quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Vamos lutar. Muitas pessoas decidiram: "Liberdade ou morte!" - ativista Khomenko sobre Donbas.
Radio Svoboda (Rádio Liberdade), 16.09.2016
Vitaly Portnikov

Ouvirão os parceiros ocidentais os ukrainianos de Donbas? Comentários de Alex Ryabchyn, deputado, e Vasily Khomenko, ativista social, organizador do comício dos parentes de prisioneiros (Slovyansk - Donetsk).

Vitaly Portnikov: -  Nós falamos hoje sobre a visita de ministros das Relações exteriores da Alemanha, Steinmeier e França, Herault, para Ukraina.

Entrevistador: -  Ontem nós analisamos os acontecimentos na capital ukrainiana. No entanto, esta visita é muito importante - é a viagem dos ministros para Donbas..
Agora você vê esta famosa ponte, que tornou-se vítima da agressão russa contra nosso país. E, contra o seu pano de fundo os ministros conversavam sobre o que está acontecendo no Donbas. O que fazer. Assim falando, de costas para a ponte, destruída por Putin, estavam Steinmeier e Herault.
Vejamos o que aconteceu em Kramatorsk, quando os parentes dos cativos e ativistas sociais decidiram reunir-se aos diplomatas, que ao encontro deles não foram. (Prezados, envio o endereço da reportagem porque os respectivos vídeos não trazem endereço, não sei colocar- OK):

http://www.radiosvoboda.org/a/27996230.html

Senhor Ryabchyn, Estas cenas contra o pano de fundo das ruínas da ponte deram a volta ao mundo. Eu penso que nós e os diplomatas europeus temos diferentes visões do que observamos. Para nós isto é tragédia, conflito, guerra no nosso território, mas para eles é uma situação a ser resolvida. Esta não é uma questão de concessões políticas, mas simplesmente, para que não morram as pessoas, para que seja renovada normalmente, a situação política e econômica na região. E eu penso, que é por isso que não podemos agora compreender os nossos parceiros, e eles a nós.

Alex Ryabchyn: -   50 metro da ponte  seguravam para colegas da França e Alemanha. O povo de Donetsk quer vida normal. Aproveitar a ponte para exibir-se, é demais.
Eu lhe darei um terceiro aspecto. Para mim, esta ponte, e para muitas pessoas - é símbolo da restauração de Donetsk. Pense, dois anos e o Estado ukrainiano não consegue restaurar esta ponte (são 50 metros).
Talvez, esperam  distintos colegas da França e Alemanha para mostrar. Mas para moradores de Slovyansk não importa, se o governo local, se regional ou comunidade internacional reconstruirá esta ponte, porque eles querem viver normalmente. Mas, utilizar esta ponte para mostrar-se, penso que é demais.

Eu penso que além desta ponte podiam encontrar muitas outras ruínas.

Alex : - Sim. Não para encontrar os manifestantes, também não foram ao hospital. Nós não precisamos dessas cenas! Seu comportamento foi muito reservado.

Entrevistador :-  O quanto eu sei dos meus colegas que estavam com eles em outras delegações, eles também não saíram ao encontro dos manifestantes. Eles não foram ao hospital. Porque: não, não, não, nós não precisamos destas cenas! Para que elas nos são necessárias? Ou seja, eles não se comportam com diplomacia... Contidos.

Alex: - Sim, contidos. Estes eurodeputados deveriam ir para Kramatorsk, mas mudaram a visita por razões de segurança. Estas pessoas dizem: realizem as eleições, em uma semana o fogo vai parar. (Pelo jeito os eurodeputados adotaram a idéia dos usurpadores. Porque, quem vai se candidatar nas terras ocupadas? Eles mesmos - OK).

Entrevistador: - Sim, os eurodeputados deveriam ir também para Kramatorsk, mas cancelaram a visita por motivos de segurança. E estas pessoas agora nos dizem: realizem as eleições, com uma semana o fogo para.
- Eles nos diziam, que precisa realizar as eleições na próxima semana, mas...

Alex: - Comecem realizar - comecem discutir a lei. Comecem introduzir a lei.
Comecem introduzir esta lei. A respeito desta lei, o quanto eu sei, ainda no verão eu estive no Ministério das Relações Exteriores em Paris, e em Berlin conversei com o escritório de Merkel, e o escritório de Steinmeier. Nós sabemos, que esta lei, concepção, porque as leis devem ser desenvolvidas no Parlamento, por isso eles não querem nivelar o status do Parlamento, que eles desenvolvem dessa lei, baseada nos melhores padrões da OSCE;

- Dizem para nós, como no Parlamento, o que devemos fazer, e ainda mudar a Constituição. Isto é atrevimento demais!

A declaração revoltou muitos colegas da oposição e da coligação.

Entrevistador: - Senhor Khomenko, o senhor esteve nessas reuniões com diplomatas europeus?

Khomenko: - Estive. Mas nomear isto "como encontro" é complicado. Que eles vinham, nós soubemos a noite. Pintávamos. E eu não vi nenhum Steinmeier, nem Herault. Eles, provavelmente, não saíram de seus carros. Mas aqui é ATO, guerra - eles, provavelmente, olhavam pela janelinha. Alem´de Klimkin (ukrainiano) que se aproximava, eu, lá, não vi ninguém. Houve um operador alemão, que fotografava as mães dos soldados, que atualmente estão no cativeiro. Fotografava-as, quando elas pediam: "Deixem sair, por favor, nossos filhos!" E esforçava-se fotografar para aqueles cartazes não aparecerem. Porque neles estava escrito, que nós não precisamos de paz a qualquer preço, ao custo da ocupação russa.

