sábado, 9 de julho de 2016

Suborno com forca de Putin
Anatomia da "dívida de Yanukovych". Deve Kyiv pagar este empréstimo?
Ukrainskyi Tyzhden (Semana Ukrainiana), 08.07.2016
Liubomur Shavalhyuk, Vitaliy Melnychuk


Divisão da União Européia, "jogo de iguais com EUA", destruição da Ukraina como um estado soberano - principais problemas geopolíticos do Kremlin, para solução dos quais a Rússia de Putin gasta enormes quantias de dinheiro. E não apenas para um armamento moderno, manutenção de exército de 800 mil soldados, guerra de informação, anexação da Criméia. E ocupação das terras do Donbas ukrainiano. Significativa parte do orçamento de Kremlin constitui o dinheiro para "amigos de Putin", para corrupção e suborno que, que segundo os cálculos do Kremlin compensam-se com dividendos geopolíticos e estratégicos. Ukraina não é exceção.

Transações financeiras do Kremlin

Rússia fornece suporte financeiro ilegal a partidos  da extrema direita e da esquerda na Europa para, com suas mãos difundir o processo de destruição da União Européia. Ela mantém no Donbas ocupado as chamadas DNR e FSC e a quinta coluna na Ukraina para desestabilizar a situação e conduzir ao poder as forças anti-ukrainianas. Ela foi pega no suborno aos mais altos dirigentes da FIFA pelo direito  de sediar a realização  da Copa do Mundo. Rússia legalmente e ilegalmente compra políticos proeminentes e figuras públicas de outros países, para ter influência nas políticas internas e externas desses países.

Recentemente os Estados Unidos anunciaram o início de uma investigação em grande escala sobre o financiamento de partidos e políticos no estrangeiro financiados pelo Kremlin, a qual sob o encargo do Congresso realiza a Inteligência Nacional dos EUA, avisa The Telegraph. O principal lugar nesta investigação poderiam ocupar as transações políticas e financeiras do Kremlin na Ukraina, sobre uma delas nesta investigação.

"Dívida de Yanukovych"

No final de novembro de 2013 entre o pró-Kremlin presidente da Ukraina Yanukovych e o presidente da FR Putin foi alcançado o acordo, que Rússia dará um empréstimo para Ukraina no valor de US $15 bilhões a 5% ao ano.

Segundo indicação de Yanukovych, para recebimento deste empréstimo o governo de Azarov assumiu a implementação da liberação (edição) de títulos de empréstimo (externo) no valor de  
$15 bilhões em algumas tranches e colocá-los em Dublin no Irish Stock Exchange. Daqui, os términos dos "Eurobonds ukrainianos", quando os títulos do governo ukrainiano são colocados e vendidos  em um dos mercados europeus e denominados em dólares, euros ou outras moedas estrangeiras.

Rússia, por sua vez, comprometeu-se a comprar os Eurobonds ukrainianos na Irish Stock Exchange, todas as parcelas, integralmente. 

24 de dezembro de 2014 os Eurobonds ukrainianos, ou melhor, "títulos Yanukovych - Azarov", foram colocados na Irish Exchange e imediatamente comprados pelo lado russo. E já no dia seguinte o primeiro tranche do empréstimo de $3 bilhões entrou nas contas do Tesouro da Ukraina. E já que depois do acordo com Putin Yanukovych em 20 de fevereiro fugiu da Ukraina Para Rússia, esta parcela foi a primeira e a última.

Na nação este empréstimo denominam "dívida de Yanukovych." Na verdade é, mas formalmente, legalmente o dinheiro foi recebido pelo governo da Ukraina, e seu beneficiário final foi o orçamento do Estado, naquele tempo totalmente controlado por Yanukovych através de seus capangas Azarov, Alexander Yanukovych (filho do ex-presidente Yanukovych -OK), Arbuzov, Klimenko e vários outros que faziam parte da "família".

Assim, hoje, a dívida deve ser devolvida do orçamento do Estado, ou seja, o dinheiro dos contribuintes, nosso e seu dinheiro.

E é correto, que hoje, às nossas custas o governo devolverá a Putin, que conduz guerra contra nós, o dinheiro, que de fato, em seus próprios interesses tomou o bandido, cuja revolta popular derrubou do "trono" e expulsou para Rússia? Aqui há algumas nuances.

Putin queria dar este empréstimo. 

Os resultados da nossa auditoria e análises administrativas mostraram, que Rússia forneceu o empréstimo a Yanukovych a despeito da lógica econômica, bom senso e avaliação sóbria da situação. Forma-se a impressão, que Putin queria muito dá-lo a Yanukovych, como evidenciam os seguintes fatos.

Primeiro. Dinheiro disponível naquele tempo Rússia não tinha, e a situação econômica não era suficientemente favorável. Além disso encerrava-se o ano fiscal, agiam severas restrições quanto aos empréstimos para o exterior, cujo limite estava esgotado. O dinheiro "encontraram" no soberano Fundo do Bem-estar Nacional da FR (FND), que acumula petrodólares excedentes, resultantes de altos preços da energia para pensões russas. Em seguida "com a liberdade superior" fundos para futuro empréstimo de Yanukovych reservaram em FND e, como a primeira parcela ($3 bilhões) "investiram" em "Eurobonds ukrainianos".

 Segundo. De acordo com a legislação em vigor na Rússia FND podia investir no exterior apenas em títulos de governos estrangeiros, da mais alta classificação (AAA), que então possuíam apenas 14 países, incluindo EUA, Alemanha, Reino Unido. Na Ukraina a classificação era cinco vezes menor (B-). E, para criar a aparência de legalidade deste acordo, o governo russo, de fato, passou por cima da lei e na melhor tradição de controle manual em 23 de dezembro, um dia antes da emissão de obrigações da Ukraina, aprovou uma resolução especial, na qual autorizou a si mesmo investir em títulos de risco de outros países na "base em normas governamentais específicas." Imediatamente foi emitido outro decreto russo, que autorizava o investimento em "eurobônus ukrainianos."

Terceiro. Desde o início, não havia nenhuma atração no investimento do "empréstimo de Yanukovych". Do lado de fora, ela era vista como um desperdício de dinheiro russo, acumulado para aposentadoria de cidadãos russos. A taxa de juros não era do mercado e foi de 5%, quando na época Ukraina pagava nos mercados financeiros globais 8 - 10% anuais.

Quarto. Em 2013 a economia da Ukraina encontrava-se em estagnação e lentamente rolava para uma recessão. O déficit em conta corrente no final do ano era de US $ 16,5 bilhões. As reservas cambiais caíram em 2013 para $ 7,1 bilhões (se não contar o empréstimo, conhecido como "dívida de Yanukovych"). Era necessário financiar esses buracos.

