domingo, 15 de março de 2015

Algumas notícias da última semana
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 15.03.2015

"O alojamento da OTAN perto da fronteira com a Rússia, sobre uma base rotativa, terá certas implicações para a dimensão político-militar de segurança na Europa", declarou o diretor da Não Proliferação e Controle de Armas no Ministério do Exterior da FR Mikhail Ulyanov, avisa RIA "Novosti".

"Os países da OTAN, a fim de evitar acusações de violação das obrigações usam o princípio de colocar as forças em sistema de rodízio, que não é uma colocação permanente, e as unidades são intercambiáveis" - disse Ulyanov.
Ele afirmou, que para Moscou não faz diferença, se essas forças estão em uma base permanente ou rotativa.
"Nós vamos acompanhar. Por enquanto conclusões finais ainda não fizemos sobre possíveis abusos, mas se for necessário, faremos. Isto, naturalmente, terá implicações para a dimensão político-militar de segurança na Europa..." - disse ele.
Na semana passada o Ministério das Relações Exteriores descreveu como "muito, muito alarmante" o treinamento de navios da OTAN no Mar Negro.

Como foi relatado, os EUA começaram transferir para Letônia grandes quantidades de armamento, incluindo tanques, veículos de combate da infantaria, caminhões, helicópteros, em preparação para os exercícios "Atlantic Resolve".
Além disso, para Lituânia serão deslocados cinco tanques americanos "Abrams" e mais dez outros veículos.

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Estado-maior da ATO: "No Donbass há mais de 43 mil terroristas e quase nove mil militares da FR. Os militantes possuem cerca de 780 tanques, 1030 veículos blindados, próximo de 500 sistemas de artilharia, quase 420 MLRS, 7 lança-chamas, cerca de 130 sistemas de defesa aérea", - declarou Fedychev, subchefe ATO.

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"Em violação aos acordos de Minsk, o inimigo continua concentrar equipamentos pesados, tanques, veículos blindados, MLRS, artilharia automotriz, na direção sul, particularmente Novoazovsk, Sakhanka e povoados próximos" - disse Shkiryak. 
O número de terroristas cresce a cada dia, disse ele.
"As forças ATO mantem suas posições e estão prontas a qualquer momento dar resistência ao agressor. Prosseguem os trabalhos com a fortificação da linha de defesa de Mariupol", - completou ele.
Pela manhã do dia 15 os terroristas realizaram algumas descargas de morteiros às posições do regimento da Guarda Nacional "Azov", em Shyrokine. De acordo com o Departamento de Polícia, citando o Ministro do Interior Zorian Shkiryak, as forças ATO abriram fogo em resposta aos tiros do inimigo.

Os terroristas, apesar do acordo de paz sobre a remoção de armas pesadas, continuam provocando nossas posições com o uso de morteiros de 120 milímetros.
Às 22h15min, com fogo de morteiros atacaram a aldeia Opytne, às 22h50min Hranitne, na direção de Donetsk. Além disso, até meia noite, o inimigo conduziu tiroteio, com pequenas armas de fogo 4 vezes a Opytne. E, depois da meia-noite, lançou duas granadas automáticas..
Na direção de Artemivsk, às 22h lançaram fogo de morteiro sobre a aldeia Myronivska.
Na direção de Luhansk dispararam, com armas de pequeno porte, três vezes contra Sokolniki e uma contra Trohisbenk.
Na direção de Mariupol não houve tiroteio no início do dia, mas é aqui que intensifica-se o reconhecimento aéreo do inimigo", - declara o centro de imprensa da ATO.
Em Donetsk, às 9h20min, atiraram dos tanques sobre Pisky, às 13h sobre Avdiivka .
Das 16h25min às 16h50min atacaram Pisky com morteiros de 82 e 120 milímetros. 
No final do dia, na direção de Mariupol, sobre Sherokiny dispararam morteiros de 120 milímetros. Usaram armas de pequeno porte em Chermalyk e também em Shyrokine.
Na aldeia Sokolniki , em Luhansk, usaram armas de pequeno porte.

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Aproximadamente cem cidadãos alemães lutam no leste de Ukraina, no lado dos separatistas, a maioria deles são da Rússia. No entanto, entre os simpatizantes dos separatistas encontram-se ex-militares profissionais, escreve Die Welt.
Ao contrário dos alemães, que lutam pelo Estado Islâmico, os simpatizantes  do separatismo no Donbas não temem responsabilidade criminal.

"Se os alemães participam de ações de combate, isto deve ser considerado como crime, como participação de organização terrorista. Em pessoas com dupla cidadania devem ser recolhidos os passaportes alemães pela participação na guerra" - disse Stephen Meyer, especialista do partido CDU/XCC (União Cristã-Democrata/União Cristã Social).

O turismo militar  da Alemanha já causa preocupação em Kyiv. O embaixador ukrainiano na Alemanha Andrew Miller já pediu ao governo alemão para não contribuir, para que cidadãos alemães não participem de assassinatos no leste da Ukraina.

O ministro de Assuntos Internos da Alemanha declarou que não vai tolerar os crimes cometidos por seus cidadãos no exterior. Serão introduzidas medidas proibitivas e restritivas à saída do país aos que pretenderem pegar em armas na Ukraina.

Como já foi declarado anteriormente, a Polícia de Segurança da Letônia organizou "caçada" aos seus cidadãos que lutam no leste da Ukraina.

Tradução: O. Kowaltschuk

sexta-feira, 13 de março de 2015

Por trás do muro alto: vida de autoridades ukrainianas nos terrenos estatais.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 07.03.2015
Texto: Roman Romanyuk
Foto: Dmitry Larin


Após a mudança de governo na Ukraina a já lendária Administração do Estado alcançou eliminação de benefícios para todos os funcionários, que residem nas casas de campo do Estado. Anteriormente, os "servidores públicos" pagavam apenas 30% por todos os serviços comunais, agora devem pagar na íntegra. Mas, mesmo nestas condições, os funcionários não estão com pressa de deixar suas casas, até mesmo pessoas como Raissa Bohateriova ou Renat Kusmin.
Ukrainska Pravda pesquisou quem e porque recebia as casas da propriedade do Estado, para posse permanente, e quanto agora é preciso pagar para viver na casa anteriormente cedida a Mykola Azarov.

Casa de Mykola Azarov
Os ukrainianos, em geral - são boas pessoas, até se tornarem altos funcionários. Assim que o ukrainiano recebe poder, mesmo sobre os cupons para restaurante de ministros, ele, imediatamente, passa acreditar que deve ser protegido, ter habitação garantida e mantido até a morte. Necessariamente às custas do governo. (Consequência do regime comunista - onde o pessoal do governo tinha satisfeitas todas as suas necessidades e desejos, enquanto o povo vivia de migalhas - OK).

