancos ukrainianos ocorrem diariamente - tanto do território da Ukraina como do estrangeiro, informou o chefe da luta contra crimes cibernéticos do MIA Sergei Demedyuk, em uma entrevista na quinta-feira, de acordo com a Liga BusinessInform.
Os ataques, que são analisados pelos parceiros nacionais e internacionais, ocorrem, principalmente, das fronteiras orientais, diariamente e em massa.

Devido ao fato de que nossos bancos ainda usam sistemas operacionais desatualizados, eles estão sujeitos a grandes riscos e obtenção de informações. O último valor roubado num banco foi de 22 milhões de UAH. Este crime foi cometido do território da Ukraina, no início do verão.

Demedyuk acrescentou que os ataques ocorrem também devido a negligência dos usuários - contadores e diretores de empresas que usam este sistema sem as regras de segurança recomendadas, infectando seus computadores, e através do sistema têm acesso ao sistema bancário.    Estão sendo tomadas medidas para recuperação dos 22 milhões.

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As tropas russas já chegaram na Síria para ajudar o presidente Bashar Assad na luta contra os grupos terroristas do "Estado Islâmico", declarou o Ministro da Defesa de Israel Moshe Ya'alon.
Os russos enviaram conselheiros militares e força ativa como objetivo de criar uma base aérea militar.
Desta base, próxima à cidade de Latakia, poderão partir caças e helicópteros.
"Nós entendemos que, nesta fase, trata-se de uma força limitada, que inclui conselheiros, agentes de segurança, e preparação para operações de aeronaves e helicópteros de combate", - disse Ya'alon aos jornalistas israelenses.
Ya'alon não deu detalhes sobre sua fonte de informações.

Conforme já relatado, nos últimos dias Rússia enviou à Síria dois navios anfíbios e dezenas de fuzileiros navais. E, anteriormente, no mínimo três aviões de transporte militar.

O chefe do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo admitiu que o exército russo está na Síria, mas afirma que eles estão lá há bastante tempo e que ensinam o uso da tecnologia russa.

Rússia não pretende atribuir quotas de seu território aos refugiados do Oriente Médio.
Segundo Peskov, o porta-voz do presidente Putin, isto pode trazer custos e eles, os russos, esperam que os custos recaiam sobre os países que outrora estavam relacionados ao fato que, posteriormente, levou-a a esta situação catastrófica. Mas Peskov não deu detalhes sobre que países estariam envolvidos na crise do Oriente Médio. 

Estima-se que mais de 4 (quatro) milhões de pessoas já deixaram Síria.

Notícia do jornal Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 11.09.2015

Imprensa alemã: "Na Síria, Putin quer desviar a atenção da Ukraina".
Um dos objetivos do presidente russo na participação em larga escala de Moscou, no conflito série é, inclusive, provocar o maior número de refugiados e, deste modo, desviar a atenção da Europa dos acontecimentos na Ukraina.
Tal pensamento é de Michael Tumann no jornal alemão Zeit, segundo correspondente da Ukrinform na Alemanha.

"A UE no futuro precisará se concentrar em milhões de refugiados, mais do que na Ukraina. Também Síria, para Putin, é um "campo estratégico ideal para manobras", no qual ele poderá alcançar muitos objetivos. Como mostrar-se correligionário do Irã, para que este depois de operações nucleares não passe para o Ocidente; mostrar-se participante ativo e até promotor da aliança internacional contra o terrorismo; elevar a importância estratégica da Rússia, inclusive através da constante presença militar no Mediterrâneo de todas as três forças armadas."
"Se considerar indispensável, ele poderá ajudar a Síria, para que a guerra dure muitos anos, cuja consequência serão muitos fluxos de refugidos e desestabilização não da Rússia, mas do Oriente Médio e da Europa", - prevê o autor. No entanto, acrescenta ele, "Kremlin arrisca afundar-se em mais um conflito remoto e esgotante, além da guerra com Ukraina".

Tema do jornal Welt: "Ao invés de mostrar seu desejo de se tornar um verdadeiro irmão de armas com o Ocidente na luta contra o "Estado Islâmico", Moscou e Teerã estabelecem planos para o estabelecimento de uma espécie de protetorado russo-iraniano no ainda controlado território por Assad, Síria. Com o caos islâmico na parte sul do país será permitido orientação própria" - diz o autor, acrescentando, que "em confronto direto com a Rússia, e isto Putin sabe muito bem depois da Ukraina, o Ocidente não se atreverá ir". 