Ou seja, de acordo com as nossas condições, dois anos após o recebimento da primeira parcela da divida de US $3 bilhões simplesmente seriam enterrados na areia para manter a "estabilidade" de Yanukovych. Na verdade, eles seriam gastos muito mais cedo: agora nós sabemos, que em 2014 começou um declínio acentuado nos preços das commodities globais, e depois da Ukraina obter $ 3 bilhões nos mercados financeiros, dos quais o regime Yanukovych tirava liquidez durante 2011-2013, completamente fechou-se para nós. O regime Yanukovych não conseguiria devolver este dinheiro.

Interesses superiores

Por que então, apesar dos fatos mencionados, o pragmático, duramente sóbrio Putin (assim ele é caracterizado por peritos competentes e, parece que não se enganam) deu bonificado,  não lucrativo economicamente e sem sentido de investimento "crédito" a Yanukovych?

Parece, que o presidente russo, perfeitamente entendia, que Yanukovych não vai devolver o dinheiro, e com isso contava, porque naquela situação as taxas para Putin eram muito mais elevadas, que os US $ 15 bilhões do dinheiro de pensões russas. 
Tentaremos defini-las

Em primeiro lugar. Um dia depois das conversações de Yanukovych com Putin em Sochi, 27 de novembro de 2013, na cimeira em Vilnius, da Parceria Oriental, Yanukovych se recusou da assinatura do Acordo de Associação com a União Européia.

Simplesmente aquela recusa era uma das condições para o recebimento do dinheiro da Rússia e da primeira parcela de $3 bilhões - não é nada além de uma primeira parcela de Putin a Yanukovych pela recusa da integração européia e para sufocamento do Euromaidan, que naqueles dias já expressava sua posição cidadã. Suborno como o chamou o presidente Poroshenko.

Se a recusa de integração européia da Ukraina não estivesse então na ordem do dia de reuniões privadas entre Putin e Yanukovych, então Yanukovych não teria senso um dia antes da cúpula em Vilnius voar para Sochi para conversações organizadas "sobre cooperação estratégica". Os encontros oficiais de tal nível programam-se durante meses e nunca acontecem da forma como foi então.

Em segundo lugar. Praticamente não há dúvidas quanto ao segundo acordo geopolítico de condições do empréstimo. Ukraina em 01 de janeiro de 2014 era obrigada entrar na União Aduaneira e Comunidade Econômica da Eurásia (EurAsEC) - organização internacional pseudo-econômica, a qual não tem nenhum senso econômico para Ukraina, em compensação dá para Rússia muitas alavancagens de influência política.

Este acordo decorre também, de quão ativos em 2013 eram os histriões do Kremlin, na semelhança de Glasiev, auxiliar de Putin, e seus capangas na Ukraina, que com base em cálculos  "científicos" falsificados seriam em grande escala de concretos números as  vantagens para nosso país a entrada à Comunidade Econômica da Eurásia e perdas, que terá em sua economia da integração européia.

Terceiro. Especialistas afirmam, que uma das condições era também a transferência de empresas ukrainianas do Complexo Industrial Militar para Rússia e, de fato, sua completa integração no complexo militar do estado vizinho. Prova disso foi uma visita naqueles dias ao Dnipro (ex Dnipropetrovsk - OK), Zaporizhye e Kharkiv do vice-premiê russo, que era responsável pelo trabalho do Complexo Industrial Militar da FR. Hoje, para Dnipropetrovsk com visita de trabalho veio o vice-primeiro-ministro do governo da Federação Russa Dmytro Rogozin. Ele visitou as empresas da indústria espacial: KB "Yuzhnoye" e Southern Machine-Building. "Nós estamos prontos para ir tão longe, como longe estão prontos ir vocês", - declarou Rogozin. Jornal "Segodnia ( Jornal Hoje), 03 de dezembro de 2013). A construção da ponte Kerch também foi um dos pontos de acordo, que significava ativa continuação da integração da Criméia à Federação Russa.

Quarto. No final de fevereiro de 2014 o regime de Yanukovych deveria receber a segunda parcela de US $ 2 bilhões. No Irish Stock Exchange até apareceu prospecto "Eurobonds ukrainiano", que esperava seu comprador.  Mas ele não veio. Rússia não comprou os títulos do governo da Ukraina.

Por quê isto aconteceu? Porque com a fuga de Yanukovych, de fato, perderam-se todos os acordos secretos de Putin e Yanukovych, relacionados com "interesses superiores" da Rússia e com o dinheiro como suborno para sua implementação. Se a dívida fosse de natureza financeira, nada impediria a entrada da segunda parcela, e depois das próximas.

"Abandonar khakhla  (Não há tradução. É um adjetivo pejorativo que os russos usam em relação aos ukrainianos - OK)
Mas Putin não seria Putin, se não tivesse planejado a melhor forma de sair do acordo com "khoklov- lokhov, que em seu entendimento era também o conveniente "presidente" Yanukovych, e Ukraina. Certamente, ele não tinha dúvidas, de que retornará com juros não apenas a quantia principal do empréstimo como todos os juros, mas também... Ukraina. Julguem sozinhos.

Primeiro. No contrato de empréstimo foi fixado o único direito da Rússia apresentar os títulos ao resgate no caso, quando a dívida estatal ultrapassar o limite de 60% do Pib nominal da Ukraina. Isso fazia dos proprietários "da dívida de Yanukovych" excepcionais em comparação a outros detentores de Eurobonds e todos os outros credores da Ukraina. Uma vez que a divida externa total  e com garantia do estado no final de 2014 chegava quase a US $70 bilhões, Rússia, possuindo apenas 4,3% da dívida ukrainiana, teria mais impacto, que os credores - proprietários dos restantes 95,7%.

Assim Putin recebeu a possibilidade de forte pressão financeira - forca para Yanukovych, que em face de isolamento internacional, provocado por uma rejeição aguda da integração européia, e de seus próprios interesses entregaria os interesses da Ukraina, um após outro.

Segundo. Uma das condições do empréstimo era de que Ukraina não vai emitir  exigências de encontro de credores como uma rejeição do serviço de dívida. Isto é, se Rússia ficar devendo algo para Ukraina, o nosso governo assim mesmo deveria pagar os juros e reembolsar o montante principal da dívida. 

Isto é muito semelhante à situação atual, em que Ukraina se recusa a pagar a "dívida de Yanukovych", citando a anexação da Criméia e a expropriação do Kremlin de uma parte significativa dos ativos ukrainianos. Mas Rússia diz, que de acordo com o combinado nós não temos direito fazer isso.

Parece, que já naquele momento a FR estava pronta para a anexação da península e modelava os efeitos, registrando as condições adequadas nos prospectos da emissão dos Eurobondes? E isto com o "conveniente"Yanukovych", que assim mesmo entregava tudo a Putin.

Terceiro. Na sua essência, o empréstimo era interestadual, e segundo sua forma, profissional, porque tratava-se sobre eurobonds, que foram listados na Irish Exchange e que poderiam ser comprados por qualquer pessoa jurídica ou física. Comprados 
"Eurobonds ukrainianos", que traziam 5% anuais (com pagamento duas vezes ao ano), poderiam ser vendidos calmamente a qualquer um na Rússia, e além de suas fronteiras. Isto é, a "dívida de Yanukovych"  não é interestatal. É dívida da Ukraina, concreta, embora estatal de pessoa jurídica Rússia.