Nós estamos aqui há 2,5 anos... Eis aqui os rapazes em forma - é uma "Eslava Sich (Sich, na antiguidade era o nome do centro fortificado do Exército Cossaco que, antigamente existia na Ukraina - OK). Não, eles não são militares. Nós participamos da frente, participamos de treinamentos, ocupamo-nos com educação nacional-patriótica das crianças. Por isso nós tentamos participar em todos piquetes semelhantes, para que todos compreendam: simplesmente assim nós não daremos nosso território, como isso foi, ao país "irmão" primeira vez. Nós não pensamos, que será necessário atirar em seus antigos "irmãos". (Ele usa o termo "irmãos", porque Rússia, descaradamente, chama os ukrainianos assim - OK)

Entrevistador: - Senhor Ryabchyn, como o senhor considera, tal posição irrita os europeus, serão eles capazes de compreendê-la?

Alex: - Eles (diplomatas europeus - Ed) se irritam pelo fato de que os políticos ukrainianos, de alguma forma, interrompem suas iniciativas. Eles, se acostumaram com os políticos ukrainianos, como com os papuásios - graças a Deus, nada terrível acontecerá.
Mas, quando as pessoas, com a vontade da nação, vontade que agora nós guiamos, realmente nós apelamos às pessoas para esta vontade, quando eles ficam muito nervosos. Porque é, exatamente, a vontade das pessoas que não dá aos políticos aprovar o "estado especial". 
Ao assunto, você notou, que nós estamos utilizando o "estatuto especial" porque muito rechaçavam e diziam: não - não, nenhum "estatuto especial", isto é "peculiaridade do governo local". Mas todos: e Herault, e Steinmeier, e todos eles - "estatuto especial" já dizem quase oficialmente.

Entrevistador: - Em "Acordos de Minsk" isto não é assim.

Alex: - Isto, são "particularidades do governo local" mas, de fato, na linguagem diplomática eles usam justamente isto.
E as pessoas compreendendo que o governo não era capaz pendurar esta "lokshena" (lokshena é nome de certos macarrões. Pode, também ser gíria  de um tipo de fios de distribuição de telefone - OK) assim escrevem: "estatuto especial". 

Então eu apoio plenamente o colega que disse que a nação, as pessoas não darão isto ao Parlamento. E é impossível falar sobre questões políticas, enquanto não houver segurança, enquanto não pararem de morrer nossos rapazes e civis, enquanto não houver troca de prisioneiros, enquanto não houver tempo suficiente nós não podemos falar sobre estes assuntos.

Entrevistador: - Senhor Khomenko, se o senhor se encontrasse com os ministros, o que o senhor diria, se eles dissessem, que vieram para, de alguma modo, aqui no Donbas reviver a paz? Eles falam sobre isso, e Steinmeier e Herault.

Khomenko: - Sim. E, com certeza, eu diria, que agradeço que vieram. E diria: Vamos, nós traremos a vocês 40 mil "homenzinhos verdes",  e depois começaremos, a vocês, modificar a Constituição.  Como vocês reagirão a isso?
(Estes "homenzinhos verdes", invasores, eram assim chamados no início da invasão. Não consegui saber porque os denominavam assim - OK)

Entrevistador: - Na França assim aconteceu em 1939 - 1940.

Khomenko: - Sim. E, com certeza, eles tiveram muita tristeza por este dia, fugiam, ameaçavam com o punho depois do outro país.
- Ou seja, eles querem que aqui aconteça o mesmo. Eu, pessoalmente, a 2,5 anos, cada domingo conduzo uma corrida patriótica. E, se os nossos deputados venderem-se, de algum modo votarem por questões semelhantes, não afastando os exércitos dos territórios ocupados, realizarem quaisquer eleições ou modificarem a Constituição, então aqui haverá guerra de "partizans" (guerrilheiros). E aqui, realmente haverá revolução.

Porque aqui, infelizmente, ainda temos colaboradores, que ajudam Rússia. Mas eu penso, que ao Steinmeier - os problemas de sua própria nação interessam mais, que os problemas ukrainianos. Portanto, para eles é indispensável terminar isto a qualquer preço. Isto é evidente a partir do que acontece. Se vocês não querem nos ajudar, então não interfiram. Nós vamos lutar. Já muitas pessoas decidiram "Liberdade ou morte!"

Frequento a vanguarda, conheço o humor dos militares - decididos como eu.

Entrevistador: - Nós podemos ver as declarações, que fizeram os ministros durante a visita ao Donbas.

Frank-Walter Steinmeier: - Isto foi, obviamente, a noite mais calma, que as pessoas no leste da Ukraina, em muitas semanas e, talvez até meses, viveram.

Khomenko: - Claro, ainda é muito cedo pensar, que por muito tempo será assim. Mas o regime de silêncio nos dá a oportunidade agora de pensar em outras coisas, que também são importantes para estudar. Ainda é cedo para esperar que continuará assim.
Precisamos avançar com a implantação dos Acordos de Minsk. Por seis meses nos passamos estagnação o que leva ao fato de que a segurança é incerta. Com o regime de silêncio, precisamos fazer esforço para avançar com a lei da anistia, lei do "estatuto especial", lei sobre as eleições locais.

Nós próximos dias e semanas vamos procurar soluções para essas diferenças que existem entre Rússia e Ukraina.

Entrevistador: - Não lhe parece que, quando comparamos a declaração do senhor Steinmeier e aquilo, que nos disse Khomenko em seguida, entramos num impasse?

Alex: - Sim, eles dizem que isto é um beco sem saída, mas dizem que precisa fazer concessões.

(Prezados, esta conversa ainda vai longe, já conhecemos o seu teor. Então vou procurar incluir notícias de hoje, sobre o assunto, 21/09/2-16 - OK).

Verdade Ukrainiana:
Em Minsk, o grupo de Contato Trilateral decidiu separar os exércitos. Sobre isto escreveu Darka Olifer, secretária de imprensa do ex-presidente da Ukraina Leonid Kuchma, que representa Ukraina (Caso alguém não lembra, ou não soube, estas reuniões em Minsk acontecem para encontrar a saída à ocupação de Donbass - OK).