Em Dnipropetrovsk encontraram os soldados-tanquistas desmobilizados da zona da operação antiterrorista, que por longo tempo, com dignidade, realizaram missões de combate no leste da Ukraina.




Em Kyiv encontraram os desmobilizados  artilheiros da ATO que vieram de Luhanks. Eles foram recebidos por parentes e amigos.







Tradução: O. Kowaltschuk

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Antoine Arjakovsky: "Os russos - nação traumatizada, que interpreta a comédia"
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 23.08.2015
Natália Baliuk
Uma visão sóbria do historiador francês de origem russa sobre a guerra russo-ukrainiana.


Antoine Arjakovsky eu conheci mais de uma década atrás no trem "Kyiv-Lviv". Viajávamos no mesmo compartimento, então conversamos, sobre política, até tarde da noite. Falamos sobre política, sobre chances da Ukraina "escapar" do Kuchmismo (Leonid Kuchma, ex-presidente da Ukraina de julho de 1994 a janeiro de 2005. Seu genro, o oligarca Viktor Pinchuk é um dos homens mais ricos da Ukraina. O "pobre" Leonid Kuchma vive, até agora, numa bela casa do Estado da Ukraina, gratuitamente. Uma reportagem de jornal dizia: "Ninguém vai mexer com o idoso ex-presidente". Ou algo semelhante, não lembro as palavras exatas, mas neste sentido - OK), que sorvia Ukraina.

Eu conheci o francês que, simplesmente, estava imbuído de amor pela Ukraina. Ele exalava otimismo sobre o futuro do nosso país e acreditava,  que Ukraina, obrigatoriamente, será bem sucedida, um país europeu.

Por muitos anos, Antoine, como historiador e teólogo, trabalhou na Universidade Católica Ukrainiana e, pouco antes da Revolução da Dignidade (Maidan) e guerra ukrainiana-russa, retornou para sua França Natal. Lá escreveu o livro "Rússia-Ukraina: da guerra para paz", no qual analisou os dramáticos acontecimentos na Ukraina nos anos 2013-2014. Em francês o livro foi publicado em 2014. Foi traduzido para o russo e inglês. E, em 2015 foi publicado em ukrainiano sob o título "A discórdia entre Ukraina e Rússia. Estratégia de saída a partir do pico". O autor acrescentou um capítulo que abrange os acontecimentos de julho do ano passado a janeiro deste.

Tudo que escrevi há um ano, continua relevante (Suprimi as perguntas, sem prejuízo do entendimento, porque o texto é bastante longo - OK). Se escrevesse agora, a análise seria a mesma. Na França, eu fui o primeiro a escrever sobre a guerra russo-ukrainiana, e chamei-a "guerra". O presidente Hollande, pela primeira vez utilizou a palavra "guerra" apenas em 2015, (O presidente Poroshenko usa até hoje a designação ATO: Operação Anti-terrorismo" - OK), quando houve uma nova rodada de negociações em Minsk. Ele não especificou quem luta e contra quem. Mas no verão de 2014 escreveu, que isto é uma guerra real, e tentou explicar porque isto aconteceu.

Hollande levou muito tempo para entender que, realmente, havia guerra, porque os lobistas russos são mais fortes que os ukrainianos. Os membros do Parlamento francês apoiam Putin... Recentemente, um grupo de deputados franceses visitou Criméia. As forças da direita apoiam Putin incondicionalmente. Os socialistas, graças a posição de Hollande, são neutros. Mas também pensaram muito. Eles sofrem influência de Angela Merkel. Se o chanceler alemão fosse como Schroeder, o presidente francês adotaria uma posição diferente, de esquerda moderada. Os comunistas apoiam Putin plenamente. Por isto eu escrevi este livro. Tive que explicar aos franceses o que acontece na Ukraina, quem guerreia contra quem e porque precisa apoiar Ukraina. A propaganda russa na França é agressiva e eficaz. "Rússia Today" (canal da TV) tem um site em francês. Ao influente jornal "Le Fígaro" "Rússia Today" prepara e comercialmente insere guia especial de informação. E Ukraina não faz nada. Eu publiquei em vários jornais franceses meus artigos sobre Ukraina, e, por exemplo, no jornal "Le Fígaro" cada vez era difícil lutar contra a censura. Quando explicava, que França é um dos países-garante da integridade da Ukraina, porquanto assinou o Memorando de Budapeste, cada vez eles riscavam esta frase do meu artigo. 