Quarto. Outro aspecto do crédito - que reside na possibilidade de abuso de seu status. De acordo com especialistas estrangeiros, Rússia se recusou a reestruturar essa dívida dentro dos limites do Clube de Paris, que decide os problemas da divida interestadual, baseando-se no fato, que o empréstimo é privado. No entanto, Moscou não foi na reestruturação da dívida externa da Ukraina diante de credores privados, motivando o fato, que ela tem status oficial, isto é interestadual.

Nós nos encontraremos no tribunal.

Rússia entrou com uma ação contra Ukraina no Tribunal de Londres, quanto a devolução da "dívida de Yanukovych". A questão examina-se.

Por que ela, antes de entrar na justiça, não exigiu o direito de exigir o reembolso antecipado de US $3 bilhões depois que a dívida ultrapassou 60% do PIB? A resposta reside na superfície. Primeiro, nas novas circunstâncias, ela não receberia aquilo que desde o início planejava, isto é, na execução de condições de encobrimento e absorção de partes da Ukraina, de uma ou de outra forma. Em segundo as conversações, quanto à reestruturação com outros credores privados naquele momento já haviam começado, assim providenciar tempestade artificial no mercado de Eurobonds ukrainiano falhou. Além disso, não importa o que alguns dizem, medidas de apoio financeiro, organizacional e verbal do Ocidente seria suficiente, para localizar tal tempestade. Em termos de apoio da Ukraina por parte da UE e EUA, Russia não poderia usar a "dívida de Yanukovych" como alavanca e obter graças a isto dividendos, então pelo princípio, considerando Ukraina como pessoa boba, simplória, da qual sob nenhuma condição pode-se sofrer perdas. Ela espera receber US $ 3 bilhões por isso levou o caso ao tribunal.

No que constrói a defesa no tribunal Ukraina?

Nosso lado argumenta o não pagamento de dívida russa com quatro fatos.

Primeiro, ela era ilegal, porque não se encaixava no teto da dívida nos limites de orçamento estabelecidos. Mudanças na lei sobre o orçamento para 2013 introduziram não antes, mas depois do recebimento do dinheiro, de forma retroativa especialmente elevaram o teto para a quantia do dinheiro recebido. Mais uma vez a pressa indica que existiam condições secretas de concessão de crédito a Yanukovych.

Segundo, o regime de Yanukovych com todo seu ódio agia sob coação e repetidas ameaças da Rússia e seus néscios, e também restrições comerciais, que continuamente introduzia FR começando em 2012. 

Terceiro, existiam segredos, escondidos e não registrados nos termos de quaisquer acordos, que nós mencionamos acima, mas também, por exemplo, a obrigação de pagar a dívida à Gazprom. Talvez, o nosso lado na verificação da questão no julgamento consiga maximizar o rol e as provas destas condições escondidas.

Quarto, a anexação da Criméia e expropriação pela Rússia de um número significativo de ativos ukrainianos, estatais e particulares, falam por si. Estas ações da FR não apenas causaram grandes perdas materiais para Ukraina, mas também forçaram nosso país aumentar as despesas para defesa  nas condições reduzidas devido a destruição no Donbas e anexação de parte do território na diminuição da receita.

O primeiro-ministro Groisman destacou esta linha de defesa. De acordo com advogados internacionais, segundo informações da agência Bloomberg, esta linha é mais convincente. É claro, tal construção da proteção parece bastante promissora também para nós.

Divida odiosa

No direito internacional há o conceito de "dívida odiosa" - a dívida nacional, que o regime de um certo país tomou e aproveitou não para o benefício do povo, mas para o seu próprio enriquecimento ou financiamento de interesses pessoais. Depois da queda do tal  regime o novo governo pode recusar-se dos velhos compromissos, que se consideram dívidas do regime. 

O fato de que a "dívida de Yanukovych" é odiosa, dúvidas não há, porque com esse dinheiro foi comprada a rejeição da interação européia e a adesão à Comunidade Econômica da Eurásia contra a vontade do povo, mas não só.

O regime de Yanukovych cleptocrático e ladrão segundo sua natureza. Assim, por exemplo, a escolha entre a integração com a UE ou a Comunidade Econômica da Eurásia para ele não era civilizacional, como no nosso país muitos consideram. Tudo é muito mais simples: quem der mais dinheiro, então com este eles estavam dispostos a trabalhar, porque no mínimo a metade dos fundos era destinada aos bolsos da "Família" e pessoas próximas a ela. Segundo informações das fontes da "Semana", a auditoria de compras estatais do período Yanukovych tem provas de que 50% dos valores alocados do orçamento, particularmente para Euro-2012, ia para os representantes da "Família".

Isto é, com as perspectivas da Ukraina negociavam como com o arenque em Odessa. Em 2013, essa abordagem teve formas particularmente vivas. No meio do ano o regime organizou uma conferência de investimento maciço com participantes de 80 países, na qual, como no ringue, instigaram um  contra outro os simpatizantes da UE e a Comunidade Eurasiana aumentando as taxas na luta pela Ukraina. 

Recentemente lançado "Livro Ambarno" do Partido das Regiões testemunha, que a escala de enriquecimento pessoal do regime Yanukovych excedia significativamente o valor da primeira parcelaa do empréstimo russo. Se $ 2 bilhões foi dado como suborno e cada valor confirmado neste livro com assinatura autêntica de uma pessoa em particular, então pelo menos o mesmo tanto foi deixado nas mãos dos "governantes", que não eram demasiado generosos e nunca esqueciam de si mesmo.

Por isso $3 bilhões de Putin, que "passaram" através da controlada inteiramente camarilha de Yanukovych o orçamento do Estado e pelo menos metade deles "não vacinou-se" em proveito da "Família", - isto também é um suborno muito pessoal, que pegou o próprio Yanukovych para si e dava a seus capangas como pagamento pelas ações, indispensáveis a Putin.

O segundo aspecto, no qual agora cada vez mais enfatizam não apenas os representantes da sociedade civil, mas também alguns políticos. O regime Yanukovych não era legítimo, porque veio ao poder ilegitimamente e realizou sua plenipotência  por meio da intimidação, repressões, suborno e ameaças: desde a venda de um pedacinho de terreno estatal para as mãos necessárias, às mudanças na Constituição. Agora há evidências de que as eleições presidenciais em 2010 foram falsificadas, como o 2º  turno em  em 2004.

Esperamos que, mais cedo ou mais tarde, a maior parte dos crimes do regime poderá ser trazido à luz e às decisões dos tribunais e detenção das pessoas responsáveis.

Se pensar dentro do conceito da odiosa dívida, pode-se concluir, que toda a dívida, acumulada pela Ukrainaa no período de Yanukovych é odiosa. O aumento líquido da divida estatal é garantido pelo Estado, de fevereiro de 2010 a fevereiro da 2014, quando o regime estava no poder, é de $30,5 bilhões. A maior parte deste montante de modo algum aplica-se à Rússia. Ela era dada às mãos dos ukrainianos cleptocratas por instituições plenamente democráticas e de mercado.