"O documento prevê a descalada na região da linha de contato e, na verdade, criar condições, nas quais armas de pequeno porte não poderão utilizar-se para disparar. Concomitantemente, a decisão prevê a plena implementação dos acordos anteriores sobre a retirada de armas de contato calibre inferior a 100 mm" - disse ela (Durante todo o tempo da invasão, apareciam nos jornais notícias, sobre o não cumprimento das decisões do grupo de contato. Será que agora vai? - OK).

Semana Ukrainiana:
"Ukraina, com consistência, cumpre obrigações assumidas nos Acordos de Minsk, e estritamente adere ao regime de silêncio. Em continuação disto o lado ukrainiano assinou a presente decisão para garantir a execução dos acordos de Minsk por ORDLO". (ORDLO - regiões ocupadas de Donetsk e Luhansk).
Note-se, que esta decisão está prevista apenas em três locais, com coordenadas claramente definidas. No entanto, o lado ukrainiano espera que, no decorrer da execução, podem ser trabalhadas abordagens para uma possível diluição ao longo da linha de fronteira" - disse Olifer.

O documento prevê três zonas de segurança, uma área de pelo menos 2 x 2 quilômetros cada, nos pontos habitados : Zolote, Petrovsque e Stanitsa.

Radio Svoboda:
Saydik, representante da OSCE: - Em Minsk assinaram acordo os representantes da Ukraina e Rússia, rubricaram os representantes de ORDO e ORLO (usurpadores de parte de Donetsk e Luhansk).

Vários pacotes de acordos, realizados nas conversações em Minsk, preveem, entre outros, o cessar-fogo, a retirada do território da Ukraina de tropas estrangeiras, mercenários e armas, a libertação de todos os reféns e pessoas detidas ilegalmente,  e estabelecimento do controle da OSCE em toda a fronteira russo ukrainiana, até agora não foram  cumpridos.

Tradução: O. Kowaltschuk

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Durante a transferência do prisioneiro ukrainiano provocava jornalista russo
Vysokyi Zamok (Castelo Alto), 18.09.2016

Durante a transferência do prisioneiro Volodymyr Zhemchugov o propagandista russo russo Graham Philips fazia ao ukrainiano perguntas provocativas.


Philips vinha na ambulância com o prisioneiro ukrainiano para o lugar de troca de prisioneiros. Vídeo da transferência do ukrainiano ele postou em seu canal no Youtube. (Ainda se sente orgulhoso pela sua crueldade! - OK).


"A quem você é necessário agora, sem mãos?", - perguntou o jornalista.

O ukrainiano não cedia às provocações e orgulhosamente respondeu a Graham Philips.

"Eu sou necessário ao meu país. Ukraina não abandona os seus", - disse Zhemchugov.

A autorizada do presidente, em questões de solução pacífica da situação no Donbas Iryna Gerashchenko reagiu ao vídeo com indignação. "A criatura se diz jornalista, abertamente escarnece na câmara da torturada pessoa no momento de sua libertação. Ao lado pulam outros "papuásios" (Tradução do google - OK), a eles não é abominável, porque também são assim. Mas, para todos nós não deve ser assim mesmo. Nós devemos mostrar este "it" ao mundo todo, para que o mundo veja como os propagandistas pró-russos comportam-se com os prisioneiros ukrainianos", escreveu ela no Facebook.

Iryna Gerashchenko:
No dia da libertação desejava escrever apenas sobre nossos heróis. Naqueles primeiros momentos, quando na ponte em Shchastia Zhemchugov  saiu do veículo e apoiou-se nas mãos dos nossos rapazes do SBU, a ele no ritmo de dança
dos papuas veio uma criatura humanoide. Ela retorcia-se, fazia caretas, enfiava a câmera a Volodia (tratamento carinhoso para Volodymyr - OK) e algo lá tecia sobre "fascistas". Depois a criatura, com pervertido cérebro de Kremlin e passaporte britânico voltou-se aos operadores ukrainianos que mal se continham, e começou lhes gritar "jornalistas ukrainianos - "me..a". Às suas costas, alegremente dava risadinhas a negociadora das "repúblicas" (República é o nome que os ocupantes deram às duas regiões ocupadas, dos dois estados ukrainianos - OK), que arrastou este modelo jornalístico do Mundo Russo ao processo de libertação dos reféns para, no final escarnecer do gravemente doente patriota ukrainiano. A criatura endiabrava-se, porque seu objetivo era malograr a libertação, organizar provocação, escândalo, briga. 

Ao lado, tranquilamente fumavam - observavam o procedimento diferente de tudo no mundo, os membros da OSCE...

Aquilo (it) chama-se Graham Philips. Eu tenho um pedido aos meus respeitados colegas-operadores (e seus canais jornalísticos). Por favor, enviem este vídeo para mim! Publiquem-no no acesso aberto para todos. Tenho um pedido aos jornalistas, que frequentemente me perguntam, como ajudar na libertação de reféns, e aos meios de comunicação que, às vezes rompem com as suas disputas mesquinhas. E tenho um pedido às agências internacionais, respeitadas e acreditadas na Ukraina. Amigos, esta é uma questão de sua honra. A criatura se denomina um jornalista, zomba abertamente na câmera, escarnece da pessoa torturada no momento de sua libertação. Ao lado pulam outros papuásios (Não sei se a tradução da palavra é correta -OK), a eles não é nojento, porque eles são assim. Mas, para todos nós não deve ser assim mesmo. Onde estão as declarações de Dunia Miatovich, que isto não é jornalismo? Cadê as declarações dos sindicatos internacionais, que o frenesi da propaganda russa não tem nada em comum com o jornalismo? Nós devemos mostrar este it ao mundo todo, para que o mundo veja como os propagandistas russos comportam-se com os cativos ukrainianos. Vamos fazer isto juntos. Ms eu espero o vídeo dos amigos e colegas, com os quais ontem, quase não me contive e não aceitei a provocação vil. E já amanhã, durante a conferência do comitê  da liberdade da palavra da PACE (Assembléia Parlamentar do Conselho Europeu), a ser realizada em Kyiv, mostrarei este padrão  de total liberdade da palavra segundo Kremlin a todos os colegas europeus.
P.S. Agradeço a todos os rapazes-operadores, que ontem não se submeteram à provocação. Vocês não deram permissão para interromper a libertação de Volodia.