Para autoridades ukrainianas é preciso, obrigatoriamente, criar meio secreta habitação, cercá-la com muro bem alto e tomá-la sob reforçada segurança pública.

Casa de Raissa Bohateriova
HISTÓRIA DA QUESTÃO: ESTADO DENTRO DO ESTADO
Após o colapso da União Soviética, Ukraina herdou não apenas a propriedade, mas também os funcionários que se acostumaram a administrá-la.

Esta era uma casta fechada de pessoas, que não tinha a intenção de desistir de tais benefícios familiares, por causa dos quais foram para o serviço público.

Então não é de admirar, que já os primeiros líderes, do Estado independente, entre outras questões, não esqueceram a preocupação sobre "proteção social" aos funcionários do alto escalão.

A vida nas "dachas" estatais em Koncha-Zaspa e Pushcha-Vodytsia não é, simplesmente, um privilégio - é um passe peculiar a um estreito círculo de "amigos". Porque é mais fácil decidir as questões quando seu vizinho não é uma professora ou um mecênico, mas, digamos, o Procurador Geral ou o Presidente.

Já em 28 de outubro de 1992, o ainda primeiro-ministro Leonid Kuchma assume o papel de árbitro e determina uma lista exclusiva dos que podem pretender ao título de "seu".
A estafeta, em seguida imitará seu protegido Viktor Yanukovych, o qual em 06.08.2003 levará esta 
lista à forma "canônica".

Vasa de Viktor Pinchuk
Para lista dos escolhidos entraram primeiros-ministros, ministros e líderes da Procuradoria Geral da Ukraina -  para os quais previam-se construções separadas, e dirigentes de diversas agências estatais e comissões, aos quais reservavam números em pensionatos.
Além disso, podiam pretender ao recebimento de terreno estatal os presidentes do país, os presidentes do Parlamento e membros de órgãos judiciais.
Estas questões decidiam-se, normalmente, por ordem do presidente, com indispensável marca "secreto". 
Curiosamente, que o Procurador-Geral e seus adjuntos, nesta lista em 2005 incluiu o primeiro-ministro Yulia Tymoshenko. Ironicamente, esta mudança permitiu a Renat Kuzmin receber o lote estatal, depois que Tymoshenko, graças a seus esforços foi para cadeia.
(Não sei se foi esquecimento, ou se continua em vigor o caso dos deputados do Parlamento ukrainiano. Os deputados que provêm do interior, recebiam (e recebem porque li sobre isto recentemente) reembolso pelos pagamentos nos hotéis, ou se isto continua sendo "direito". E aí surgem os "certinhos" que, mesmo possuindo residência na capital, pedem reembolso - OK).

FELIZES PROPRIETÁRIOS
Os proprietários do passe "ao clube dos seus" tinham motivos para alegrar-se. O Estado assumia, totalmente,  a manutenção de suas casas, ou quarto na pensão, fornecia grátis os empregados, proteção, transporte público, tratamento médico e spa em clínicas de primeira classe. Pagava serviços comunais (ou dava um grande desconto - 70%). (O spa em clínicas de primeira classe - na Ukraina é costume, entre os que podem, passar alguns para reabilitação da saúde.

Casa de Sergey Kivalov
Além disso, aos altos funcionários destinavam guardas pessoais e carros, mesmo quando as pessoas já deixaram o serviço público, ou se aposentaram. Ukraina precisou sobreviver a duas Revoluções (Revolução Laranja - janeiro de 2005 e Maidan da Independência - 2014), perder parte de território e implantação da guerra, para que os funcionários finalmente, percebessem o que era hora e honra saber.

Em 2014, primeiramente o presidente Poroshenko, e em seguida o Gabinete de Ministros de Yatseniuk, retiraram o gozo vitalício das propriedades dos ex e atuais funcionários e os obrigaram pagar suas contas.

Muito, graças a atual sociedade, conseguiu-se descobrir, quem e que benefícios, conhecidos funcionários, obtiveram para si.
Uma das histórias mais interessantes é a história do ex-presidente Leonid Kuchma. Em janeiro de 2.005, após a vitória da Revolução Laranja, quando Yanukovych foi demitido do cargo de primeiro-ministro, o chefe interino do governo, Mykola Azarov conseguiu transferir para Kuchma a residência em Koncha-Zaspa, para uso vitalício e outros benefícios "presidenciais".
Anteriormente, Kuchma vivia em residência estatal, mas ela deveria ficar ocupada pelo próximo presidente Viktor Yushchenko. Kuchma decidiu não esperar pela vontade do vitorioso da Revolução Laranja e garantir-se com as forças de Azarov, ao qual transferiu residência dois anos antes

No entanto, já em 28 de janeiro, o primeiro-ministro tornou-se Yulia Tymoshenko, a qual não tencionava garantir a Kuchma uma velhice feliz e caçou todos os seus benefícios, o que pensava seria para sempre.
Mas, da leve mão de Oleksandr Moroz, que para eleger-se presidente do Parlamento concordou na aliança dos comunistas com os regionais, e em 2006 o governo novamente liderou Viktor Yanukovych. Este, apesar de ofender-se com Kuchma, porque ele não dispersou a Revolução Laranja, em abril de 2007, devolveu ao ex-presidente a residência e todos os benefícios em acréscimo.
Depois do segundo Maidan, já Poroshenko caça todos os privilégios de Kuchma, apenas o ex-presidente até hoje não tem planos de mudar-se - e para onde irá no declínio de sua vida, de sua Koncha-Zaspa. Verdade, agora por todo este luxo ele precisa pagar do próprio bolso. (Ele não vai embora porque não quer. Afinal, ele tem um genro riquíssimo que pode acomodá-lo num palacete em Paris, ou aonde lhe aprouver - OK).

Casa de Petro Poroshenko
CORTINA MEIO ABERTA
Pagar as despesas em Koncha-Zaspa e Pushcha Vodytsia desde este ano, é obrigação de todos. Como explica a este jornal o chefe da Administração Estatal Sergey Berezenko, agora os funcionários são obrigados a pagar não apenas o condomínio, mas também a possibilidade de viver  nas casas estatais. "Anteriormente todos, que tinham o direito de viver lá, pagavam apenas 30% das despesas comunais - e nada mais. Desde 2014 este privilégio foi abolido. E, desde janeiro de 2015, além do condomínio todos os moradores pagam, de acordo com as tarifas, pelo uso das instalações", - diz Berezenko.

