segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


TRAIDOR NÚMERO UM. COMO JULGAVAM YANUKOVYCH?
Ukrainska Pravda (Verdade ucraniana), 24.01.2019
Sonia Lukashova

 

Em 24 de janeiro, os juízes, finalmente, anunciaram uma sentença histórica para Ucrânia. Pela primeira vez, lhe prescreveram, embora em ausência, o período carcerário de 13 anos, de 15 solicitados pelos promotores.

O julgamento de Viktor Yanukovych durou 20 meses. O "processo número 1" da moderna história ucraniana monitorava o país todo. A proteção do ex-presidente usou essa atenção com sucesso, transformando o tribunal em um estúdio de talk-show.

Houve discussões sobre o Maidan, a anexação da Crimeia e a agressão russa. Aos interrogatórios compareciam representantes de quase todas as elites políticas, tanto antigas como atuais.

Embora Yanukovych tenha sido considerado culpado, o veredicto ainda não entrou em vigor. E isso significa, que a epopeia forense pode se arrastar por anos.

O que incriminam a Yanukovych?

Após a fuga do ex-presidente do país, foram abertos 10 processos criminais contra ele. Yanukovych aparece em caso de ocupação ilegal das residências de "Mezhyguiria" e "Sukhovluchya", falsificação dos resultados da votação de "leis ditatoriais", crimes contra Maydanivtsi (participantes de Maidan), inúmeros crimes econômicos graves, subornos disfarçados de recompensa pelos livros autorais.

O julgamento de Viktor Yanukovych durou 20 meses. No entanto, ao tribunal, até agora, apenas uma acusação chegou, contra o ex-presidente- a questão de traição do Estado. O Ministério Público também chamou o ex-presidente de "manual para potencias russas", que empreenderam uma guerra agressiva contra Ucrânia e mudança de suas fronteiras.

Suspeita a Yanukovych anunciaram em 2016, quase dois anos após a fuga do ex-presidente. Yuri Lutsenko, então procurador geral, leu pessoalmente seu texto em um intervalo da sessão judicial. contra os antigos "berkutuvtsi", onde o ex-presidente foi interrogado como testemunha.

Suspeitava-se que Yanukovych não assegurou a soberania do país no início da agressão russa, mas fugiu e entrou numa conspiração com os russos.

A base da acusação foi o apelo ao presidente russo, Vladimir Putin, de 1º de março de 2014. Não reconhecendo a mudança de poder na Ucrânia, Yanukovych pediu ao seu "colega" russo para usar as tropas "para restaurar a legitimidade, a paz e a ordem, a estabilidade e a proteção da população ucraniana".

O ex-presidente não admitiu sua culpa. Ele disse que, devido a proteger as pessoas, realmente escreveu para Putin mas o documento não foi posto em prática.

Posteriormente afirmava que apenas propôs ao presidente russo "realizar consultas" e "considerar a introdução de uma missão policial de manutenção da paz". Supostamente, ele escreveu cartas semelhantes aos líderes da Alemanha, França e Polônia.

O ex-presidente tentou reclamar da "violação de seus direitos" à Suprema Corte. Ora ele retirava seus advogados, ora os devolvia à sala de reunião.

Ele não apareceu no tribunal. Na véspera da data prevista, a mídia russa informou que Yanukovych teria sido hospitalizado devido a uma lesão no joelho, adquirida no jogo de tênis. Documentos médicos substituíram as últimas palavras do ex-presidente.

E, foi com o apelo de Yanukovych ao presidente russo que Rússia tentou legitimar sua agressão à Ucrânia e introduzir os tais "homens verdes" nas administrações e unidades militares da Crimeia. E, foi o representante russo Vitaly Churkin, que em uma reunião do Conselho de Segurança da ONU leu o apelo de Yanukovych.

Outros participantes russos, contra os quais os quais foram abertos processos: Vice-ministros da defesa Dmitry Bulgakov e Nikolay Pankov, alguns funcionários da Frota do Mar Negro, incluindo Vladimir Karpushenko, que em 2014 foi reconhecido como "comandante da autodefesa da Criméia".

Na maioria dos casos a investigação já foi concluída, e aos russos espera um julgamento em ausência por ter incitado os militares ucranianos à traição de estado e cooperação na guerra.

Tradução: O. Kowaltschuk




Nenhum comentário:

Postar um comentário