As fotos são de meu amigo, um homem brilhante e profissional Alexandre Klimenko. Ele as mandou tarde da noite, porque como eu, e todos os outros participantes da nossa viagem, após a turbulência emocional - pesada e boa não conseguia dormir.

O dia inteiro me estrangula um pensamento: se "orcs" (Ser mítico, guerreiro maior que a pessoa, com pele esverdeada -OK) nos entregassem Volodia antes (Em novembro de 2015 o reanimobile já esperava, nós devíamos levá-lo, à esposa Leni já trouxeram os papéis daquele lado, para assinar que não têm reclamações contra os médicos... e, de repente, tudo deu em nada), então, pelo menos - nós salvaríamos a visão de Volodia... Hoje, ele vê apenas contornos borrados e sozinho não podia passar pelas minas na ponte... Como puderam segurá-lo um ano na prisão? e para quê?

Em minha cabeça não se encaixa esta crueldade.

Zhemchugov libertado: "Após a guerra, a vitória virá."

Volodymyr Zhemchugov fez um discurso público após sua libertação do cativeiro dos militantes e disse que à Ukraina, obrigatoriamente, virá a vitória. Relata o canal "112 Ukraina".

"Eu quero agradecer a todos que lutaram por mim, eu sou uma pessoa que vem do Donbas, eu sou russo por nacionalidade, que nasceu e cresceu no Donbas, um ex-mineiro. Mas a vida me fez pensar diferente das pessoas comuns no Donbas, pessoas simples no Donbas, que foram simplesmente enganadas, quando diziam a elas que aqui havia fascistas e nazistas. A vida me proporcionou uma boa educação e eu fui capaz de compreender o preto no braco, e eu fiquei do lado branco", - disse ele.

"Patriotas como eu, entraram na luta contra esta ocupação russa podre, que trava guerra com Ukraina. E lá na ocupação nós não tivemos medo de pegar em armas e começar a luta com invasores russos e traidores ukrainianos que la apoiaram o exército russo, o regime de ocupação russa.  Não precisa olhar para mim, que eu estou tão fortemente ferido, que tanto sofri - guerra é guerra, matam as pessoas, ferem. Mas sempre após a guerra vem a vitória, eu acredito que vem a vitória também à minha cidade natal Krasny Luch, e a libertarão dos ocupantes russos e as pessoas viverão lá normalmente" - disse Zhemchugov.


Iryna Gerashchenko
Sábado
Amor. Verdadeiro. Ela o viu naqueles terríveis minutos quando ele voltou do cativeiro. Sem mãos. Cego. Abraçou-o fortemente. "Você é meu ouricinho... " Seu coração se rasgava. Mas ela estava ciente de que, nestes momentos, em primeiro lugar deve apoiá-lo. Com seu amor e ternura. Os jornalistas ficaram imóveis e afastaram-se para deixá-los a sós... E no helicóptero ele sorriu, pela primeira vez. Para ela. Ele tem um sorriso extraordinário.

... Estas são minhas lições de vida. As quais dão às pessoas fortes, que eu encontrei nestes dois anos de vida. Obrigado por estas lições.


Poroshenko: Gostaria que o mundo inteiro escuta-se - os nossos nós não abandonamos. Vamos continuar a luta até o retorno para casa de todos os ukrainianos.

Do cativeiro dos militantes libertamos mais dois ukrainianos.

Iryna Gerashchenko:
Volodymyr Zhemchugov e Yurii Suprun. A eles será dada a indispensável ajuda médica. Poroshenko acrescentou, que o governo continuará a luta pela libertação de todos os ukrainianos.

Volodymyr Zhemchugov e Yuri Suprun - na liberdade! Em poucas horas eles estarão em Kyiv, em um dos melhores hospitais. O presidente instruiu mandar por eles um avião. Eles precisam de tratamento sério e reabilitação - e próteses para Volodymyr. A Volodia veio sua corajosa esposa, Helena. Ele já falou ao telefone com a mãe e o presidente.

... Mutilado, sem terminais, quase cego, capturado há um ano por militantes, os últimos meses Volodymyr passou nem mesmo no hospital da prisão, mas na câmara, de onde o arrastavam para "julgamento", ameaçando com trinta anos de prisão. Nesta terrível situação os "orcs" mantinham Volodymyr na prisão... Eu não sei, como o coração da Helena, esposa, resistiu a este encontro... Todos nós choramos.

Yuri Suprun - representante da ONU, detido pelos militantes "por espionagem" na primavera de 2016. Nas últimas semanas ele também foi arrastado aos tribunais, ignorando abertamente a imunidade diplomática que Yuri tinha com uma organização internacional humanitária e chantagem quase com disparo da arma. Como protesto Yuri anunciou greve de fome. Mas, naqueles "tribunais" não havia jornalistas, diplomatas, nem representantes de missões humanitárias internacionais, os quais, lá, simplesmente não permitem. Então sobre a greve de fome sabia apenas a família e nós, aqueles que lutavam pela sua libertação. Hoje, à noite Yuri foi "condenado" em Donetsk e "condenaram-no" para 18 anos por espionar para Ukraina. Este circo foi necessário, para não entregá-lo simplesmente, mas conceder-lhe "perdão".

Isso tornou-se possível graças aos super-esforços do presidente, SBU (obrigado COLEGAS) e grupo humanitário de Minsk, onde  trabalhamos eu e V. Medvedchuk (ele conduziu todas as negociações com o outro lado).

Agora já podemos contar todos os detalhes da operação de hoje. Por Volodymyr nós, do Grupo de Minsk, e o SBU lutamos todo este ano. ORLO (território ocupado de Luhansk) enganava-nos que tal pessoa eles não tinham, depois, que ele já estava no apartamento de sua mãe no Vermelho Luch (neste período sua idosa mãe chorava para mim no telefone, que não sabe, onde está seu filho), depois, os "humanistas" diziam que ele não é nenhum grave doente, mas simplesmente pessoa com deficiência - sabotado, e deve, simplesmente, aprender a viver na prisão, na nossa realidade... De nós escondiam a informação, onde procurá-lo.