De acordo com ele, a tarifa para os serviços e a utilização desses recursos é 1.230 - 1.270 hryvnias por m² por ano. Os serviços públicos são cobrados separadamente. Em 2.014 para Koncha-Zaspa e Pushcha Vodytsia do orçamento foi separado mais de 38 milhões de hryvnias. Em  2.015. nenhum centavo.

Mas, mesmo sob tais circunstâncias, os funcionários não se apressam a deixar suas casas.

O jornal traz a lista completa das pessoas que recebiam, e de quem recebiam, a residência elitista para uso até a morte, com manutenção, motoristas e empregados, tratamento médico gratuito e viagens - OK).

De Pushcha Vodytsia saíram 5 famílias: chefe da Câmara de contabilidade, juízes do Supremo e da Constituição e também membro da Comissão Central Eleitoral.
De Koncha-Zaspa saíram 12 famílias. Entre elas - vice - presidente da Câmara de Contabilidade, juízes do Supremo Tribunal e ex-procurador-geral.

Tendo em conta, que em Koncha-Zaspa tem 71 residências e 4 pensionatos com 143 números, e em Pushcha Vodytsia - trinta prédios com 71 números e 1 (um) pensionato com 36 números, então o indicador de "emigração" de funcionários é muito modesto.
Mas, para todas as residências e números já aparecem candidatos.
Por um quarto individual mobiliado e sem cozinha, será preciso pagar pouco mais de 3 mil hryvnias por mês. Se acrescentar mais um quarto e cozinha, já serão necessários 8 mil.

Também está para alugar a ex-residência de Mykola Azarov, da qual ele saiu, levando até os lustres.

(Hryvnia, da qual até pouco tempo atrás era necessário 15 - 16 unidades para equivaler a um dólar, teve forte desvalorização, ultrapassando 30 unidades.
No jornal do dia 12 estavam sendo necessárias 21- 22 hryvnias para equivaler ao dólar - OK).

Putin é novamente papai?
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 13.03.2014

Por vários dias Putin não aparece em público. Então surgem notícias diversas. 
A ginasta Alina Kabaeva, considerada amante do presidente russo, deu à luz a uma menina (Putin tem duas filhas adultas, está separado da esposa a já um bom tempo), na clínica suíça St. Anne.
 Segundo jornalistas suíços o não aparecimento de Putin seria por este motivo. O parto na Suiça teria acontecido no início desta semana, mas a edição Corriere del Ticino afirma que a criança nasceu a algumas semanas. Então o sumiço de Putin não tem relação com este fato. Já a edição russa Tatler diz que a ginasta apenas está se preparando ao parto.
Alina Kabaeva, 31 anos, nega sua relação dom Putin.



Tradução: O. Kowaltschuk

quarta-feira, 11 de março de 2015

Resumo de notícias - dia 11.03.2015
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana)

Merkel não irá a Moscou em 9 de maio e não participara da celebração do 70º aniversário da Vitória em Moscou.
Segundo informação do Die Zeit, baseado em fontes próximas à Merkel, esta decisão é motivada pelo papel da Rússia no conflito ukrainiano, porquanto esta visita pode ser ofensiva ao governo ukrainiano.
"É difícil imaginar, que Merkel participe do desfile, no qual serão apresentados os tanques que podem ser usados no leste da Ukraina.

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OTAN afirma, que a frequência de militares e armamentos russos não diminuiu na Ukraina. Declaração feita nesta quarta-feira pelo comandante da OTAN na Europa, general Philip M. Breedlove. 

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EUA impuseram sanções a organizações russas que apoiam a violação da soberania da Ukraina, seus líderes e ideólogos, combatentes ativos e ex-funcionários do período Yanukovych.
Todas as pessoas da lista tiveram seus bens bloqueados e direitos de propriedade nos USA, proibida realização de negócios com os cidadãos de USA.
Também foram incluídas sanções aos separatistas pró-Rússia: Roman Lyagin - ex presidente da Comissão Eleitoral Central e ministro Social e de Trabalho da auto declarada "DNR".
Iuri Vakin - um dos líderes da "FSC".
Oleksandr Karaman - diversos cargos executivos na "DNR".
Oleksandr Khodakovsky - ex-chefe de segurança da "DNR" e líder do batalhão de militantes "East".
Sergey Zdrylyuk e Catherine Gubareva - ex ministros da "DNR" e "FSC".
Sergey Abisov - Ministro de assuntos internos da Criméia.
Oleg Kosyura - Chefe do Serviço Federal de Imigração da Rússia em Sevastopol.
Alexander Dugin, Andrei Kovalenko, Paul Kanisheva - líderes da União Eurasiana Juventude.
Ativos do "Russian National Commercial Bank.

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Rússia tem uma "lista negra", em que, além de Boris Nemtsov, entram o editor-chefe da "Eco de Moscou" Alexei Venediktov, líder da oposição Mikhail Khodorkovsky e, provavelmente, a jornalista de oposição Ksenia Sobchak, segundo afirma "Novaya Gazeta".

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SBU (Serviço de Segurança da Ukraina): Os militantes (no Donbas), são gerenciados pelo Major General russo Alexei Zavizon, apelidado "Alagir".


Segundo avisou o conselheiro do presidente do SBU Markiyan Lubkivskyy, SBU recebeu informações fiáveis sobre participação, em agressão militar contra Ukraina, de militares do comando superior do Ministério da Defesa da FR.
De acordo com a informação "Alagir" está em Donetsk desde janeiro de 2015 "para coordenar as operações militares com participação das formações armadas ilegais da FR (como profissionais também os mercenários) nos territórios temporariamente ocupados de Donetsk, à realização do comando geral.
"Alagir" é graduado pela Escola de Comando de Chelyabinsk - Academia Militar das Forças blindadas Malinowski.
Serviu no Distrito Trans-Baikal e tem experiência de combate na Chechênia. Vice-comandante em Moscou, de 2006 - 2009. Comandante de base militar em Tajiquistão. 
É pessoa responsável pelas manobras de artilharia, MRLS (lança foguetes múltiplos), técnica pesada e força viva de militantes e exército militar russo em setores-chave das hostilidades no território ocupado de Donetsk. Com sua supervisão direta e coordenação, realizaram-se os maiores e mais sangrentos ataques às cidades ukrainianas, especialmente Kramatorsk e Mariupol", - disse Lubkivskyy.
A conexão e possível substituição de Zavizon na Ukraina é Major General André Hurulyev.