- Por quê? Porque o proprietário do jornal "Le Fígaro" vende armas, incluindo a venda de "Mistral"(1). Ele tem influência na parte de deputados no parlamento, e os deputados pressionavam o governo, para vender dois navios "Mistral" à Rússia. Eles diziam que prometeram a Putin, assinaram um acordo com Rússia para venda. Mas o meu contra-argumento: anteriormente nós assinamos um documento mais importante - Memorando de Budapeste.
 - Não, não esqueceram, muitos deles nem sabiam de sua existência. Geralmente escrevem que o Memorando foi assinado pela Ukraina, Rússia, EUA e Grã-Bretanha. Sobre a França silenciam. Mas neste período eu trabalhei no Ministério das Relações Exteriores da França, então lembro bem.  E tenho um documento, que em 1944, Mitterrand enviou a Kuchma (ex-presidente da Ukraina) uma carta formal, na qual destaca, que França, como potência nuclear, apoia o Memorando de Budapeste. O mesmo fez China. Ela também atuou como garantidor da soberania territorial da Ukraina.

Os franceses, historicamente, sempre foram russófilos, mas agora parece claro quem é o agressor e quem é a vítima do agressor. 
Há, também, motivos históricos e comerciais. Na Rússia há enormes interesses comerciais franceses. Na Ukraina quase não há. Outro motivo é a propaganda russa, que força os franceses a pensar que Ukraina sempre foi parte da Rússia, que Criméia sempre foi russa e Ukraina a recebeu de presente. Muitos políticos franceses repetem aquilo, que lhes diz Putin.

Mas, apesar da propaganda, os políticos e jornalistas têm informações suficientes, para serem objetivos e justos. Eu tenho a impressão que a muitos europeus é vantajoso serem "vítimas de propaganda russa", que eles querem ser enganados.

Há mais um assunto - os europeus tem opiniões diferentes sobre o futuro da Europa. Muitos não vêem a Ukraina na Europa. Acreditam que Europa já tem muitos problemas internos. As forças políticas radicais na França ativamente se opõem ao euro como moeda comum da UE. Muitas discussões em torno da Grécia. Eles consideram que não vale a pena se intrometer no conflito entre Rússia e Ukraina, que não vale proteger muito Ukraina que aspira à União Européia. Por isso, é importante explicar, que os ukrainianos lutam não apenas por seu território, mas pela liberdade da Europa. Que Ukraina nos protege, os europeus.
Os europeus devem lembrar a triste experiência da Segunda Guerra Mundial. Se em 1939 não entregassem Polônia para Hitler, então, talvez, nós não tivessemos todo aquele horror que atravessou a Europa. 

Na França há um influente intelectual Edgar Morin. Ele já tem mais de 90 anos. Ele sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, lutou nas guerrilhas. Em junho do ano passado publicou um artigo, onde escreveu que Putin não é tão ruím assim, não é louco. E Ukraina - não é um estado real. Oeste e leste da Ukraina - são duas nações diferentes. E se Ukraina dividir-se em duas partes, como Putin quer, tudo estaria bem. Haveria paz e sossego. Eu li isto e fiquei horrorizado. Escrevi-lhe uma resposta, que, graças a Deus, publicou a gazeta "Le Monde". Lembrei que também Stalin gostava de crianças... Estabeleci o paralelo histórico com a Segunda Guerra Mundial. Lembrei, que Hitler, em seu tempo, também quis dividir a Polônia... Expliquei que Ukraina é um Estado, simplesmente ela não é como França, que tem um idioma e religião única. Ukraina é mais semelhante ao Canadá - bilíngue , bicultural... Portanto, para nós, franceses, é mais fácil compreender a Rússia do que Ukraina. E, mesmo para os ukrainianos é difícil de se entender. E um dos meus argumentos - durante a Revolução da Dignidade os próprios ukrainianos começaram a se entender melhor. (Este cidadão de mais de 90 anos, não sabe nada sobre Ukraina. Se soubesse, saberia que o pais é bilíngue porque  desde 1654, grande parte de seu território, - foi dominado pela Rússia czarista. Apenas conseguiu sua liberdade da Rússia em 1991 - liberdade parcial porque Rússia sempre procura ditar regras. E, mesmo assim, li a poucos dias num jornal ukrainiano, que mesmo hoje, nas aldeias do leste ukrainiano ainda é bastante usado o idioma ukrainiano. Portanto, se o país é bilíngue, ele o é por imposição dos ocupantes - OK). Eles reconheceram, que Ukraina - um país bilíngue, bicultural, e bi-confessional. Mas todos eles são ukrainianos