Como Volodymyr Zhemchugov voltava do cativeiro.
Após quase dois anos de permanência no cativeiro dos combatentes da "FSC" (parte arrebatada de Luhansk) Volodymyr, finalmente, voltou para Ukraina.
Como é sabido Volodymyr Zhemchugov foi prisioneiro dos combatentes desde o final de 2015. Então, à sua esposa Helena telefonaram de Luhansk e avisaram, que Volodymyr está em um hospital regional  com ferimentos graves.
Que Zhemchugov, acidentalmente, provocou uma explosão que lhe feriu os olhos e decepou os raços. Estilhaços entraram na barriga e coxas.


De acordo com a versão do"FSC", Zhemchugov - sabotador, fez uma série de explosões, e recebeu ferimentos, porque colocou mal a mina. Os terroristas o culpam de cometer interrupções ferroviárias na região de Lutoginsky e também, que Zhemchugov no hospital teve cuidados médicos, mas ele ficou sem as mãos, sem os olhos - praticamente um inválido.

https://www.youtube.com/watch?v=jJQZ5pO5Usg

Tradução: O. Kowaltschuk

sábado, 17 de setembro de 2016

Notícias ukrainianas - 16.09.2016
Vysokyi Zamok (Castelo Alto)

União Européia nomeou as condições para fornecer a Ukraina 600 milhões de euros para reformas.
Eu outubro devem ser cumpridos todos os requisitos necessários para receber a próxima parcela de assistência macro financeira da UE , de 600 milhões de euros.
"Receberemos o dinheiro assim que cumprirmos todas as condições: é a aceitação da lei sobre independente regulação da energia, como também a decisão da exportação da floresta. Tenho certeza de que, em outubro esses problemas serão resolvidos pelo Conselho. Assim, em breve, conseguiremos o dinheiro", - disse o Ministro das Finanças Alexander Danyliuk.

Do site "Apostrophe"

O Fundo Monetário Internacional - MFI -  transferiu para Ukraina a terceira parcela, no valor de 1 (um) bilhão de dólares, informou o serviço de imprensa do Banco Nacional, segundo o Programa de Financiamento Ampliado EFF.

A princípio, a terceira parcela era prevista, ainda em 2.015, para 1,7 bilhões de dólares. Depois, para junho deste ano. Devido a não execução, pela Ukraina, de todos os acordos  o FMI reduziu o tamanho da tranche para l (um) bilhão.

O memorando contém uma série de condições, os chamados "beacons" que o Fundo apresentou para Ukraina, para o recebimento da próxima parcela. Grande parte das novas exigências do FMI relaciona-se com a reforma de pensões, que agora é composta por duas dezenas de documentos separados.

A Ukraina é necessário, em dezembro de 2016, aprovar a lei para mudança gradual da aposentadoria. A idade não é especificada.

Esta lei também deve prever a redução das razões para reforma antecipada e fundamentos para recebimento da pensão mínima.

Outras indicações para a reforma das pensões - estabelecimento de um princípio único de benefícios na aposentadoria (exceto militares), a ampliação da base para as contribuições para o sistema de segurança social, introdução de regime social fiscal justo para pensões, garantia de ligações mais estreitas entre contribuições e o montante da pensão, que deve, por sua vez, estimular os cidadãos às declarações de sua renda real.

Além disso prevê-se, que o financiamento de diversos subsídios categóricos para pensões de trabalho serão transferidos para o Fundo de Pensões do orçamento do Estado.

Também é prevista a supressão de pensões especiais e a criação de condições e criação de um sistema de pensões financiado (para acréscimo do existente sistema solidário).

Mais uma condição é a introdução, até o final de outubro, de um mecanismo temporário para ajustar tarifas para o gás e aquecimento, numa base trimestral, no caso em que as tarifas desviam-se da cobertura completa do preço do gás importado para mais de 10%.

Até o final de outubro, o Conselho de Ministros deve aprovar e publicar a relação de empresas estatais, definindo qual delas continuará permanecer estatal, quais serão privatizadas e quais serão liquidadas. Até o final de dezembro devem ser feitas mudanças legais para privatização transparente.

Também até outubro, todos os altos funcionários devem apresentar declarações eletrônicas de seus ativos até 2015, e a estes dados deve ser garantido acesso gratuito num único site.

Até o final de setembro, o governo deve apresentar ao Parlamento um projeto de lei sobre o volume de terras agrícolas e aprovar uma lei, que reforça as regras do Código de Processo Civil e Código de Processo Econômico em operações internas e prisão de contas bancárias.

No final de novembro de 2016, sob os termos do memorando, o parlamento deve aprovar a legislação sobre o Secretariado Nacional Anti-Corrupção da Ukraina, que receberá uma ampla gama de poderes, o que lhe permitirá não depender da infra-estrutura de outros departamentos.

Também o FMI fez uma previsão do desenvolvimento da economia da Ukraina até 2021. De acordo com o crescimento do PIB da Ukraina, em 2017 o crescimento poderá ser 2,5%, em 2018 - 3%, em 2019 - 3,5%, em 2020 e 2021 - 4%.

Conforme já foi relatado, o Conselho de Administração do Fundo Monetário Internacional decidiu continuar o programa de cooperação com Ukraina e concedeu quantidades adicionais de ajuda financeira (Será que agora vai? - OK).

Ukrainska Pravda (Verdade Ukrainiana)

A Organização Transparency Internacional acredita que a decisão do Fundo Monetário Internacional para fornecer a Ukraina o tranche de US $ 1 bilhão de dólares é política. Isto é afirmado com base nas palavras do presidente Jose Uhas, segundo "Novidades Ukrainianas".

"Se a decisão fosse formada sob condições normais de empréstimo, ela seria negativa. Mas a política prevaleceu, e Ukraina terá mais uma "tábua de salvação" - disse Uhas.