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Rússia ameaça cessar a cooperação com o Ocidente sobre o controle de armas.
Na terça-feira, o chefe da delegação da FR Anton Mazur declarou que Rússia, a partir de 11 de março suspende sua participação nas reuniões no Grupo Consultivo Comum sobre o Tratado das Forças Armadas na Europa.
De acordo com o diplomata russo, por enquanto o "arrefecimento das relações com o Ocidente para uma interação significativa entre nossos países em matéria de não-proliferação e controle de armas não houve", mas "dificilmente pode durar para sempre". - disse Ylyanov, diretor de Não-Proliferação e Controle de Armas do Ministério do Exterior.
Ele não descartou que Rússia "vai realizar" uma avaliação nesta área (não proliferação e controle de armas). "Podem ser feitos alguns ajustes", - acrescentou.

O Secretário Geral da OTAN, Jens Stoltenberg, se disse frustrado. "Estamos decepcionados com a decisão da Rússia em suspender sua participação no Grupo Consultivo Comum. Até agora nós apoiamos todos os esforços para o controle de armas e acreditamos que isto é importante".

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O alojamento das forças da OTAN próximo às fronteiras russas terá consequências - Ministério das Relações Exteriores da FR.
"O alojamento da OTAN perto das fronteiras com a Rússia, sobre uma base rotativa, terá certas implicações para a dimensão político-militar de segurança na Europa", declarou o diretor da Não-Proliferação e Controle de Armas no Ministério do Exterior da FR, Mikhail Ulyanov, avisa RIA "Novosti".
"Os países da OTAN, a fim de evitar acusações de violação das obrigações usam o princípio de colocar as forças em sistema de rodízio, que não é uma colocação permanente, e as unidades são intercambiáveis" - disse Ulyanov.
Ele afirmou, que para Moscou não faz diferença, se essas forças estão em uma base permanente ou rotativa.
"Nós vamos acompanhar. Por enquanto conclusões finais ainda não fizemos sobre possíveis abusos, mas se for necessário, faremos. Isto, naturalmente, terá implicações para a dimensão político-militar de segurança na Europa..." - disse ele.
Na semana passada o Ministério das Relações Exteriores descreveu como "muito, muito alarmante", o treinamento de navios da OTAN no Mar Negro.
Como foi relatado, os EUA começaram transferir para Letônia grandes quantidades de armamento, incluindo tanques, veículos de combate de infantaria, caminhões, helicópteros, em preparação para os exercícios Atlantic Resolve.
Além disso, para Lituânia serão deslocados cinco tanques americanos Abrams e mais dez outros veículos.

Tradução: O. Kowaltschuk

segunda-feira, 9 de março de 2015

Poroshenko entregou prêmios: "Shevchenko".
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 09.03.2015

No dia do 201º aniversário de nascimento de Taras Shevchenko, o presidente entregou o Prêmio Nacional em nome de Taras Shevchenko, do ano 2.015.
Os vencedores deste ano foram o poeta Yurii Buriak - pelo livro de poesias "Não é morto o mar", o pintor Mykola Kompanets - pela série de arte "Terra de meus pais" e ilustrações das obras de Mykola Gogol, o escritor Konstantin Moskalets - pelo livro de crítica literária e ensaios "Alarmes", e também o ator Petró Panchuk - pela encarnação da imagem de Taras Shevchenko na cena do teatro nacional.
No rádio, os ukrainianos organizaram uma maratona chamada "Shevchenko mobiliza". Consiste em leituras das poesias, escritas por Taras Shevchenko, durante o dia de hoje ( 9 de março). O presidente leu a poesia "Prece". E ele assim se expressou: "Os serviços especiais russos, incessantemente trabalham para desestabilizar a situação na Ukraina, para reforçar a agressão interna com discórdia e brigas. 
 

Portanto, este poema de Taras é a nossa luz guia; por isso todos os dias peço ao Todo-Poderoso para enviar-nos a unidade e fraternidade", - disse Petro Poroshenko.

***

O "testamento" de Taras Shevchenko os diplomatas homenagearam em nove idiomas: francês,
 polonês, chinês, alemão, italiano, espanhol, turco, árabe e inglês.
E abaixo a minha tentativa para o português - parte final:


Enterrem e levantem,
Grilhões arrebentem 
Com sangue ruím do inimigo 
A liberdade aspirjam

E a mim, na grande família, 
Na família livre, nova, 
Não esqueçam mencionar 
Com boa e silenciosa palavra.

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 8 de março de 2015

Notícias ukrainianas - 08.03.2015
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana)

Filha de Nemtsov: Governo da FR envolvido no assassinato.
Jeanne, a filha mais velha, acusou as autoridades na morte de seu pai."Tenho certeza de que foi um assassinato encomendado" , - disse Jeanne Nemtsov. 
Ela está convencida de que foi "um assassinato cometido com o total apoio do poder" e "que os autores podem ter certeza de que não serão punidos". "Ele foi morto porque era contra o Kremlin. É claro". - Acrescentou a filha de Nemtsov.
"Alguém será punido, mas não será aquele que é realmente culpado". 
Ela também apontou para as graves consequências desta morte, para oposição russa: "E não vejo mais políticos oposicionistas na Rússia, a oposição perdeu seu líder", concluiu.

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"Silêncio" na zona da ATO: um soldado morreu e três foram feridos.
Nas últimas 24 horas verificaram-se constantes ataques contra as posições das forças ATO, nas regiões habitadas em Luhansk em Artemivsk, Avdiivka, Opetne, Pisky, e na região de Donetsk, em direção a Sherokiny e Mariupol.
Os militantes atiram de morteiros e lançadores de granadas.
Os grupos armados ilegais, conduzem ativamente os treinamentos de combate, a acumulação de recursos e renovação da disponibilidade técnica. 
Na direção de Donetsk verifica-se o acúmulo de equipamentos militares e terroristas. A técnica pesada permanece em Donetsk, Makiivka, Zhdaniv e Khartszyzk.
Além disso, as forças terroristas intensificam  o reconhecimento aéreo: foram fixados 18 voos de aparelhos letais, sem piloto, na direção de Donetsk, Artemivsk, Kramatorsk e Mariupol. Na direção de Mariupol, às 8:00 horas da manhã, foram fixados 8 voos.

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Observadores da OSCE visitaram o aeroporto de Donetsk. Ouviram explosões.
Um grupo de observadores da OSCE visitou o aeroporto (ruínas) de Donetsk. Entre 10 h e 15 min a 11 h e 40 min ouviram pelo menos 50 explosões - a maioria de lançadores de granadas e disparos de armas de pequeno calibre e metralhadoras. Entre 11 h e 49 min e 12 h e 05 minutos ouviram tiros de morteiro. (Ali não houve luta, o exército ukrainiano não está nas ruínas do aeroporto. Talvez seja treinamento - OK).