Se Ukraina provar, que a escala de roubo pelo regime, por todos os quatro anos no poder é comparável com o referido montante, mas isto não é assim tão irreal, então calmamente poderia defender no tribunal o direito de não resgatar ou exigir uma favorável reestruturação dos empréstimos não apenas da Rússia, nas também dos outros totalmente credores de mercado. Eles sabiam, com quem tinham a questão, e assim mesmo davam dinheiro a Yanukovych.

Mas o uso bem sucedido da categoria "dívida odiosa" no tribunal exige uma preparação minuciosa legal, execução, por assim dizer, lição de casa. Idealmente, nosso sistema de justiça deveria ir a julgamento em Londres, com centenas de volumes com questões de corrupção dos participantes do regime Yanukovych, montantes globais de roubo e uma longa lista daqueles, que estão submetidos à correção. E lugar de destaque lá deveria ocupar a questão da "dívida de Yanukovych".

E o que temos em vez disso? Ao "Livro Ambarno" não havia praticamente nada, e após a publicação de todo o processo podem puxar os freios. Sob tais condições e com atual nível do sistema de justiça ukrainiano trazer a uma conclusão satisfatória a questão da dívida odiosa será difícil, mas com uma correta pressão pública tudo é possível. 

Tradução: O. Kowaltschuk

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Notícias  - 06.07.2016
Vysokyi Zamok, (Castelo Alto),05.07.2016

Parubii assinou a resolução sobre a prisão do deputado Onyshchenko. O orador colocou as assinaturas durante a conferência de imprensa ao vivo.
O parlamento aprovou o processo criminal com 275 votos. A investigação pré-julgamento descobriu que a partir de 2013 a janeiro de 2016 Onyshchenko cometeu uma série de crimes contra a segurança pública, propriedade e atividades oficiais", - disse o orador Andrii Parubii.


"Em 5 de julho os detetives do "NABU"(Bureau Nacional anti-corrupção da Ukraina) realizaram busca em Kyiv e região de Kyiv em 21 endereços. Foram recolhidos computadores, discos rígidos, Pen drives, telefones e documentos que podem conter informações sobre o objeto de investigação no processo penal sobre o fato de desvio  de fundos públicos durante a extração e venda de gás natural no âmbito de acordos de cooperação com PAT  Ukrgasvydobuvannia" (Companhia aberta de extração de gás da Ukraina).

Todos os proprietários de bens apreendidos durante as buscas passam pelo processo criminal como testemunhas. A maioria deles colabora com a investigação e já deram indicações aos detetives do bureau. As ações de investigação ocorrem nas instalações de 11 pessoas físicas e três jurídicas, entre eles - gestores de empresas privadas, notários, advogados.

"Devido ao fato de que no crime podem estar envolvidos profissionais do direito - advogados e notários - mencionamos,  que a presença de certificado sobre a condução advocatícia ou prática de tabelião não é motivo para violação da lei e não garante imunidade legal aos deputados e juízes", - salientaram na NABU.

Um dos advogados, em cujo escritório a procuradoria anti-corrupção realizava busca, fugiu do país, disse numa entrevista ao "canal 5" o vice-procurador, dirigente da Especializada Procuradoria Anti-corrupção, Nazar Kholodnytskyi.


À pergunta da repórter, se o advogado teria motivos para fugir do país, Kholodnytskyi respondeu - se fugiu, significa que teria.
"A busca também realizava-se em sua residência", - acrescentou Kholodnytskyi, mas no momento não havia motivos para a sua detenção, acrescentou ele.


Quanto a Onyshchenko, apareceu uma foto dele com uma apresentadora da TV na Rússia. Porém Onyshchenko declarou que a foto era antiga. Segundo declaração sua, ele está na Áustria.

"O curso da operação mostra, que eu não teria direito para uma defesa adequada. E o mais importante, que muitas pessoas do governo não estão interessadas que eu comece  a falar. E, em relação a isso vejo ameaças à minha vida! Então decidi não permitir minha prisão na sala do Parlamento. Agora me preparo para os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro.

Mas entre os atletas olímpicos a foto de Onishchenko é improvável que apareça (ele mesmo já disse, que da participação nos Jogos Olímpicos precisará recusar-se. O ministro de esportes,  jovem e esportivo, Igor Jdanov já advertiu que a inclusão de Onishchenko ele não assina). Mas, na base da Interpol é bastante provável. "Se esquivar-se, será procurado. A nova legislatura permite trazer à responsabilidade à revelia e confiscar a propriedade", - disse o procurador-geral Yuri Lutsenko.

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Lutsenko mostrou as fotos das preciosidades que GPU (Procuradoria Geral da Ukraina) encontrou na propriedade de Klyuyev durante uma busca.
Vysokyi Zamok (Castelo Alto) 07.07.2016

O procurador-geral declarou que estas preciosidades foram apreendidas.
Ele publicou no Facebook as fotos dos objetos encontrados durante a busca na propriedade do ex-chefe da Administração Presidencial Andrii Klyuyev.

              
               Lutsenko escreveu, que esta propriedade foi         apreendida para garantir a condenação.

             

Como foi divulgado, em junho, a polícia realizou buscas nas residências particulares do ex-chefe da Administração  do presidente Andriy Klyuyev e ex-secretário-adjunto Volodymyr Sivkovych.


Klyuyev e Sikovych ocuparam cargos importantes na  Administração Presidencial e no Conselho de Segurança Nacional sob a presidência de Viktor Yanukovych (2010-2014). Todos os três são suspeitos pela Procuradoria-Geral da Ukraina na dispersão forçada dos protestos em 30 de novembro de 2013 na Praça da Independência no centro de Kyiv e atualmente se escondem dos agentes da lei ukrainianos fora do país. 



Tradução: O. Kowaltschuk

terça-feira, 5 de julho de 2016

Idioma Ukrainiano. Seu estatuto na Constituição, até hoje ignora o governo atual.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 28.06.2016

20 anos da Constituição da Ukraina: a luta por um estado real do idioma ukrainiano continua.

O artigo 10 da Constituição da Ukraina significa, que o status do idioma ukrainiano como oficial, é totalmente consistente com o papel da nação ukrainiana, a qual vive historicamente no território da Ukraina, constitui a maioria absoluta de sua população, deu o nome oficial ao estado, e é uma das bases da ordem constitucional na Ukraina. Sobre isto é afirmado na Decisão do Tribunal Constitucional da Ukraina, de 14 de dezembro de 1999 (questão do uso da língua ukrainiana).

Infelizmente, na Ukraina já por quatro anos, age a lei "Sobre princípios da política de língua oficial", que diariamente nega o status oficial do idioma ukrainiano. Um dos autores desta lei escandalosa, aprovada com violações do Regulamento do Parlamento da Ukraina, depois da Revolução da dignidade fugiu para Criméia ocupada. As autoridades oficiais suspeitam que ele pretendia violar a integridade territorial e inviolabilidade da Ukraina, bem como violar a igualdade dos cidadãos com base em sua raça, nacionalidade ou religião, o que corresponde a artigos específicos do Código Penal da Ukraina.