Ele denominou Ukraina país que tem "elite dominante, comprometida pela corrupção", e disse que o país continuará vulnerável à corrupção e à tomada de poder, enquanto não ajustar a economia e não colocar um fim à impunidade dos funcionários. (Sobre estas mazelas as notícias nos jornais ukrainianos são frequentes, diárias. Principalmente referem-se aos funcionários graúdos. Entre os menores também não é raro. - OK).

Uhas também expressou dúvidas de que, com o existente sistema judicial na Ukraina, será conduzido até o final o caso contra o ex-presidente Yanukovych.

"O fato, de que a questão Yanukovych ainda não ter tido sucesso, é um sinal simbólico de que o sistema não funciona. Na semana passada o Serviço de Estado do Financial Monitoring informou que o montante, atribuído a Yanukovych, totaliza 7,5 bilhões de dólares EUA. Tais questões investigam-se mal com o sistema judiciário, e isto não corresponde a nossos objetivos, mas o governo protela a reforma do sistema", - disse ele.

Segundo suas palavras, o tribunal anti-corrupção pode ser criado na Ukraina já neste outono, com as alterações apropriadas na legislação. Uhas acredita, que os doadores, que fornecem apoio financeiro internacional devem ter em conta a independência do poder judicial e também a criação de tribunais funcionais anti-corrupção.

Guerra no Donbas: consequências do bombardeio em Mariinka
"Apostrophe", 16.09.2016

Militantes pró-russos dispararam sobre a região Mariinka-Donetsk, do lado do assentamento, distrito Trudovska. Avisa o centro de imprensa da ATO no Facebook.
O bombardeio ocorreu em 15 de setembro, com lança-granadas RPG-7,  GP-25, metralhadoras pesadas e armas ligeiras. Ressalta-se que os militantes conduziam disparos com com munição incendiária, resultando em casas danificadas-destruídas e edifícios agrícolas no setor privado de Mariinka.
Felizmente não houve vítimas humanas entre a população civil.





Tradução: O. Kowaltschuk

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Crianças que vivem entre as trincheiras
Ukrainska Pravda Jettia (Verdade Ukrainiana Vida), 0809.2016
Mariana Pyetsukh

Não tenha medo, de manhã às quatro não atiram. Iremos neste período. Mas, se atiram, já estão no final de sua trajetória, portanto, não matam.
- Bem, mas o rapaz, a um mês atrás, mataram.
- Venha, isto é a frente. Não estamos indo a um balneário. Pode acontecer qualquer coisa.

Na véspera da visita à "Velha Avdiivka" que fica ao lado da "Promka", Elena desperta em mim o "espírito de luta". (Um vídeo compara "Promka de Avdiivka" com "inferno na terra" - pesquisa OK). Mas, com as histórias, que "naquele extremo da cidade os taxistas não querem ir" - coragem não aumenta.

Elena prepara-se para ir, independentemente, se me encorajo ou não - ela já fez isto muitas vezes.
O objetivo da viagem à "zona vermelha" ATO - jogar baralho com Katia, 13 anos. Especificamente, o jogo de tabuleiro para crianças, UNO.
Elena Rozwadovska - voluntária, natural de Lviv. Em Kyiv vivia num apartamento alugado. No final de 2014 deixou sua vida na capital, vendeu todos os seus objetos e mudou-se para a zona ATO.

Foto do arquivo da Elena Rozwadovska
Habitação efetiva aqui Elena não tem. Ela viaja de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, como em exploração - procurando crianças que vivem na linha da frente.
Ela está convencida de que, se à vida destas crianças trouxer as cores, elas suportarão com mais facilidade os traumas psicológicos causados pela guerra. Por isto Rozwadovska viaja regularmente à zona ATO para visitar as crianças, às quais faltam amigos, que emigraram à procura de paz, ou atenção, porque seus pais têm muitos filhos, e jardins de infância sofreram tiroteios.
Elena fica muito irritada, quando amigos e conhecidos dizem que ela é heroína. Diz que feitos não realiza - simplesmente apenas implementa seu ainda não gasto, instinto materno.

Caminho para o inferno

Na parte da manhã o bombardeio não para. Até nós, no bairro de Avdiivka "Químico" constantemente ecoam explosões na "Promka". 
"Químico" - é uma região de prédios de apartamentos - "Khrushchovskas" (de Krushchov), construídos junto com a Fábrica de Coqueria de Avdiivka (Maior empresa do tipo na Europa. Em 2007 produziu mais de 3 milhões de toneladas de coque metalúrgico - pesquisa OK).
A Velha Avdiivka - é região de casas particulares, localizadas bem próximo da "Promka".
As duas áreas separa uma ferrovia, através da qual os residentes do "Químico", no último ano, tentam cada vez, não atravessar. Apesar de que a mais de um ano, era o contrário: o epicentro da luta era apenas o "Químico", e na Velha Avdiivka estava calmo.

Em 2014=2015 o epicentro da luta em Avdiivka era a região de prédios de apartamentos "Químico". Foto Mariana Pyetsukh
Próximo dez da manhã.
- Você ouve?
- Ouço, - responde-me Elena. - Hoje algo está atrasado. Se até às doze não acalmar-se não iremos.
- Talvez, coletes à prova de bala algures consigamos, - digo, meio brincando a Elena. Ela ri em resposta.
- Em um ano e meio eu ainda nunca usei colete à prova de bala. Bem, como eu irei às crianças vestindo tal colete. Não vai haver contato.
- Bem, vamos lá? - Depois de uma pausa de meia hora, alegremente pede Elena.
- E o quê, se começar novamente?
- Bem, se você quer - fique. Mas eu estou saindo.

Ficar não queria. Porque queria sentir, como vivem sob balas as pessoas, as quais, segundo a versão de algumas partes da nossa sociedade - "sozinhas são culpadas" e "sozinhas chamaram a guerra sobre si".