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Putin não muda sua estratégia em relação a Ukraina - Ministro das Relações Exteriores da Grã Bretanha.
Nenhuma alteração nas intenções estratégicas do presidente russo Vladimir Putin em relação a Ukraina não aconteceu, apesar da assinatura do acordo de Minsk sobre cessar fogo, disse o Ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha Philip Hammond.
"Houve uma diminuição da violência, mas eu não percebi mudança nas intenções políticas de Vladimir Putin. Agora a questão sobre meios ele aproveita para atingir sua meta" - concluiu Hammond.

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Ministério dos Assuntos do Exterior: Ukraina está pronta para um diálogo justo com Donbass" e eleições.
Kyiv está pronto para conversar com os representantes de Donbass, mas não com os comandantes de campo, e sim com aqueles que a população eleger em eleições legítimas, afirmou o Vice´Ministro das Relações Exteriores Vadym Prystaiko.
"Na situação atual existe a necessidade de "costurar" Ukraina, da qual arrancam pedaços nossos vizinhos, e nós estamos prontos para ir ao encontro, incluir a opinião da população local dessas regiões. Mas, nós não podemos e não vamos conversar com os comandantes de campo", - declarou ele.
"Para isto tem eleições e aquele, que for escolhido representará a região e participará na continuação do processo político. Mas concordar com certos cidadãos russos ou mercenários e fazer deles líderes de Donetsk e Luhansk - não é justo", - declarou Prystaiko.
Ele sublinhou que as eleições nas controladas "DNR - FSC" somente podem realizar-se após a remoção de armas e militares, e este fato deve ser fixado pela OSCE.
"Nós não podemos realizar as eleições, quando na região encontra-se quantidade desconhecida de grupos armados estrangeiros e simplesmente alguns clones.
Como sabemos, "DNR" e "FSC" declaram a retirada de armas pesadas a partir da linha de fronteira no Donbas, mas isto não é confirmado pela OSCE. Na sede da ATO declaram, que os terroristas apenas imitam a retirada das armas, juntando as forças e reagrupando-as em outras regiões.

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Nadia Savchenko, após 83 dias da greve de fome suspendeu-a parcialmente.(Nós últimos dias ela não aceitava nem a glicose que injetavam em sua veia). Agora ela aceita um alimento - canja de aves, para poder lutar. Seu estado de saúde estava cada vez mais problemático. Tomará que haja recuperação total.

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Zaur Dadayev confessou ter assassinado Boris Nemtsov.
De acordo com o relatório, durante o anúncio da prisão de Dadayev, o juiz afirmou que sua culpa é confirmada por seu testemunho. 
Dadayev é considerado culpado nos termos do artigo 105 - parte 2, pontos g e z. (assassinato cometido por um grupo organizado por motivos de ganância ou por encomenda, também combinado com roubo, extorsão ou banditismo), e também o artigo 222 (compra ilegal, armazenamento e transporte de armas) do Código Penal.
A mãe de Saur Dadayev - Aymani Dadayev  - relatou que seu filho, durante os últimos dez anos serviu nos órgãos de aplicação da lei da República da Chechênia,incluídos no batalhão "Norte".
O batalhão do Ministério do Interior "Norte" foi criado na base de combatentes chechenos, que são leais ao presidente da Chechênia, Ramzan Kadyrov.

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Rússia, em 2014 exportou armas no valor de 10 bilhões de dólares.
Os maiores compradores são: China - 2,3 bilhões de dólares, Índia 1,7 bilhões, Venezuela e Vietnam um bilhão cada.

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Putin contou, como preparou a anexação da Criméia e  como "salvava" Yanukovych.
Os detalhes da anexação Putin conta no filme "Caminho para casa" que breve passará no Canal da TV "Rússia 1". Ainda não tem data marcada.
E, em 23.02.2014 ele deu ordem aos serviços de inteligência para "salvar a vida do presidente da Ukraina, que em sua opinião seria destruído". As forças russas estavam prontas para tirar Yanukovych da Ukraina por terra, mar ou ar.

Tradução: O. Kowaltschuk

quinta-feira, 5 de março de 2015

Vida em isolamento. O atual Donetsk segundo o voluntário Eugene Shubalov.
Ukrainska Pravda Zhyttia ( Verdade Ukrainiana Vida), 03.03.2015
Halyna Tytysh

"Vamos conversar em ukrainiano, para que você não pense, que em Donetsk todos são falantes de russo" - diz o voluntário de 33 anos, dos "Cidadãos Responsáveis" Eugênio Shybalov (Jenia - tratamento carinhoso).
Atualmente, ele pede para apresentá-lo dessa forma - voluntário, embora antes da guerra ele era jornalista de um dos principais meios de comunicação ukrainianos. Agora, não há tempo pra escrever textos - Jenia, seu irmão e mais dezena e meia de correligionários transporta e distribui ajuda humanitária aos moradores pacíficos de Donetsk, e outras cidades da região.

"Nós, segundo princípio, não expressa os nossos pontos de vista durante a operação", responde categoricamente à minha pergunta sobre neutralidade.
"Mesmo se a vovozinha, à qual você trouxe ajuda, cobrir as autoridades ukrainianas com xingamentos, você silenciará?" - provoco o voluntário. Mas Jenia responde calmamente: "Sim, porque eu não posso criar problemas aos colegas. Nós, simplesmente ouvimos e ajudamos".
Tais regras internas dos "Cidadãos Responsáveis" lhes permite trabalhar nos territórios ocupados - eles, os locais conhecem, embora até agora, periodicamente, os acusam de espionagem. Isto faz cada um dos lados da linha da frente.
"Cada um do nosso grupo já ficou no porão" - com um sorriso e sem drama diz o Eugênio.
Enquanto ele está em Kyiv, por alguns dias, caço-o para conversar sobre a vida na cidade ocupada. Hoje, a si e aos moradores de sua cidade Jenia denomina: "Pessoas atrás do arame farpado".

VIDA EM DONETSK NO PRESENTE
A grande metrópole tem certo estoque de tenacidade. Havia a preocupação, se Donetsk sobreviveria no inverno. Sobreviveu. E se sobreviverá ao próximo - isto já é uma grande questão.
A situação piora de acordo com o reforço do bloqueio da cidade. Pouco a pouco ficam mais caros e desaparecem os bens básicos, produtos, alguns medicamentos. Por outro lado, as pessoas têm, cada vez, menos dinheiro, por outro - os preços subiram, em relação às áreas ocupadas diferem quase em dobro.
Além disso, muitos produtos simplesmente não há. Em alguns lugares desaparecem as verduras, ou alguns cereais, ou açúcar. Vários grandes hipermercados, como o "Ashan", estão vazios, porque já venderam tudo o que estava armazenado.