Em Paris, nós formamos um grupo de intelectuais, que apoiam Ukraina (Comitê - Ukraina). Nós realizamos uma conferência dedicada a II Guerra Mundial, onde explicava-se que o campo de concentração de Auchwitz libertaram os soldados ukrainianos. Os franceses não tinham este conhecimento, a eles, por 60 anos impunha-se a informação que durante a guerra os ukrainianos eram fascistas. Isto também é propaganda russa. Mas Ukraina não reagia a estes chavões não fornecia fatos históricos específicos, que os que libertaram Aushwitz eram ukrainianos, que a divisão era ukrainiana.
Sobre isto, recentemente disse o ministro dos Negócios Estrangeiros da Polônia Grzegorz Shetina e Putin ficou muito ofendido...

Eu morava na Rússia quando Putin chegou ao poder. Eu via quando os prédios explodiam (Eram explodidos pelos russos para culpar os chechenos-OK) e como começou a guerra na Chechênia. Entendi como isso vai acabar. Para mim ficou claro que Putin é, psicologicamente bandido, mafioso. Um ex-oficial da KGB, que sob os slogans patrióticos, nacionalistas de proteção da Rússia, roubava o país. Agora, ele é considerado, talvez, como a pessoa mais rica do mundo. Em outubro do ano passado nos EUA, publicaram o livro "Cleptocracia de Putin". Seu autor - pesquisador americano, professor da Universidade de Miami Karen Davisha. Sua pesquisa é construída na investigação de jornalistas russos que morreram por causa disso. A essência do livro - nacionalismo russo e revanchismo soviético constituem a ideologia de cobertura de ações do regime de Putin direcionado na proteção de riquezas  das pessoas do seu meio. Nemtsov explicou porque Putin resolveu lutar na Ukraina. A popularidade de Putin em 2012 - 2013 começou a cair fortemente. Criméia era necessária, para que a classificação de Putin atingi-se os céus.

Isso tudo é pela popularidade, classificação, ambições imperiais e o desejo de manter os bilhões de dólares que Putin detém. Ele ficou muito rico depressa. E ele compreende que, se na Rússia acontecer algo semelhante a o que aconteceu na Ukraina, então, na melhor das hipóteses, ele terá o destino de Yanukovych. Ele tem muito medo de tal final.

No meu livro eu escrevi que Putin tem duas opções para o futuro e ele deve fazer a escolha. Ou haverá a construção de um regime comunista-nacionalista, a fim de preservar a sua riqueza, que levará ao destino de Milosevic (ex-presidente da Iugoslávia. Foi preso em 2001 - submetido a um julgamento por cinco anos, morreu na prisão em 2006 - OK) e opção trágica para Rússia. A outra opção - caminho do General de Gaulle, que também após a Segunda Guerra Mundial não concordava com o fato de que França estava a perder suas colônias, sua influência. Mas depois percebeu que este caminho era ruím. Resultará em guerra. E decidiu mudar a política. Em 1961 começou a descolonização, e toda África estava livre.

Infelizmente, Putin não é de Gaulle. E ele escolheu o seu caminho. Eu entendi isto quando escrevia mas, ingenuamente, continuei esperando, que talvez, alguém lhe trará este pensamento. Mas, quando reeditei o livro, já escrevi que, infelizmente, o caminho de Gaulle é impossível. Ele já não pode, por bem, devolver a Criméia e sair de Donbas, porque então todos estes Girkin, (um dos ocupantes de Donbas - OK), todos estes ura-patriotas voltar-se-ão contra ele. Ele é refém dos processos que lançou.