Outro co-autor conseguiu com sucesso mudar do "Titanik" do Partido das Regiões para um navio de careira  "Costa Concórdia", do Bloco de Oposição, que é do mesmo partido.

Temos um paradoxo puramente ukrainiano, quando os deputados, que durante anos trabalharam contra o Estado ukrainiano, passaram para o lado do inimigo, explicita ou secretamente, esquivaram-se da punição, e seu "produto" legislativo continua seu trabalho sujo.

Quatro anos atrás, a sociedade exigia ativamente a inadmissibilidade desta lei para votação no parlamento. Como mostraram os dados do Centro de Investigação da Sociedade, em maio e junho de 2012 foi vencido o número recorde absoluto, mensal, de eventos de protesto durante o período de acompanhamento - acima de 650. 
E apenas na primeira semana de julho, quando o documento foi apresentado ao Parlamento, o Centro de Investigação da Sociedade fixou 139 protestos.  O governo criminoso do ex-presidente da Ukraina Viktor Yanukovych não reagia aos protestos. O atual governo, em solidariedade, fecha os olhos.

Sobre isto - no apelo, que prepararam para o 20º aniversário da Constituição da Ukraina os ativistas e especialistas sociais.



APELO

organizações sociais, especialistas, membros individuais do Conselho de Coordenação sobre o uso do idioma ukrainiano em todas as esferas da vida pública na Ukraina junto ao Ministério da Cultura da Ukraina

(ao 20º aniversário da adoção da Constituição da Ukraina)

20 anos atrás a Constituição da Ukraina confirmou o introduzido em outubro de 1989  estatuto do idioma ukrainiano como o idioma oficial estatal e no artigo 10 estabeleceu: "O Estado garante o desenvolvimento multilateral e funcionamento do idioma ukrainiano em todas as esferas da vida social em todo o território da Ukraina".​

Ao contrário das exigências da Constituição na Ukraina já por quatro anos na Ukraina se aplica a juridicamente nula lei "Sobre princípios da política da língua estatal", que confirma o estatuto do idioma ukrainiano como estatal, bloqueia a realização da situação da parte do artigo 10 da Constituição da Ukraina, servindo como instrumento da russificação e, portanto ameaça a segurança nacional da Ukraina em sua própria existência. Esta lei foi aprovada graças aos esforços do governo criminoso do ex-presidente da Ukraina Viktor Yanukovych, que ignorou os numerosos protestos da comunidade ukrainiana. O atual governo praticamente demonstra solidariedade em apoio da inservível lei através da sabotagem dos passos dos legisladores, que procuram corrigir a distorcida situação linguística.

Há quase dois anos atrás 57 deputados da Ukraina dirigiram-se com uma proposta para o Tribunal Constitucional da Ukraina quanto à constitucionalidade da Lei da Ukraina "Sobre princípios de política linguística do Estado. No entanto, o presidente do Tribunal Constitucional da Ukraina, que deveria ser demitido de seu cargo pelo Presidente da Ukraina de acordo com resolução do Parlamento "Em resposta a violações por parte de juízes do Tribunal Constitucional da Ukraina de juramento dos juízes" de 14 de fevereiro de 2014 Nº 775-VII e, deste modo, já por mais de dois anos são dirigentes ilegítimos do mais alto tribunal da jurisdição constitucional, por um ano e meio não colocam a mencionada petição para verificação.

O status constitucional do idioma ukrainiano negligenciam cada vez mais os funcionários públicos e políticos do mais alto nível. Tanto assim, que o ministro de Assuntos internos da Ukraina, mesmo perdendo nos tribunais, continua suas apresentações públicas no idioma russo - apesar do fato, que sua responsabilidade é usar o idioma ukrainiano como idioma oficial durante o desempenho de suas funções oficiais. Assim, os funcionários do Ministério de Assuntos Internos traduzem cada discurso do ministro (Arsen Avakov - OK) para o idioma estatal e enviam ao cidadão, cuja demanda contentou o Tribunal ukrainiano.

A semelhante situação dos mais altos funcionários incentiva os funcionários públicos de níveis médios e baixos, diretores e funcionários de governos locais deliberadamente violar o artigo 10 da Constituição da Ukraina e propositadamente aplicar  atos juridicamente insignificantes com a finalidade de estabelecer o idioma russo em vez do estatal. Tal prática viola os direitos dos cidadãos da Ukraina no uso do idioma oficial em todas as esferas da vida social em toda Ukraina, o que é inaceitável.

Funcionários e agentes das autoridades públicas, que durante a execução das responsabilidades funcionais não cumprem as exigências do artigo 10 da Constituição da Ukraina, não correspondem ao seu cargo e estão sujeitos à liberação.

Expressando profunda preocupação a tais atitudes do atual governo ao idioma estatal na Ukraina, as organizações sociais, especialistas, membros individuais do Conselho de Coordenação sobre o uso do idioma ukrainiano em todas as esferas da vida pública da Ukraina, junto ao Ministério da Cultura da Ukraina, apelam aos órgãos do governo para assegurar a conformidade com as garantias constitucionais para o desenvolvimento integral, multilateral e funcionamento do idioma ukrainiano como estatal em todas as esferas da vida social em todo o território da Ukraina. O primeiro passo neste sentido deve ser o aprimoramento e aprovação do novo discurso da lei com a finalidade de uma maior divisão da sociedade, eliminação e afastamento das ameaças à segurança nacional da Ukraina.

Em vista do exposto exigimos:

 1) do presidente da Ukraina - parar com a prática de nomeação anticonstitucional para cargos na Administração do Presidente da Ukraina pessoas, que não usam a língua ukrainiana e exigir dos administradores e funcionários de outros órgãos do Estado obrigatoriamente usar o idioma ukrainiano durante o desempenho de suas funções oficiais.
2) do primeiro-ministro da Ukraina - assegurar o desenvolvimento e aprovação de programas de apoio ao desenvolvimento e uso da língua ukrainiana, de acordo com as exigências do Tribunal Constitucional da Ukraina, de 14 de dezembro de 1999 Nº 10-rp/99 (questão sobre emprego do idioma ukrainiano) e  a situação da concepção da política linguística do Estado, aprovada com o Decreto do Presidente da Ukraina de 15 de fevereiro de 2010 nº 161/2010;
3) do Presidente do Parlamento da Ukraina - o quanto antes garantir o desenvolvimento do processo e aprovação de nova lei da lei do idioma;

4) do presidente do Tribunal Constitucional da Ukraina - começar imediatamente a consideração da proposta dos 57 deputados da Ukraina sobre  a inconstitucionalidade da lei "Sobre princípios de política linguística do Estado" 

Presidente do Conselho de Coordenação para a proteção do idioma ukrainiano no círculo social Kyiv City "Memorial" em nome de V. Stus Taras Marusyk