O último problema que enfrentamos antes  da viagem, - nos grandes postos, começou desaparecer a gasolina. Isto é lamentável, porque eu não entendo, como vão abastecer os rápidos e os carros dos bombeiros.
Em Donetsk, quase sempre durante esta guerra, surgiam problemas com eletricidade, gás, água. Porque quaisquer episódio de batalha, independentemente como terminava - é 100%  caso de danos de comunicação.
As equipes de reparos tinham possibilidade de ir aos locais onde o tiroteio cessava. Ainda há fogo e fumaça - e já as concessionárias de água e eletricidade concertam o que foi danificado.

QUANTO SOBROU E QUEM EXATAMENTE
De acordo com vários dados, permanece, no mínimo 70% da população pré-guerra. Isto é, de um milhão, na cidade há 700 mil habitantes, no mínimo. E, das pequenas cidades, em geral, poucas pessoas saíram, simplesmente por falta de meios.
Foram embora os que tinham dinheiro. "Nata da Sociedade" - eles são os primeiros. Já em Kyiv eu vi como eles ocuparam todos os estacionamentos com seus "Lexus" com placas de Donetsk.
Em seguida foi a classe média - já as primeiras verdadeiras vítimas da guerra. Aqueles, que perderam emprego, moradia, meios de subsistência. Aqueles, que com últimos esforços recolheram algum dinheiro para viajar e nos primeiros mês-dois estabelecer-se em um novo lugar. Aqui já há muitas histórias dramáticas. 
E ficaram - aqueles que não puderam sair por razões materiais ou por motivos de saúde. Ou aqueles que receberam trauma psicológico, em resultado de encontrar-se na zona de combate.


Compreenda, pessoa militar sempre tem para onde voltar.
Pessoa civil, primeiro, nada escolhia. Ela vivia em sua casa e encontrou-se em guerra. Segundo, se ela vive em sua casa durante a guerra, ela não tem um lugar calmo para onde possa voltar e relaxar. Um morador pacífico não tem movimento, mudanças.
Pessoas que permanecem na zona de combate - são pessoas que receberam traumas. E sem reabilitação psicológica, muitos deles não são capazes de decidir conscientemente o seu destino.
É por isso que lá há muitas pessoas que se recusam a deixar os abrigos por lugares de evacuação. Eles não podem dar explicações racionais.
Quando "Médicos sem fronteiras" trouxeram a primeira equipe de psicólogos, que se especializam no trabalho em "pontos quentes", então já os psicólogos nos explicaram, que a pessoa, inconscientemente, irracionalmente, tem medo de deixar o único lugar em que se sente segura.
Ela pode, num nível consciente dar qualquer argumento, mas basicamente - este é trauma psicológico, experimentado pelo medo. Aquele que sobreviveu ao fogo várias vezes, especialmente se morreram pessoas conhecidas, teme deixar o abrigo, deixar o único lugar onde é possível sobreviver a próxima noite.
Ou seja, o horizonte de planejamento futuro estreita-se "Sobreviver até a noite, depois viver a manhã".
Este é o único propósito da vida.


Ninguém sabe totalmente, quantas pessoas há lá. Nós sabemos daqueles abrigos, com os quais ocupa-se o nosso grupo. No geral, são 17, e neles, constantemente, vive próximo mil pessoas.
Nós os visitamos diariamente, segundo uma agenda. Por sorte, já existe um projeto especial de várias missões internacionais, de ajuda a tais pessoas.
Nós não possuímos vastos recursos, mas podemos levar ajuda à "Zona Vermelha" - áreas adjacentes à linha da frente, onde há ações de combate.
O protocolo de segurança de grandes organizações não lhes permite ir até lá, mas eles tem muito o que levar. E nós, pelo contrário: protocolo de segurança não temos e levar também quase nada especial. É exatamente nisto que se constrói a nossa cooperação. 
Infelizmente, o protocolo de nenhuma grande organização permite levar remédios à zona da ATO. Exatamente por isto - medicamentos são importantes - principalmente o que nós compramos com doações privadas dos cidadãos. Pelo que agradecemos muito.
Em Donetsk não há epidemia de uma doença, que requer remédios. Nas pessoas, simplesmente exacerbaram-se problemas crônicos de saúde, uns com pressão alta, outros com derrames, alguns com problemas cardíacos...

E mais um grande problema - pequenas cidades dentro da zona da ATO. Elas estão cortadas das estradas principais e inacessíveis para as ambulâncias "rápidas" e cuidados médicos nos hospitais estacionários.
Por exemplo, há a vila Komunar, próximo a Makiivka. Lá vivem 2,5 mil pessoas, delas a população ativa - algumas centenas. Todos demais - pensionistas, deficientes, etc.
Então, o que acontece lá agora. A aldeia é além das vias de comunicação. Esta e mais algumas aldeias próximas serve uma ambulância. E uma clínica estacionária, à qual com transporte público - com dois transbordos.
As pessoas lá, ainda assim, de alguma forma se mantém. Elas, no palácio local da cultura, fizeram uma mesa social, sozinhas preparam, sozinhas alimentam às avozinhas e os avozinhos que já não conseguem andar - levavam comida, os que podiam andar - vinham e eram alimentados.
Quando nós chegamos com a ajuda voluntária, eles nos contaram, que um dia antes da nossa chegada enterraram duas avozinhas devido a uma única causa - na aldeia havia uma única farmácia, cujo proprietário fechou a loja devida a ausência de procura, as pessoas não tem dinheiro para comprar seus remédios. As duas avozinhas sofreram ataque cardíaco normal, que acontece às pessoas de avançada idade, e que, geralmente é tratado com um comprimido debaixo da língua.
Mas não havia comprimidos. E não havia dinheiro para eles. E duas pessoas morreram...

SOBRE SISTEMA DE PERMISSÃO DE PASSAGEM
Após a introdução do sistema de licenças houve algumas semanas uma espécie de loteria "permitirão a saída - não permitirão". Ou seja, em alguns postos de controle, fronteiriços, ainda diziam, que pode sair-entrar, mas nos outros já não permitiam. O sistema estabeleceu-se no final de janeiro.
Após a introdução do sistema, o nosso sistema de trabalho mudou, mais da metade de nossos membros ainda não tem autorização. Agora, de vinte pessoas trabalham apenas sete.