Elena chama um carro. O motorista - George, um residente da Velha Avdiivka. Talvez o único taxista na cidade, que leva as pessoas além da linha de trem. Ele não teme, porque sozinho vive depois dela.

No bloqueio junto à estrada de ferro não verificaram nossos documentos. George explica, que os militares ukrainianos já o conhecem bem e verificam apenas, quando ele dá o sinal de que os passageiros são desconhecidos ou suspeitos.

A estrada pela Velha Avdiivka estende-se por dez quilômetros. Transeuntes raros caminham rapidamente, até correm. Quanto antes chegar à meta, mais chance evitar o encontro com bala ou fragmento de projétil.

- Este aqui morreu em julho, jovem de 19 anos - indica Elena para o lado da casa, aonde no verão, veio à casa dos pais, o estudante da Universidade de Dnipro (ex-cidade Dnipropetrovsk, cujo nome era em honra de um soviético. No entanto a província contínua Dnipropetrovsk porque a origem é outra -  OK). A bala atingiu a cabeça às quatro horas do dia, no próprio quintal.

Foto do jovem de 19 anos no Memorial às vítimas entre a população civil em Avdiivka. 19.07.2016 a bala atingiu a cabeça em seu próprio quintal.
Nós continuamos, à casa de Katia. Katia vive mais perto de "Promka".
A menina abre, alegremente, o portão com vestígios de projéteis. 
Para nós, muito alto e agressivamente, late o cachorro. Depois me explicam: o cão ficou agressivo devido a constantes tiroteios.

- Acabaram de me ligar, disseram que próximo ao quiosque, caíram três projéteis. Vocês não viram, quando vinham - emocionalmente pergunta Ira, mãe de Katia.
Nós, francamente surpreendidos, porque nada ouvimos, e suspiramos de alívio porque desencontramo-nos do perigo.
- Assim acontece: quanto mais próximo cai o projétil, menos ouve-se a explosão, - explica para mim, assustada, a Elena.
Eu olho para a cerca de ardósia com muitos buracos. A visita desesperada (ou seja, eu) Ira acalma:
- Isto foi ainda em maio. Bombardeavam desde onze horas às três da noite. Aqui, cada casa sofreu. Nós perdemos duas janelas inteirinhas.
- E na casa do tio Vasya a toalete inteirinha sumiu, - com sorriso relata Katia as consequências de ataques.
- Explicavam que alguns estudantes russos disparavam - eles faziam treinamento ou algo assim. Mas agora ninguém explica, quem atira. Impossível entender, de onde atiram. A impressão é que atiram de todos os lados.

No pátio da Katia.
A conversa com Ira continua na cozinha. Ficar no pátio é assustador. Embora Elena com Katia à casa não adentraram até agora, Katia puxou a amiga para brincar com coelhinhos.
- A senhora já se acostumou, ou ainda sente medo? - pergunto à dona da casa.
- O medo não pode nos embotar, só os tolos não tem medo. Mas, a partir desta sem saída, simplesmente, de algum modo nós nos organizamos. Nós sempre temos pronta uma mala com alguns pertences e documentos. Mas, se houver um golpe direto, nada se salvará.

Se houver um golpe direto sobre a casa, nada salvará. A mãe da Katia dorme na frente das janelas, que estão na direção de "Promka". Foto Mariana Pyetsukh.
- Frequentemente usa sedativos?
- E validol, e Corvalol, e espinheiro branco. Embora eu não deva usar diariamente devido aos problemas cardíacos. Mas, quando o bombardeio é forte, então temo. Esta noite tomei, porque não podia dormir devido a grande tiroteio.

À pergunta banal, porque não vai embora com a filha, - recebo resposta banal: não tenho para onde.
Na verdade, no vizinho "Químico" pode-se alugar um apartamento apenas pelo valor do condomínio. Tal apartamento alugam as pessoas que foram para outros locais, mas o condomínio tem que pagar.


- Minha pensão é de 1.300 UAH. Metade será preciso pagar pelo condomínio, e depois? E aqui eu aqueço com o carvão, que recebo gratuitamente da fábrica, como sua ex-funcionária.
Encontrar um ganho extra para Ira é difícil: ela é deficiente e mal se move.
Pelos produtos humanitários, que distribuem no edifício do Conselho Municipal em "Químico", Ira não vai. Primeiro, é longe. Segundo, a mulher não tem forças para suportar as filas e brigas nas filas.
- Eu precisava pegar um atestado. Mas uma velhinha da fila não me deixava entrar. Eu lhe dizia - eu não vim buscar produtos, eu quero um atestado. Ela, assim mesmo, não me deixava entrar, pensava, que eu queria enganá-la, furar a fila. Eu me sentei e chorei.
- É esta a categoria de pessoas: elas, se mesmo ganharem ajuda humanitária todos os dias - assim mesmo vão brigar por ela.

Certa vez os voluntários levaram para Ira um saco de grãos e farinha. Ela fala sobre este episódio com tal gratidão e admiração como se este fosse o maior bem que já lhe fizeram na vida.
Mas com a restauração das janelas ninguém ajudou Ira. As organizações internacionais, que na zona ATO envolvem-se com o fornecimento de materiais de construção e janelas de edifícios afetados, à Velha Avdiivka não vem.Porque eles são proibidos de aparecer na "zona vermelha" ´muito perigoso.
Então Ira precisou encomendar e comprar as janelas, gastando as últimas poupanças.

- Se eles bombardearem novamente, eu simplesmente não sobreviverei, diz ela.

Elena volta com Katia da rua. Chamam para jogar UNO.

Num tal conchego atrás de paredes de sua própria casa Katia com a mãe esconde-se das balas casuais. Foto Mariana Pyetsukh
Na dianteira, para jogar.

De acordo com Elena, UNO é um jogo que treina a concentração, com a qual as crianças podem ter problemas devido ao stress constante e trauma da guerra. A recusa de Katia em ser fotografada conosco, ela explica com : timidez comum e adolescência - a menina crê, que aparece mal na foto.