Professor da Universidade Nacional "Kyiv-Mohyla-Academy" Extraordinário e Plenipotenciário Embaixador da Ukraina Volodomyr Vaselenko

Professor da Universidade Nacional "Kyiv-Mohyla Academy" Larissa Masenko

Professor da Universidade Nacional de Kyiv em nome de Taras Shevchenko, acadêmico da Academia de Ciências da escola Superior da Ukraina, vice-presidente da Associação All-ucrainiana "Prosvita" (Instrução) Alexander Ponomarev

Professor da Universidade Internacional de Kyiv. Cientista e técnico da Ukraina, membro do Conselho Central da Associação All-Ukraina da sociedade "Prosvita" Ivan Yushchuk

Diretor da organização pública All-Ukrainiana "Movimento público" "Não seja indiferente!" Oksana Levkova

Dirigente da organização social "Independentes" Svyatoslav Litinskiy
.
Movimento cívico "oposição", membro da Comissão de Peritos sobre distribuição e demonstração de filmes da Agência Estatal da Ukraina das questões de cinema Sergei Osnach

Professor, decano da Faculdade de Filologia da Universidade Nacional de Lviv "Ivan Franko", primeiro vice da Associação all-ukrainiana de língua e literatura ukrainiana Yaroslav Garasym

Coordenador adjunto do movimento "Espaço de liberdade" Taras Shamayda

Especialista do Centro internacional para a proteção dos direitos da pessoa, da Universidade Nacional "Kyiv-Mohyla Akademy" Alex Kurinnyi

Diretor do Instituto do idioma ukrainiano da Academia Nacional de Ciências da Ukraina, professor Paulo Gritsenko

Ativista comunitário, fundador da iniciativa de proteção dos direitos dos falantes do idioma ukrainiano "E assim compreenderão!" Roman Matys

Professor, administrador da cátedra de publicações e redes de publicações da Universidade Nacional de Kyiv de Cultura e Artes Mykola Tymoshyk

Taras Marusyk - Presidente do Conselho de Coordenação da
proteção do idioma ukrainiano junto a organização da cidade de Kyiv para o círculo social "Memorial" em nome de Vassyl Stus.
Tradução: O. Kowaltschuk

domingo, 3 de julho de 2016

Se Rússia recorrer a ofensiva em larga escala, suas perdas não se igualarão aos objetivos.

"Atualmente, começou uma nova fase da Guerra Fria. A corrida armamentista está em curso "
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 21.06.2016
Irena Hnatyshyn

Verificação  das unidades militares na FR ao longo da fronteira ukrainiana - não é outra coisa, que a criação do exército de reserva, porquanto na Rússia exauriu o recurso de voluntários, declarou na Rádio Liberdade o especialista militar Oleg Zhdanov. Assim, a decisão final sobre a guerra aberta do Kremlin será aprovada segundo os resultados destes exercícios. Em qualquer caso, o alvo principal para o agressor permanece Ukraina, diz o especialista. Além disso, de acordo com especialistas, a demonstração de força - a única maneira  para Rússia voltar à "grande política".

- Senhor Oleg, o quanto razoável é o medo dos especialistas ocidentais e ukrainianos, que Rússia aumentará a pressão sobre Ukraina, ou abrirá mais um front contra um outro estado?


- A questão agora é que , a Federação Russa parcialmente esgotou seu recurso de voluntários, que deseja estar pronto, pegar em armas e guerrear.  Essa decisão foi tomada para criar um exército-reserva. E a atual verificação de unidades na Federação Russa ao longo de nossas fronteiras - é nada mais, que a criação de exército de reserva, renovação da mobilização de recursos, sua formação e configuração para o sistema. E estes treinamentos mostrarão o quanto  a sociedade russa está pronta para defesa de sua pátria. Porque lá age a propaganda que eles estão cercados e que todos querem atacar a Rússia.

Com base nos resultados a liderança da Federação Russa vai tirar conclusões sobre o quanto eles estão prontos para o combate, o quanto, rapidamente, podem aumentar suas forças e aplicá-las. Neste caso, o objetivo principal das Forças Armadas da Rússia, infelizmente, permanece o nosso país. Porque hoje somos o elo mais fraco em toda esta cadeia. Nos países bálticos, nós sabemos, aproximadamente três mil soldados enviaram, para lá enviaram tanques, aviação, sistema REB (guerra eletrônica) e reforçaram outras unidades. Polônia colocou aviação da OTAN ao longo da nossa fronteira ocidental, e também se sente mais confiante.

A Aliança envia forças da América para Europa continental. Isto, talvez, pela primeira vez em 25 anos de expansão da OTAN acontece por conta da transferência de tropas, mas não por conta  de aceitação de novos membros. Mas o comando da OTAN também mudou para mais próximo de sua fronteira oriental - mudou-se para Romênia. Na Romênia, e na Polônia ativamente constroem-se defesas de mísseis. Isto é, de fato no dia de hoje foi dada a partida para a nova etapa da Guerra Fria. A corrida armamentista está em curso. Além disso, de todos os lados.

- Senhor Oleg, você diz, que Ukraina - é o objeto principal, mas nenhuma menção sobre Belarus. Há qualquer ameaça para o outro vizinho nosso?

- Para Bielorrússia qualquer ameaça não pode haver, porque, de fato, Bielorrússia encontra-se sob o controle da Federação Russa. E a economia da Bielorrússia é muito dependente da Rússia, além da presença de tropas russas no território bielorrusso. O fato é que, eu lembro, em 2014 com o início das ativas hostilidades, a Federação Russa tomou Bielorrússia ao grupo militar de ataque de aviões, cerca de 5-6 mil de soldados. Isto é, Bielorrússia, em geral, não tem nenhuma chance para mostrar alguma independência. A questão agora está resolvida: em Bryansk construirão uma grande base militar, a qual em tempo de paz abrigará uma divisão, mas em tempo de guerra na base desta divisão será implantado exército de campo. Isto é sobre o que eu falei. Portanto a questão da Bielorrússia não vem ao caso.

- Em termos de sanções e declínio da economia, qual a razão do Kremlin entrar num conflito militar aberto? Talvez isto seja dissuasão da atenção?

- Este é um modo de voltar às potências mundiais, retornar ao "Big Sete" "G7" e, no geral se declarar como uma "superpotência" e império. O fato é que Rússia não pode gabar-se nem com uma economia forte, como, por exemplo, a Alemanha, nem fortes finanças, como EUA. Assim, o caminho para a escalada para eles é a única maneira, isto é, eu sou forte, eu posso vencer qualquer um, por isso precisa contar comigo, eu posso vencer qualquer um, e comigo é preciso conversar. Esta é a variável de retorno à grande política. Outra, infelizmente, não há. Além disso, isto ajuda a regular a situação dentro do próprio país, quando há a imagem do inimigo - a nação se unifica - isto é a mentalidade russa. Eles fecham a cortina de ferro e preparam-se para guerra, e deste modo, de um lado consolidam a sociedade, de outro - esforçam-se para retornar à geopolítica como uma superpotência.