Por um lado nós falamos sobre humanidade, compaixão, catástrofe humanitária, preservação da unidade. De outro lado, confrontamo-nos com o fato, de que parece que nosso país é contra as pessoas apoiarem entre si mútuas relações pessoais. Tal estranha situação.
Infelizmente, devido a tal sistema de salvo-conduto nós, ainda, não nos ocupamos com evacuação. Porque não temos certeza, que a pessoa que exportamos, liberarão na linha de demarcação.
Eu não tenho conhecimento sobre subornos nos postos de controle. Mas eu vi com meus olhos, quando pessoas, incluindo mulheres com crianças pequenas, e pessoas deficientes, simplesmente desembarcaram do ônibus de linha no posto de controle, porque elas não tinham licenças. Elas foram obrigados a preencher um requerimento e voltaram para Donetsk. E isto aconteceu durante a ativação das hostilidades antes do segundo acordo de Minsk. É assim que funciona.
E o que pode responder um militar a todas as reivindicações e maldições? Nós seguimos ordens".


Em conversa com os nossos parceiros internacionais eu enriqueci meu léxico do vocabulário inglês com a palavra "humiliation" - humilhação. Porque eles imediatamente disseram, que isto é humilhação de milhões de pessoas. E isto, de modo algum ajuda na reconciliação, resolução do conflito ou término da guerra.
Eles acreditam, que com esta decisão o governo ukrainiano prolongou a guerra por, pelo menos, alguns meses. Simplesmente porque, tal humilhação de sua dignidade, as pessoas simplesmente não perdoam. E em segundo lugar, os britânicos, que já viveram a experiência trágica da Irlanda do Norte, agora em tom de brincadeira nos chamam de "pessoas por trás de arame farpado."
Porque na Irlanda do Norte, para os que as autoridades britânicas suspeitavam de envolvimento com o IRA, eram criados semelhantes guetos e reservas. Bairros inteiros nas aldeias eram cercados por arames farpados e postos de controle, ou criavam-se os chamados campos de prisioneiros.
Sua principal diferença em relação à prisão de costume, é que as pessoas que se encontram nestes campos chegavam lá sem julgamento, sem acusação. Simplesmente por suspeita de deslealdade com o governo ou o envolvimento com insurgência. E permaneciam lá, às vezes, por vários anos. 
Uma certa reconciliação começou como movimento político pela libertação das pessoas. 
A mim nesta situação o que mais me preocupa é o fato de que Ukraina cada vez mais lembra Rússia, que em tais situações não se preocupa com a vida de cidadãos pacíficos, quando isto exige o interesse público. 
O comportamento tradicional europeu neste caso - tenta até o final salvar a vida de cidadãos pacíficos.
Em alguns abrigos anti-aéreos vivem 6 - 7 pessoas que perderam completamente todos os documentos durante os bombardeios. Não existe nenhuma identificação da pessoa. 


Isto é sol. Ele foi pintado pelas crianças.
Porque o sol verdadeiro eles vêem raramente - vivem em abrigos.
Três perguntas mais frequentes que ouvimos nas regiões bombardeadas: "quando terminará a guerra", onde está minha pensão", "como restaurar meus documentos".
Somos impotentes nestas questões. Alguém, simplesmente, não conseguiu receber documentos - como os que nasceram durante o conflito. Há, ainda, os órgãos da guerra, quando os pais, ou morreram, ou, devido a trauma psíquico, não são capazes de cuidar os filhos.
A criança é entregue para abrigo. Abrigo, que oficialmente foi "evacuado" no final de julho - mas nós lhe prestamos ajuda, - embora, em princípio, aqui ele não pode existir.

Eis duas menininhas que foram afastadas da mãe que bebia muito. A menor apanhava muito porque não podia pedir esmola, ela tem paralisia cerebral. Levaram estas crianças para um abrigo, elas não tem nenhum documento.
O sistema de salvo-conduto deixa todas estas pessoas sem nenhuma possibilidade de abandonar o território perigoso.

BLOQUEIO DE INFORMAÇÕES
Esta é uma grande ilusão, que as pessoas  de lá não seguem os acontecimentos na Ukraina. Eles o fazem através de todos os meios de comunicação disponíveis.
Mesmo aquelas pessoas, que percebem os acontecimentos na Ukraina através da TV russa, ou local, criada pela administração da "DNR". (Tanto uma fonte, quanto a outra distorcem ou apresentam apenas o que lhes convém - OK), por primeiro atentam aos acontecimentos na Ukraina, ações e declarações do governo ukrainiano. Nem sempre aceitam as informações obtidas positivamente, e para isso têm muitas razões.

Mas, entre os pólos de propaganda há o meio, a dura realidade.
O residente pacífico vê que ao seu bairro veio o sistema "Grad". Disparou tiros e foi embora. Mas, ele também vê que o exército ukrainiano atira em resposta, sem um objetivo específico. Atira sobre a sua região.
Como falar com este morador? Se você está pronto a ajudar, ajude. Uma pessoa normal não pode deixar de compreender os civis que se viram sob o fogo - não importa de que lado veio o projetil.
Simplesmente, precisamos demonstrar uma atitude humana.

Quando nós falamos sobre questões humanitárias e nos dirigimos  às pessoas com pedido de ajuda aos civis pacíficos, que permanecem lá - nos enviam ajuda todas as regiões de Ukraina apesar de criar-se uma dupla imagem do mundo que o país inteiro odeia Donbas. Isto não é verdade. Últimas remessas que recebemos para crianças e mulheres vieram de Kyiv, Lviv, São Petersburgo, Londres, Áustria. 

Propaganda às vezes é útil e necessária. O problema é, especialmente com a propaganda militar, porque seu principal objetivo - fazer você deixar de ver a pessoa do outro lado. Uma espécie de desumanização, como franco-atirador. Se, de repente, perceberem, que são pessoas de ambos os lados, tornar-se-á mito mais fácil.


Afinal, de onde veio a idéia de que todo Donbas queria Putin, Rússia e DNR?!
A única razão para dizer, que a maioria é a favor de Putin, Rússia e DNR e contra a Ukraina - é o resultado do chamado "referendo". realizado pela DNR. Então me diga, podemos considerar pessoa consciente, para a qual os dados da "Comissão Eleitoral da DNR, replicados com a TV russa, - são fonte confiável de informação?
O "referendo" eu vi com meus próprios olhos. Foi organizado de modo a que não houvesse possibilidade de verificar a autenticidade dos resultados.
Os resultados da última pesquisa realizada na primavera mostram a maioria pró-ukrainiana.
Afinal, a maioria foi para Ukraina. As pessoas escolhem Ukraina porque elas são cidadãs deste país, têm passaporte ukrainiano e, teoricamente tem alguns direitos. Na Rússia, elas não são cidadãs. E, aos estrangeiros, especialmente aos com o estatuto de refugiados, Rússia coloca-se como império - sem humanidade. As pessoas sabem disso.
Seja o que for que mostrava o "primeiro Canal", os ukrainianos de Donbas sempre souberam como, na verdade, tratam os ukrainianos na Rússia. Porque frequentemente lá estiveram, aproveitando a não necessidade de visto.