Em Velha Avdiivka há duas escolas - com idioma ukrainiano e russo. Apesar das constantes lutas e local de maior perigo, Katia frequenta a escola ukrainiana, porque sua mãe considera o idioma ukrainiano - mais promissor.

Além do jogo de cartas, Elena desenha com as crianças, ou simplesmente conversa.

- Se trata-se de adolescentes, esta conversa, para eles, é muito importante. Para que eles compreendam, que ao lado há alguém com quem você pode conversar, quando os amigos fugiram da guerra. E também as sensações tácteis são importantes. Todas as crianças gostam de abraçar-se, isto também é terapia.
No entanto, Elena nunca demonstra compaixão abertamente. Está certa que a piedade - é coisa destrutiva e apenas prejudica.

Elena, abertamente, não demonstra seu pesar. Ela acredita que a compaixão é destrutiva e só dói. Foto do arquivo de Elena Rozwadovska
Sobre a guerra, com as crianças, Elena fala pouco. E, para as crianças este tema já "cansou", que a muito tempo já conhecem todos os aspectos das armas, catando na rua balas, conchas ou fragmentos de conchas. Elas, até já aprenderam gracejar sobre a guerra e morte.
Elena lembra, como sua amiga adolescente de Krasnogorivka, vendo um cemitério, sugeriu, que seria divertido cobrir-se com lençol branco, na testa pintar uma mancha vermelha, como se fosse rastro de sangue, e assim assustar as pessoas. 

- Quando eu converso com elas, - percebo que a guerra é apenas uma pequena parte de suas vidas. Elas tem bastante outras preocupações, pensamentos, motivos de alegria, como as crianças fora da zona ATO. Esta é infância  comum em que a guerra interveio brutalmente, mas não a parou.
A guerra severamente influiu nos adultos, que não vêem perspectivas na vida. Mas, às crianças a vida não acabou - ela apenas começa. Precisa apenas ajudá-los a atravessar estes acontecimentos incompreensíveis, quando sua casa aconchegante e sua rua se transformaram num lugar de ansiedade.

Foto do arquivo de Elena Rozwadovska
O fato de que a vida continua e, na frente há coisas interessantes, confirma Sacha de onze anos, que gosta muito de jogar futebol. A bala atingiu sua perna, quando ele andava de bicicleta pela Velha Avdiivka, mas não atingiu o osso. Ele se recuperou e planeja continuar jogando futebol. E sonha com campo de futebol para crianças do "Químico".

Começou nova vida para vizinha de Katia - Olenka.
Elena conheceu sua xará Olenka casualmente - viu, como no quintal, na terra engatinhava uma criança já crescida. A criança, de nove anos, tem paralisia cerebral, mas os médicos prometeram colocar a criança em seus pés após a cirurgia.

Olenka da "Velha Avdiivka" não andava. Elena ajudou a levantar fundos para a cirurgia e levar para hospital em Kharkiv. Foto de arquivo de Elena Rozwadovska.
Elena divulgou um chamamento e reuniu fundos para o tratamento de Olenka no hospital de Kharkiv. A menininha já foi operada e logo andará. (É surpreendente a dedicação de voluntários, felizmente há muitos, e a colaboração de pessoas particulares na arrecadação de fundos para este tipo de necessidades. Por outro lado é revoltante o comportamento de muitos ukrainianos que enriqueceram, muitas vezes roubando e explorando o povo. São a praga, tanto quanto os governantes russos - OK).

E ainda teve sorte a um encontro casual com Elena - o pequeno Alex de Avdiivka. Ao menino faltam três dedos: no verão passado ele levantou do chão uma "descoberta interessante" - o fusível de uma granada. 
Alex é de uma grande família pobre. Elena traz coisas necessárias a seu irmãozinho e irmãzinha, e frequentemente leva as crianças para Pokrovsk - para passear e comer sorvete.

Alex (no segundo plano, de boné) perdeu três dedos ao levantar do chão o fusível de uma granada. Foto Elena Rozwadovska.
Nós terminamos o jogo UNO. O som de morteiro foi ouvido. O relógio na parede indica três horas. De acordo com a "programação" local, os ataques regulares começam uma hora mais tarde.

Elena telefona ao taxista Yuri.

Voltamos para cozinha. Visitar Ira veio a vizinha. As mulheres falam sobre a conservação. A vizinha tem um grande quintal, no qual, a poucos dias, o marido tocou com gadanha em um projétil. O projétil não explodiu, ele chamou os sapadores.
Ainda há três vacas., que o homem leva para pastar próximo de "Promka".
- O senhor sairia daqui, se houvesse para onde ir?
- Bem, talvez com as vacas. Eu não deixarei minha propriedade, a senhora sabe, muito trabalho colocamos nela! 
A mensagem seguinte ainda é mais chocante. A mulher diz, que amanhã sua filha de "Químico" trará dois netos - de 5 e apenas 1 ano.
- Ela trabalha na fábrica, até 1:00 hora da tarde, e nós cuidaremos dos pequenos.
Pelo caminho Elena esforça-se para explicar-me que isto é consequência "viciante", na qual o instinto da auto-preservação, incluindo filhos e netos, já embota-se.

- No início eu propunha a todos os pais ajudar a encontrar habitação, para sair daqui. Mas, finalmente compreendi, eles não irão embora de suas casas.
Esta é a sua casa, mesmo que eles vivam entre as trincheiras. Criam aqui seus filhos e continuam dar à luz. Assim, na próxima rua, há um mês, nasceu um menino. Então eu compreendi, que não posso mudar nada. Bem, eu não tirarei seus filhos!

Para mim resta apenas vir aqui e com conversas amigas ajudar as crianças para que sobrevivam à terrível realidade.

"Guerra - é apenas pequena parte da vida das crianças locais. Elas têm mais problemas e razões para divertimento. Como as crianças além da zona ATO..." Foto do arquivo de Elena Rozwadovska

Texto preparado dentro do projeto, que é influenciado pelo Governo do Canadá, através do Ministério das Relações Exteriores do Canadá.

Tradução: O. Kowaltschuk