- Se admitir a nova rodada de agressão militar do lado russo, estará  a Ukraina pronta e o que deve fazer  o governo, para evitar isso tanto quanto possível?

-  Hoje Rússia não está pronta para uma guerra aberta e em grande escala contra Ukraina nem economicamente, nem militarmente, especialmente nas forças armadas. Por isso eles agora realizam treinamento extensivo e constroem o seu poder militar. Eles criaram três linhas de defesa, implantaram o exército para 250 mil e até se assumirem o uso da aviação e introduzirem os exércitos, as perdas serão simplesmente incomensuráveis. E, o principal objetivo da guerra - capturar o território da Ukraina - não será alcançado. Principalmente, se a ofensiva falhar na primeira fase, a subsequente a guerra virar-se-á contra ofensiva do nosso lado. E, certamente, neste caso, o Ocidente não vai duvidar se fornecer as armas, ou não, para nós, e também os conselheiros, e até mesmo os especialistas para treinar nossas unidades.

Tradução: O. Kowaltschuk

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Esquecidos pelos filhos e pelo Estado. Idosos imigrantes de Donbas
Ukrainska Pravda  - Vida, 16.06.2016
Katia Lutska

Hospice (em inglês), instituição médica para 
pacientes gravemente doentes. No caso, para pessoas idosas, abandonadas.


Precisamente para lá, na ocupada Luhansk, - nunca mais voltará seu diretor Oleg Gorbachev.
Homem de 40 anos, hoje, sobre as perdas fala calmamente, até com alegria.
Já pelo segundo ano, que ele tenta sobreviver no distrito Brovary, região de Kyiv, onde aluga uma casa para sua família considerável. Aqui, sob um teto, vivem: ele e sua esposa, três filhos seus, dois adotados, e ainda mais de vinte seus "pupilos" - ex-colonos do hospício de Alchevsk.

REDENÇÃO DA JUVENTUDE PERDIDA

Tudo começou com uma história pessoal. Oleg Gorbachov cresceu  numa família disfuncional: seus pais eram alcoólatras obstinados, por isso desde a infância a avó olhava por ele. No entanto, seus cuidados o rapaz não apreciava, e depois sozinho foi pelo caminho do pai, começou beber.

"Eu cheguei até o fundo, até a cabeça ficou coberta", - o homem descreve seu passado.

E, aparentemente, este fundo era necessário a Oleg como o último ponto de apoio - para apartar-se e começar mudar sua vida.
Então, em 1998, ele veio ao Centro de reabilitação de dependentes de álcool. Primeiro, que lhe perguntaram os assistentes sociais: se não estava com fome?

Naquela época Oleg tinha 26 anos, e esta simples pergunta envergonhou o rapaz: pois ele, realmente, não comeu nada nos últimos dias.
Ele foi alimentado, levado para o quarto de banho, deram-lhe uma roupa limpa. Desde então para Oleg começou outra vida.

"Não foi fácil, - lembra o homem, - mas eu sabia claramente, que voltar atrás não queria"

No início, como voluntário ajudava sair da dependência a outros, como ele.
Aos recém-chegados alcoólicos, tóxico dependentes, sem-teto, não perguntava os motivos de seus problemas, não lhes ensinava - primeiramente perguntava o mesmo, que uma vez lhe perguntaram: se eles queriam comer.
Certo dia uma mulher trouxe ao centro seu filho dependente de álcool e pediu asilo também para ela.

Algum tempo depois veio outra mulher de meia idade, seu filho, que saiu da prisão, batia nela, tirava sua aposentadoria, não deixa-a entrar em casa.

Assim, dia após dia, o centro enchia-se de gente idosa que, por várias circunstâncias não possuía teto sobre a cabeça.
Cuidando tais infelizes velhinhos, abandonados, Oleg Gorbachov inesperadamente percebeu, que com isto como se pagasse sua culpa perante já falecida vovozinha, a qual, quando jovem, judiava.

Isto foi no ano 2001.

Durante alguns anos, tendo passado o caminho de enfermeiro ao do diretor do centro, Oleg mudou a própria instituição, fazendo dela um asilo para pessoas idosas.

"Eles eram tantos - sem amparo vovozinhas, vovozinhos - e eles não tinham ninguém, que poderia garantir-lhes uma aposentadoria decente", - explica sua decisão  o homem.

OLEG E SUA CASA EVACUADA

O "hospice" de Alchevsk para pessoas de muita idade, "Ajuda" localizava-se em três casas alugadas - três construções separadas, do período soviético - e ao mesmo tempo poderia conter até uma centena de pessoas.
"As construções não eram adequadas para "hospice", lá também não houve reparos, mas para pessoas, que durante anos viviam pelas ruas, até uma casa assim era grande alegria", - o homem  lembra os tempos passados.
No entanto, Oleg não abandonava o sonho de construir em sua cidade um especializado "hospice". "Isto são pessoas idosas - elas necessitam condições especiais: que o banheiro seja próximo, rampas para os inválidos".

Hospice" "para pessoas idosas frequentemente é um verdadeiro achado.  Aqui tem comida, e roupa, e telhado sobre a cabeça, e entretimentos, e até inesperado amor. 
Com os meios da comunidade empresarial, comunidade e fundos internacionais até começou a construção. Devia ser um prédio para 50 pessoas. Pessoas de idade avançada e inválidos, que o Estado não podia assumir devido a razões triviais - alguém perdeu os documentos, alguém não os tinha a muitos anos: "Nós tivemos pessoas ainda com os passaportes soviéticos. Quem aceitaria tais documentos?"

No entanto a iniciada em Alchevsk construção não foi concluída. No verão de 2014 Oleg preocupava-se: como, e principalmente - onde - esconder "seus velhinhos" da guerra. 
Hoje, a quase oitocentos quilômetros de casa, em Brovary - região de Kyiv, o homem aluga um prédio de três andares, onde vivem mais de 20 pessoas idosas.
A evacuação de idosos durou algumas etapas, mas remover todos não se conseguiu.

"Ficaram lá 15 pessoas acamadas - elas, simplesmente, não aguentariam a viagem", - diz o homem.
Quase todos trouxe sozinho na minha velha "Volga". Agora o carro está no quintal mais como uma peça de museu - quebrada, e, como constata o proprietário, "já não adianta consertar".

Todos os meses Oleg Gorbachov deve pagar 12 mil pelo aluguel do prédio. Como em Alchevsk, sobreviver ajudam empresas privadas, fundos internacionais, pessoas não indiferentes.
"Eu já não me surpreendo, quando dizem: estes são pensionistas, eles recebem pensão. Sim - mas apenas dez, e são 10 mil "hrevnias". Com isto eu devo alimentar mais de 30 pessoas e pagar o aluguel", - fala sobre preocupações diárias do "hospice" Oleg Gorbachov.

A quantidade de moradores muda constantemente. Recentemente duas pessoas idosas, foram enterradas.
"Nós os mantemos até o mesmo... " - e ele interrompe-se.
Seu objetivo atual - encontrar um apartamento espaçoso para um longo tempo aqui, na região de Kyiv. Ele diz que, embora em segurança, mas com pouco espaço - viver já segundo ano seguido no aperto para pessoas idosas é difícil.