A política da Rússia - dividir e depois enfraquecer a Europa. Para isso, ela procura os assim chamados idiotas úteis, que cantam sob o seu pífaro. Me parece que o maior número deles está na França... Conseguirá Putin dividir a Europa, ou o instinto da auto-preservação funcionará e será capaz de manter uma frente unida?

Muitas vezes penso sobre isto e não tenho ama resposta clara. A situação é frágil. Na França, dentro de dois anos, haverá eleições presidenciais. Se Sarkozy voltar à presidência, ele poderá mudar drasticamente as políticas da UE. Como aconteceu na Geórgia em 2008. Ele enganou os georgianos e fez acordo com Putin. Assim Abkhazia e Ossétia do Sul vieram ao protetorado da Rússia. União Européia, por um lado, uma comunidade de desenvolvimento econômico mais dinâmico no mundo. Até melhor que China e América. Por outro lado, os processos políticos são muito complexos. Os países da UE estão começando esquecer, em que valores esta comunidade foi construída.

Como disse em um fórum em Viena o escritor ukrainiano Yuri Andrukhovych, os europeus, cada vez falam mais sobre os preços, não sobre valores...

Apesar disso, tudo está nas mãos dos ukrainianos. Se durante os próximos dois-três anos conseguirem implementar reais reformas e parar o exército russo, é claro, com apoio dos EUA e Europa, então o modelo tem perspectiva. O principal, é que os ukrainianos compreendam isto e apoiem o seu governo. Mesmo quando ele comete erros. Se a economia russa continuar a cair, lá pode haver protestos, especialmente dos mais pobres, como os pensionistas. Em Rostov-on-Don há muitas pessoas insatisfeitas com a política de Putin. Elas vêem o que faz o exército russo, vêem os preços nas lojas... Mas até pelo telefone têm medo de falar livremente. Vêem que retorna a União Soviética, os tempos de Stalin... Um mês atrás eu visitei Moscou, São Petersburgo. Conversei com as pessoas e concluí que os russos são pessoas traumatizadas, que interpretam comédia. Eles compreendem bem o que acontece, quem é Putin, mas não tem como argumentar. Não encontram saída desta situação e, por isso, procuram bode expiatório - América. Mesmo meus amigos russos, que são inteligentes, dizem, que em tudo, a culpa é da América, que Obama é responsável pela situação no leste da Ukraina. Quando eu começo argumentar que na Ukraina não há exércitos russos (além daqueles que ajudam na formação), enquanto no Donbas há mais de 30 mil soldados russos, eles não ouvem isto. Porque eles precisam de explicações simples, que lhes permitam "brincar de bobos".

Este trauma - é consequência do colapso da União Soviética.

Recentemente eu li o livro de autora bielorussa Svetlana Oleksiyevych "O fim do homem vermelho". Livro que mostra as consequências de 75 anos de regime comunista. As pessoas não conseguiram libertar-se dele. Não houve arrependimento total, purificação. Não houve uma verdadeira explicação, quem foi Stalin, Dzerzhinsky... Pelo contrário, retorna o culto da personalidade destes políticos. A eles acrescenta-se o culto a Putin.

Isto é, não passaram aquele caminho, que após a Segunda Mundial passou Alemanha, a chamada desnazificação. (Ato ou efeito de anular ou revogar o caráter nazista de, - OK).
Rússia não foi curada do totalitarismo, não foi vacinada. Por isso ele está voltando. 