SOBRE O FUTURO
Aqueles que ainda têm emprego, agarram-se a ele com todas as forças.
Ouvi rumores, de que as empresas que ainda trabalham em condições de bloqueio, aproveitam vários esquemas obscuros, de corrupção, para que seus produtos possam ultrapassar a zona ATO - aos mercados russo e ukrainiano.
Sinceramente, este é o caso, quando eu não posso culpar a gestão (governo). Eles dão emprego às pessoas. Ao menos para alguns, ao menos qualquer.

Nós tendemos a esquecer, que além de centenas de milhares de pensionistas, sem serviço e sem pagamento, restaram 30 mil empregados do setor público. Agora observa-se um fato estranho: muitos deles ficaram em casa por um tempo, entristecidos. Agora voltam para o que sabem fazer - retornam ao trabalho.
Atualmente quase todos eles - são voluntários.
Mas eles estão confusos. Por um lado, eles não sentem nem desejo, nem capacidade da DNR para reconstruir algum tipo de gestão, administração desses territórios.
Por outro lado, eles realmente sentem-se traídos. Sua principal  pergunta: Por que isto aconteceu conosco? Nós trabalhamos honestamente para este país por aquele pequeno salário, que o país sempre pagou aos médicos, professores e outros funcionários. E, em uma situação de caos total, nem sequer lhes disseram o que fazer.


Deixaram sem atenção muitas perguntas. Por exemplo, veio indicação "Evacuem-se".
O hospital psiquiátrico pergunta: "O que fazer com os pacientes?" Eles não podem ser deixados sozinhos, no outono seu estado agrava-se, socialmente eles estão desadaptados. Nenhuma resposta.
Vem indicação para escola ou universidade: "Partam". Pedagogos perguntam. "Bem, para bilhete nós ainda conseguiremos do salário do professor. Será que teremos moradia, ou meios para alugá-la. Haverá um novo trabalho, pelo menos em uma posição similar, em outras regiões?" Mais uma pergunta sem resposta (Os jornais noticiaram a transferência de algumas universidades, acompanhadas de parte de professores e alunos. Inclusive foi adotado, para alguns alunos, o ensino a distância, e houve casos que a universidade continuou funcionando no local e origem, para atender os alunos que permaneceram lá - OK).

O principal problema atual é que nenhum lado tem idéia sobre o futuro.
Quem, primeiro, formular algum propósito, algum plano demonstrar que o processo já se iniciou - terá a simpatia da população.
Pensando sobre o futuro que Ukraina pode dar às pessoas do Donbas, há três variáveis:
Primeiro. Ukraina pode dizer: "Gente, esperem, nós lutaremos pela vitória, enquanto DNR e FSC e todas as suas formações não forem destruídas totalmente"
Segundo: "Bem, nós vimos, que vocês não estão conosco, vamos dar andamento para separação dessas áreas."
Terceiro: "Nós aceitamos o plano de reintegração política, nós colocamos uma condição fundamental única para conservação da integridade territorial, e tudo o mais - o estatuto de autonomia regional, seus direitos linguísticos, culturais e econômicos - estamos prontos para discutir. Tudo isto está no espaço do compromisso.
Mas, precisa marcar, finalmente, uma meta. Simplesmente para que haja resposta à pergunta: para que tudo isto?
Pessoalmente eu acredito, que nós não somos mais estúpidos e mais violentos do que aquelas nações, que foram capazes de atravessar a reconciliação nacional. Mas, infelizmente, já não acredito que somos mais sábios e melhores, para fazer isto mais rápido do que outros países.
(Parece que o autor esquece a influência russa sobre a população de Donbas. Não creio que haverá paz na Ukraina, enquanto houver interesse do governo russo (Putin) nesta região - OK).

Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 1 de março de 2015

Na Rússia marcham em memória de Nemtsov. Há detidos.
Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana), 01.03.2015

Na Rússia acontece a ação em memória de Boris Nemtsov, baleado na noite de 28 de fevereiro.
O maior evento realiza-se em Moscou: aqui os participantes marcham a partir da estação "China Town" para Moskvoretsk Great Bridge onde foi baleado e morreu o opositor russo.


Para verificação com detectores de metal, antes da procissão houve uma enorme fila, houve confusão na estação de metrô "China Town"


Muitas pessoas com bandeiras da Rússia e flores. Foi calculada participação de 50 a 100 mil pessoas.
Um grupo de participantes traz um cartaz  "Estas balas - para cada um de nós."

Ponte onde mataram Nemtsov
Cartaz na foto de São Petersburgo: "Não esqueceremos! Não perdoaremos!"


Mais uma coluna de São Petersburgo diz: "Lustração completa".


Na marcha em memória de Nemtsov foi detido o deputado ukrainiano Alexey Goncharenko.


"Queriam tomar meu passaporte, depois devolveram. Ao retirar-me do camburão, bateram.
"Eu estava marchando em silêncio, não emiti nenhuma senha ou chamamento, não portei cartazes ou bandeiras - fui preso, simplesmente, pela camiseta estampada com foto de Nemtsov" - disse Goncharenko.
Goncharenko será entregue ao Comitê de Investigação da FR. Ele poderá ser suspeito ou testemunha no processo criminal em conexão com os eventos em Odessa (Ukraina), em 02.05.2014, quando um incêndio na casa de Sindicatos, após confronto de rua matou dezenas de pessoas. 
O cônsul ukrainiano já está tratando do caso.
(Eu não entendo qual a relação com os confrontos na Ukraina (ainda mais porque Rússia sempre diz que não tem nada a ver com os eventos na Ukraina), a quase um ano atrás, e a participação na marcha fúnebre por um russo, de um ukrainiano! - OK).

Não houve restrição para bandeiras. A maior quantidade delas foi da Rússia.

Rússia estimou o assassinato e está disposta a pagar 3 milhões de rublos pela informação valiosa para investigação (Será que não sabem??? - OK).
A moça Anna Durytska estava com Nemtsov. Presenciou o assassinato. Ela é ukrainiana. Está detida como testemunha.

Tradução: O. Kowaltschuk