E, de fato, os quartos do "hospice" lembram mais um quartel, que um centro de idosos.

As camas de dois andares estão meio metro uma da outra. Num quarto dormem 15 pessoas
 As vovozinhas lentamente sobem pelas escadas ao segundo andar. Em cima as condições são parecidas, camas de dois andares e para dez pessoas no quarto.

Mas apesar da falta de espaço, Oleg não consegue negar aos infortunados: em seu "hospice" já encontrou-se a cama para velhinha local, de Brovary.
Sua filosofia é bastante simples: sozinho não sabe, onde irá parar na velhice.

"Eu recebi um avô que tinha cinco filhos, mas eu não vi nenhum, - lembra o homem. - Eu comecei cavar a história, e eis o que encontrei: o pai deste avô também morreu numa casa de repouso para idosos. Naqueles tempos muitos ocupavam-se com a construção de um "futuro brilhante", comunismo, e crianças eram enviadas aos jardins de infância aos dois meses. Agora eles colhem os frutos".

Oleg Gorbachov, que sozinho também educa cinco crianças, lembra esta história e emocionalmente acrescenta:
"Eu faço isto, para que eu tenha uma velhice merecida. Eu quero mostrar ao país, que a pessoa idosa - não é um material trabalhado A pessoa deve estar em primeiro lugar". 

"Eu não sou um fardo - eu sou parte de nossa comunidade".
Seis anos atrás, ainda em Alchevsk, começou uma nova vida para Yuri Meronhuk.
Então em "hospice", ele casou novamente. A primeira esposa morreu, e a família tocou-o do apartamento. Assim ele foi parar na rua.
Então o "hospice" tornou-se para ele um verdadeiro achado. Aqui tinha alimentação, roupa, e abrigo, e inesperado amor.
Quando Yuri perdeu a visão dos dois olhos: "Minha esposa foi o meu guia, eu a chamava cicerone. Ela me dirigia e contava, como tudo é bonito aqui".

Yuri Myronhuk casou-se pela segunda vez no "hospice".
No entanto e isto - são lembranças apesar de um passado recente, mas passado. Graças aos fundos dos benfeitores, Yuri foi operado de um olho.
"Agora eu posso, sem ajuda, andar pelas escadas", - alegra-se o homem, e já sozinho dirige a excursão pelo prédio e lembra os tempos da evacuação.

"Nós retiraram na terceira tentativa: primeiro explodiram a ponte, depois os tiroteios não permitiam sair... Eis, veja! Isto são nossos rapazes que tecem as redes de camuflagem para os militares", - no segundo andar, num amplo e limpo refeitório ele mostra uma rede pronta.
Sua esposa Helena - 55 anos. Alguns anos atrás ela teve um derrame. Graças às preocupações de outras pessoas no "hospice" ela conseguiu se manter em pé e começou andar. Aqui ela encontrou seu destino.

Yuri Myroniuk e sua esposa Olena. Aqui eles encontraram o seu destino.
Senhora Elena coloca-se com responsabilidade ao seu dever - ajudar na cozinha, lavar a louça. "Eu lavo a louça, meu marido me ajuda. Eu também me preocupo com os mais velhinhos. Eu não sou um peso - eu sou parte de nossa comunidade".

Não perde tempo Igor Volodymyrovych, 62 anos. Seu irmão foi morto e o homem ficou sozinho. Aqui no "hospice", com a vinda do calor ocupa-se com a urbanização do nosso quintal. Agora é verão, a natureza traz muita beleza - e eu a apoio.

O irmão de Igor Volodymyrovych mataram, o homem ficou só.
Ivan Mykolaievech já tem 77 anos. Nesta idade ficou sozinho. Ele encontrou o "hospice" para pessoas idosas em Alchevsk, veio e disse: "Eu estou sozinho, quero ficar com vocês".
Após a mudança para a região de Kyiv, senhor Ivan resolveu ajudar na cozinha.
"Para mim, o mais agradável é quando preparam-se as diversas guloseimas, ajudar e cuidar pelos outros", - diz o velho imigrante da região de Lugansk.
Apesar de sua idade Ivan Mykolaievech continua muito ativo e otimista.

Ivan Mykolievych sozinho encontrou o "hospice" e decidiu ajudar na cozinha.
 Victor Oleksiovech, 76 anos, nasceu em Pisky , da região Yasenuvatova, de Donetsk. Quase um ano viveu no porão, passou os piores tiroteios. E, devido aos combates quase perdeu a audição.
Ele foi encontrado no porão pelos soldados ukrainianos e enviado para hospital. Do hospital os capelães trouxeram o velhinho ao "hospice" de pessoas idosas.
"Então, vovô, iremos para Kyiv? - perguntaram-me os capelães. - E por que não ir, irei, o principal é não ouvir mas os tiroteios..."

Viktor Oleksievich de Pisky quase um ano passou no porão e perdeu a audição.
"Eu nem sabia, se alguém me encontrará depois de tais horrores, - lembra Volodymyr Fedorovych, 69 anos, de Luhansk. A esposa morreu, ele ficou sozinho. Ao "hospice" trouxeram os voluntários. Ele diz que o pior foram os tiroteios, quando não se reconhece, de onde vem os projéteis, de que lado atiram, e, quando tudo isto acabará.. - O que eu sonho aqui?  - Meu sonho - ter mais papel e lápis, e eu poderei fazer este mundo um pouco melhor."

Meu sonho - ter mais papel e lápis e eu poderei fazer este mundo um pouco melhor.

De acordo com o Ministério da Política Social, 60% das pessoas deslocadas - são pessoas idosas e pessoas com deficiência.
Apenas a região de Kyiv abriga 17 mil de pessoas assim que vieram de Donbas. Mas, os relatórios não falam sobre ex-drogados e viciados em álcool, os quais, apesar de tudo também procuram tranquilidade e paz.

Tradução: O. Kowaltschuk
Cantor de ópera, guerreiro voluntário Wassyl Spivak foi enterrado em Lviv.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 01.07.2016
Halyna Tereshchuk, Marian Pavlik

Em Lviv, com orações, aplausos, de joelhos, cantando canções ukrainianas, milhares de moradores da cidade, conduziram para eterna jornada o cantor de ópera, da França, nascido na cidade de Lviv, Basil Spivak. Ele morreu em 29 de junho na batalha perto de Donetsk, lutando nas fileiras do Corpo de Voluntários da Ukraina "Setor Direito". A bala do franco-atirador tirou a vida do soldado-cantor, de 42 anos.
Em 30 de junho o Presidente da Ukraina Petro Poroshenko postumamente condecorou-o com a ordem "Pela Coragem" de I Grau.

http://www.radiosvoboda.org/a/27833123.html

/www.youtube.com/watch?v=K5ZzT32z99E

https://www.youtube.com/watch?v=15doenQ-LLM

Tradução: O. Kowaltschuk