1 - Em consequência da crise da Criméia, aliados da França: Alemanha, Reino Unido e os EUA exigiram suspender a transferência dos navios de guerra Mistral, na qualidade de sanções da UE e EUA.
Inicialmente Hollande declarou que o contrato não seria rescindido se houvesse perspectivas de cessar fogo no leste da Ukraina. Condições: trégua e acordo político. Os congressistas americanos propuseram a OTAN comprar os dois navios, mas OTAN declarou que não tinha condições por falta de fundos. Em 25 de novembro Hollande decidiu não entregar o primeiro Mistral a Rússia por causa da situação na Ukraina e já em dezembro o ministro da Defesa da França declarava que "se as condições necessárias não aconteceram, nós não entregaremos estes navios nunca". Rússia declarou que poderia exigir multa de 3 (três) bilhões de euros.
França temia que o treinamento da tripulação "Vladivostok" poderia apreender o navio e sequestrá-lo para Rússia.
Foi anunciado que França procurava comprador para o navio "Sevastopol", entre EUA, União Européia, Brasil (Brasil ??? - OK) e outros países.
Enfim, depois de muitas discussões sobre valores de compensação pela quebra de contrato, finalmente em 26.08.2015 o porta-voz do governo francês, Stephane Le Foi informou que França transferiu fundos para Rússia, com relação a rescisão do contrato, e a soma é inferior a um bilhão de euros. Esta informação confirmou um alto representante do Serviço Federal Técnico Militar. No entanto, no jornal Vysokyi Zamok (Castelo Alto) apareceu uma notícia dizendo que França já pagou mais de um bilhão de euros de compensação pela não entrega dos dois navios, portadores de helicópteros. Ainda Moscou adverte que França não poderá transferir os navios a um terceiro país sem o acordo da Rússia, em relação a este país. E, somente obterá o direito à venda após retornar à Rússia o equipamento de navios russos. Pesquisa internet - OK).

Tradução: O. Kowaltschuk

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Erro do Presidente. Como não pode mudar a Constituição.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 01.09.2015
Vysokyi Zamok (Castelo Alto) 31.08 - 01.09.2015

Erro do presidente. Como não pode mudar a Constituição.
Gerard Roland, Yuri Gorodnichenko, Tomofey Milavanov


Violência diante do Parlamento em 31 de agosto durante a votação anterior sobre a alteração da Constituição foi vergonhosa e injustificada. Mas sugere sobre uma profunda desconfiança da população para o atual processo de mudanças constitucionais iniciadas pelo Presidente Poroshenko. 
As pessoas temem que as alterações à Lei de Bases do país são feitas com excessiva pressa e sem discussão adequada. Claro, processo constitucional legítimo para Ukraina deve ser organizado de forma diferente. 
O processo democrático para introdução de mudanças da Constituição exige muito mais do que o trabalho das comissões parlamentares e constitucionais e votação no Parlamento.

A seguir, os autores explicam passo a passo os procedimentos indispensáveis. Gerard Roland é membro do Conselho consultivo VoxUkraine. Yuri Gorodnichenko é co-fundador da VoxUkraine, ambos são professores da Universidade da Califórnia, Berkeley. Tomofey Milavanov é professor da Universidade de Pittsburgh).

A maioria dos manifestantes era do partido "Liberdade", de Tiagnebok  e do "Partido Radical de Oleg Liashko". Bem como de partidos pequenos "Ukrop" e "Plataforma Republicana". E foram eles que iniciaram a briga. 

Os manifestantes usaram pacotes de explosivos e uma granada de combate, ferindo dezenas de milicianos. Três morreram. No total foram 125 feridos, um deles ainda está entre a vida e a morte.
Faltaram carros de "ajuda rápida" para levar todos os feridos aos hospitais, parte foi levada nos carros da polícia, parte nos bagageiros.





Vejam a quantia de bandeiras da "Svoboda" (Liberdade)


O soldado sênior, Igor Debrin. Morreu do estilhaço da granada, que alojou-se diretamente no coração, que entrou pelo lado esquerdo, local da jaqueta à prova de balas menos protegido. Lutou na Guarda Nacional, na guerra contra Rússia. Memória eterna ao herói e vergonha eterna ao assassino que jogou a granada. (Já foi identificado).


O Soldado da Guarda Nacional Alexander Kostin. Morreu em consequência de explosão de mina, acompanhada por lesão cerebral traumática e penetrante ferida no peito.


Também soldado da Guarda Nacional Dmitry Slastnikov, morreu devido a ferimentos por estilhaços.


(Morreram devido a ignorância de seus conterrâneos, na sua cidade, em tempo que deveria ser de paz e entendimento. Protestar pacificamente é direito de todos. Protestar com armas nas mãos, trazidas conscientemente, é assassinato. Espero que todos os bandidos, disfarçados de cidadãos, que vieram, segundo eles, proteger a Constituição, sejam descobertos e punidos severamente. - OK)

Tradução: O. Kowaltschuk